{"id":135744,"date":"2019-05-03T08:30:21","date_gmt":"2019-05-03T07:30:21","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=135744"},"modified":"2019-07-04T16:29:50","modified_gmt":"2019-07-04T15:29:50","slug":"lutas-sindicais-sao-eficazes-quando-tem-por-fundo-a-solidariedade-e-o-bem-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lutas-sindicais-sao-eficazes-quando-tem-por-fundo-a-solidariedade-e-o-bem-de-todos\/","title":{"rendered":"\u00abLutas sindicais s\u00e3o eficazes quando t\u00eam por fundo a solidariedade e o bem de todos\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>Entrevista a F\u00e1tima Almeida, copresidente do Movimento Mundial de Trabalhadores Crist\u00e3os<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><!--more-->Portuguesa que est\u00e1 \u00e0 frente do Movimento Mundial de Trabalhadores Crist\u00e3os diz que os sindicatos s\u00e3o fundamentais \u00e0 sociedade, mas n\u00e3o podem ser \u201ccorporativistas\u201d. Em entrevista \u00e0 Renascen\u00e7a e \u00e0 ag\u00eancia Ecclesia, F\u00e1tima Almeida diz que foi o \u201cconsumismo desenfreado\u201d que criou o h\u00e1bito de ter tudo aberto ao domingo, e que n\u00e3o respeitar o feriado do 1\u00ba de Maio \u00e9 \u201cum pecado de bradar aos c\u00e9us\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a), Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Fotos: Joana Bougard (Renascen\u00e7a)<\/em><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-135745 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/03.jpg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1229\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/03.jpg 2048w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/03-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/03-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/03-1024x615.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/03-1080x648.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Est\u00e1 h\u00e1 dois anos na lideran\u00e7a do Movimento Mundial de Trabalhadores Crist\u00e3os (MMTC). Como \u00e9 que tem sido esta experi\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 uma experi\u00eancia muito rica, porque somos uma equipa, representada pelos v\u00e1rios continentes, pela \u00c1frica, pela Am\u00e9rica, pela Europa, com caracter\u00edsticas muito diferentes uns dos outros, mas principalmente com experi\u00eancias de vida, de alegrias, esperan\u00e7as e de ang\u00fastias diferentes tamb\u00e9m umas das outras. \u00c9 uma riqueza, que s\u00f3 quem a vive \u00e9 que pode experimentar. Falar dela \u00e9 diferente de experimentar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Antes desta miss\u00e3o no\u00a0<\/strong><strong>MMTC\u00a0<\/strong><strong>teve experi\u00eancia na Liga Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica (LOC), c\u00e1 em Portugal. Surpreende<\/strong><strong>u-a a realidade que encontrou ao n\u00edvel da\u00a0<\/strong><strong>realidade laboral<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong>no resto do mundo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim. Eu sou militante da LOC, como fui da JOC, no tempo da minha juventude, e estive na coordena\u00e7\u00e3o da LOC entre 2007 e 2013, o que tamb\u00e9m me abriu horizontes. Estar na coordena\u00e7\u00e3o da LOC j\u00e1 me deu oportunidade de conhecer o movimento internacional,\u00a0mundial e\u00a0europeu, mas hoje \u00e9 diferente, porque hoje \u00e9 um estar constante, inserido nestas realidades, e o estar preocupada. Enquanto naquela altura a minha preocupa\u00e7\u00e3o era com o movimento em Portugal, hoje a minha preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 o movimento mundial.