{"id":136429,"date":"2019-05-09T13:44:45","date_gmt":"2019-05-09T12:44:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=136429"},"modified":"2019-07-04T16:44:29","modified_gmt":"2019-07-04T15:44:29","slug":"fatima-santuario-do-mundo-e-para-o-mundo-todo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fatima-santuario-do-mundo-e-para-o-mundo-todo\/","title":{"rendered":"F\u00e1tima, \u00abSantu\u00e1rio do mundo e para o mundo todo\u00bb (c\/v\u00eddeo)"},"content":{"rendered":"<p><em>Pedro Valinho, diretor do Departamento para o Acolhimento de Peregrinos do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, aborda rela\u00e7\u00e3o com quem procura a Cova da Iria &#8211; da busca interior, a p\u00e9, em Portugal, ao crescimento de quem chega dos cinco continentes, em particular da \u00c1sia<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Matos<\/em><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-127405 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/santuario_fatima_peregrinos1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/santuario_fatima_peregrinos1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/santuario_fatima_peregrinos1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/santuario_fatima_peregrinos1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/santuario_fatima_peregrinos1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/santuario_fatima_peregrinos1-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Ecclesia (AE) &#8211; Estamos no in\u00edcio de mais uma peregrina\u00e7\u00e3o anivers\u00e1ria e o santu\u00e1rio de F\u00e1tima assinala tamb\u00e9m este momento com o lan\u00e7amento de um contributo dirigido ao peregrino de F\u00e1tima. Um guia do peregrino onde, de alguma forma, est\u00e1 sintetizado o essencial da mensagem de F\u00e1tima e daquilo que este espa\u00e7o de ora\u00e7\u00e3o promove e oferece. O que se pretende com o lan\u00e7amento de uma obra com estas caracter\u00edsticas?<\/em><\/p>\n<p><em>Pedro Valinho (PV) &#8211;<\/em> Antes de mais, devo recordar que estamos a reeditar o guia do peregrino mais do que a lan\u00e7ar uma nova edi\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma longa tradi\u00e7\u00e3o do guia do peregrino de F\u00e1tima, a primeira edi\u00e7\u00e3o data do anos 20. O santu\u00e1rio oferecia aos peregrinos um manual com\u00a0 os subs\u00eddios b\u00e1sicos para uma viv\u00eancia espiritual da sua caminhada at\u00e9 F\u00e1tima, caminhada entendida como caminho a p\u00e9 ou por outros meios, fazer-se o caminho at\u00e9 ao santu\u00e1rio com um teor espiritual .<\/p>\n<p>Aquilo que se entendeu fazer foi oferecer aos peregrinos uma proposta de leitura da mensagem de F\u00e1tima, atual, para os peregrinos que se fazem a caminho de F\u00e1tima, oferecendo tamb\u00e9m ora\u00e7\u00f5es, informa\u00e7\u00f5es sobre o que podem encontrar, como melhor preparar a caminhada.<\/p>\n<p>Depois h\u00e1 uma outra ideia, essa sim original, neste guia: pensar-se como fazer peregrina\u00e7\u00e3o no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, o pr\u00f3prio santu\u00e1rio que se torna espa\u00e7o onde se pode fazer peregrina\u00e7\u00e3o. Tra\u00e7amos diferentes caminhos, a que chamamos caminhos da miseric\u00f3rdia, que se podem fazer no espa\u00e7o e ir vivendo a partir do espa\u00e7o algo da mensagem de F\u00e1tima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Vai muito na linha do pr\u00f3prio tema do peregrinar em Igreja. Este peregrino tamb\u00e9m est\u00e1 a mudar? O santu\u00e1rio tem essa perce\u00e7\u00e3o de que os peregrinos est\u00e3o a mudar \u00e0 medida que o tempo passa?