{"id":135148,"date":"2019-04-26T08:30:46","date_gmt":"2019-04-26T07:30:46","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=135148"},"modified":"2019-07-04T16:29:57","modified_gmt":"2019-07-04T15:29:57","slug":"nao-temos-em-portugal-problemas-religiosos-graves-vera-jardim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-temos-em-portugal-problemas-religiosos-graves-vera-jardim\/","title":{"rendered":"\u00abN\u00e3o temos em Portugal problemas religiosos graves\u00bb &#8211; Vera Jardim"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Na semana em que se assinalaram os 45 anos do 25 de abril, o presidente da Comiss\u00e3o da Liberdade Religiosa, Jos\u00e9 Vera Jardim, fala \u00e0 Renascen\u00e7a e Ag\u00eancia ECCLESIA dos desafios que se levantam na defesa da liberdade e dos Direitos Humanos, apontando o bom exemplo portugu\u00eas na \u00e1rea do di\u00e1logo entre comunidades crentes e das quest\u00f5es ligadas \u00e0 liberdade religiosa. Um direito que, no mundo, est\u00e1 ainda longe de ser assegurado, com v\u00edtimas de persegui\u00e7\u00f5es e atentados, como aconteceu recentemente no Sri Lanka.<\/p>\n<figure id=\"attachment_135149\" aria-describedby=\"caption-attachment-135149\" style=\"width: 2048px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-135149 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/6s9b27291714ebf7.jpg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1365\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/6s9b27291714ebf7.jpg 2048w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/6s9b27291714ebf7-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/6s9b27291714ebf7-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/6s9b27291714ebf7-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/6s9b27291714ebf7-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-135149\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Joana Bougard\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Jos\u00e9 Pedro Fraz\u00e3o (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ag\u00eancia ECCLESIA)<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Diz-se que a liberdade se constr\u00f3i, como a democracia, todos os dias. O que \u00e9 que v\u00ea como mais urgente a fazer, no Portugal democr\u00e1tico?<\/em><\/p>\n<p>De modo geral, Portugal segue o tom geral da Europa ocidental, em que os direitos fundamentais est\u00e3o constitucionalmente assegurados e s\u00e3o cumpridos. Tem feito um caminho, desde o 25 de abril, nesse sentido e at\u00e9, nalguns aspetos, estamos na ponta do exerc\u00edcio e do reconhecimento desses direitos fundamentais \u2013 porque \u00e0s vezes est\u00e3o reconhecidos direitos cujo exerc\u00edcio \u00e9 ainda problem\u00e1tico.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o em Portugal \u00e9 relativamente boa, embora continuem a existir problemas, o problema dos Direitos Humanos nunca termina de se reformar, com melhorias. N\u00e3o \u00e9 algo que se diga: \u2018este est\u00e1 arrumado\u2019. N\u00e3o. O caminho dos homens, das sociedades est\u00e1 sempre em aberto, conquistando-se novos direitos, novos exerc\u00edcios de direitos, novas formula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Hoje, por exemplo, est\u00e1 mais vis\u00edvel a quest\u00e3o dos direitos das mulheres: a igualdade, com v\u00e1rios aspetos. Tamb\u00e9m porque as mulheres, como \u00e9 sabido, s\u00e3o objeto de viol\u00eancia por parte de muitos homens, isso est\u00e1 implantado um pouco na cultura, n\u00e3o s\u00f3 na portuguesa\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E no chamado Estado Social, em que \u00e1reas \u00e9 que v\u00ea mais car\u00eancias? Porque carenciados continuam a existir em Portugal\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, como em todos os pa\u00edses, n\u00e3o h\u00e1 nenhum pa\u00eds da Europa que n\u00e3o tenha coisas a melhorar. Eu penso que hoje o ponto mais vis\u00edvel \u00e9 o da sa\u00fade, porque h\u00e1 car\u00eancias para acolher uma popula\u00e7\u00e3o que acusa sinais de envelhecimento, portanto, com mais problemas. Porventura, h\u00e1 que melhorar certos aspetos \u2013 e est\u00e1 em discuss\u00e3o na Assembleia da Rep\u00fablica, neste momento, a Lei de Bases. E, sobretudo, fazer mais investimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Fazer mais investimento ou apostar numa parceria mais s\u00f3lida, por exemplo, com o setor social?