{"id":137366,"date":"2019-05-17T08:00:34","date_gmt":"2019-05-17T07:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=137366"},"modified":"2019-07-04T16:29:15","modified_gmt":"2019-07-04T15:29:15","slug":"teologia-e-central-para-fazer-uma-justa-interpretacao-da-historia-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/teologia-e-central-para-fazer-uma-justa-interpretacao-da-historia-da-humanidade\/","title":{"rendered":"Teologia \u00e9 central para fazer uma \u00abjusta interpreta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da humanidade\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>Vice-diretor da Faculdade de Teologia analisa a relev\u00e2ncia do saber teol\u00f3gico e o trabalho de uma escola fundada h\u00e1 50 anos.<\/em><\/p>\n<p><em><!--more--><\/em><\/p>\n<p><em>No dia da Faculdade de Teologia, o padre Alexandre Palma afirma que a \u201cinquieta\u00e7\u00e3o intelectual\u201d leva cada vez mais gente ao curso de Teologia, que n\u00e3o se destina apenas a futuros sacerdotes, fala da aposta na internacionaliza\u00e7\u00e3o, da necessidade de se fomentar o di\u00e1logo cient\u00edfico e cultural, da salutar \u201ctens\u00e3o\u201d entre \u201cprogressistas\u201d e \u201cconservadores\u201d\u00a0 e considera natural que a Faculdade seja atualmente liderada por uma mulher leiga, porque a Faculdade de Teologia \u201cn\u00e3o \u00e9 deste ou daqueles\u201d, mas de toda a Igreja.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a), Paulo Rocha (Ag\u00eancia Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_137332\" aria-describedby=\"caption-attachment-137332\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/alexandre_palma1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-137332 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/alexandre_palma1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/alexandre_palma1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/alexandre_palma1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/alexandre_palma1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/alexandre_palma1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/alexandre_palma1-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-137332\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Na abertura das comemora\u00e7\u00f5es dos 50 anos, a dire\u00e7\u00e3o da Faculdade de Teologia considerou que \u00e9 preciso \u201credescobrir\u201d e \u201crefor\u00e7ar\u201d o papel central da Teologia no universo dos saberes. O que \u00e9 que est\u00e1 a ser feito para atingir este objetivo?<\/em><\/p>\n<p>Desde logo deixe-me vincar a import\u00e2ncia dessa indica\u00e7\u00e3o. Creio que o lugar da Teologia \u00e9 aqui duplo: \u00e9 um trazer do pensar acad\u00e9mico para o interior da vida da Igreja, mas \u00e9 tamb\u00e9m um trazer do pensar teol\u00f3gico, crente, para o seio da comunidade acad\u00e9mica no geral, em Portugal. Neste sentido, a Faculdade de Teologia est\u00e1 um pouco nesta charneira, trazendo a voz do pensamento acad\u00e9mico para o seio da Igreja e trazendo o que \u00e9 a problem\u00e1tica da f\u00e9, do pensar teol\u00f3gico, para o espa\u00e7o p\u00fablico. O que \u00e9 que est\u00e1 a ser feito? A primeira coisa \u00e9 aquilo que uma faculdade tem de fazer todos os dias, que \u00e9 formar novas gera\u00e7\u00f5es, responder \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es dos alunos, form\u00e1-los, esse \u00e9 o primeiro servi\u00e7o, que \u00e9 pessoa a pessoa, aluno a aluno, onde se constr\u00f3i esse lugar, essa voz da Teologia no espa\u00e7o p\u00fablico e na vida da Igreja. Mas, depois existem outras dimens\u00f5es, o trabalho de investiga\u00e7\u00e3o, a publica\u00e7\u00e3o, a presen\u00e7a nos m\u00e9dia, como \u00e9 aqui o caso&#8230; \u00a0Ou seja: trazer tamb\u00e9m a vitalidade da Faculdade de Teologia para o espa\u00e7o p\u00fablico, \u00e9 estar seguramente ao servi\u00e7o disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas h\u00e1 um \u2018acantonamento\u2019 da Teologia, circunscrito por vezes a um grupo de alunos, nomeadamente aqueles que se preparam para o sacerd\u00f3cio? Ou h\u00e1 um alargamento de fronteiras?