{"id":136110,"date":"2019-05-06T17:44:35","date_gmt":"2019-05-06T16:44:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=136110"},"modified":"2019-05-06T17:44:35","modified_gmt":"2019-05-06T16:44:35","slug":"quietude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/quietude\/","title":{"rendered":"Quietude"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><!--more--><\/p>\n<p>O tempo \u00e9 a pedra mais preciosa que todos desejam, ningu\u00e9m v\u00ea, mas est\u00e1 sempre ao nosso alcance.<\/p>\n<figure id=\"attachment_136111\" aria-describedby=\"caption-attachment-136111\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/aron-visuals-322314-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-136111 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/aron-visuals-322314-unsplash-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/aron-visuals-322314-unsplash-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/aron-visuals-322314-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/aron-visuals-322314-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/aron-visuals-322314-unsplash-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/aron-visuals-322314-unsplash.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-136111\" class=\"wp-caption-text\">Photo by Aron Visuals on Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Dizia este Domingo a jornalista do P\u00fablico, Maria Jo\u00e3o Lopes que<\/p>\n<blockquote><p>\u201dA falta de tempo livre tira-nos uma parte de sermos humanos. Tira-nos os momentos em que nos podemos deitar de barriga para cima a olhar para as estrelas. Tira-nos o t\u00e9dio.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Ao que eu acrescentaria: <em>tira-nos o sil\u00eancio.<\/em> A quietude. Por\u00e9m, h\u00e1 que recuper\u00e1-la porque, aparentemente, faz bem \u00e0 nossa sa\u00fade f\u00edsica, mental e espiritual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Da fragmenta\u00e7\u00e3o do tempo \u00e0 do sil\u00eancio<\/h3>\n<p>Recentemente ouvia a te\u00f3loga Ilia Delio numa entrevista onde salientava a ideia de todos estarmos sempre cientes das horas, a olhar para o rel\u00f3gio, para o computador ou o telem\u00f3vel, de tal modo que as nossas vidas est\u00e3o cada vez mais fracturadas pelo tempo. Penso que a fragmenta\u00e7\u00e3o do tempo afectou, tamb\u00e9m, a nossa percep\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO sil\u00eancio n\u00e3o existe mais como mundo, mas apenas em fragmentos, como o que resta do mundo. E como o homem se assusta sempre com o que resta, assim ele se assusta com o que resta do sil\u00eancio.\u201d (Max Picard)<\/p><\/blockquote>\n<p>Recuperar a quietude passa por <em>desfragmentar<\/em> o sil\u00eancio no quotidiano. Come\u00e7a pelo nosso corpo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Efeito f\u00edsico do sil\u00eancio<\/h3>\n<p>Todos andamos muito atarefados e, por essa raz\u00e3o, nos queixamos de n\u00e3o termos tempo para relaxar. Investigadores da universidade de Pavia na It\u00e1lia e do hospital John Radcliffe no Reino Unido <a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC1860846\/#__ffn_sectitle\">estudaram<\/a> o efeito da m\u00fasica no relaxamento dos artistas. Os testes implicavam escutar m\u00fasicas com ritmos diferentes por dois minutos, depois por quatro e, aleatoriamente, introduziam pausas de dois minutos. Curiosamente, os resultados mostraram que o relaxamento era maior nos momentos de pausa, ou seja, nos momentos de sil\u00eancio. Diz Luciano Bernardi, um dos autores do estudo que <em>\u201ddois minutos de pausas silenciosas provaram ser mais relaxantes do que qualquer m\u00fasica feita propositadamente para o relaxamento.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Este estudo pode ter implica\u00e7\u00f5es importantes para muitos daqueles que vivem em ambientes urbanos onde o ru\u00eddo, ou polui\u00e7\u00e3o sonora, \u00e9 um assunto t\u00e3o s\u00e9rio como a ambiental. O ru\u00eddo activa a am\u00edgdala localizada nos lobos temporais do nosso c\u00e9rebro, e liberta hormonas como o cortisol, associadas ao stress. Da\u00ed o potencial do sil\u00eancio para nos acalmar e aumentar o volume dos nossos pensamentos que nos permitem estar mais ligados a n\u00f3s pr\u00f3prios, aos outros e ao mundo.