{"id":137693,"date":"2019-05-22T11:35:52","date_gmt":"2019-05-22T10:35:52","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=137693"},"modified":"2025-03-14T16:23:16","modified_gmt":"2025-03-14T16:23:16","slug":"mala-da-partilha-recolheu-testemunhos-reais-de-migrantes-e-refugiados-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mala-da-partilha-recolheu-testemunhos-reais-de-migrantes-e-refugiados-em-portugal\/","title":{"rendered":"\u00abMala da Partilha\u00bb recolheu testemunhos reais de migrantes e refugiados em Portugal"},"content":{"rendered":"<p><em>Iniciativa que integra campanha internacional da C\u00e1ritas percorreu v\u00e1rias dioceses portuguesas\u00a0<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A iniciativa Mala da Partilha integra a campanha da C\u00e1ritas Internationalis \u2018Partilhar a Viagem\u2019 e tinha por objetivo promover a cultura do encontro, tal como tinha sido pedido pelo Papa Francisco.<\/p>\n<p>Foi na diocese do Funchal que a Mala da Partilha terminou a sua viagem. Eug\u00e9nia Quaresma, diretora da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es, entidade que se associou \u00e0 campanha, esteve no encerramento e contou \u00e0 Ecclesia que foram momentos marcantes.<\/p>\n<p>\u201cO objetivo era recolher hist\u00f3rias de vida e em torno da mala promover o encontro. Ali, no Funchal ela cumpriu este objetivo\u201d, conta Eug\u00e9nia Quaresma.<\/p>\n<p>Tratou-se de uma \u201cmala grande, fora dos par\u00e2metros normais e cheia de autocolantes\u201d, que eram o registo por onde passou: Set\u00fabal, Aveiro, Porto, Bragan\u00e7a-Miranda, Vila Real, Beja e Lisboa, terminando no Funchal.<\/p>\n<p>\u201cOutra curiosidade: o bispo visitou um grupo de motards e foram eles que, de mota, levaram a mala pelas v\u00e1rias par\u00f3quias e associa\u00e7\u00f5es locais que acolhem e ajudam migrantes; foi muito bonito de ver\u201d, contou.<\/p>\n<p>A diretora da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es contou ainda que a Mala integrou uma exposi\u00e7\u00e3o que esteve num centro comercial da cidade do Funchal, uma iniciativa que \u201cfazia parar muita gente, para ler e ver as fotografias do percurso que a Mala fez\u201d, num local movimentado.<\/p>\n<p>Eug\u00e9nia Quaresma destaca ainda que \u201cnoutras dioceses a Mala era sempre entregue numa eucaristia e ali, no Funchal, aquela exposi\u00e7\u00e3o promoveu o encontro com aqueles que n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 Igreja\u201d, referiu.<\/p>\n<p>A Mala da Partilha terminou a sua viagem no Funchal numa celebra\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica contando com a presen\u00e7a de v\u00e1rios imigrantes.<\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-137693 gallery-columns-3 gallery-size-medium'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mala_caritas_madeira1.jpg'><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"390\" height=\"260\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mala_caritas_madeira1-390x260.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mala_caritas_madeira1-390x260.jpg 390w, 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Agora escrevo de Braga.