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Os problemas laborais diferem muito de pa\u00eds para pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Diferem, porque a Europa e a Am\u00e9rica t\u00eam umas realidades de reconhecimento do trabalho e com direitos laborais adquiridos. \u00c9 verdade que os direitos que foram conquistados tiveram muita luta, muita persist\u00eancia, muito di\u00e1logo social, mas conseguiu-se, e h\u00e1 um regime de leis laborais para n\u00f3s que \u00e9 muito diferente daquilo que conhecemos em pa\u00edses africanos ou asi\u00e1ticos, que de leis laborais nem conhecem nem t\u00eam. A economia informal, ou paralela, como aqui chamamos, \u00e9 o constante do dia a dia em muitos pa\u00edses da \u00c1sia ou de \u00c1frica, e isso limita. H\u00e1 uma diferen\u00e7a enorme nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho entre uns e outros.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>E isso influencia muito as preocupa\u00e7\u00f5es do MMTC? Falar de precariedade e baixos sal\u00e1rios \u00e9 uma coisa na Europa, provavelmente no resto do mundo estamos a falar de explora\u00e7\u00e3o laboral&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, sim. Embora j\u00e1 haja um avan\u00e7o, porque se a globaliza\u00e7\u00e3o trouxe graves problemas, que hoje estamos a viver, trouxe tamb\u00e9m alguns benef\u00edcios, e um desses benef\u00edcios foi este, das pessoas que n\u00e3o tinham esta consci\u00eancia ficarem a saber que h\u00e1 pa\u00edses onde as condi\u00e7\u00f5es do trabalho s\u00e3o diferentes. A informa\u00e7\u00e3o hoje circula muito mais, e a \u00a0solidariedade tamb\u00e9m se torna mais poss\u00edvel. Portanto, acho que h\u00e1 uma evolu\u00e7\u00e3o, pequena, mas h\u00e1, de sensibilidade para as realidades. Hoje,\u00a0na Europa,\u00a0h\u00e1 muitos cidad\u00e3os, e os pr\u00f3prios movimentos oper\u00e1rios crist\u00e3os t\u00eam este objetivo, de perceber de onde \u00e9 que vem aquilo que compramos, se \u00e9 executado atrav\u00e9s de sal\u00e1rio justo, de trabalho digno para quem o executa. Esta preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontece por acaso, acontece com a disponibilidade de informa\u00e7\u00e3o que a globaliza\u00e7\u00e3o nos trouxe.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>De qualquer modo h\u00e1 ainda muitos direitos sociais e laborais que n\u00e3o s\u00e3o respeitados de igual modo em todo o mundo. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Trabalho est\u00e1 a comemorar 100 anos, como \u00e9 que se explica que um s\u00e9culo depois muitos pa\u00edses ainda n\u00e3o tenham ratificado as normas da OIT?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 muitos pa\u00edses que ratificaram muitas das normas e das conven\u00e7\u00f5es da OIT&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>A quest\u00e3o \u00e9 aplic\u00e1-las?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 aplic\u00e1-las, cumpri-las. E\u00a0nas \u00faltimas d\u00e9cadas assistiu-se a um retrocesso no reconhecimento do trabalho digno, ou do trabalho com direitos, que me angustia um pouco, n\u00e3o imaginava que pud\u00e9ssemos chegar a este ponto.