<\/p>\n<p>Um outro <a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC4087081\/\">estudo<\/a> realizado em ratos de laborat\u00f3rio por uma colabora\u00e7\u00e3o entre universidades alem\u00e3s e americanas, procurou avaliar o efeito dos est\u00edmulos auditivos na neurog\u00e9nese (processo de forma\u00e7\u00e3o de novos neur\u00f3nios no c\u00e9rebro), e incluiu o sil\u00eancio como teste de controlo. Por\u00e9m, com alguma surpresa, verificaram que a aus\u00eancia de qualquer est\u00edmulo auditivo &#8211; sil\u00eancio -era a que produzia mais neur\u00f3nios nas c\u00e9lulas do hipocampo, a parte do c\u00e9rebro ligada \u00e0 mem\u00f3ria. Imke Kirste, co-autora deste estudo, sugere que <em>duas horas de sil\u00eancio por dia<\/em> podem ajudar no desenvolvimento celular no hipocampo, rejuvenescendo-o.<\/p>\n<p>Com dois simples exemplos percebemos que o sil\u00eancio, al\u00e9m de reduzir o stress, rejuvenesce o c\u00e9rebro. Talvez por esse motivo, a Finl\u00e2ndia esteja a apostar no <a href=\"https:\/\/staging.businessfinland.fi\/en\/do-business-with-finland\/visit-finland\/about-Visit-Finland\/#marketing\">sil\u00eancio<\/a> como uma das imagens de marca do pa\u00eds e atrac\u00e7\u00e3o tur\u00edstica. Num mundo ruidoso, o sil\u00eancio vende. Na pr\u00e1tica, a Finl\u00e2ndia est\u00e1 a promover alguma coisa, literalmente, a partir de nada. Diz a investigadora finlandesa Noora Vikman ser realmente <em>\u201destranho o modo como mudamos. Temos todo o poder &#8211; podemos quebrar o sil\u00eancio mesmo com os mais pequenos sons. E, depois, n\u00e3o queremos faz\u00ea-lo. Procuramos estar t\u00e3o quietos quanto poss\u00edvel.\u201d<\/em><\/p>\n<h2><\/h2>\n<h3>Em busca dos jardins do sil\u00eancio urbanos<\/h3>\n<p>O impacto do sil\u00eancio sobre o nosso c\u00e9rebro \u00e9 espantoso e cada vez mais importante para lidar com o desenvolvimento cultural hodierno e a economia da aten\u00e7\u00e3o em torno de tantas inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Mas questiono se todo o benef\u00edcio f\u00edsico e mental n\u00e3o se consolida com o espiritual. \u00c9 f\u00e1cil fazer uma experi\u00eancia de sil\u00eancio com os sons da natureza, mas muitos trabalham em ambiente urbano a maior parte do ano. O que fazer nesses casos? Onde est\u00e3o os jardins?<\/p>\n<blockquote><p>\u201cSento-me na escurid\u00e3o. Sento-me no sil\u00eancio humano (\u2026) Depois, come\u00e7o a ouvir a noite eloquente, a noite das \u00e1rvores h\u00famidas, com o luar deslizando sobre o ombro da igreja na pouca luminosidade e calor menos intenso.\u201d (Thomas Merton, monge americano)<\/p><\/blockquote>\n<p>Podem existir v\u00e1rios jardins nas cidades, mas os que me ocorrem como jardins de sil\u00eancio s\u00e3o as bibliotecas e as igrejas.<\/p>\n<p>Imaginem momentos de pausa em sil\u00eancio numa biblioteca, contemplando as prateleiras de livros e passando os nossos olhos pelos t\u00edtulos, sem qualquer inten\u00e7\u00e3o imediata de os ler. Ou ent\u00e3o, entrar numa igreja e estar diante de Jesus no sacr\u00e1rio, ou exposto no altar, ou simplesmente sentar-me, fechar os olhos independentemente da minha cren\u00e7a. S\u00e3o dois modos simples de passar dois minutos a duas horas em relaxamento do stress di\u00e1rio, regenerar o c\u00e9rebro, encontrar-se na quietude com os nossos pensamentos e, quem sabe, ter uma conversa inesperada e profunda com Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-136110","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=136110"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136110\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=136110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=136110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=136110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}