{"id":13673,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/criancas-soldado-na-colombia\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"criancas-soldado-na-colombia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/criancas-soldado-na-colombia\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as-soldado na Col\u00f4mbia"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista ao Presidente da Confer\u00eancia Episcopal da Col\u00f4mbia, D. Lu\u00eds Augusto Castro Quiroga, fala de um flagelo dos nossos dias. <!--more--> &#8211; As associa\u00e7\u00f5es de direitos humanos falam de 11 a 14 mil crian\u00e7as directamente envolvidas no conflito armado. Este n\u00famero \u00e9 realista?  &#8211; D. Castro Quiroga: Talvez seja um pouco elevado, porque as organiza\u00e7\u00f5es armadas t\u00eam um n\u00famero total de integrantes que \u00e9 superior a 20 mil, mas a maioria n\u00e3o s\u00e3o crian\u00e7as-soldado. Talvez se juntarmos todos os envolvidos no conflito, como autodefesas, as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (FARC) e o Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (ELN), podemos chegar a um n\u00famero que, ainda que pare\u00e7a inflacionado, pode aproximar \u2013se da realidade. Pelo que se refere a paramilitares e guerrilha, os dados da Igreja colombiana s\u00e3o de umas 6 mil crian\u00e7as efectivamente envolvidas. Claramente \u00e9 muito dif\u00edcil obter dados concretos.   &#8211; Fala-se de muitas modalidades de viol\u00eancia contra as crian\u00e7as. \u00c9 realmente assim?  &#8211; D. Castro Quiroga: Os casos de viol\u00eancia contra as crian\u00e7as s\u00e3o muitos. Em primeiro lugar, claramente aparece o facto de que s\u00e3o obrigadas a estar na guerrilha. Por este motivo, as crian\u00e7as que est\u00e3o na guerrilha n\u00e3o s\u00e3o consideradas em armas, mas simplesmente v\u00edtimas da guerra, e quando s\u00e3o detidas entram num processo de reeduca\u00e7\u00e3o e n\u00e3o num processo de c\u00e1rcere. S\u00e3o tamb\u00e9m v\u00edtimas de muitas outras coisas, j\u00e1 que s\u00e3o obrigadas a matar, a perder a consci\u00eancia do que \u00e9 a vida alheia. Perdem o contacto com as pr\u00f3prias fam\u00edlias, sofrem abusos sexuais, como sucede especialmente no caso das meninas.  S\u00e3o v\u00edtimas porque lhes cortaram as possibilidades de forma\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. Simplesmente aprendem a usar a arma. O fuzil passa a suplantar a figura materna, \u00e9 o re-emprego da m\u00e3e, o factor de seguran\u00e7a de identidade, de futuro. Sem fuzil n\u00e3o sabem o que fazer. O fuzil d\u00e1-lhes seguran\u00e7a. Na guerrilha elas sabem que n\u00e3o podem confiar em ningu\u00e9m. S\u00e3o v\u00edtimas porque no ambiente da guerrilha desconfiam de tudo, n\u00e3o podem nem sabem confiar em ningu\u00e9m, sempre receberam ordens e n\u00e3o actuam com independ\u00eancia.   &#8211; Como \u00e9 o processo de reabilita\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a que foi soldado?  &#8211; D. Castro Quiroga: A reabilita\u00e7\u00e3o \u00e9 mais complicada do que se fossem adultos. Come\u00e7a com o processo de desmobiliza\u00e7\u00e3o, ou seja, de entrega das armas por parte dos guerrilheiros ou paramilitares, e entre eles h\u00e1 muitas crian\u00e7as. O dito processo tem de ser seguido por outro, de reinser\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 que faz\u00ea-lo porque sen\u00e3o acabam como delinquentes comuns. Aprenderam a usar as armas, a matar, e falam disso com uma naturalidade como se fosse um jogo. Perderam o sentido \u00e9tico e da vida.  N\u00f3s temos um centro de reinser\u00e7\u00e3o e vemos essas problem\u00e1ticas todos os dias. Conto-lhes, por exemplo, um caso recente: o de uma menina que foi dif\u00edcil conseguir que fosse ao sal\u00e3o de beleza porque j\u00e1 tinha perdido a feminilidade.   &#8211; As adop\u00e7\u00f5es \u00e0 dist\u00e2ncia, que resultado t\u00eam dado?  &#8211; D. Castro Quiroga: N\u00e3o sou um especialista sobre o tema, mas sei que s\u00e3o muito positivas.   &#8211; H\u00e1 alguma esperan\u00e7a em que algo mude para estas crian\u00e7as-soldado?  &#8211; D. Castro Quiroga: Esta \u00e9 uma das principais conquistas da Col\u00f4mbia: pela primeira vez pensa-se nas v\u00edtimas da viol\u00eancia. At\u00e9 agora o Estado s\u00f3 queria saber das v\u00edtimas: quem era o violento e quantos anos de castigo devia dar-lhe. Agora, pelo contr\u00e1rio, pensa-se em ajudar as v\u00edtimas da viol\u00eancia. Temos inclusivamente um fundo especial para isso. Na Col\u00f4mbia, h\u00e1 tr\u00eas milh\u00f5es de deslocados, quer dizer de pessoas que tiveram de migrar para salvar suas vidas. Destes, um milh\u00e3o s\u00e3o crian\u00e7as, e encontram dificuldades para voltar a estudar e reintegrar-se na sociedade que as acolhe. Chegam mesmo a ser olhadas com desconfian\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista ao Presidente da Confer\u00eancia Episcopal da Col\u00f4mbia, D. 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