<\/p>\n<p>Falar de Portugal\u2026<\/p>\n<p>Portugal: \u00e9 quente, \u00e9 como estar sentado ao lado da chamin\u00e9, embrulhado numa manta fofinha enquanto a tempestade fria (a vida) esta anda l\u00e1 fora; \u00e9 como o primeiro gole de um ch\u00e1 quente e meramente segurar na ch\u00e1vena j\u00e1 ajuda os dedos frios a parar de tremer \/\/<\/p>\n<p>os Portugueses: s\u00e3o como um desconhecido idoso que partilha isto tudo contigo; s\u00e3o como um idoso desconhecido que est\u00e1 feliz de ter encontrado algu\u00e9m com quem pode falar e partilhas as suas experi\u00eancias e hist\u00f3rias de vida; que fala de maneira clara, alta, com gestos, gritos e risos para fazer entender a sua l\u00edngua estrangeira e dif\u00edcil mas expressiva porque ele quer que percebas; s\u00e3o assim os portugueses, acolhendo-te de bra\u00e7os abertos, nunca negando dar ajuda, partilhando o que t\u00eam, animando o teu dia com os seus sorrisos ou um simples &#8220;bom dia&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/separador.jpg\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><em>Da Mala&#8230;\u00a0Imigrante Brasileira<\/em><\/h4>\n<p>17 de mar\u00e7o de 1980<\/p>\n<p>Ando \u00e0s voltas com as malas. As crian\u00e7as, o mais velho tem 5 anos, a menina 3 e o beb\u00e9 seis meses, n\u00e3o imaginam o tamanho da mudan\u00e7a que ir\u00e1 ocorrer em nossas vidas. Amanhecemos em Lisboa, h\u00e1 uma az\u00e1fama tanto no navio, como no cais.<\/p>\n<p>Imposs\u00edvel descrever a chegada \u00e0 Guarda, \u00e9 meia-noite, a temperatura ronda zero graus, encontr\u00e1mos uma casa quase totalmente vazia, e parece que n\u00e3o somos propriamente bem-vindos, contrariamente a tudo o que havia sido combinado um m\u00eas antes no Brasil.<\/p>\n<p>Continua sendo doloroso recordar, a falta de conforto, ter de ir buscar \u00e1gua para tudo. Cinco meses depois, desembarcamos no Porto. Finalmente compramos um estabelecimento e a\u00ed iremos viver felizes para sempre&#8230; Que pena isso n\u00e3o ser um conto de fadas. Compramos uma adega antiga, na frente do estabelecimento e separada por uma porta a casa, que foi vista \u00e0 noite e apressadamente. No dia em que nos mudamos, entramos num cen\u00e1rio de horror: s\u00e3o dois quartos sem janelas, um corredor largo onde uma mesa e um aparador simulam uma sala de estar&#8230;<\/p>\n<p>17 de mar\u00e7o de 2019<\/p>\n<p>Trinta e nove anos depois, aqui estamos. O casamento n\u00e3o resistiu, embora continuemos a ser grandes amigos. Os filhos est\u00e3o bem, tornei-me a mulher dos sete of\u00edcios&#8221;, fiz doces, trabalhei em limpeza, fui promotora, dirigi um departamento musical, durante mais de 20 anos estive ligada \u00e0 r\u00e1dio (paix\u00e3o que ainda mantenho), em 2009 voltei a estudar e acabo de defender a tese, tornando-me me mestre em sociologia. Criei uma associa\u00e7\u00e3o cultural, continuo sendo movida por causas sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Depois da \u201centrada em falso\u201d veio a felicidade<\/strong><\/h4>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rodolfo_castro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-137680 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rodolfo_castro.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rodolfo_castro.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rodolfo_castro-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rodolfo_castro-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rodolfo_castro-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/rodolfo_castro-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Rodolfo Castro \u00e9 natural da Argentina, percorreu v\u00e1rios pa\u00edses, como o Uruguai ou o M\u00e9xico, e chegou a Portugal h\u00e1 nove anos.<\/p>\n<p>\u201cTinha uns 12 ou 13 anos e a Argentina vivia uma ditadura militar, havia muitas coisas proibidas, como os livros\u2026 Um dia pensei: se est\u00e3o a proibir estes livros \u00e9 porque tem ali alguma coisa importante e chegou \u00e0s minhas m\u00e3os um livro, ainda embrulhado para que ningu\u00e9m visse do que se tratava.