{"id":1376,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-grande-irmao\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-grande-irmao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-grande-irmao\/","title":{"rendered":"O Grande Irm\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Como \u00e9 sabido a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica de um pa\u00eds n\u00e3o se mede apenas pelos bens mensur\u00e1veis a partir de grandes riquezas de solo ou subsolo. Sendo verdade que sem ovos n\u00e3o se fazem omeletas, percebe-se que muitos jogos se interp\u00f5em no percurso de produzir, trocar, vender e consumir. Quanto mais global \u00e9 a economia, mais an\u00f3nimos s\u00e3o os detentores dos bens e os agentes de sombra que semeiam e distribuem a fortuna ou a ru\u00edna. Conhece-se a experi\u00eancia marxista da economia planificada, partindo de um princ\u00edpio, talvez generoso, de que os bens se destinam a todos e que, para tanto, bastaria que algu\u00e9m (o estado) tomasse conta dos grandes meios de produ\u00e7\u00e3o e equitativamente os distribu\u00edsse, em tarefas e benef\u00edcio, pelo povo. O problema principal nunca esteve na afirma\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio. A quest\u00e3o foi, n\u00e3o s\u00f3 a inviabilidade concreta do projecto, como ainda a monstruosidade estatal virada em Grande Irm\u00e3o, a vigiar cada cidad\u00e3o e a controlar teres e haveres que, pela calada, eram distribu\u00eddos, por camaradas e amigos, ficando os pobres sempre na \u00faltima fila. Quando em 1989 abriram os diques da verdade e se viu o Leste \u00e0 luz do dia, foi isto mesmo que apareceu no grande palco do mundo. Entretanto o capitalismo fazia e faz a mesma coisa por outras palavras e, atrav\u00e9s de outros circuitos, convida o mundo dan\u00e7ar ao toque de hinos hist\u00e9ricos de liberdade dos que, no Leste como no Ocidente, lutam, honestamente ou n\u00e3o, pelo p\u00e3o de cada dia. Em que ponto estamos? No terreno escorregadio do neg\u00f3cio. Onde a riqueza e a pobreza s\u00e3o mais um problema de rela\u00e7\u00e3o que uma simples de troca de objectos. O caf\u00e9, o cacau e outros bens genu\u00ednos n\u00e3o valem pelo que s\u00e3o mas pelo pa\u00eds onde se produzem e exploram. Estamos mais perante um problema humano que t\u00e9cnico, de querer do que ter, de solidariedade do que rentabilidade. Nunca se pode pedir aos mais fr\u00e1geis que redobrem os seus esfor\u00e7os  e sacrif\u00edcios para refor\u00e7o dos fortes. A economia, mais que uma quest\u00e3o tecnocr\u00e1tica, \u00e9 uma quest\u00e3o humana. Muitas vezes as an\u00e1lises sociais tratam as pessoas como se fossem m\u00e1quinas &#8211; pesadas ou leves &#8211; de produzir e consumir. O Grande Irm\u00e3o continua por a\u00ed. E nota-se mais em tempo de crise. Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como \u00e9 sabido a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica de um pa\u00eds n\u00e3o se mede apenas pelos bens mensur\u00e1veis a partir de grandes riquezas de solo ou subsolo. Sendo verdade que sem ovos n\u00e3o se fazem omeletas, percebe-se que muitos jogos se interp\u00f5em no percurso de produzir, trocar, vender e consumir. 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