{"id":135361,"date":"2019-04-29T10:12:58","date_gmt":"2019-04-29T09:12:58","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=135361"},"modified":"2019-05-06T17:48:19","modified_gmt":"2019-05-06T16:48:19","slug":"ninguem-e-remunerado-por-ser-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ninguem-e-remunerado-por-ser-humano\/","title":{"rendered":"Ningu\u00e9m \u00e9 remunerado por ser humano"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Antigamente havia emprego para toda a vida a fazer o mesmo trabalho. Depois, deixou de haver emprego para toda a vida, mas uma pessoa podia trabalhar o mesmo apesar de mudar de emprego. Actualmente, nem isso. N\u00e3o h\u00e1 emprego ou trabalho para toda a vida porque, o que hoje fazemos, ou sabemos fazer, pode n\u00e3o servir amanh\u00e3.<\/p>\n<figure id=\"attachment_135362\" aria-describedby=\"caption-attachment-135362\" style=\"width: 1296px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dominik-scythe-283337-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-135362\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dominik-scythe-283337-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"1296\" height=\"654\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dominik-scythe-283337-unsplash.jpg 1296w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dominik-scythe-283337-unsplash-400x202.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dominik-scythe-283337-unsplash-768x388.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dominik-scythe-283337-unsplash-1024x517.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dominik-scythe-283337-unsplash-1080x545.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1296px) 100vw, 1296px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-135362\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Dominik Scythe em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>No dia 1 de maio, em muitas partes do mundo, celebra-se o trabalho. Confesso que menosprezei este feriado por muito tempo e orgulhava-me de trabalhar no <em>Dia do Trabalhador<\/em> como demonstra\u00e7\u00e3o do gosto que tinha pelo trabalho que fazia. Mas questiono se a minha postura fazia algum sentido.<\/p>\n<p>Penso ser importante distinguir emprego de trabalho. O emprego \u00e9 um meio de sustento e deixar de ter emprego para toda a vida \u00e9 uma fonte de instabilidade familiar que deve ser evitada. Por outro lado, h\u00e1 hoje a possibilidade de criarmos o nosso pr\u00f3prio emprego com mais facilidade, o que \u00e9 positivo, mas desafiante e muito exigente. Logo, quando existe a preocupa\u00e7\u00e3o real de p\u00f4r p\u00e3o na mesa, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil sugerir aos outros que criem o seu pr\u00f3prio emprego se n\u00e3o temos a experi\u00eancia.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 diferente por ser parte intr\u00ednseca do que significa ser humano. Ningu\u00e9m \u00e9 remunerado por ser humano. Deste ponto de vista, o trabalho entende-se como a express\u00e3o vis\u00edvel daquilo que aprendemos ao longo da vida e que se manifesta na cultura que geramos todos os dias com as nossas m\u00e3os, mente e cora\u00e7\u00e3o. O problema surge quando se confunde trabalho com emprego e como essa confus\u00e3o afecta a nossa vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Tipos de vida-trabalho<\/h3>\n<p>H\u00e1 pessoas que vivem para o trabalho e outras que trabalham para viver. A primeira op\u00e7\u00e3o pode levar \u00e0 exaust\u00e3o e a segunda ao exaspero. Mas se n\u00e3o tiramos gozo de algo t\u00e3o intr\u00ednseco \u00e0 vida humana como o trabalho, h\u00e1 qualquer coisa de errado que merece reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma pessoa que vive para o trabalho constr\u00f3i uma <em>vida decisiva apesar das circunst\u00e2ncias<\/em>. N\u00e3o importa se \u00e9 necess\u00e1rio ajudar em casa, ou escutar um amigo que precisa ou mesmo descansar porque, em qualquer circunst\u00e2ncia, a pessoa que vive para o trabalho dirige-lhe toda a aten\u00e7\u00e3o, esquecendo tudo o resto. O resultado \u00e9 a exaust\u00e3o, os danos nos relacionamentos, e um dia dar-se conta de uma vida n\u00e3o vivida e um tempo que n\u00e3o volta atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Uma pessoa que trabalha para viver constr\u00f3i uma <em>vida determinada pelas circunst\u00e2ncias<\/em>. H\u00e1 quem tenha investido pouco nos estudos, ou n\u00e3o tenha tido qualquer situa\u00e7\u00e3o familiar que lhe permitisse estudar. Hoje, h\u00e1 quem tenha estudos, mas n\u00e3o tem outro rem\u00e9dio sen\u00e3o procurar sobreviver fazendo o trabalho que houver dispon\u00edvel. Pessoas nestas situa\u00e7\u00f5es est\u00e3o sob um elevado risco de nunca se realizar com aquilo que fazem porque s\u00e3o as circunst\u00e2ncias a ditar o que trabalham para subsistir. O resultado \u00e9 o des\u00e2nimo e a permanente tens\u00e3o de n\u00e3o saber se amanh\u00e3 haver\u00e1 o que se tem hoje.