<\/p>\n<p>Levei-o para casa, sem os meus pais saberem, e aquele livro tinha fotografias de homens e mulheres na rua a festejar a sua liberdade, o livro chamava-se a \u2018Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos\u2019. E pelo ano 77 pensei que queria viver neste pa\u00eds, onde as pessoas festejavam a sua liberdade na rua\u201d, contou este imigrante.<\/p>\n<p>Passados mais de 30 anos, Rodolfo Castro foi a Beja, no \u00e2mbito de um festival liter\u00e1rio; gostou da cidade e do pa\u00eds e houve pessoas a convid\u00e1-lo para ficar. Fez um contacto com a sua companheira, na altura no M\u00e9xico, e contou o sucedido.<\/p>\n<p>\u201cEla perguntou-me: \u2018h\u00e1 crian\u00e7as a brincar na rua?\u2019 E eu tinha visto que sim. E ela disse: \u2018ent\u00e3o vamos!\u2019\u201d, contou.<\/p>\n<p>Quando chegou, Rodolfo Castro n\u00e3o se sentiu acolhido, veio com uma promessa de um contrato de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cTinha um pr\u00e9-contrato com uma editora que nunca mais contactou, abandonou-me. Fic\u00e1mos c\u00e1, eu minha companheira e duas filhas, sem conhecer ningu\u00e9m, nem a l\u00edngua, sem amigos\u2026 foram dois anos de muitas dificuldades para poder arrancar&#8230;foi uma entrada em falso! Mas depois atrav\u00e9s de outros contadores de hist\u00f3rias que me ajudaram e abriram caminho, foi melhorando\u201d, desabafa.<\/p>\n<p>A contar hist\u00f3rias, a escrever e a ilustrar livros, Rodolfo Castro est\u00e1 no nosso pa\u00eds h\u00e1 nove anos, onde se sente que \u201cvoltou \u00e0 vida\u201d e encontrou a felicidade, pelo menos por enquanto.<\/p>\n<p>\u201cVoltei \u00e0 vida em Portugal, tive experi\u00eancias diferentes e marcantes, mas Portugal \u00e9 o lugar da fam\u00edlia, aqui encontrei um lugar extraordin\u00e1rio para ter e manter a minha fam\u00edlia\u201d, remata.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><em>Da Mala&#8230; Imigrante Senegal\u00eas<\/em><\/h4>\n<p>Eu, Jean Simon Mendy. Cheguei a Portugal em outubro de 2017 vindo do Senegal.<\/p>\n<p>Dadas as condi\u00e7\u00f5es de vida do meu pa\u00eds, vim com o objetivo de melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da minha fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Por\u00e9m encontrei algumas dificuldades como \u00e9 normal, a l\u00edngua, as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, mais frio, uma cultura bem diferente. Mas fui superando, porque o sonho comanda a vida<\/p>\n<p>Como o trabalho \u00e9 sazonal estive 4 meses sem trabalhar, ainda passei alguma fome.<\/p>\n<p>Depois de estar em Portugal fazia um m\u00eas, nasceu a minha filha, que ainda n\u00e3o conhe\u00e7o, o meu sonho \u00e9 trazer a fam\u00edlia para junto de mim. N\u00f3s vimos de um povo Africano, que \u00e9 pobre, mas que sabe sofrer, ter paci\u00eancia, respeito uns pelos outros.<\/p>\n<p>Aqui em Ferreira do Alentejo \u00e9 um lugar calmo, desde sempre nos sentimos acolhidos sobretudo em Igreja, no qual nos integramos desde o princ\u00edpio.<\/p>\n<p>Neste momento o meu sonho \u00e9 trazer a fam\u00edlia, conhecer minha filha, que ainda n\u00e3o conhe\u00e7o. N\u00e3o sei se voltarei ao meu pa\u00eds, o futuro o dir\u00e1, como diz este povo de Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Partilha por Bragan\u00e7a-Miranda e pela <\/strong><strong>Guarda<\/strong><\/h4>\n<p>A Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda tem sido uma comunidade de acolhimento de muitos imigrantes, vindos da Ucr\u00e2nia, Angola, S\u00e3o Tom\u00e9, Mo\u00e7ambique, Serra Leoa e Guin\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cAqueles que nos procuram, migrantes e fam\u00edlias migrantes t\u00eam a sempre a nossa resposta\u201d, esclarece Joaquina Santos, vice-presidente da C\u00e1ritas diocesana.