<\/em><\/p>\n<p><em>PV &#8211;<\/em> Sem d\u00favida, s\u00e3o 100 anos de hist\u00f3ria e ao longos dos 100 anos houve sempre esta evolu\u00e7\u00e3o no perfil do peregrino. F\u00e1tima tem uma mensagem que abra\u00e7a o mundo e n\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que muitos chamam o \u2018altar do mundo\u2019 e bastar\u00e1 num dia como este, da pr\u00f3xima peregrina\u00e7\u00e3o anivers\u00e1ria, para percebermos que rostos de todos os continentes est\u00e3o aqui representados no recinto de ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que, tradicionalmente, os peregrinos eram provenientes de Portugal e dos pa\u00edses vizinhos, europeus sobretudo. Ao longo dos tempos foi crescendo os peregrinos norte-americanos, do norte da Europa e, depois da queda do muro de Berlim, assistimos a um incremento do n\u00famero peregrinos vindo dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica; agora vemos surgir, com alguma surpresa, com muita for\u00e7a, grupos de peregrinos vindos da \u00c1sia e da \u00c1frica, tamb\u00e9m. Mas da \u00c1sia h\u00e1 um grande crescimento do grupo de peregrinos, parece ser um reflexo do qu\u00e3o F\u00e1tima fala numa linguagem simples, que chega a todas as express\u00f5es e a todos os continentes, as pessoas sentem-se movidas por uma mensagem e querem fazer-se presentes neste santu\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Estes peregrinos que chegam, nomeadamente, do continente asi\u00e1tico lan\u00e7am desafios novos e concretos ao santu\u00e1rio no sentido de criar estruturas de acolhimento a um grupo lingu\u00edstico diferente do que se estava habituado&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>PV &#8211;<\/em> De facto, desde logo, a grande dificuldade \u00e9 a quest\u00e3o da l\u00edngua, a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil com alguns peregrinos vindos de certos pa\u00edses. H\u00e1 as l\u00ednguas francas que nos ajudam a aliviar essa dificuldade\u2026 tamb\u00e9m \u00e9 verdade que o santu\u00e1rio de F\u00e1tima tem alguma tradi\u00e7\u00e3o na tradu\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios e pequenos livretos que ajudam a viver o espa\u00e7o e a peregrina\u00e7\u00e3o ao santu\u00e1rio em m\u00faltiplas l\u00ednguas. \u00c9 verdade que temos redescoberto a necessidade de ir al\u00e9m disto, de procurar oferecer aos peregrinos vindos dos pa\u00edses asi\u00e1ticos, particularmente, a mensagem de F\u00e1tima nas suas l\u00ednguas ou, pelo menos, em l\u00ednguas que possam compreender.<\/p>\n<p>Esse esfor\u00e7o tem sido feito no acolhimento, na gest\u00e3o das peregrina\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m nos nossos postos de acolhimento e de informa\u00e7\u00f5es, h\u00e1 grupos que pedem visitas acompanhadas, hoje come\u00e7a a ser poss\u00edvel fazer-se com grupos de proveni\u00eancias e l\u00ednguas asi\u00e1ticas. O desafio \u00e9 grande, mas h\u00e1 um abrir do leque da oferta no acolhimento desses peregrinos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Ser\u00e1 um desafio tamb\u00e9m para este novo contributo, que \u00e9 o guia do peregrino, aqueles que chegam destas proveni\u00eancias, destas latitudes?<\/em><\/p>\n<p><em>PV &#8211;<\/em> H\u00e1 a hip\u00f3tese de uma tradu\u00e7\u00e3o, vamos ver em que l\u00ednguas, mas n\u00e3o quer\u00edamos que a oferta ficasse apenas em portugu\u00eas, tendo em conta que tantos peregrinos chegam de tantas latitudes. F\u00e1tima faz cada vez mais jus a este t\u00edtulo de altar do mundo e n\u00e3o quer\u00edamos que as ofertas que fazemos ficassem pelo caminho em rela\u00e7\u00e3o aos peregrinos que fazem caminho at\u00e9 F\u00e1tima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; F\u00e1tima continua a ser destino intenso de peregrina\u00e7\u00e3o daqueles que, tradicionalmente, o continuam a fazer a p\u00e9&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>PV &#8211;<\/em> Sim e at\u00e9 com algum incremento nos \u00faltimos anos, o que tal \u00e9 surpreendente para algumas leituras sociol\u00f3gicas que se faz do tema \u2018peregrinar a p\u00e9\u2019. \u00c9 surpreendente assistir a esse incremento, parece-me muito interessante a caminhada em si: se o Homem \u00e9 alguma coisa \u00e9 a caminho, da\u00ed que, se as pessoas em busca de uma experi\u00eancia espiritual profunda querem fazer viv\u00eancia de um caminho, me pare\u00e7a natural. \u00c9 a busca de um di\u00e1logo, \u00e9 como que representa\u00e7\u00e3o da busca interior que se faz.