<\/em><\/p>\n<p>As duas coisas e mais ainda, certamente. Eu n\u00e3o sou um especialista, mas o que posso constatar \u00e9 que h\u00e1 problemas de acesso aos cuidados prim\u00e1rios; sobretudo nas gera\u00e7\u00f5es mais velhas, h\u00e1 problemas de acesso aos cuidados continuados. \u00c9 um conjunto muito amplo de quest\u00f5es que nos s\u00e3o levantadas pelas condi\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas do pa\u00eds e da Europa, em geral, que acusa sinais quase de cansa\u00e7o demogr\u00e1fico, falta de renova\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es que vai ter os seus efeitos, n\u00e3o s\u00f3 na sa\u00fade\u2026 A quest\u00e3o das pens\u00f5es est\u00e1 a\u00ed tamb\u00e9m, com a discuss\u00e3o que foi lan\u00e7ada recentemente: ser\u00e1 que as pens\u00f5es s\u00e3o sustent\u00e1veis? Como?<\/p>\n<p>Se fosse feito hoje um inqu\u00e9rito, a sa\u00fade estaria certamente num dos primeiros pontos das preocupa\u00e7\u00f5es dos portugueses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Referia-se h\u00e1 pouco que nada do que foi constru\u00eddo no p\u00f3s-25 de abril deve ser visto como um dado adquirido\u2026<\/em><\/p>\n<p>Tem de ser sempre melhorado, para fazer face a novos desafios, como \u00e9 o caso da sa\u00fade. At\u00e9 h\u00e1 uns anos, o Sistema Nacional de Sa\u00fade foi respondendo, mas agora est\u00e1 a acusar falhas que toda a gente refere: listas de espera bastante longas, insatisfa\u00e7\u00e3o dos agentes, dentro do sistema. Estas quest\u00f5es do Estado Social e dos Direitos Humanos, naturalmente, colocam-se noutras \u00e1reas, como o acesso \u00e0 Justi\u00e7a, os direitos cl\u00e1ssicos, chamados de segunda gera\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o sejam t\u00e3o importantes. E agora come\u00e7am a aparecer os direitos da terceira gera\u00e7\u00e3o\u2026 \u00c9 um trabalho que nunca estar\u00e1 acabado e que nos levanta novos desafios, todos os dias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este Portugal democr\u00e1tico \u00e9 tamb\u00e9m um pa\u00eds em reconfigura\u00e7\u00e3o religiosa. Deteta focos de tens\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o entre o Estado e as v\u00e1rias confiss\u00f5es, entre estas e a sociedade em geral?<\/em><\/p>\n<p>Portugal segue aqui, tamb\u00e9m, as grandes tend\u00eancias na Europa, onde se tem dado um movimento de um certo abandono das religi\u00f5es \u2013 ou melhor, do participar ativamente na pr\u00e1tica religiosa, que s\u00e3o coisas diferentes, \u00e0s vezes. Hoje h\u00e1 umas categorias novas, nos estudos, as pessoas que, n\u00e3o sendo praticantes de uma ou outra religi\u00e3o, s\u00e3o crentes: crentes em qualquer coisa, que muitas vezes nem eles pr\u00f3prios sabem explicar. S\u00e3o crentes p\u00f3s-morte, num Deus ou num Ente sobrenatural que tamb\u00e9m n\u00e3o sabem definir muito bem, procuram, cada um \u00e0 sua maneira, resolver o grande mist\u00e9rio da vida, que \u00e9 saber se a vida ser\u00e1 isto. A gente depois morre e tudo acabou? Ou a vida tem outro sentido?<\/p>\n<p>O conjunto das religi\u00f5es, duma forma ou doutra, d\u00e1 a resposta a esta segunda pergunta: a vida tem outra parte, que n\u00e3o \u00e9 esta que estamos a viver e \u00e9 a mais importante, a vida depois da morte.