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s procuramos acolher todos aqueles que nos batem \u00e0 porta. De facto, existe um n\u00famero significativo de candidatos a minist\u00e9rios na Igreja, de v\u00e1ria \u00edndole, provenientes de dioceses, congrega\u00e7\u00f5es, masculinas e femininas. Temos tamb\u00e9m um p\u00fablico de leigos, em termos de alunos, que procuram forma\u00e7\u00e3o nesta \u00e1rea, seja por curiosidade, procura de um certo perfil profissional ou por forma\u00e7\u00e3o ao longo da vida, gente que tem outras gradua\u00e7\u00f5es noutras \u00e1reas e quer enriquecer-se sob este ponto de vista. Estes s\u00e3o os nossos p\u00fablicos, diversificados na geografia em que a Faculdade est\u00e1 presente &#8211; Lisboa, Porto e Braga. Portanto, vamos ao encontro disto que procuram. N\u00e3o quer dizer que n\u00e3o procuremos tamb\u00e9m, de alguma maneira, abrir as portas a outros p\u00fablicos, e aqui o facto de sermos uma unidade dentro de uma Universidade, permite-nos e estimula-nos a ter esta inter e transdisciplinaridade, que nos p\u00f5e necessariamente em contacto com outros saberes, com outras ci\u00eancias, com outras disciplinas e com outros p\u00fablicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Outro desafio \u00e9 a internacionaliza\u00e7\u00e3o da Faculdade, o relacionamento com outras institui\u00e7\u00f5es de ensino, a partilha de investiga\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 que est\u00e1 a ser feito?<\/em><\/p>\n<p>Isso decorre daquilo que est\u00e1vamos a dizer. Essa abertura n\u00e3o \u00e9 apenas \u00e0 comunidade nacional, mas hoje tem a escala do pr\u00f3prio mundo, como tudo tende a ter. A Faculdade de Teologia \u00e9, at\u00e9 sob este ponto de vista, precocemente internacional, porque estando em parte suportada numa certa din\u00e2mica eclesial, onde existia j\u00e1 uma grande circula\u00e7\u00e3o de estudantes estrangeiros que v\u00eam estudar para Portugal, de portugueses que s\u00e3o mission\u00e1rios, existe j\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o de internacionaliza\u00e7\u00e3o relativamente precoce ao n\u00edvel do corpo discente. O que \u00e9 que estamos a fazer? Precisamos de responder a solicita\u00e7\u00f5es neste campo discente, mas tamb\u00e9m no campo dos professores, da investiga\u00e7\u00e3o, da colabora\u00e7\u00e3o, temos aproximado muito as rela\u00e7\u00f5es com v\u00e1rias escolas, v\u00e1rias academias, v\u00e1rias faculdades no Brasil, temos no nosso Plano Estrat\u00e9gico (2015-2010) uma aten\u00e7\u00e3o muito particular &#8211; e queremos ter cada vez mais &#8211;\u00a0 ao mundo africano de l\u00edngua oficial portuguesa. Tamb\u00e9m \u00e9 uma linha estrat\u00e9gica de servi\u00e7o \u00e0 comunidade, \u00e0 sociedade, \u00e0 universidade, que queremos assumir. Depois, obviamente, tamb\u00e9m estimulando parcerias com escolas na Europa, faculdades, que j\u00e1 temos.<\/p>\n<p>Deixe-me tamb\u00e9m acrescentar este ponto &#8211; n\u00e3o \u00e9 apenas a parceria com institui\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas, que isso \u00e9 o nosso core business, \u00e9 o mais natural, mas temos uma pan\u00f3plia bastante consider\u00e1vel de parcerias com outras entidades da sociedade civil, desde a C\u00e1ritas a funda\u00e7\u00f5es, ao CNE (Corpo Nacional de Escutas), pedidos de dioceses. Ou seja, procuramos de alguma maneira interagir com a sociedade civil, n\u00e3o s\u00f3 na sua presen\u00e7a acad\u00e9mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A intera\u00e7\u00e3o e as parcerias com outras institui\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas acontece a n\u00edvel internacional. A n\u00edvel nacional isso \u00e9 imposs\u00edvel?