<\/p>\n<p>Durante muito tempo esta ideia, esta procura, esteve algo desligada de F\u00e1tima, como destino, mas creio que cada vez mais assistimos a isto: o peregrino quer fazer uma caminhada a p\u00e9, como busca interior, e escolhe F\u00e1tima como destino, porque reconhece uma mensagem que nos p\u00f5e a caminho, que nos dinamiza, desinstala e procura o melhor de n\u00f3s. As pessoas identificam-se com isto e fazem-se ao caminho, este incremento \u00e9 tamb\u00e9m resultado disto.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; N\u00e3o estamos a falar de um peregrino idoso, de meio rural, de religiosidade mais tradicional\u2026 estamos a falar de muitos jovens que chegam aqui a fazer o caminho a p\u00e9.<\/em><\/p>\n<p><em>PV &#8211;<\/em> Tamb\u00e9m existe o idoso com a sua devo\u00e7\u00e3o popular e que vem aqui com toda a sua honestidade, que vem aqui dizer obrigada ao colo materno que lhe foi oferecido\u2026 mas existe cada vez mais o grupo de jovens ou o adulto comprometido com a vida, desinstalado ou \u00e0 procura, que quer fazer uma experi\u00eancia, uma viv\u00eancia dinamizada pelo caminhar, que \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o desta procura interior que vive. Esse perfil de peregrino tem aumentado a olhos vistos nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; H\u00e1 aqui tamb\u00e9m, podemos dizer, uma dimens\u00e3o neste espa\u00e7o de primeiro an\u00fancio. Para aqueles que tantas vezes chegam aqui acompanhando familiares, porque a idade n\u00e3o permite que se desloquem sozinhos, o filho que os traz, ou o familiar que fica e participa das celebra\u00e7\u00f5es, depois sente-se tocado e percebe aqui algo de diferente. H\u00e1 aqui tamb\u00e9m um ambiente prop\u00edcio ao primeiro an\u00fancio?<\/em><\/p>\n<p><em>PV &#8211;<\/em> Creio que sim. N\u00e3o \u00e9 por acaso que os santu\u00e1rios passaram a ser coordenados pelo dicast\u00e9rio para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o, por esta ideia de que um santu\u00e1rio \u00e9 lugar de evangeliza\u00e7\u00e3o, um lugar mission\u00e1rio. Tamb\u00e9m os santu\u00e1rios s\u00e3o lugares mission\u00e1rios, creio que no nosso tempo de primeira linha, porque desejamos que aquele que nos visita &#8211; mesmo n\u00e3o estando, n\u00e3o vindo em tom de peregrina\u00e7\u00e3o &#8211; saia como peregrino.<\/p>\n<p>Aquilo que se vive no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima interpela-nos &#8211; seja o que vemos, os gestos simples, o colocar de uma vela, a participa\u00e7\u00e3o numa celebra\u00e7\u00e3o, o c\u00e2ntico lit\u00fargico, um recinto cheio iluminado pelas velas, uma imagem iluminada que passa pelo mar de luzes -, interpela-nos, inquieta-nos. E faz questionar e coloca- nos a caminho.<\/p>\n<p>c, tamb\u00e9m lugar de partida para peregrina\u00e7\u00f5es interiores e creio que este gestos s\u00e3o de tal forma prof\u00e9ticos que nos desafiam a procurar aquilo que n\u00e3o sabemos que andamos \u00e0 procura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; \u00c9 um grande desafio de linguagem, de estrutura teol\u00f3gica da mensagem quando se tem de dirigir a peregrinos t\u00e3o diversos, sejam da \u00c1sia, do ambiente rural ou das grandes cidades de Portugal, a p\u00e9 ou quem aqui vem ao fim-de-semana&#8230; para todos \u00e9 preciso uma linguagem diferente\u2026 como \u00e9 que o santu\u00e1rio consegue falar a todos?