\u00a0Lembro-me que na d\u00e9cada de 80, 90, quando come\u00e7aram a aparecer as novas tecnologias e a entrada da digitaliza\u00e7\u00e3o no mundo do trabalho, nas confer\u00eancias e forma\u00e7\u00f5es diziam-nos que ir\u00edamos ter mais tempo para o lazer, mais tempo para a forma\u00e7\u00e3o, mais tempo para aprender, para estar com a fam\u00edlia. As novas tecnologias iriam trazer-nos muita disponibilidade de tempo, o trabalho n\u00e3o seria t\u00e3o duro, nem com hor\u00e1rios t\u00e3o rigorosos. O que \u00e9 que aconteceu? Inverteu-se a situa\u00e7\u00e3o. Hoje h\u00e1 muito mais riqueza, as novas tecnologias trouxeram mais riqueza, concentrada apenas em grandes multinacionais, mas trouxeram tamb\u00e9m o contraponto, que \u00e9 uma grande taxa de desemprego,\u00a0um\u00a0descarte de milh\u00f5es de trabalhadores\u00a0e um aumento de carga hor\u00e1ria\u00a0e\u00a0da rotatividade para aqueles que ainda est\u00e3o integrados no trabalho. \u00c9 qualquer coisa que nos preocupa. As tecnologias, afinal &#8211; porque o interesse do sistema capitalista tamb\u00e9m n\u00e3o permite que seja diferente -, n\u00e3o conseguiram dar-nos a qualidade de vida a que penso que todos temos direito, e que a pr\u00f3pria Doutrina Social da Igreja aponta totalmente para esse fim, quando diz que a pessoa tem que ser o centro do trabalho e do desenvolvimento. N\u00f3s n\u00e3o vivemos para trabalhar, n\u00f3s trabalhamos para podermos viver com dignidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Na mensagem para 1\u00ba de Maio, o M<\/strong><strong>MTC\u00a0<\/strong><strong>tamb\u00e9m manifestou preocupa\u00e7\u00e3o com o facto da crescente digitaliza\u00e7\u00e3o do mundo empresarial e econ\u00f3mico vir a excluir milh\u00f5es de pessoas do mercado de trabalho. Qual \u00e9 que \u00e9 o desafio aqui, tendo em conta que este desenvolvimento n\u00e3o se pode travar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s estamos a evoluir e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel alterar as mudan\u00e7as a que hoje estamos assistir. Mas, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 impedir ou acabar com as novas plataformas, \u00e9 criar regras para que elas se integrem dentro daquilo que s\u00e3o as regras de trabalho ou as leis laborais da nossa sociedade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Uma \u00e1rea onde temos de criar regras \u00e9 a dos hor\u00e1rios de trabalho, ou\u00a0do tempo de trabalho.\u00a0N\u00e3o podemos continuar com hor\u00e1rios t\u00e3o longos, e possivelmente n\u00e3o necessitamos de tanta rotatividade no trabalho, da\u00ed que uma das a\u00e7\u00f5es do Movimento Mundial seja a quest\u00e3o do domingo livre, e a diminui\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio de trabalho.\u00a0J\u00e1 em 2012 a doutora Manuela Silva, economista que faz parte do grupo Economia e Sociedade, falava em estudos que indicavam que o hor\u00e1rio podia ser\u00a0reduzido e continuaria a haver a produtividade necess\u00e1ria,\u00a0mesmo\u00a0se passasse de 40 para 32 horas\u00a0semanais. Ora, se n\u00f3s h\u00e1 100 anos lut\u00e1mos, efoi poss\u00edvel legalizar as 8 horas\u00a0di\u00e1rias\u00a0de trabalho\u00a0sem as tecnologias que temos hoje, ora com estas tecnologias de certeza que poderemos passar de 8 para 4 horas, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Conheci empresas com 3000 ou 4000 trabalhadores, ligadas \u00e0 ind\u00fastria, que hoje produzem muito mais com 300 ou 400 trabalhadores, t\u00eam uma carteira de encomendas e uma fatura\u00e7\u00e3o muito mais alta, com um ter\u00e7o dos trabalhadores que tinham h\u00e1 quatro ou cinco d\u00e9cadas atr\u00e1s. Portanto, \u00e9 poss\u00edvel fazer essa adapta\u00e7\u00e3o. E \u00e9 uma forma de integrar mais pessoas, de toda a gente ter acesso ao trabalho, porque outro objetivo da Doutrina Social da Igreja \u00e9 o pleno emprego. Se n\u00f3s queremos caminhar para a\u00ed, temos que estudar formas, e uma das formas pode ser a diminui\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio trabalho. Se eu trabalho menos vou permitir que outros se integrem.