{"id":13489,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/portugueses-devem-ajudar-a-integrar-os-imigrantes\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"portugueses-devem-ajudar-a-integrar-os-imigrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugueses-devem-ajudar-a-integrar-os-imigrantes\/","title":{"rendered":"Portugueses devem ajudar a integrar os imigrantes"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Ant\u00f3nio Vitalino, Bispo de Beja, na  Missa pelos Refugiados e Migrantes <!--more--> Amados Peregrinos, 1.Vindos de perto e de longe, juntamo-nos aqui em F\u00e1tima, lugar que Nossa Senhora escolheu para recordar a um mundo dividido e em guerra aquilo que Jesus disse e fez na plenitude dos tempos, h\u00e1 dois mil anos, na cidade santa de Jerusal\u00e9m. Foi por n\u00f3s e nossa salva\u00e7\u00e3o que Ele se fez um de n\u00f3s, viveu e entregou a vida, para que todos tenhamos a vida e em abund\u00e2ncia. Todos queremos a vida e uma vida feliz. Para conseguir isso n\u00e3o hesitamos deixar o meio em que nascemos. Mas defrontamo-nos com muitos limites, obst\u00e1culos, sendo a morte o inimigo radical. E muitos s\u00e3o for\u00e7ados a deixar o seu povo e o seu pa\u00eds por motivos de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, religiosa, racial e outros. Nesta celebra\u00e7\u00e3o queremos lembrar sobretudo estes emigrantes for\u00e7ados e recomend\u00e1-los \u00e0 M\u00e3e do C\u00e9u e \u00e0 nossa aten\u00e7\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o. H\u00e1 88 anos, neste m\u00eas de Agosto, tamb\u00e9m os pastorinhos de F\u00e1tima foram presos e levados para Our\u00e9m, impedidos de estar aqui na Cova da Iria no dia 13, para receber a visita e mensagem da Senhora que, em Maio de 1917, lhes dissera para vir a este lugar nos dias 13 dos meses seguintes. A intercess\u00e3o dos bem-aventurados Francisco e Jacinta e tamb\u00e9m da recentemente falecida irm\u00e3 L\u00facia recomendamos todos estes nossos irm\u00e3os for\u00e7ados a abandonar a sua p\u00e1tria. O n\u00famero de refugiados ultrapassa neste momento os vinte milh\u00f5es, o dobro da popula\u00e7\u00e3o portuguesa, sem contar os milh\u00f5es de deslocados das suas terras, em  muitos pa\u00edses da \u00c1sia e da \u00c1frica, por motivo de guerra. \u00c9 uma vergonha para o g\u00e9nero humano, depois de tantos s\u00e9culos de hist\u00f3ria, ainda n\u00e3o ter aprendido a viver em paz com os seus semelhantes.  2. Irm\u00e3os peregrinos, aqui reunidos em vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o, num santu\u00e1rio que acolhe gente de todo o mundo, decerto estais conscientes do significado de sermos uma assembleia unida \u00e0 volta de Nossa Senhora, que nos quer p\u00f4r em comunh\u00e3o profunda com seu Filho, Jesus, nosso Salvador, sem discrimina\u00e7\u00e3o de ra\u00e7as, de cores, de ideologias pol\u00edticas ou de proveni\u00eancia. Aqui antecipamos simbolicamente a realidade do C\u00e9u: participantes da gl\u00f3ria de Deus, que passou a ser tudo em todos, a plenitude da vida de cada um de n\u00f3s. A Igreja tem de ser testemunho, sinal e realiza\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o do g\u00e9nero humano em Deus. Mas tamb\u00e9m estamos conscientes do longo caminho que temos a percorrer at\u00e9 \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o total desse des\u00edgnio de Deus. Podemos dizer que F\u00e1tima antecipa essa vontade de Deus. Por isso n\u00f3s vimos at\u00e9 aqui, percorrendo longas dist\u00e2ncias e  e sentimo-nos bem. O cora\u00e7\u00e3o humano  repousa quando se sente realizado. A maioria dos emigrantes sente a necessidade de vir a F\u00e1tima no tempo das suas f\u00e9rias. Aqui sente aquilo que muitas vezes falta l\u00e1 fora: a comunh\u00e3o com Deus e uns com os outros, sem acep\u00e7\u00e3o de pessoas. Levemos tamb\u00e9m daqui, sabendo que Maria nos acompanha, a forte vontade de realizar essa comunh\u00e3o nos locais onde vivemos e trabalhamos.  