<\/em><\/p>\n<p><em>PV &#8211;<\/em> Eu diria que atrav\u00e9s de tr\u00eas m\u00e9todos. Um deles j\u00e1 consagrado na Igreja que \u00e9 a Liturgia, independentemente das l\u00ednguas ou das proveni\u00eancias, ou da nossa maior ou menor participa\u00e7\u00e3o eclesial, todos neste recinto compreendem o mist\u00e9rio que se est\u00e1 a viver, a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica ou do ter\u00e7o, um Gl\u00f3ria que se reza com a vela no ar. Isto fala-nos.<\/p>\n<p>Por outro lado, h\u00e1 uma aposta s\u00e9ria no dizer a mensagem atrav\u00e9s do belo, creio que isso tem sido, aos longo dos 100 anos do santu\u00e1rio, uma aposta s\u00e9ria, que faz parte da g\u00e9nese de F\u00e1tima, os olhos enchem-se do belo e isto marca, transforma-nos interiormente. Na vida dos pastorinhos foi algo assim, o que os fascinou e fazerem comprometerem-se de facto foi uma experi\u00eancia de beleza que n\u00e3o sabiam dizer, mas que n\u00e3o podiam n\u00e3o dizer e, portanto, teriam de dizer alguma coisa daquela beleza que experienciaram. O Francisco, que nunca ouviu Nossa Senhora, mas que viu, para ele ver foi tudo. A grande marca da santidade dele foi o fasc\u00ednio da beleza de Deus. Tenta-se fazer isso no santu\u00e1rio tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante, outra forma de acolher todos \u00e9 a aposta s\u00e9ria no acolhimento. O Santu\u00e1rio de F\u00e1tima \u00e9, creio eu, sobretudo a express\u00e3o do colo materno de Deus que aqui nos foi oferecido. \u00c9 disso que os peregrinos v\u00eam \u00e0 procura e a nossa miss\u00e3o \u00e9 de oferecer esse colo, \u00e0s vezes n\u00e3o s\u00e3o precisas palavras: os gestos, a disponibilidade de todos os que aqui trabalham, nesta equipa grande que \u00e9 o santu\u00e1rio, contribuem para isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Estamos a falar de uma realidade que n\u00e3o se esgota no recinto \u2026 h\u00e1 um espa\u00e7o que vai aos Valinhos, um ambiente rural, campestre, onde os pastorinhos viviam e h\u00e1 todo um ambiente que se integra aqui \u00e0 volta deste mist\u00e9rio que aqui \u00e9 assinalado e celebrado.<\/em><\/p>\n<p><em>PV &#8211;<\/em> E com cada vez mais procura&#8230; Aljustrel, o caminho dos pastorinhos, a Via-Sacra dos h\u00fangaros que entronca no caminho dos pastorinhos e \u00e9 local de grande procura dos grupos, portugueses ou n\u00e3o; de facto, aquilo que procuram \u00e9 o recolhimento que os pastorinhos procuravam tamb\u00e9m. Mais uma vez, recordando o Francisco, que era o menino contemplativo, do recolhimento e que procurava aquele espa\u00e7o para poder estar a s\u00f3s com Deus, creio que \u00e9 isso que se procura quando se faz o caminho dos pastorinhos, um caminho muito procurado hoje, o que nos coloca outros desafios, de manter o lugar de sil\u00eancio e ora\u00e7\u00e3o, mas marca a peregrina\u00e7\u00e3o a F\u00e1tima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Nesta peregrina\u00e7\u00e3o internacional anivers\u00e1ria de maio estar\u00e1 o cardeal de Manila, num sinal de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00c1sia, disse o bispo da diocese, D. Ant\u00f3nio Marto. H\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o especial para se descobrir de forma mais intensa F\u00e1tima e percebe-se como aqui chegam pa\u00edses de exist\u00eancia crist\u00e3 dif\u00edcil, como o Sri Lanka, atingido recentemente pelos atentados graves contra os crist\u00e3os.<\/em><\/p>\n<p><em>PV &#8211;<\/em> Sim, nos primeiros quatro meses tivemos j\u00e1, pelos menos, oito grupos do Sri Lanka, registados connosco. N\u00e3o conseguimos ter n\u00fameros de todos os que chegam, nem todos se procuram registar. Estes eram mais de cinco centenas de peregrinos, do Sri Lanka marcado pelos incidentes recentes.\u00a0Temos por exemplo grupos da China, que talvez fosse um pa\u00eds que nos surpreende que enviem peregrinos a F\u00e1tima; temos muitos grupos da Coreia do Sul e sabemos o quanto a rela\u00e7\u00e3o entre as Coreias pode favorecer isso.