<\/em><\/p>\n<p>A n\u00edvel internacional \u00e9 um esfor\u00e7o grande. Somos sempre poucos, mas temos feito um caminho nesse sentido, de irmos lecionar fora, acolhermos professores c\u00e1, tr\u00e2nsito de docentes, tr\u00e2nsito de discentes. Internamente \u00e9 poss\u00edvel, desde logo, dentro da pr\u00f3pria Universidade Cat\u00f3lica. N\u00e3o posso deixar de reconhecer o lugar das outras Faculdades no interior da UCP, com quem temos la\u00e7os de grande proximidade e de servi\u00e7o rec\u00edproco. Por exemplo, existe uma unidade letiva transversal a todos os cursos da UCP, na sua maioria, chamada &#8216;Cristianismo e Cultura&#8217;, que \u00e9 lecionada a partir da Faculdade de Teologia nas outras unidades e vice-versa. Tamb\u00e9m contamos com as compet\u00eancias dos nossos colegas da \u00e1rea de Estudos de Cultura, da Gest\u00e3o, para virem, em alguns pontos, trazer forma\u00e7\u00e3o aos nossos estudantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E com outras Universidades?<\/em><\/p>\n<p>Com outras faculdades, temos pontualmente boas rela\u00e7\u00f5es, por exemplo, com a Faculdade de Letras (de Lisboa).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>At\u00e9 ao n\u00edvel de estudos?<\/em><\/p>\n<p>Ao n\u00edvel de estudos e de investiga\u00e7\u00e3o. Podemos partilhar trabalho conjunto com investigadores de outras faculdades. Ou seja, n\u00f3s n\u00e3o estamos fadados a uma certa insularidade e \u00e9 isso que tentamos combater. Se aquilo que tem presente na sua pergunta \u00e9 uma certa a aus\u00eancia da teologia, uma certa dificuldade &#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ou exclusividade da Faculdade de Teologia na investiga\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica em Portugal&#8230;<\/p>\n<p>Como unidade de ensino e investiga\u00e7\u00e3o especificamente da teologia, sim, somos caso singular no cen\u00e1rio portugu\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Existem depois as Ci\u00eancias Religiosas\u2026<\/p>\n<p>As Ci\u00eancias Religiosas como um curso de alguma maneira associado \u00e0 teologia e temos querido desenvolver nos \u00faltimos anos\u00a0 &#8211; e esta \u00e9 tamb\u00e9m uma linha do nosso Plano Estrat\u00e9gico &#8211;\u00a0 a \u00e1rea de Estudos de Religi\u00e3o, onde podemos cooperar com muitos investigadores de v\u00e1rias \u00e1reas, e de v\u00e1rias academias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Fazia tamb\u00e9m parte do Plano Estrat\u00e9gico a cria\u00e7\u00e3o do Instituto de Estudos de Religi\u00e3o. O balan\u00e7o \u00e9 positivo?<\/em><\/p>\n<p>O Instituto teve um arranque com um conjunto de semin\u00e1rios e de propostas de estudos avan\u00e7ados em alguns t\u00f3picos particulares. Por exemplo, o que \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre a religi\u00e3o e a secularidade, entre a f\u00e9 e a secularidade, neste dinamismo da seculariza\u00e7\u00e3o. Neste momento o Instituto est\u00e1 num certo reajuste da sua pr\u00f3pria estrutura, mas o balan\u00e7o \u00e9 positivo, sendo que os Estudos de Religi\u00e3o est\u00e3o tamb\u00e9m desenvolvidos no \u00e2mbito do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o em Teologia e Estudos de Religi\u00e3o (CITER), que tamb\u00e9m foi criado para estimular a rela\u00e7\u00e3o entre Teologia e Estudos da Religi\u00e3o e tamb\u00e9m o Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Religiosa, que \u00e9 um centro de estudos da Faculdade de Teologia, com cr\u00e9ditos firmados e j\u00e1 com um grande historial de servi\u00e7o \u00e0 academia e \u00e0 sociedade civil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Entre os \u2018cinco passos em cinco anos\u2019, definidos no Plano Estrat\u00e9gico, est\u00e1 o di\u00e1logo cient\u00edfico e cultural. Qual o contributo da Faculdade de Teologia para essa interven\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica na sociedade, a partir do patrim\u00f3nio que investiga, nomeadamente a Doutrina Social da Igreja?