{"id":13859,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/taize-um-desafio-a-renovacao\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"taize-um-desafio-a-renovacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/taize-um-desafio-a-renovacao\/","title":{"rendered":"Taiz\u00e9, um desafio \u00e0 renova\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o quase oito da noite e a igreja da Reconcilia\u00e7\u00e3o come\u00e7a a encher-se. Nas diversas entradas, v\u00e1rios Jovens ostentam cartazes com a palavra \u201c Silencio \u201c em diferentes l\u00ednguas. No interior, reina agora um sil\u00eancio apenas perturbado pelos \u00faltimos a entrar, tentando encontrar um lugar. A esmagadora maioria das pessoas est\u00e1 sentada no ch\u00e3o. Os irm\u00e3os da comunidade v\u00e3o entrando e ocupam os banquinhos de ora\u00e7\u00e3o ao centro, virados para o \u00edcone da Reconcilia\u00e7\u00e3o. Nisto, algu\u00e9m entoa o primeiro verso do c\u00e2ntico e um instante depois, toda a igreja canta em un\u00edssono. S\u00e3o c\u00e2nticos pequenos e simples, o seu car\u00e1cter repetitivo permite uma f\u00e1cil interioriza\u00e7\u00e3o. A liturgia de Taiz\u00e9 assenta em leituras b\u00edblicas, nos c\u00e2nticos e no sil\u00eancio, permitindo atingir momentos de Paz e de alguma como\u00e7\u00e3o, em especial na sexta-feira a Adora\u00e7\u00e3o da Cruz. A simplicidade das coisas \u00e9 uma constante. As refei\u00e7\u00f5es s\u00e3o precedidas de longas filas at\u00e9 atingir diversas \u201clinhas de distribui\u00e7\u00e3o\u201d, pega-se no tabuleiro no prato e na malga,  por vezes ainda molhados da lavagem e acolhe-se a comida. Um jovem com uma colher de sopa deita a comida no prato, outro d\u00e1 uma pe\u00e7a de fruta, um queijo, outro umas bolachas.  Ao lado, na copa \u00e9 a festa da lavagem com as mangueiras, a alegria de se ser necess\u00e1rio. Segurando o pl\u00e1stico colorido dos tabuleiros das malgas com uma colher apenas, sentados em bancos de correr eu nos canteiros, enquanto se come aproveita-se a ocasi\u00e3o para conhecer os que se sentam ao nosso lado. Um \u00e9 polaco, outro do Congo, \u00e9 enorme o leque de nacionalidades presentes e vis\u00edvel o sentimento de proximidade.   O pr\u00f3prio alojamento dos jovens nas grandes tendas de campanha,  nas suas pequenas tendas   ou nos dormit\u00f3rios em saco cama, espelha bem um certo despojamento a que Taiz\u00e9 nos convida. \u00c0 noite no OiaK, o caf\u00e9 ( n\u00e3o lucrativo) da comunidade, \u00e9 a festa de todos os povos, numa miscel\u00e2nea de dan\u00e7as e grupos. Um clima espont\u00e2neo de festa que \u00e9 pena terminar t\u00e3o cedo. Apesar do movimento de tantos jovens Taiz\u00e9 n\u00e3o apresenta sinais de com\u00e9rcio religioso oportunista e f\u00e1cil de que, apenas tem uma sala de exposi\u00e7\u00f5es onde os Irm\u00e3os vendem o fruto do seu trabalho, os postais, os livros, as m\u00fasicas, o artesanato, os \u00cdcones. \u00c9 antes na busca de um esp\u00edrito de comunh\u00e3o entre homens  e mulheres, crentes e n\u00e3o crentes, cat\u00f3licos e protestantes, que reside o \u201cSegredo\u201d de Taiz\u00e9.  Nas reuni\u00f5es  de grupos, \u00e9-se convidado a debater uma realidade concreta, Um estudante de Espanha fala da vida na sua par\u00f3quia em M\u00e1laga, um africano reflecte sobre as formas de rezar dos diferentes povos&#8230; \u00c9 grande a pluralidade e sente-se o clima de universalidade, levar os jovens a partilhar, como podem dar continuidade ao que se vive em Taiz\u00e9 no seu regresso a casa, na sua par\u00f3quia. Todos falam com todos, as l\u00ednguas s\u00e3o diferentes, tamb\u00e9m as realidades que se descobrem. Pequenos passos para um esfor\u00e7o de solidariedade concreta, pedra de toque da \u201cpedagogia\u201d de Taiz\u00e9. \u201cNo lugar onde vives, n\u00e3o temas a luta pelos oprimidos, sejam eles crentes ou n\u00e3o e procura a justi\u00e7a\u201d \u2013 escrevia o Irm\u00e3o Roger , apelava a uma vida de solidariedade concreta com os mais pobres, a palavra em si s\u00f3 pode tornar-se \u00f3pio, conclu\u00eda. A viv\u00eancia de Taiz\u00e9 leva-nos assim, a cortar com o rodopio do quotidiano e a contactar com uma experi\u00eancia \u00fanica, de encontro e de paragem.  \u201cPassa-se por Taiz\u00e9 como se passa por uma fonte, o viajante p\u00e1ra, repousa e mata a sede e continua o seu caminho\u201d dizia o Papa Jo\u00e3o Paulo II, na sua curta visita a Taiz\u00e9, em Outubro de 1986. Desde finais dos anos 70 Taiz\u00e9 iniciou aquilo a que chamou \u201cUma peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0 volta da Terra\u201d. Sentiu a necessidade de ir ao encontro dos jovens e tiveram inicio os Encontros Europeus que tem lugar em grandes cidades Europeias, todos os anos no final de cada ano, onde participam por vezes mais de 80.000 jovens. E o conv\u00edvio com este povo em marcha \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o antecipada da unidade dos crist\u00e3os, numa Igreja despojada e atenta. Fiel \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o ecum\u00e9-nica, Taiz\u00e9 n\u00e3o procura ser mais um  movimento, mas antes levar cada um a empenhar-se mais, no local onde vive, a ser semente de reconcilia\u00e7\u00e3o entre os homens. Sessenta e cinco anos depois, o desafio de Taiz\u00e9 a\u00ed est\u00e1 : interpela\u00e7\u00e3o s\u00e9ria \u00e0 necess\u00e1ria renova\u00e7\u00e3o da Igreja, esfor\u00e7o pela unidade de todos os crist\u00e3os, apelo \u00e0 capacidade de entendimento entre os povos.  Em  Taiz\u00e9 aprendi a escutar o Silencio,  a ver que a Paz que eu procuro est\u00e1 muitas vezes no sil\u00eancio que eu n\u00e3o fa\u00e7o. Mas h\u00e1 4 coisas que nos marcam em Taiz\u00e9 , \u201cA Paz interior\u201d que encontramos, \u201cA Simplicidade\u201d que se vive, e que aprendemos a viver, \u201cA Partilha\u201d das pequenas coisas e de n\u00f3s mesmos e \u201cA Reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d que temos a possibilidade de viver e sentir, connosco com os outros e com Deus.   <i>Nuno Pessoa<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o quase oito da noite e a igreja da Reconcilia\u00e7\u00e3o come\u00e7a a encher-se. Nas diversas entradas, v\u00e1rios Jovens ostentam cartazes com a palavra \u201c Silencio \u201c em diferentes l\u00ednguas. No interior, reina agora um sil\u00eancio apenas perturbado pelos \u00faltimos a entrar, tentando encontrar um lugar. A esmagadora maioria das pessoas est\u00e1 sentada no ch\u00e3o. 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