3. Irm\u00e3os peregrinos, temos necessidade de caminhar juntos, acolher no nosso caminho os nossos semelhantes, escut\u00e1-los e dialogar com eles sobre as raz\u00f5es dos nossos e dos seus des\u00e2nimos, mas tamb\u00e9m da nossa esperan\u00e7a, convid\u00e1-los a entrar nas nossas casas, partilhar com eles as nossas vidas, para recobrarmos \u00e2nimo, descobrimos o sentido da vida e trilharmos o caminho da comunh\u00e3o fraterna, na certeza de que onde h\u00e1 amor a\u00ed est\u00e1 Deus.  4. Os textos da Liturgia que estamos a celebrar convidam-nos a nos tornarmos pr\u00f3ximos de todos os que precisam da nossa ajuda, da nossa aten\u00e7\u00e3o e acolhimento. Na nossa sensibilidade crist\u00e3 achamos natural amar o pr\u00f3ximo como a n\u00f3s mesmos. Mas nem sempre \u00e9 claro para todos quem \u00e9 o nosso pr\u00f3ximo em cada momento e o que implica dedicar-lhe o nosso amor. A par\u00e1bola do bom samaritano inspira-nos na resposta: \u00e9 aquele que muitos consideram inimigo, porque membro de outro pa\u00eds, ra\u00e7a ou religi\u00e3o e carece de aux\u00edlio. J\u00e1 no Antigo Testamento Deus advertia o povo eleito, para acolher bem no seu meio o estrangeiro, lembrando-se de que tamb\u00e9m foi estrangeiro em terras do Egipto e que, al\u00e9m disso, n\u00e3o devia trat\u00e1-lo como escravo, mas como irm\u00e3o. Foi nesta tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica que come\u00e7ou a ganhar for\u00e7a o princ\u00edpio de que n\u00e3o devemos fazer aos outros aquilo que n\u00e3o gostamos que nos fa\u00e7am a n\u00f3s ou nos fizeram, pois nunca se deve pagar o mal com mal igual ou pior, mas com perd\u00e3o e miseric\u00f3rdia. Tamb\u00e9m muitos de n\u00f3s se podem lembrar do que lhes aconteceu em terras estrangeiras, muitas vezes fugidos de c\u00e1 e mal acolhidos em terras de destino, por vezes at\u00e9 por membros do pr\u00f3prio pa\u00eds, que aproveitaram a situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia dos seus compatriotas, para os explorar e fazer riqueza. Agora lembremo-nos daqueles que v\u00eam at\u00e9 n\u00f3s e ajudemo-los a libertar-se dos seus medos e opressores, para que se tornem cidad\u00e3os integrados no nosso pa\u00eds e possam reconstruir a sua vida e promover as suas fam\u00edlias. Como nos adverte S. Pedro, na leitura feita em l\u00edngua estrangeira, cultivemos uma intensa caridade entre n\u00f3s, sendo hospitaleiros e pondo ao servi\u00e7o dos outros os dons que recebemos, para que Deus seja glorificado em todas as coisas, pois a Ele todos n\u00f3s pertencemos.  5. Aqui estamos, irm\u00e3os peregrinos, neste local bendito, para reavivar a nossa comunh\u00e3o com o Senhor e uns com os outros, para nos apoiarmos mutuamente nos caminhos da nossa vida, contando sempre com Jesus, que encontrou esta maneira maravilhosa de ficar connosco, na Eucaristia, mist\u00e9rio de amor e de doa\u00e7\u00e3o da vida por todos n\u00f3s. Alimentando-nos do P\u00e3o descido do c\u00e9u, temos parte na sua vida e na sua gl\u00f3ria. Aprendemos a viver numa atitude de doa\u00e7\u00e3o, de gratid\u00e3o, de miseric\u00f3rdia, de transforma\u00e7\u00e3o da nossa vida em oferta agrad\u00e1vel a Deus. Neste caminho de santidade contamos com a intercess\u00e3o daquela que Jesus nos deu como nossa m\u00e3e, precisamente quando na cruz entregava a sua vida por n\u00f3s, e que aqui em F\u00e1tima mostrou verdadeiramente ser m\u00e3e atenta aos filhos em dificuldade. A Ela nos confiamos, assim como todos aqueles que foram for\u00e7ados a deixar a sua terra natal. Tamb\u00e9m a ela queremos recomendar as v\u00edtimas dos inc\u00eandios e os nossos bombeiros, que abnegadamente lutam contra os numerosos fogos. Tamb\u00e9m lhe pedimos que desvie as m\u00e3os criminosas de atentar contra os seus irm\u00e3os ou contra a natureza. N\u00e3o matar\u00e1s, assim prescreve o 5\u00b0 mandamento da lei de Deus, que este santu\u00e1rio tomou como inspira\u00e7\u00e3o de todo o ano de peregrina\u00e7\u00f5es. H\u00e1 muitas maneiras de atentar contra a vida humana. Os crimes contra a ecologia tamb\u00e9m afectam a vida do homem e podem ser transgress\u00f5es do mesmo 5\u00b0 mandamento. Nestes dias muitos jovens est\u00e3o a caminho de Col\u00f3nia, para a\u00ed se encontrarem com o Papa Bento XVI. Pedimos a Nossa Senhora para que este encontro ajude os jovens ao encontro fundamental da sua vida: descobrir Cristo como Senhor e Salvador e ador\u00e1-l&#8217;O. Maria, M\u00e3e de Jesus e nossa M\u00e3e, Senhora de F\u00e1tima e de tantos outros t\u00edtulos com que sois invocada pelo mundo fora, confiamos em V\u00f3s, velai por todos os que vivem e trabalham longe da sua terra natal, amparai as suas fam\u00edlias, uni-as no amor, rogai por n\u00f3s, agora e na hora da nossa morte. \u00c1men.   <i>D. Ant\u00f3nio Vitalino, presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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