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o afunilaria nas quest\u00f5es apenas da Doutrina Social. Por exemplo, este t\u00f3pico que estava a levantar, que \u00e9 ajudar a perceber que o religioso n\u00e3o se extingue nas sociedades p\u00f3s seculares, \u00e9 algo que, em alguns \u00e2mbitos, \u00e9 ainda um pouco contra intuitivo. E este tem sido um esfor\u00e7o, baseado at\u00e9 em estudos emp\u00edricos que foram desenvolvidos por docentes e investigadores da Faculdade de Teologia, que t\u00eam procurado evidenciar a presen\u00e7a do religioso, disseminada, menos institucional com certeza, com muitas din\u00e2micas e em transforma\u00e7\u00e3o, seguramente. Mas, este \u00e9 um servi\u00e7o que tem tido algum impacto p\u00fablico. Estou a recordar-me de um estudo recente, desenvolvido no \u00e2mbito do CITER (Centro de Investiga\u00e7\u00e3o em Teologia e Estudos da Religi\u00e3o) em parceria com outras entidades, como a Funda\u00e7\u00e3o Francisco Manuel dos Santos, sobre o perfil da din\u00e2mica religiosa na \u00e1rea metropolitana de Lisboa. E isso teve algum eco p\u00fablico em programas televis\u00e3o, em publica\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m em \u00e2mbito propriamente acad\u00e9mico, em debate entre pares.<\/p>\n<p>Um outro projeto que desenvolvemos, que teve a ver com uma releitura a partir do centen\u00e1rio de F\u00e1tima, um pequeno projeto tamb\u00e9m desenvolvido no CITER, foi uma esp\u00e9cie de laborat\u00f3rio para procurar perceber algumas din\u00e2micas do religioso.<\/p>\n<p>Creio que este \u00e9 um servi\u00e7o que a Faculdade n\u00e3o vai prestar, j\u00e1 vem prestando, e continuar\u00e1 obviamente a prestar. Com a sua voz, porventura com um impacto que n\u00e3o ser\u00e1 de grande escala, de m\u00e9dia escala, mas tamb\u00e9m estes exerc\u00edcios acad\u00e9micos, de investiga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o t\u00eam logo um impacto imediato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Referiu h\u00e1 pouco que a n\u00edvel de alunos h\u00e1 cada vez mais leigos a frequentar o curso de Teologia, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para quem vai ser sacerdote, religioso ou religiosa. Mas, como \u00e9 que se chama a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia desta disciplina? Como \u00e9 que se leva um jovem estudante, que nunca tenha pensado nisto, a perceber que esta pode ser uma \u00e1rea de estudo e de investiga\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o est\u00e1 desligada da nossa realidade nem do contexto em que vivemos?<\/em><\/p>\n<p>A Teologia lida com a quest\u00e3o fundamental da condi\u00e7\u00e3o humana, que \u00e9, no fundo, a quest\u00e3o de Deus, que \u00e9 um lado da medalha da quest\u00e3o sobre n\u00f3s pr\u00f3prios, quem somos. A Teologia n\u00e3o ter\u00e1 o monop\u00f3lio destas quest\u00f5es fundamentais, bem entendido, mas \u00e9 claramente um campo da reflex\u00e3o humana que trabalha esta quest\u00e3o fundamental. N\u00f3s trabalhamo-la particularmente a partir do horizonte da experi\u00eancia crist\u00e3, onde nos perguntamos, investigamos criticamente, hermen\u00eauticamente, como \u00e9 que a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 foi sendo pensada, vivida, absorvida, assumida, testemunhada, como \u00e9 que ela foi evoluindo no tempo, como \u00e9 que ela se coloca diante dos desafios do presente. E conhecer este elemento, este conjunto de realidades, parece-me um dado fundamental, seja para quem procura conhecer o cristianismo a fundo, seja para quem procura conhecer o impacto que o cristianismo, ou a din\u00e2mica do religioso, teve, tem e ter\u00e1 nas sociedades modernas.<\/p>\n<p>Creio que n\u00e3o podemos fazer uma justa interpreta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da humanidade, seja o seu passado, no presente ou perspetivando o futuro, ignorando este t\u00f3pico, e, portanto, um conjunto de compet\u00eancias inerentes \u00e0 reflex\u00e3o teol\u00f3gica parecem-me absolutamente centrais para perceber esta dimens\u00e3o que n\u00e3o conseguimos eliminar do cora\u00e7\u00e3o humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E se pensarmos no di\u00e1logo cultural, esse \u00e9 o principal contributo que a Faculdade de Teologia pode dar?