{"id":137643,"date":"2019-05-21T10:40:13","date_gmt":"2019-05-21T09:40:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=137643"},"modified":"2019-05-21T10:40:13","modified_gmt":"2019-05-21T09:40:13","slug":"a-cruz-escondida-56","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-56\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>A hist\u00f3ria inspiradora de uma irm\u00e3 que nunca desistiu da vida religiosa<\/em><!--more--><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Bernardette_fais.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-137646 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Bernardette_fais-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Bernardette_fais-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Bernardette_fais-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Bernardette_fais-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Bernardette_fais-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Bernardette_fais.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>\u201cFui novi\u00e7a 44 anos\u2026\u201d<\/h3>\n<p>Em segredo, Bernardette vivia como se fosse religiosa. Estava no convento, na Bulg\u00e1ria, como novi\u00e7a, quando a revolu\u00e7\u00e3o comunista confiscou todos os seus sonhos. Mandaram-na embora de volta \u00e0 aldeia, mas ela, secretamente, continuou fiel a todos os votos que tinha prometido em ora\u00e7\u00e3o. Em 1992, com a queda do regime, o convento foi devolvido \u00e0 Igreja e ela regressou \u00e0 vida que sempre tinha sonhado\u2026<\/p>\n<p>A Irm\u00e3 Bernardette sonhava ser religiosa, seguir as pisadas das religiosas que passavam por ali, pela sua aldeia no sul da Bulg\u00e1ria quando era ainda crian\u00e7a. Era um sonho quase imposs\u00edvel. A regi\u00e3o era muito pobre e os pais de Bernardette n\u00e3o possu\u00edam forma de dispensar os quatro filhos do duro trabalho dos campos. Estudou at\u00e9 \u00e0 quarta classe e depois foi, como todas as outras crian\u00e7as, tomar conta dos animais, da horta, das \u00e1rvores de fruto. J\u00e1 em muito pequena que o sonho de seguir a vida religiosa fervilhava na sua cabe\u00e7a. Um sonho que nunca abandonou e que ganhou urg\u00eancia, anos mais tarde, no dia em que descobriu, com horror, que um rapaz da aldeia queria casar com ela e at\u00e9 j\u00e1 havia combinado tudo com os seus pais\u2026 Apeteceu-lhe fugir. Por sorte, descobriu que num convento, no norte do pa\u00eds, andavam \u00e0 procura de uma rapariga que ajudasse no trabalho agr\u00edcola. Nem de prop\u00f3sito. Bernardette convenceu os pais a aceitar o emprego, fez as malas e partiu. Entrou como empregada no convento das Irm\u00e3s Beneditinas Mission\u00e1rias, em Carevbrod. As irm\u00e3s tomavam conta de crian\u00e7as pobres e cuidavam de pessoas doentes. Ao fim de um ano, Bernardette entrou para o noviciado. \u201cCada uma de n\u00f3s recebeu um v\u00e9u branco\u201d, recorda. Mas o trabalho continuou, apesar do noviciado. Era uma vida dif\u00edcil que exigia esfor\u00e7o, dedica\u00e7\u00e3o e muito amor. \u201cLevant\u00e1vamo-nos de madrugada, \u00e0s quatro horas, para ordenhar as vacas. S\u00f3 depois \u00edamos para as ora\u00e7\u00f5es da manh\u00e3\u2026\u201d Bernardette gostava daquela vida. Depressa, por\u00e9m, veio o pesadelo. Em 1948, o Governo comunista declarou guerra \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. Houve julgamentos p\u00fablicos, muitos sacerdotes foram presos e os conventos foram encerrados. O de Carevbrod tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Regresso \u00e0 aldeia<\/h3>\n<p>\u201cOs comunistas levaram tudo o que havia: vacas e camas\u2026 roubaram tudo.\u201d As novi\u00e7as foram obrigadas a regressar \u00e0s suas aldeias. Come\u00e7ou aqui o segredo. A Irm\u00e3 Bernardette passou a assumir, em sil\u00eancio, o seu dia-a-dia como se estivesse no convento. S\u00f3 ela e Deus sabiam disso. \u201cSa\u00eda de casa todas as manh\u00e3s, com chuva, neve ou sol, nada me podia deter. Eram 1870 passos de caminho entre a casa e a Igreja. Era o suficiente para dizer todo o ros\u00e1rio. Passava l\u00e1 as manh\u00e3s e as noites.\u201d Bernardette trabalhou como criada num hospital militar, depois tirou um curso de modista e come\u00e7ou a fazer casacos. Mas, acima de tudo, o que gostava mesmo de fazer era ajudar, limpar o ch\u00e3o das capelas, arranjar as flores, cuidar das imagens sagradas e fazer h\u00f3stias. O segredo continuava. \u201cO que eu n\u00e3o fiz!&#8230; fiz h\u00f3stias durante uns 20 anos\u2026 Era uma grande responsabilidade\u2026.\u201d Bernardette fez tudo para continuar ligada \u00e0 Igreja que tanto amava. E rezava pelos padres que iam sendo presos por um regime que n\u00e3o tolerava a liberdade religiosa. Muitos morreram \u00e0s m\u00e3os da pol\u00edcia, muitos sucumbiram na pris\u00e3o. \u201cLembro-me de 60, 70 padres. Anotei os seus nomes num cart\u00e3o. Foram muitos padres\u2026.\u201d Foram tempos duros at\u00e9 que o regime caiu perante a urg\u00eancia da liberdade. Foi em 1992. As irm\u00e3s regressaram a Carevbrod. Bernardette tamb\u00e9m. Para ela foi especial. Voltou a casa. \u201cTive que esperar 50 anos para regressar, para que Deus permitisse que eu voltasse para l\u00e1. Fui novi\u00e7a durante 44 anos!\u201d Hoje, quando olha para tr\u00e1s, para esses tempos em que viveu a sua voca\u00e7\u00e3o em segredo, Bernardette sorri e diz com uma pontinha de orgulho: \u201cSou feliz\u201d.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria inspiradora de uma irm\u00e3 que nunca desistiu da vida religiosa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95189,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-137643","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=137643"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137643\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=137643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=137643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=137643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}