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Sobre o descanso ao domingo, em Portugal tem-se intensificado ultimamente este pedido, tanto por pessoas ligadas \u00e0 Igreja, como o bispo do Porto e o cardeal-patriarca, como por sindicatos, nomeadamente a CGTP. Acredita que \u00e9 poss\u00edvel voltar atr\u00e1s desta mat\u00e9ria, tendo em conta que esta foi uma luta perdida h\u00e1 uns anos, quando se generalizou a abertura do com\u00e9rcio ao domingo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Penso que esta luta n\u00e3o pode estar apenas ligada ao domingo sem trabalho. H\u00e1 uma discuss\u00e3o que tem que ser feita,\u00a0ao\u00a0n\u00edvel de sociedade,\u00a0sobre o consumo e a sustentabilidade do planeta. E,\u00a0quando n\u00f3s fizermos uma discuss\u00e3o p\u00fablica com todas as pessoas sobre esta quest\u00e3o,\u00a0vamos chegar \u00e0 conclus\u00e3o que temos que ter estilos de vida diferentes\u00a0e\u00a0consumir menos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O que \u00e9 que levou \u00e0 abertura dos hipermercados e de todo o com\u00e9rcio ao domingo? Foi o consumismo desenfreado. Ali\u00e1s, na d\u00e9cada de 90 falava-se nas &#8216;novas catedrais do consumo&#8217;.\u00a0Esta sensibilidade para o consumo \u00e9 que fez com que as grandes superf\u00edcies, e todo o outro com\u00e9rcio, come\u00e7asse a abrir ao domingo. Se percebermos que n\u00e3o precisamos de consumir tanto,\u00a0e que\u00a0temos \u00e9\u00a0que\u00a0apostar em outras formas de viver, na partilha, no encontro, ent\u00e3o a luta pelo domingo livre poder\u00e1 ser diferente. Por isso \u00e9 que eu digo que\u00a0esta quest\u00e3o do domingo livre n\u00e3o pode ser desenquadrada de todas as outras lutas, da diminui\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio de trabalho, de um novo estilo de vida menos consumista. Possivelmente nem tudo aquilo que hoje se constr\u00f3i, executa ou produz ser\u00e1 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Essa sensibilidade tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 labora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, aos novos ritmos de trabalho, que impedem a concilia\u00e7\u00e3o com a vida familiar e provocam cada vez mais casos de esgotamento. Para al\u00e9m daquilo que exigimos \u00e0s empresas temos de ser tamb\u00e9m exigentes no que estamos a pedir a quem trabalha para n\u00f3s?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim,\u00a0e\u00a0se estamos a falar de n\u00f3s como crist\u00e3os, penso que isso \u00e9 o primeiro passo. \u00c9 fundamental\u00a0hoje\u00a0lermos e adotarmos a &#8216;Laudato Si&#8217;. N\u00e3o sei porqu\u00ea a Igreja em Portugal n\u00e3o tem adotado este documento do Papa como um documento de incentivo a um novo estilo de vida nas comunidades e nos crist\u00e3os. H\u00e1 alguns movimentos, e tamb\u00e9m uma plataforma que j\u00e1 a est\u00e1 a divulgar, mas em termos de comunidades crist\u00e3s ainda n\u00e3o tem passado muito, e tem ali tantos incentivos, tantas refer\u00eancias que podem motivar uma mudan\u00e7a de vida nos crist\u00e3os, levar a uma nova forma de consumir, privilegiar tudo aquilo que venha de produ\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e justa. N\u00f3s temos as ferramentas para mudar, temos os modelos para nos ajudarem nessa mudan\u00e7a, falta-nos esta vontade mesmo de mudar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Estamos na semana do 1\u00ba de Maio, que h\u00e1 uns anos era um dia de descanso para a maioria dos trabalhadores, mas cheg\u00e1mos a 2019 com muita coisa aberta neste dia, e alguns trabalhadores a\u00a0<\/strong><strong>fazerem<\/strong><strong>\u00a0greve<\/strong><strong>, em portesto.