<\/p>\n<p>Sim, trazer esta outra racionalidade&#8230; trazer ao conjunto a harmonia dos saberes, das v\u00e1rias racionalidades que habitam no espa\u00e7o universit\u00e1rio, mas genericamente habitam nas sociedades. Trazer a voz desta racionalidade que arranca a partir uma experi\u00eancia religiosa, enriquece o espa\u00e7o p\u00fablico e ao mesmo tempo tamb\u00e9m enriquece a pr\u00f3pria experi\u00eancia religiosa, porque ela a\u00ed v\u00ea-se confrontada com a necessidade do di\u00e1logo, do confronto, de ajustar o seu di\u00e1logo, ajustar o seu pr\u00f3prio testemunho. H\u00e1 aqui uma esp\u00e9cie de rela\u00e7\u00e3o rec\u00edproca da bondade para a sociedade ter a Teologia no seu seio e da bondade para a Teologia de estar no espa\u00e7o comum, no espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-137366 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/alexandre_palma3.jpg'><img decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/alexandre_palma3-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/alexandre_palma4.jpg'><img decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/alexandre_palma4-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/alexandre_palma2.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/alexandre_palma2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Perfil do te\u00f3logo<\/strong><\/p>\n<p><em>Se lhe pedisse para definir o perfil do aluno de Teologia, como \u00e9 que o definiria?<\/em><\/p>\n<p>Existe, de facto, um n\u00famero significativo de alunos que est\u00e3o orientados para o exerc\u00edcio de um minist\u00e9rio na Igreja. Porque esta \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o de acesso aos pr\u00f3prios minist\u00e9rios, faz parte desse percurso a componente acad\u00e9mica, tem de se fazer o curso de Teologia. Existe um conjunto de leigos que procura forma\u00e7\u00e3o superior nestas \u00e1reas, por inquieta\u00e7\u00f5es da sua pr\u00f3pria vida crente, ou porque se orienta para a doc\u00eancia da disciplina de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica (EMRC). Mas, existe hoje um conjunto significativo, ou pelo menos interessante, de gente madura, j\u00e1 s\u00e9nior, que depois de uma vida profissional, \u00e0s vezes em etapas de reforma, descobre, tem a inquieta\u00e7\u00e3o espiritual, intelectual, tem o tempo e tem o interesse e ent\u00e3o, nessa fase da vida, vem frequentar na Faculdade, \u00e0s vezes como aluno-ouvinte, uma s\u00e9rie de cadeiras, de disciplinas, pelas quais tem interesse. Portanto, o perfil \u00e9, apesar de tudo, diversificado, entre portugueses e estrangeiros. Podemos falar de uma diversifica\u00e7\u00e3o do p\u00fablico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><u>Na experi\u00eancia crente cat\u00f3lica experimenta-se cada vez mais, nos dias de hoje, alguma tens\u00e3o entre os genericamente denominados \u2018conservadores\u2019 e \u2018progressistas\u2019. Acontece essa tens\u00e3o no debate teol\u00f3gico?<\/u><\/p>\n<p>Creio que sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E \u00e9 salutar?<\/em><\/p>\n<p>At\u00e9 certo ponto, \u00e9 salutar. Existe um determinado grau de intensidade da tens\u00e3o que pode ser desbloqueadora, construtiva, pode-nos fazer avan\u00e7ar, at\u00e9 um certo ponto, bem entendido. Portanto, a ideia de uma esp\u00e9cie de paz perp\u00e9tua, de puro acordo, pode ser bastante bloqueadora. Na teologia, como aquilo que n\u00f3s procuramos n\u00e3o \u00e9 entrar na espuma dos debates, por mais atuais e candentes que eles sejam, mas \u00e9 procurar ir aos fundamentos, \u00e0s fontes, \u00e0 hist\u00f3ria dos processos, isso ajuda muito a desconstruir alguns clich\u00e9s, algumas ideias muito repetidas, mas que \u00e0s vezes mereciam ser mais devidamente ponderadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Indo al\u00e9m dos fen\u00f3menos das redes sociais, onde tamb\u00e9m muitas vezes este debate acontece?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Eu sou pouco versado em redes sociais, tenho muito pouca compet\u00eancia para entrar nesse campo, mas, de facto, o estudo da teologia faz-se muito a partir da leitura de fontes, do confronto, ouvir vozes contrastantes, e perceber que de tudo isto se faz a teologia, e que de tudo isso se faz o cristianismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Portugal tem muitos te\u00f3logos e te\u00f3logas, sendo que a Faculdade de Teologia at\u00e9 \u00e9 dirigida neste momento, e pela primeira vez, por uma mulher e leiga. Foi uma mudan\u00e7a de paradigma? Tem sido uma mais-valia?