<\/p>\n<p>Uma vida \u201cdecisiva\u201d e \u201cdeterminada\u201d poderiam ser aspectos positivos em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho, mas quando reflectem uma <em>reac\u00e7\u00e3o \u00e0s circunst\u00e2ncias<\/em> em vez se as criar intencionalmente, o resultado pode ser oposto ao sonhado. Quem trabalha at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o ou se sente desanimado, pode ter perdido a raz\u00e3o de trabalhar. E quando perdemos a raz\u00e3o, perdemos a direc\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o de encontrar a raz\u00e3o que leva \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o talvez passe por ver o trabalho de um modo diferente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Repensar o trabalho<\/h3>\n<p>\u00c9 um mito pensar que devemos seguir a nossa paix\u00e3o, e com base nela, escolher o nosso trabalho. Uma raz\u00e3o que leva \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 na paix\u00e3o, mas na <em>capacita\u00e7\u00e3o<\/em>. H\u00e1 pessoas que s\u00e3o apaixonadas por cantar, mas n\u00e3o t\u00eam boa voz. Por\u00e9m, os que trabalham duramente pelo <em>desenvolvimento da capacidade<\/em> vocal, poder\u00e3o um dia cantar e encantar.<\/p>\n<p>Encontrar a raz\u00e3o para trabalhar deve ir al\u00e9m do sucesso ou da sobreviv\u00eancia, mas focar no alinhamento entre desenvolver as nossas capacidades e os valores de orientam a nossa vida.<\/p>\n<p>Lembro-me de me terem contado a experi\u00eancia de um sacerdote que, ap\u00f3s a ordena\u00e7\u00e3o, sentindo-se vocacionado para trabalhar com os jovens, n\u00e3o o fez, porque o bispo pediu-lhe que assumisse algumas responsabilidades do foro administrativo. Talvez por obedi\u00eancia tenha desenvolvido as capacidades de gest\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o contra a sua paix\u00e3o, que eram os jovens. Por\u00e9m, mais tarde, por uma conjuga\u00e7\u00e3o de diversas situa\u00e7\u00f5es (caminhos de Deus seguramente porque misteriosos e supreendentes), surgiu a oportunidade de fundar uma Escola de Evangeliza\u00e7\u00e3o de Jovens para Jovens e, se n\u00e3o fossem as capacidades de gest\u00e3o desenvolvidas, o projecto nunca teriam ido longe como foi.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 a oportunidade que nos \u00e9 dada de transformar o mundo com as m\u00e3os, a cabe\u00e7a e o cora\u00e7\u00e3o. Podemos dar mais ou menos valor ao trabalho em si, mas as capacidades que desenvolvemos ao trabalhar e a possibilidade de ser criativos estar\u00e1 sempre ao nosso alcance, ainda que nuns casos seja mais evidente do que noutros.<\/p>\n<p>Os que vivem para trabalhar, e os que trabalham para viver, <em>gerem<\/em> a vida com o fruto do seu trabalho. Mas os que v\u00eaem no trabalho uma oportunidade de desenvolver as suas capacidades, e a possibilidade de aprender e criar coisas novas, <em>geram<\/em> vida <em>atrav\u00e9s<\/em> do seu trabalho. Esses produzem um fruto que est\u00e1 para al\u00e9m de si pr\u00f3prios porque aponta qu\u00e3o longe podemos chegar em criatividade.<\/p>\n<p>O facto de hoje n\u00e3o haver <em>o mesmo<\/em> trabalho para toda a vida pode ser uma oportunidade de reencontrarmos algo que nos torna sempre mais humanos: a aprendizagem ao longo da vida. E atrav\u00e9s dessa, desenvolver a criatividade humana que torna a nossa esp\u00e9cie realmente \u00fanica no planeta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-135361","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135361","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=135361"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135361\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=135361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=135361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=135361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}