<\/strong><strong>\u00a0H\u00e1 sinais que t\u00eam ser lidos tanto por quem emprega, como por quem \u00e9 trabalhador, e deve lutar pelos seus direitos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Claro, \u00e9 um desafio para todos, para as empresas, para os trabalhadores, para quem tem nas m\u00e3os as grandes superf\u00edcies. Num pa\u00eds onde tantos admitem serem cat\u00f3licos, este \u00e9 um grande desafio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O 1\u00ba de Maio est\u00e1 desvirtuado quando aceitamos de \u00e2nimo leve este consumismo, esta campanha de marketing para um dia como o 1\u00ba de Maio. Pod\u00edamos considerar que\u00a0havia um respeito religioso e civil para com alguns feriados, como o Natal, a P\u00e1scoa e o 1\u00ba de Maio, e quando n\u00f3s deixamos perder este respeito para com alguns feriados, eu costumo dizer que \u00e9 um pecado de bradar aos c\u00e9us, porque estamos a perder a nossa identidade humana e a nossa identidade crist\u00e3.\u00a0Se o Natal ou a P\u00e1scoa t\u00eam um significado muito grande\u00a0para n\u00f3s,\u00a0crist\u00e3os, o 1\u00ba de Maio tamb\u00e9m tem um significado muito grande, \u00a0como crist\u00e3os e como humanos. N\u00e3o cheg\u00e1mos \u00e0s 8 horas de trabalho di\u00e1rias por acaso, n\u00e3o cheg\u00e1mos \u00e0s regalias sociais ou aos direitos laborais por acaso, foi tudo uma quest\u00e3o de negocia\u00e7\u00e3o e de luta muito intensa, muito persistente, de greves, de manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Este ano em Portugal assistimos a mudan\u00e7as significativas no mundo sindical. Na greve dos enfermeiros houve aquele mecanismo de &#8216;crowdfunding&#8217;, que tanto celeuma deu, e segundo o jornal Expresso, desde 2017 surgiram 24 novos sindicatos, mas s\u00f3 dois se filiaram na UGT, e nenhum na CGTP. O sindicalismo como o conhecemos tem os dias contados, ou est\u00e1 s\u00f3 mesmo em mudan\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Possivelmente est\u00e1 a atravessar uma mudan\u00e7a.\u00a0Na LOC\u00a0h\u00e1\u00a0uma rela\u00e7\u00e3o privilegiada com os sindicatos, porque muitos dos\u00a0seus\u00a0membros\u00a0e militantes\u00a0fazem parte de sindicatos, e esta discuss\u00e3o sobre a resposta que os sindicatos hoje est\u00e3o a dar ao mundo de trabalho e aos trabalhadores n\u00e3o est\u00e1 totalmente enquadrada, h\u00e1 problemas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Um dos privil\u00e9gios de estar no MMTC foi participar no encontro de sindicatos no Vaticano (em 2017), e a mensagem que o Papa Francisco transmitiu aos sindicalistas foi clara: os sindicatos s\u00e3o fundamentais na nossa sociedade, e como crist\u00e3os seria ainda mais grave se abdic\u00e1ssemos dos sindicatos na mem\u00f3ria,\u00a0e no que eles podem ainda hoje significar na luta pelo trabalho digno e por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Mas, esta mudan\u00e7a tem que ser diferente, possivelmente, de outras.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Papa falava que os sindicatos tamb\u00e9m t\u00eam uma miss\u00e3o prof\u00e9tica. Quando n\u00f3s falamos de miss\u00e3o prof\u00e9tica, sabemos o que \u00e9 que significa. Os profetas na nossa Igreja foram muitos, e hoje s\u00e3o refer\u00eancias muito importantes para n\u00f3s. Eu\u00a0falo muitas vezes\u00a0do padre Abel Varzim como um profeta do seu tempo. Ora, o que \u00e9 que ele fez? Foi lutar contra o sistema e apresentar propostas diferentes. Portanto, hoje o papel dos sindicatos tamb\u00e9m tem\u00a0de\u00a0ter este profetismo, temde\u00a0ter propostas diferentes. E o Papa falou em dois aspetos importantes: primeiro, os