<\/em><\/p>\n<p>Uma das coisas bonitas, se posso dizer assim, da nossa Faculdade de Teologia \u00e9 que, ao contr\u00e1rio do que acontece noutros lugares, ela n\u00e3o \u00e9 &#8211;\u00a0 desde a sua g\u00e9nese, h\u00e1 50 anos &#8211;\u00a0 deste ou daqueles. Ela resulta da converg\u00eancia de clero secular, dos semin\u00e1rios diocesanos, primeiro em Lisboa, e depois progressivamente outros que foram convergindo para a Faculdade de Teologia. \u00c9 das comunidades religiosas, que tinham os seus percursos de forma\u00e7\u00e3o e que tamb\u00e9m convergiram para a Faculdade de Teologia. Temos clero secular, clero religioso e temos tamb\u00e9m, desde muito cedo, o contributo muito valioso de docentes leigos. Portanto, a nossa Faculdade de Teologia \u00e9 verdadeiramente um ente eclesial, no seu sentido mais lato, porque n\u00e3o \u00e9 destes ou daqueles, mas \u00e9, e quer continuar a ser, de toda a Igreja, nas suas m\u00faltiplas express\u00f5es diversificadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E as mulheres t\u00eam tido sempre o seu papel e o seu lugar?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 evidente que ter\u00e3o cada vez mais, como acontece genericamente na sociedade e na Igreja. Mas, creio que a Faculdade de Teologia, nesse aspeto, n\u00e3o est\u00e1 atr\u00e1s, bem pelo contr\u00e1rio, de muitas outras cong\u00e9neres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, que sinal \u00e9 este de ter uma mulher diretora na Faculdade?<\/em><\/p>\n<p>Eu se calhar falo mais por mim, n\u00e3o vejo que isso seja propriamente&#8230; \u00c9 uma colega nossa, com muitos anos de casa, com uma grande maturidade na gest\u00e3o de escola, do Centro de Hist\u00f3ria, que j\u00e1 dirigiu, etc. Era a pessoa indicada para aquele lugar nesta fase, independentemente de ser homem ou mulher. Mas, por acaso \u00e9 mulher.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Revista \u2018<em>Ephata\u2019<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Terminamos a nossa conversa com uma refer\u00eancia \u00e0 \u2018Ephata\u2019, a nova revista da Faculdade de Teologia. Que ferramenta \u00e9 esta tamb\u00e9m para o di\u00e1logo entre saberes?<\/em><\/p>\n<p>Uma revista \u00e9 sempre um lugar de expans\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o, do conhecimento que se vai produzindo numa unidade, como \u00e9 uma Faculdade. N\u00f3s t\u00ednhamos at\u00e9 aqui tr\u00eas revistas, correspondendo aos tr\u00eas n\u00facleos da Faculdade &#8211; Lisboa, Porto e Braga. Vivemos tempos onde precisamos de convergir para ganhar escala e foi tamb\u00e9m isso que nos levou a trazer o capital muito rico das tr\u00eas revistas dos tr\u00eas centros da Faculdade para uma s\u00f3 revista, para podermos dar a essa revista uma escala maior e podermos projet\u00e1-la nos indexadores internacionais. Porque hoje as revistas cient\u00edficas est\u00e3o muito sujeitas a crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o, de padroniza\u00e7\u00e3o e podermos qualificar a nossa revista, permite subir nos rankings desses indexadores e dar maior alcance ao trabalho que aqui vamos desenvolvendo e tamb\u00e9m \u00e0queles que, de outras unidades, escrevem e publicam na nossa revista. Hoje este interc\u00e2mbio \u00e9 muito comum no meio universit\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vice-diretor da Faculdade de Teologia analisa a relev\u00e2ncia do saber teol\u00f3gico e o trabalho de uma escola fundada h\u00e1 50 anos.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":137332,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[200,360],"class_list":["post-137366","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-estudos-teologicos","tag-teologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137366","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=137366"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137366\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/137332"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=137366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=137366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=137366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}