<\/p>\n<p>F\u00e1tima entra no imagin\u00e1rio dos peregrinos como sinal de esperan\u00e7a para quem vive situa\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o, de dificuldade, em que a sua f\u00e9 n\u00e3o pode ser expressada de forma simples; tal como foi noutros tempos e contextos pol\u00edticos, F\u00e1tima \u00e9 sinal de esperan\u00e7a e para muitos peregrinos era o \u00faltimo basti\u00e3o que mantinha a f\u00e9 acesa, tal como acontece tamb\u00e9m agora em muitos pa\u00edses de outros contextos, como na \u00c1sia ou em \u00c1frica.<\/p>\n<p>F\u00e1tima continua a ser sinal de esperan\u00e7a, esta luz que vai continuando a brilhar e os peregrinos desejam c\u00e1 estar, para manifestar a gratid\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Podemos dizer que h\u00e1 uma atualidade particular da mensagem de F\u00e1tima nestas regi\u00f5es do mundo com uma hist\u00f3ria recente de totalitarismos ateus e contr\u00e1rios \u00e0 religi\u00e3o, os povos que experimentam a presen\u00e7a e vontade de se libertarem de alguma forma destes sistemas pol\u00edticos opressores? Temos peregrinos do Vietname, vindos das Filipinas, latitudes em que a mensagem de F\u00e1tima \u00e9 atual&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>PV &#8211;<\/em> F\u00e1tima ser\u00e1 sempre atual para quem viva num contexto em que o humano n\u00e3o se consiga expressar. F\u00e1tima vem mesmo dizer isto, se n\u00f3s abrirmos a Deus encontraremos o cuidado do outro e todo aquele regime ou sistema pol\u00edtico, social, econ\u00f3mico e cultural que, por sistema, negue Deus e rejeite o cuidado do outro \u00e9 um sistema fal\u00edvel, antes de mais, e que conduzir\u00e1 o humano \u00e0 sua autodestrui\u00e7\u00e3o. Foi isso que representou na mensagem de F\u00e1tima a palavra R\u00fassia, t\u00e3o discutida no segredo de F\u00e1tima.<\/p>\n<p>R\u00fassia \u00e9 o s\u00edmbolo destes sistemas totalit\u00e1rios, um sistema pol\u00edtico que procurou a destrui\u00e7\u00e3o e a nega\u00e7\u00e3o de Deus e que tinha uma ideia do humano, da autoconstru\u00e7\u00e3o do Humano, que o levava para autorrefer\u00eancia e que tirava de cena o cuidado do outro. S\u00e3o esses os erros que a R\u00fassia poderia espalhar e creio que os peregrinos de outros contextos e horizontes, hoje, reconhecem \u00e9 que a mensagem de F\u00e1tima lhes fala \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o presente; eles tamb\u00e9m vivem situa\u00e7\u00f5es em que o cuidado do humano \u00e9 colocado em causa, porque \u00e9 negada a centralidade de Deus e isto \u00e9 t\u00e3o verdade no contexto asi\u00e1tico, por exemplo, como \u00e9 em contextos capitalistas embora possa ser muito mais evidente quando experienciamos uma falta de liberdade s\u00e9ria e atroz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Podemos dizer que h\u00e1 estas leituras novas da mensagem de F\u00e1tima, nestes ambientes tamb\u00e9m a Oriente, onde a destrui\u00e7\u00e3o de Deus pode n\u00e3o acontecer num regime comunista ateu mas pelo consumismo; em pa\u00edses em que as categorias de vida est\u00e3o a mudar e a virar para onde o consumismo e a grande produ\u00e7\u00e3o, o trabalho intenso, s\u00e3o formas de aniquilar Deus nas sociedades contempor\u00e2neas.