sindicatos n\u00e3o podem ser sindicatos corporativistas, que lutam apenas pelo bem-estar do seu grupo, mas t\u00eam que estar abertos a todos os problemas da sociedade, incluir os desempregados e os descartados, os pobres, lutar pela integra\u00e7\u00e3o de todos, pela inclus\u00e3o. A coes\u00e3o social faz-se quando todos s\u00e3o inclu\u00eddos nesta luta. Este era um ponto. O outro era que\u00a0as lutas sindicais s\u00e3o eficazes quando t\u00eam por fundo a solidariedade ou o bem de todos. Se n\u00f3s fazemos uma luta, ou uma greve, pelo bem-estar de apenas uma parte, estamos a excluir uma grande parte dessa luta.\u00a0Se uma greve de enfermeiros n\u00e3o tem conta que est\u00e1 a trabalhar num\u00a0setor onde a sa\u00fade \u00e9 a sua m\u00e3o de obra, a vida das pessoas, se uma greve de professores n\u00e3o tem em conta que n\u00e3o s\u00e3o eles s\u00f3, tamb\u00e9m t\u00eam os alunos, os pais dos alunos, e todos os que trabalham na \u00e1rea de ensino, se todas estas greves n\u00e3o t\u00eam em conta que h\u00e1 um conjunto grande de trabalhadores que n\u00e3o tem a mesma capacidade de negocia\u00e7\u00e3o que t\u00eam alguns sindicatos, ent\u00e3o n\u00e3o estamos a cumprir o verdadeiro papel da luta sindical.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>E que contributo \u00e9 que podem dar organiza\u00e7\u00f5es com a LOC, a JOC, ou o pr\u00f3prio Movimento Mundial de Trabalhadores Crist\u00e3os?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 uma coisa que me ficou do desafio do Papa Francisco, que foi o apelo ao di\u00e1logo. Ele disse, na mensagem que enviou aos sindicalistas, que\u00a0os sindicatos t\u00eam de estar abertos a um di\u00e1logo permanente. N\u00f3s temos de ter hor\u00e1rios para trabalhar, mas n\u00e3o podemos ter hor\u00e1rios para o di\u00e1logo social. E eu acho que hoje \u00e9 esta parte que est\u00e1 a faltar na nossa sociedade.\u00a0N\u00f3s precisamos de um di\u00e1logo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho\u00a0faz 100 anos de uma hist\u00f3ria important\u00edssima, que ajudou neste di\u00e1logo social, no papel e tarefa dos sindicatos. Possivelmente \u00e9 com estas for\u00e7as tamb\u00e9m, com OIT, com os sindicatos, com todos, que temos que fazer este caminho do di\u00e1logo social, sempre no sentido de que o trabalho tem\u00a0de ser executado com dignidade e ser bem remunerado. Os trabalhadores t\u00eam\u00a0de ter direito a uma remunera\u00e7\u00e3o que lhes permita viver com qualidade de vida, porque quando dizemos &#8216;o trabalho \u00e9 fonte de vida&#8217; , e isto \u00e9 algo que \u00e9 assumido por todos, ent\u00e3o temos\u00a0de\u00a0ter um trabalho que nos d\u00ea a\u00a0\u2018vida em abund\u00e2ncia\u2019. Se o trabalho n\u00e3o permite isso, n\u00e3o estamos a cumprir a nossa tarefa nem a nossa miss\u00e3o, n\u00f3s como movimento, e a Igreja e todos os crist\u00e3os como evangelizadores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista a F\u00e1tima Almeida, copresidente do Movimento Mundial de Trabalhadores Crist\u00e3os<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":135745,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[],"class_list":["post-135744","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135744","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=135744"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135744\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/135745"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=135744"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=135744"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=135744"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}