{"id":138182,"date":"2019-05-26T20:19:00","date_gmt":"2019-05-26T19:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=138182"},"modified":"2019-05-26T20:35:50","modified_gmt":"2019-05-26T19:35:50","slug":"dignificar-o-trabalho-para-uma-nova-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dignificar-o-trabalho-para-uma-nova-cultura\/","title":{"rendered":"Dignificar o trabalho para uma nova cultura"},"content":{"rendered":"<p><em>LOC\/MTC<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>At\u00e9 meados dos anos 90, o <strong>trabalho<\/strong> funcionava como elemento unificador e integrador da vida social, tanto no campo como na cidade, entre os mais qualificados, como em rela\u00e7\u00e3o aos menos qualificados.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, esta esp\u00e9cie de \u201cpacto social\u201d a partir do trabalho, deixou de ser o fator de integra\u00e7\u00e3o e de emancipa\u00e7\u00e3o pessoal. Deixou de proporcionar estabilidade e semeou incerteza em todas as outras dimens\u00f5es da vida dos trabalhadores. Al\u00e9m disso as novas tecnologias da era digital, da intelig\u00eancia artificial, da rob\u00f3tica est\u00e3o a\u00ed, s\u00e3o uma realidade a afetar muitos trabalhadores. H\u00e1 novos empregos e novas possibilidades, mas as mudan\u00e7as s\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pidas e profundas que deixam muitos trabalhadores para tr\u00e1s, desprotegidos, relegados como lixo e sem possibilidades de acesso \u00e0 cultura, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, a uma habita\u00e7\u00e3o digna. Estamos numa nova era, numa cultura individualista, mesmo sabendo, como nos diz o relat\u00f3rio de Oxfam, que nunca no mundo se produziu tanta riqueza como agora. Fizeram-nos acreditar que com esta nova revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, \u00edamos ter uma vida melhor, o trabalho ia ser menos penoso, com menos horas de trabalho, ter\u00edamos mais tempo livre para a cultura, lazer, fam\u00edlia. Sabemos que n\u00e3o est\u00e1 a ser assim. Quantos de n\u00f3s sentimos que o trabalho nos est\u00e1 a absorver cada vez mais, que estamos a trabalhar mais horas, que n\u00e3o chegamos a desligar do trabalho. A pessoa trabalhadora \u00e9 vista apenas como geradora de rendimentos. Segundo as estat\u00edsticas, Portugal est\u00e1 no p\u00f3dio da precariedade laboral dado que tem a terceira maior taxa de precariedade do conjunto dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia. \u00c9 a vida que se est\u00e1 a tornar prec\u00e1ria. \u201c<em>O trabalho tornou-se o parente inc\u00f3modo que gostar\u00edamos de varrer para debaixo do tapete. Contudo, se n\u00e3o o encararmos colectivamente com seriedade, n\u00e3o conseguiremos desenvolver uma economia mais equilibrada, uma sociedade mais inclusiva e uma vida realizada\u201d(<\/em>Ha-Joon Chang).<\/p>\n<p><em>\u201cA nova cultura come\u00e7a quando o trabalhador e o trabalho s\u00e3o tratados com respeito<\/em>\u201d,\u00a0 diz o escritor russo M\u00e1ximo Gorky , sec. XIX, pois o trabalho \u00e9 indispens\u00e1vel para a realiza\u00e7\u00e3o da pessoa e da fam\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>O que pode e deve ser feito pelas empresas <\/strong><\/p>\n<p>O trabalho pode e deve ser mais valorizado do que \u00e9, em todas as suas dimens\u00f5es. As empresas precisam de dar lucro, e isto deve ser claro e assumido de forma transparente, mas t\u00eam tamb\u00e9m de ir muito al\u00e9m deste objectivo, ou seja, t\u00eam de rever a forma como funcionam: como se organizam e s\u00e3o geridas, como tratam os trabalhadores e os clientes, como se inserem no meio social e ambiental. Hoje as empresas e a sociedade precisam de pessoas criativas, dispon\u00edveis para pensar de forma diferente, para ousar, testar solu\u00e7\u00f5es novas para os diferentes problemas e desafios que sirvam a todos e que todos temos de enfrentar.<\/p>\n<p>Precisamos de mais e melhor forma\u00e7\u00e3o dos gestores para que estes acedam \u00e0s compet\u00eancias indispens\u00e1veis a novos modelos de gest\u00e3o que compatibilizem a necess\u00e1ria autossustenta\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00f5es de trabalho mais participativas, mais justas e dignas para todos. Al\u00e9m disso, para haver compromisso e envolvimento dos trabalhadores as empresas t\u00eam de ser \u00a0mais transparentes.<\/p>\n<p>As empresas que baseiam o seu modelo de neg\u00f3cios em baixos sal\u00e1rios e no sal\u00e1rio m\u00ednimo criam indignidade e pobreza. E a diferen\u00e7a entre o sal\u00e1rio mais baixo e o mais elevado dentro da mesma empresa deve situar-se numa escala razo\u00e1vel e n\u00e3o com diferen\u00e7as escandalosas, como algumas que se conhecem.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio combater a cegueira do lucro a todo o custo, o que leva as pr\u00f3prias empresas a transformarem-se em plataformas de servi\u00e7os e a considerarem os trabalhadores como meros jornaleiros digitais.<\/p>\n<p><strong>O que podem e devem fazer os trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>As mudan\u00e7as exigem uma outra atitude dos patr\u00f5es e dos gestores, mas tamb\u00e9m dos trabalhadores no que respeita ao seu envolvimento profissional e \u00e0 forma como participam na vida da empresa. A sua participa\u00e7\u00e3o \u00e9 contributo essencial e insubstitu\u00edvel dado que sem ele a probabilidade de tudo continuar na mesma \u00e9 muito elevada, e, assim, os trabalhadores continuar\u00e3o a ser os maiores perdedores. Precisamos de organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores mais fortes e ativas a partir dos locais de trabalho.<\/p>\n<p>Os trabalhadores precisam ainda de olhar as novas tecnologias, n\u00e3o apenas como amea\u00e7a, mas de forma mais positiva e aceitar os desafios de forma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para acompanhar a sua implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O progresso tecnol\u00f3gico, e a automa\u00e7\u00e3o em curso, t\u00eam que ser usados para melhor servir a humanidade proporcionando o acesso de todos aos bens e servi\u00e7os de que necessitam e n\u00e3o para aumentar ainda mais a desigual reparti\u00e7\u00e3o dos rendimentos entre ricos e pobres.<\/p>\n<p>Esta mudan\u00e7a de paradigma no mundo do trabalho s\u00f3 ter\u00e1 sucesso na cultura do encontro, de que nos fala o papa Francisco. Trabalhadores e empregadores, bem como os poderes pol\u00edticos, t\u00eam de desenvolver din\u00e2micas de di\u00e1logo e compromissos humanizadores, n\u00e3o apenas econ\u00f3mico-financeiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LOC\/MTC<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":107044,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-138182","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138182","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=138182"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138182\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/107044"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=138182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=138182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=138182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}