<\/p>\n<p>Em Portugal, efetivamente, h\u00e1 um problema de retrocesso das religi\u00f5es, sobretudo das religi\u00f5es maiorit\u00e1rias, id\u00eantico ao da Europa, onde a religi\u00e3o cat\u00f3lica tem sido atingida, sobretudo com um certo descenso da pr\u00e1tica. Se formos ver \u2013 os n\u00fameros est\u00e3o a\u00ed, diferentes consoante os inqu\u00e9ritos, embora n\u00e3o se possa fazer f\u00e9 em todos os n\u00fameros nestas mat\u00e9rias t\u00e3o sens\u00edveis \u2013 a pr\u00e1tica religiosa tem descido. Em contrapartida, Portugal transformou-se desde o 25 de abril, na sua sociologia religiosa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que desafios espec\u00edficos \u00e9 que isso traz ao funcionamento da Comiss\u00e3o da Liberdade Religiosa?<\/em><\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o \u00e9, desde logo, um ponto de encontro dessas v\u00e1rias sensibilidades, porque est\u00e3o l\u00e1 representadas \u2013 budistas, mu\u00e7ulmanos, judeus, protestantes, cat\u00f3licos, etc. \u00c9 um ponto de encontro, de di\u00e1logo entre essas v\u00e1rias sensibilidades religiosas.<\/p>\n<p>Por outro lado, n\u00f3s n\u00e3o temos em Portugal problemas religiosos graves. N\u00e3o temos. Porqu\u00ea? Tenho algumas explica\u00e7\u00f5es: primeiro porque, apesar de tudo, continua a haver uma matriz religiosa relativamente constante, que \u00e9 uma ades\u00e3o aos valores \u2013 se bem que, \u00e0s vezes, n\u00e3o tanto \u00e0 pr\u00e1tica \u2013 da Igreja Cat\u00f3lica, que \u00e9 maiorit\u00e1ria. Mesmo as outras religi\u00f5es, na maior parte dos casos &#8211; sobretudo o mundo protestante em geral, que come\u00e7a a ter alguma import\u00e2ncia e \u00e9 complexo -, s\u00e3o relativamente poucos crentes: os mu\u00e7ulmanos v\u00eam sobretudo da Guin\u00e9 e de Mo\u00e7ambique; os hindus v\u00eam muito de Mo\u00e7ambique e at\u00e9 diretamente da \u00cdndia.<\/p>\n<p>N\u00e3o quer dizer que n\u00e3o haja problemas na integra\u00e7\u00e3o destas pessoas, n\u00f3s conhecemos os problemas dos bairros, na periferia das grandes cidades, que necessitam de urgente resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas n\u00e3o t\u00eam uma gravidade t\u00e3o acentuada como, eventualmente, sugere a pr\u00f3pria mediatiza\u00e7\u00e3o desses epis\u00f3dios?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o t\u00eam. \u00c0s vezes \u00e9 dif\u00edcil distinguir o ponto de vista religioso do ponto vista \u00e9tnico, social, etc. Outras vezes \u00e9 f\u00e1cil: por exemplo, se a gente for aos infaustos acontecimentos recentes no Sri Lanka, \u00e9 f\u00e1cil dizer que houve uns atentados com marca religiosa, feitos nas igrejas crist\u00e3s; h\u00e1 outras com marca que n\u00e3o \u00e9 religiosa, nos hot\u00e9is, mas tem tamb\u00e9m uma certa marca \u00e9tnica, na medida em que se parte do princ\u00edpio que aquelas pessoas s\u00e3o turistas.<\/p>\n<p>Em Portugal, nesse aspeto, n\u00e3o h\u00e1\u2026 Infelizmente, a persegui\u00e7\u00e3o religiosa no mundo hoje, daria como resultado que se a Comiss\u00e3o da Liberdade Religiosa lamentasse ou apresentasse a sua solidariedade junto de qualquer igreja, n\u00e3o faria quase outra coisa, porque essa persegui\u00e7\u00e3o acontece praticamente todos os dias, embora n\u00e3o com o aspeto que sucedeu neste \u00faltimo domingo de P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>A t\u00edtulo excecional, resolvemos enviar ao cardeal-patriarca e \u00e0 Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, bem como \u00e0 Alian\u00e7a Evang\u00e9lica Portuguesa, as nossas profundas condol\u00eancias. E n\u00e3o houve qualquer voz contr\u00e1ria, isolada, pelo contr\u00e1rio, todos aderiram. Houve uma abertura total a esse gesto.<\/p>\n<p>Por outro lado, n\u00f3s temos coisas em Portugal que n\u00e3o acontecem habitualmente noutros pa\u00edses: n\u00e3o \u00e9 muito h\u00e1bito, penso, que no dia da tomada de posse de um presidente da Rep\u00fablica, se siga \u00e0 tomada de posse uma cerim\u00f3nia, numa Mesquita, em que se re\u00fanem um conjunto de confiss\u00f5es religiosas \u2013 as mais relevantes no pa\u00eds \u2013 para, em conjunto, rezar pelo \u00eaxito da Presid\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso deixou frutos ou foi apenas um epis\u00f3dio?