<\/p>\n<p>A disponibilidade demonstrada \u00e9 colocada depois na pr\u00e1tica, numa terra que \u201cacolhe muito bem as pessoas\u201d, apesar de n\u00e3o ser muito procurada pelos refugiados.<\/p>\n<p>Integrada na campanha \u2018Partilha a Viagem\u2019, a C\u00e1ritas promoveu um encontro onde a partilha do p\u00e3o se mostrou um momento especial.<\/p>\n<p>\u201cReunimos todas as pessoas migrantes e suas fam\u00edlias e fal\u00e1mos nisso, combin\u00e1mos uma partilha, que cada um de seu pa\u00eds fabricasse o seu p\u00e3o e houve um grupo que fez mesmo l\u00e1 na C\u00e1ritas, com as nossas crian\u00e7as, e fez-se essa partilha\u201d, conta a respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>Joaquina Santos relatou \u00e0 Ecclesia que, no dia combinado, cada um levou o p\u00e3o do seu pa\u00eds, todos provaram e a partilha foi tamb\u00e9m de \u201chist\u00f3rias, viv\u00eancias de toda uma vida j\u00e1 constru\u00edda\u201d.<\/p>\n<p>\u201cDeu-nos uma experi\u00eancia inigual\u00e1vel e partilh\u00e1mos os afetos, carinho e amor\u2026 C\u00e1ritas \u00e9 um servi\u00e7o de amor, temos de mostrar esse amor, aqui foi este trabalho, esta experi\u00eancia\u201d, resume.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/cdbm_MalaPartilha03.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-137767 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/cdbm_MalaPartilha03.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/cdbm_MalaPartilha03.jpg 600w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/cdbm_MalaPartilha03-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/cdbm_MalaPartilha03-510x382.jpg 510w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><em>Da Mala&#8230; Fam\u00edlia Imigrante Venezuelana<\/em><\/h4>\n<p>Somos a fam\u00edlia Perez Teixeira. Somos da Venezuela onde a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 conhecida, muito nos angustia e a inseguran\u00e7a foi um dos motivos que pesou para sair do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>A 17 de setembro de 2018 deix\u00e1mos muitas coisas e muitas pessoas para tr\u00e1s; nessa viagem vieram os 2 filhos de 6 e 4 anos, a minha m\u00e3e de 80 anos, uma prima de 24 anos e eu, Ylisabeth, com 40 anos; o meu marido j\u00e1 estava em Portugal, em Oliveira do Bairro, Aveiro, depois de ter trabalhado nos EUA para ganhar dinheiro para as passagens.<\/p>\n<p>Os meses que pass\u00e1mos sem o meu marido\/pai foram duros, o pa\u00eds estava a deteriorar-se, t\u00ednhamos problemas com a \u00e1gua, luz, comida, inseguran\u00e7a e problemas econ\u00f3micos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>J\u00e1 em Portugal conhecemos muitas pessoas maravilhosas que Deus nos p\u00f4s no nosso caminho para nos ajudarem no que fosse preciso. N\u00f3s recebemos muita ajuda com comida, roupa, sapatos, jogos, mesas, coisas de cozinha, tanta coisa e estamos muito agradecidos. As crian\u00e7as come\u00e7aram a estudar em Portugal e tudo corre bem. S\u00f3 podemos estar agradecidos, eu e o meu marido Juan por nos ajudarem na nossa hist\u00f3ria em Portugal, com pessoas trabalhadoras, am\u00e1veis e generosas. Assim temos um futuro para os nossos dois filhos e que queremos que se sintam orgulhosos de onde nasceram e, agora, de onde crescem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 pela Guarda, foi em 2012 que os primeiros refugiados chegaram \u00e0 cidade, depois de muitos medos e inseguran\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cNo in\u00edcio parecia um trabalho f\u00e1cil, mas depois foi um desafio que provocou um receio pelo nosso desconhecimento. Quando a Seguran\u00e7a Social nos procurou, para trabalhar em parceria, houve medo e inseguran\u00e7a, falava-se muito em jihadismo, houve medo\u201d, reconheceu Isabel Raba\u00e7a, do Centro Local de Apoio \u00e0 Integra\u00e7\u00e3o de Migrantes (CLAIM).