{"id":13862,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/carta-aos-autarcas\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"carta-aos-autarcas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/carta-aos-autarcas\/","title":{"rendered":"Carta aos autarcas"},"content":{"rendered":"<p>Est\u00e3o a\u00ed as elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas. Paira no ar a dan\u00e7a das palavras e das imagens, exibem-se cartazes gigantes com fotos de personagens de olhar generoso e frases arrojadas. Tudo dentro dos valores normais para a \u00e9poca. A maturidade democr\u00e1tica inclui, na lista, o desconto aos exageros e gabarolices com que se adjectivam  os discursos e se enaltecem os concorrentes. Para se governar a cidade \u00e9 preciso ter uma concep\u00e7\u00e3o de cidade. Mesmo que se trate duma pequena aldeia que nunca chegar\u00e1 a metr\u00f3pole. Por isso me atrevo a aconselhar a  candidatos e votantes um documento not\u00e1vel &#8211; a \u00faltima Carta Pastoral do Patriarca de Lisboa, intitulada A Igreja na Cidade. Enquadra-se no pr\u00f3ximo Congresso &#8211; Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o. Dirige-se \u00e0 cidade de Lisboa. Envolve-se numa perspectiva pastoral e n\u00e3o c\u00edvica ou pol\u00edtica no sentido convencional. Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel gerir a cidade hoje sem ter em conta (para al\u00e9m dos aspectos de evangeliza\u00e7\u00e3o) a reflex\u00e3o sobre o urbe que cada um constr\u00f3i. Tendo em conta a sua hist\u00f3ria, os seus contextos geogr\u00e1ficos, culturais,  os seus novos tecidos, as mudan\u00e7as que se operaram. Importa lembrar que as cidades t\u00eam alma, evolu\u00e7\u00e3o nas popula\u00e7\u00f5es, imigra\u00e7\u00e3o, mobilidade, altera\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas, ambiente, transportes, riscos, sil\u00eancios, esquecimentos, medos, fugas. E pobres, marginais, an\u00f3nimos em excesso. Tudo isto somos n\u00f3s. A tudo isto se refere um pouco o Patriarca de Lisboa. (Pode ler-se esta Carta na \u00edntegra a partir do site da Ag\u00eancia Ecclesia, www.agencia.ecclesia.pt, ou do Patriarcado de Lisboa, www.patriarcado-lisboa.pt). N\u00e3o resisto, todavia, a deixar uma cita\u00e7\u00e3o, ainda que \u00ednfima, alusiva \u00e0 cidade que se move: &#8220;Trata-se de uma caracter\u00edstica das grandes cidades, em evolu\u00e7\u00e3o crescente desde h\u00e1 dois s\u00e9culos, mas que deu um salto qualitativo com a civiliza\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel e o alargamento da rede de transportes p\u00fablicos. Tudo isto provocou altera\u00e7\u00f5es sucessivas na concep\u00e7\u00e3o das cidades e na vida das popula\u00e7\u00f5es. A cidade passou a organizar-se a partir das exig\u00eancias dos transportes, e n\u00e3o das pessoas. Os chamados &#8220;pe\u00f5es&#8221; perderam espa\u00e7o nas grandes cidades, que privilegiaram a desloca\u00e7\u00e3o, de casa para o trabalho, da periferia para o centro e vice-versa, na busca dos m\u00faltiplos centros de interesse das pessoas e das fam\u00edlias, que parecem passageiros em tr\u00e2nsito. A mobilidade introduz altera\u00e7\u00f5es profundas na compreens\u00e3o da vida. Antes de mais na defini\u00e7\u00e3o do &#8220;tempo humano&#8221;, isto \u00e9, a rela\u00e7\u00e3o da vida com a ocupa\u00e7\u00e3o do tempo, ou o tempo concebido como espa\u00e7o para a vida. &#8220;Passageiros em tr\u00e2nsito&#8221;, n\u00e3o t\u00eam tempo para a leitura, para o conv\u00edvio, para a ora\u00e7\u00e3o e vida religiosa, para o lazer que passa a ser, apenas, e quando o \u00e9, mais um n\u00famero de um programa sobrecarregado. O cristianismo introduz na vida uma dimens\u00e3o contemplativa, o que sup\u00f5e um tempo humano mais pacificador. H\u00e1 dimens\u00f5es essenciais da felicidade humana que, para n\u00e3o as perder, \u00e9 preciso lutar contra o bul\u00edcio da cidade. A Igreja n\u00e3o se pode deixar arrastar para essa voragem do &#8220;tempo-sem-tempo&#8221;, e oferecer \u00e0s pessoas o espa\u00e7o-tempo da tranquilidade e da paz.(n\u00ba7)\u201d.  <i>Ant\u00f3nio Rego<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e3o a\u00ed as elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas. Paira no ar a dan\u00e7a das palavras e das imagens, exibem-se cartazes gigantes com fotos de personagens de olhar generoso e frases arrojadas. Tudo dentro dos valores normais para a \u00e9poca. 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