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o foi s\u00f3 um epis\u00f3dio: no dia em que tomei posse, na Comiss\u00e3o, 17 confiss\u00f5es assinaram um documento sobre o di\u00e1logo inter-religioso e a paz. H\u00e1 em Portugal uma certa homogeneidade lingu\u00edstica, de costumes, de cultura, por um lado; e por outro lado, n\u00f3s n\u00e3o temos, nas confiss\u00f5es religiosas minorit\u00e1rias, uma grande relev\u00e2ncia num\u00e9rica \u2013 cada uma tem relev\u00e2ncia, no seu pr\u00f3prio lugar, de religi\u00e3o, de culto, de f\u00e9 -, com exce\u00e7\u00e3o dos protestantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o t\u00eam raz\u00f5es de queixa, na rela\u00e7\u00e3o com o Estado, no acesso aos servi\u00e7os, no di\u00e1logo com institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas? <\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nenhuma queixa?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o tenho ouvido, n\u00e3o estou recordado de nenhuma queixa nesse sentido. H\u00e1 queixas, por exemplo, gen\u00e9ricas, que deriva da pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias igrejas protestantes, sobretudo as evang\u00e9licas: s\u00e3o pequenos grupos de crist\u00e3os que decidem fundar uma igreja, 40 pessoas, 50. Naturalmente, n\u00e3o t\u00eam templos, n\u00e3o v\u00e3o construir uma igreja, como n\u00f3s a concebemos.<\/p>\n<p>Portanto, h\u00e1 a\u00ed problemas que temos procurado solucionar, quando nos chegam, porque \u00e0s vezes \u00e9 dif\u00edcil, com a ajuda, at\u00e9, da Provedoria de Justi\u00e7a. Essas comunidades t\u00eam dificuldade de instalar-se, porque v\u00e3o arrendar uma loja, um armaz\u00e9m, mas depois os vizinhos v\u00eam queixar-se de que h\u00e1 barulho, s\u00e3o incomodados\u2026<\/p>\n<p>Depois chegam-nos tamb\u00e9m queixas de um ou outro caso de acesso \u00e0 assist\u00eancia espiritual nas pris\u00f5es, que est\u00e1 prevista na lei, ser dificultada. H\u00e1 tamb\u00e9m, da parte da Alian\u00e7a Evang\u00e9lica, queixas relativamente \u00e0 assist\u00eancia espiritual nas For\u00e7as Armadas, que estamos a tentar solucionar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>S\u00e3o diminutas, em n\u00famero?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o. H\u00e1 pequenos problemas, h\u00e1 pris\u00f5es nas quais se registam queixas de que n\u00e3o deixam entrar o assistente espiritual a n\u00e3o ser sob determinadas condi\u00e7\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1, contudo, um clima geral de revolta, de reivindica\u00e7\u00e3o de mais direitos, porque a Lei \u00e9 bastante abrangente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma transforma\u00e7\u00e3o na Europa que tem a ver com os fluxos migrat\u00f3rios e com o que isso implica, em termos de mudan\u00e7a social. Foi por isso que nasceu a proposta conjunta da Comiss\u00e3o da Liberdade Religiosa e o Alto Comissariado para as Migra\u00e7\u00f5es para a cria\u00e7\u00e3o do Dia Nacional da Liberdade Religiosa e do Di\u00e1logo Inter-Religioso?<\/em><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma iniciativa anterior, do alto-comiss\u00e1rio, que constitui h\u00e1 anos um grupo para o di\u00e1logo inter-religioso. Aderi \u00e0 ideia, logo que tomei posse, e temos colaborado bastante, nessa mat\u00e9ria. Pensamos que poderia ser \u00fatil para Portugal, com uma experi\u00eancia muito boa, nesta mat\u00e9ria \u2013 e que n\u00e3o tem sido poss\u00edvel seguir noutros pa\u00edses, com os mesmos resultados.