<\/em><\/p>\n<p><em>PV &#8211;<\/em> Creio que qualquer projeto pol\u00edtico ou social que seja egocentrado retira, quer admita ou n\u00e3o, retira de cena Deus, porque \u00e9 egocentrado e o consumismo \u00e9 essa a quest\u00e3o. No fundo procura-se a satisfa\u00e7\u00e3o de todos os prazeres pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o com a mensagem de F\u00e1tima \u00e9 poss\u00edvel para todos os que vivem nos diferentes contextos, porque aquilo que F\u00e1tima nos vem recordar \u00e9 que o Homem est\u00e1 no centro do cuidado de Deus. N\u00f3s, que somos Igreja e que nos identificamos com a imagem e semelhan\u00e7a de Deus, somos chamados a cuidar do outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; F\u00e1tima vai promovendo, periodicamente, congressos teol\u00f3gicos, de reflex\u00e3o teol\u00f3gica, nesta linha deste despertar do interesse da \u00c1sia pela mensagem de F\u00e1tima \u00e9 tamb\u00e9m um desafio aos te\u00f3logos para refletirem esta dimens\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p><em>POV &#8211; <\/em>O alargar do horizonte de F\u00e1tima \u00e9 sempre um desafio&#8230; Este ano teremos o simp\u00f3sio que trata do tema \u201cperegrina\u00e7\u00f5es\u201d, peregrinar em Igreja, precisamente. E vamos percebendo a din\u00e2mica de peregrinar a F\u00e1tima, n\u00e3o pode ser lido a partir do perfil do peregrino tradicional que n\u00e3o corresponde completamente ao peregrino de hoje. Portanto, hoje temos gente de todo o mundo e de todos os contextos e tudo isto tem de entroncar na nossa reflex\u00e3o teol\u00f3gica sobre F\u00e1tima.<\/p>\n<p>A mensagem de F\u00e1tima \u00e9 eco do Evangelho e esta \u00e9 universal; no fundo, F\u00e1tima est\u00e1 a cumprir a sua miss\u00e3o de ser eco do Evangelho para todos os povos. Se F\u00e1tima continuar a ser luz para todas as na\u00e7\u00f5es estamos a ser fi\u00e9is ao que nos foi pedido por Nossa Senhora em 1917.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Este ano h\u00e1 em F\u00e1tima uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 \u00c1sia, com a presen\u00e7a de respons\u00e1veis das Filipinas e da Coreia do Sul?<\/em><\/p>\n<p><em>PV &#8211;<\/em> Este ano n\u00f3s temos essa particular aten\u00e7\u00e3o, mas em boa verdade temo-la diariamente no acolhimento que fazemos aos grupos; quisemos marcar esta realidade, que j\u00e1 \u00e9 nossa, do aumento substancial do n\u00famero de peregrinos vindos da \u00c1sia, dizer-lhes que s\u00e3o muito bem-vindos e que esperamos poder oferecer-lhes a mensagem de F\u00e1tima, para que continue a ser para eles tamb\u00e9m sinal de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>F\u00e1tima \u00e9 um santu\u00e1rio para o mundo todo, santu\u00e1rio do mundo e para o mundo todo. A \u00c1sia \u00e9 sempre o horizonte mais long\u00ednquo e at\u00e9 l\u00e1 chegarmos percorremos o mundo todo, no fundo \u00e9 isto. Por exemplo, olhando a esplanada no 13 de maio, percebe-se que o mundo se concentra em F\u00e1tima, porque reconhece em F\u00e1tima, talvez, a imagem do que \u00e9 ser Igreja e do que \u00e9 caminhar em Igreja. Trazer os presidentes das grandes celebra\u00e7\u00f5es deste ano do nosso horizonte mais long\u00ednquo \u00e9 falar universalidade do que F\u00e1tima tem para oferecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; E isto para F\u00e1tima cria desafios espec\u00edficos, \u00e9 necess\u00e1rio ter por aqui, desde a Hotelaria a outros servi\u00e7os do santu\u00e1rio, pessoas que dominem linguisticamente estas proveni\u00eancias?<\/em><\/p>\n<p><em>PV &#8211;<\/em> J\u00e1 vamos tendo alguma colabora\u00e7\u00e3o, por exemplo no coreano, que \u00e9 talvez uma das l\u00ednguas asi\u00e1ticas mais frequentadas no santu\u00e1rio. Assiste-se a um multiplicar da universalidade, tamb\u00e9m lingu\u00edstica, ao percorrer o Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, cada vez mais um reflexo, tamb\u00e9m sonoro, da universalidade da mensagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; E podemos ter folhetos em mandarim, naquele expositor?<\/em><\/p>\n<p><em>PV &#8211;<\/em> Poderemos vir a ter em breve, sim, e em coreano tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_50768\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Tg_YLESg9q8?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; 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