<\/p>\n<p>O medo \u201cdiluiu-se na primeira leva\u201d de refugiados que acolheram e, atualmente, sentem-nos como pessoas gratas.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o pessoas como n\u00f3s, gratas, que aceitam tudo, e os que nos procuram veem em n\u00f3s uma \u00e2ncora\u201d, conta a respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na Diocese da Guarda aconteceu um encontro especial, com a confe\u00e7\u00e3o do p\u00e3o em fornos comunit\u00e1rios, promovendo a cultura do encontro.<\/p>\n<p>\u201cConvid\u00e1mos as pr\u00f3prias comunidades migrantes para partilhar como se confeciona o p\u00e3o em cada pa\u00eds. Tivemos migrantes marroquinos e venezuelanos e constatamos que o p\u00e3o \u00e9 diferente em cada pa\u00eds e foi um momento de troca de saberes onde partilh\u00e1mos as culturas. \u00a0Foi um momento de muita alegria, interajudavam-se na confe\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e queriam aprender como o outro fazia o p\u00e3o\u201d, refere Isabel Raba\u00e7a.<\/p>\n<div id='gallery-2' class='gallery galleryid-137693 gallery-columns-3 gallery-size-medium'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/partilha_pao_guarda-4.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"347\" height=\"260\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/partilha_pao_guarda-4-347x260.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/partilha_pao_guarda-4-347x260.jpg 347w, 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Sa\u00ed do Paquist\u00e3o em 2011.<\/p>\n<p>O motivo para vir foi concluir os estudos superiores na UTAD por causa dos baixos valores das propinas em rela\u00e7\u00e3o aos outros pa\u00edses e a qualidade de ensino; As principais dificuldades que encontrei foi a l\u00edngua portuguesa mas percebi que Portugal e Vila Real s\u00e3o bastante acolhedores e amig\u00e1veis com pessoas sempre dispostas a ajudar os imigrantes. Ap\u00f3s viver em Vila Real durante algum tempo, entendo que \u00e9 mesmo l\u00e1 que quero ficar e viver o resto da vida; casei em 2016 no Paquist\u00e3o e a minha esposa concordou em fazer a vida em Vila Real; os meus dois filhos nasceram em Vila Real (2017 e 2018); tenho um pequeno neg\u00f3cio em Vila Real e sinto-me feliz e acolhido nesta cidade e neste pa\u00eds.<\/p>\n<p>Momentos de partilha e testemunhos de quem procurou uma vida melhor num pa\u00eds diferente, aqui dados a conhecer pela campanha da C\u00e1ritas Internationalis \u2018Partilhar a Viagem\u2019, nas suas v\u00e1rias iniciativas\u2026 Este \u00e9 o mote para os programas de r\u00e1dio Ecclesia, na Antena 1 da r\u00e1dio p\u00fablica, nesta semana, pelas 22h45, depois dispon\u00edveis em <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/radio\">ECCLESIA<\/a><\/p>\n<p><em>Reportagem: Carlos Borges e S\u00f3nia Neves<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Manuel Costa<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iniciativa que integra campanha internacional da C\u00e1ritas percorreu v\u00e1rias dioceses 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