<\/p>\n<p>Temos aqui o que hoje em dia os cientistas pol\u00edticos chamam o \u2018soft power\u2019, ou seja, um poder que n\u00e3o \u00e9 o dos canh\u00f5es, dos ex\u00e9rcitos. Temos conseguido neste mundo dos Direitos Humanos, em especial no campo da liberdade religiosa e do di\u00e1logo inter-religioso, um \u2018soft power\u2019 importante.<\/p>\n<p>Falei h\u00e1 tempos com o senhor ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, que concordou inteiramente com isso e at\u00e9 colocou a possibilidade de, nos PALOP, essa mat\u00e9ria do di\u00e1logo inter-religioso ser, eventualmente, de interesse e pudesse ser desenvolvida por Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Com interven\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Liberdade Religiosa?<\/em><\/p>\n<p>Sim, eu coloquei-me \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do senhor ministro e ele aceitou isso. Iremos ver. O Alto Comissariado para as Migra\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m tem uma grande experi\u00eancia, nessa mat\u00e9ria. Acho que podemos fazer algo, n\u00e3o \u00e9 ensinar, \u00e9 dar conta da experi\u00eancia portuguesa. H\u00e1 problemas a\u00ed, como sabemos: Mo\u00e7ambique, a Guin\u00e9. H\u00e1 problemas de diversidades religiosa e, sobretudo, de afrontamento religioso, como em Mo\u00e7ambique, onde come\u00e7a a haver, na minha vis\u00e3o, problemas s\u00e9rios de afrontamento religioso, no norte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em ano eleitoral, uma mat\u00e9ria que vem sempre a debate tem a ver com as isen\u00e7\u00f5es fiscais. Haver\u00e1 uma nova legislatura, um novo or\u00e7amento, h\u00e1 espa\u00e7o para mudan\u00e7as? Prev\u00ea algum tipo de mudan\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o prevejo, at\u00e9 porque de modo geral as comunidades religiosas est\u00e3o isentas de imposto, na Europa \u2013 do que eu conhe\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Considera que o regime atual \u00e9 equilibrado?<\/em><\/p>\n<p>Considero-o equilibrado, desde que seja para atividades religiosas. Se for para atividades que n\u00e3o s\u00e3o de \u00edndole religiosa, como diz a Lei, ent\u00e3o n\u00e3o haver\u00e1 isen\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas o debate tem sido, exatamente, sobre o uso dado a algumas dessas verbas?<\/em><\/p>\n<p>Sim, \u00e9 uma mat\u00e9ria sobre a qual h\u00e1 d\u00favidas \u2013 que eu pr\u00f3prio tenho \u2013 e n\u00e3o queria adiantar muito sobre isso, mas penso que o Governo est\u00e1 a olhar para essa mat\u00e9ria. Se as pessoas geram fundos, com os donativos dos crentes, esses fundos t\u00eam de ser aplicados e, muitas vezes, s\u00e3o aplicados de imediato, na constru\u00e7\u00e3o de templos, em obras de solidariedade social, etc. Outras vezes, esses fundos merecem ser aplicados para serem retribu\u00eddos, as pessoas n\u00e3o t\u00eam o dinheiro debaixo do colch\u00e3o e as igrejas, certamente, tamb\u00e9m n\u00e3o o ter\u00e3o. H\u00e1 a\u00ed essa discuss\u00e3o, que penso que ser\u00e1 solucionada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas \u00e9 uma quest\u00e3o mais de monitorizar do que de legislar? <\/em><\/p>\n<p>Mesmo a legisla\u00e7\u00e3o poder\u00e1 necessitar de um ou outro afinamento. Mas \u00e9 sobretudo a monitoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":135149,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[189,341],"class_list":["post-135148","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-direitos-humanos","tag-liberdade-religiosa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135148","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=135148"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135148\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/135149"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=135148"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=135148"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=135148"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}