{"id":134876,"date":"2019-04-22T13:42:53","date_gmt":"2019-04-22T12:42:53","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=134876"},"modified":"2019-04-22T13:42:53","modified_gmt":"2019-04-22T12:42:53","slug":"homilia-do-bispo-de-lamego-na-celebracao-da-vigilia-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-lamego-na-celebracao-da-vigilia-pascal\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Lamego na Celebra\u00e7\u00e3o da Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p>Noite de luz e lume novo<!--more--><\/p>\n<ol>\n<li>\n<figure id=\"attachment_134877\" aria-describedby=\"caption-attachment-134877\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/vigiliaPascal_lamego2019.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-134877 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/vigiliaPascal_lamego2019-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/vigiliaPascal_lamego2019-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/vigiliaPascal_lamego2019-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/vigiliaPascal_lamego2019-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/vigiliaPascal_lamego2019-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/vigiliaPascal_lamego2019.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-134877\" class=\"wp-caption-text\">Diocese de Lamego<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00abEste \u00e9 o Dia que o Senhor fez!\u00bb (Salmo 118,25). Aleluia! Este \u00e9 o Dia que o Senhor nos fez! Aleluia! Este \u00e9 o Dia em que o Senhor nos fez! Aleluia! \u00abPor isso, estamos exultantes de alegria\u00bb (Salmo 126,3). Aleluia!<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Este \u00e9 o Dia em que desfiamos com amor o ros\u00e1rio das tuas maravilhas, tantas elas s\u00e3o, percorrendo a avenida das tuas Escrituras desde a Cria\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 P\u00e1scoa, desde a P\u00e1scoa at\u00e9 \u00e0 Cria\u00e7\u00e3o. Tanto faz. Porque neste Dia novo o tempo n\u00e3o nos mede e nos afasta e nos cataloga em s\u00e9culos e mil\u00e9nios, mas p\u00f5e-nos todos a conviver lado a lado. \u00c9 assim que lemos e compreendemos que no teu \u00abFilho amado\u00bb, Jesus Cristo, \u00abImagem\u00bb tua e \u00abprimog\u00e9nito de toda a criatura\u00bb, \u00abtudo foi criado\u00bb (Colossenses 1,15-16), \u00abe sem Ele nada foi feito\u00bb (Jo\u00e3o 1,3). Lemos e compreendemos que o \u00abteu Filho, Jesus Cristo, n\u00e3o foi Sim e n\u00e3o, mas unicamente Sim\u00bb (2 Cor\u00edntios 1,19). Passe\u00e1mos assim no jardim da tua Cria\u00e7\u00e3o boa e bela, visit\u00e1mos as suas 452 palavras (G\u00e9nesis 1,1-2,4a), e nelas n\u00e3o encontr\u00e1mos um \u00fanico \u00abn\u00e3o\u00bb, nenhum al\u00e7ap\u00e3o. Se o teu Filho amado, Jesus Cristo, Imagem tua e primog\u00e9nito de toda a criatura, foi sempre Sim e nunca n\u00e3o, e se foi n\u2019Ele que foram criadas todas as coisas, ent\u00e3o a Cria\u00e7\u00e3o inteira tem tamb\u00e9m de ser Sim, Sim, Sim, e nunca n\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Que belo mundo novo, Senhor, quiseste depositar nas nossas m\u00e3os! Que grande Sim nos confiaste, Senhor, antes de n\u00f3s merecermos de Ti qualquer confian\u00e7a! Visit\u00e1mos depois o Egito opressor, e de l\u00e1, Tu nos libertaste, Senhor, fazendo-nos atravessar a p\u00e9 enxuto o mar Vermelho, como se fosse uma \u00abplan\u00edcie verdejante\u00bb (Sabedoria 19,7). Vest\u00edamos roupas brancas, traz\u00edamos o cora\u00e7\u00e3o em festa, e nos l\u00e1bios um c\u00e2ntico novo, como sucede tamb\u00e9m ainda hoje, Senhor, neste Dia admir\u00e1vel da tua Ressurrei\u00e7\u00e3o, em que cantamos outra vez com inef\u00e1vel alegria: \u00abMinha for\u00e7a e meu canto \u00e9 o Senhor! A Ele devo a minha liberdade!\u00bb (\u00caxodo 15,2).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>Com Isa\u00edas e Ezequiel, record\u00e1mos depois as paisagens tristes e sombrias do nosso ex\u00edlio, mas tamb\u00e9m da tua admir\u00e1vel prote\u00e7\u00e3o. Diz uma velha hist\u00f3ria rab\u00ednica que, um dia, \u00abos jovens perguntaram ao velho rabino quando come\u00e7ou o ex\u00edlio de Israel. Ao que o arguto rabino ter\u00e1 respondido que o ex\u00edlio de Israel come\u00e7ou no dia em que Israel deixou de sofrer pelo facto de estar no ex\u00edlio\u00bb. Compreenda-se, portanto, que o ex\u00edlio verdadeiro n\u00e3o consiste simplesmente em estar longe de casa ou da p\u00e1tria, mas sobretudo em tornar-se indiferente e insens\u00edvel, sem causas, sem sonhos e sem esperas, gastando o nosso dinheiro com aquilo que n\u00e3o alimenta, e esquecendo o teu insistente convite: \u00abVinde e comprai <em>sem dinheiro<\/em> vinho e leite [\u2026]. Ouvi-me, ouvi-me, <em>e comei<\/em> o que \u00e9 bom\u00bb (Isa\u00edas 55,1-3). Era assim que and\u00e1vamos, Senhor, perdidos longe de ti e longe de n\u00f3s. Mas tamb\u00e9m l\u00e1, \u00e0 perdi\u00e7\u00e3o em que and\u00e1vamos, chegou a tua m\u00e3o criadora, redentora, libertadora e carinhosa, e reconstru\u00edste a nossa vida sobre a alegria, embelezaste o nosso rosto com \u00f3leo perfumado, e vestiste-nos com a veste branca dos teus filhos. E como se isto n\u00e3o enchesse a medida do teu amor sempre sem medida, ainda fizeste connosco uma Alian\u00e7a nova, e deste-nos um cora\u00e7\u00e3o novo e um esp\u00edrito novo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li>Cora\u00e7\u00e3o novo, m\u00fasica nova, ensinada pelos Anjos nos campos de Bel\u00e9m: <em>Gloria in excelsis Deo<\/em>! Outra vez lado a lado, oh milagre da Escritura Santa, dois acontecimentos no tempo separados: o nascimento de Jesus e a sua morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o: l\u00e1 est\u00e3o os mesmos Anjos; as mesmas faixas a envolver o Menino e o Crucificado; o Menino deposto na manjedoura e o Crucificado deposto no sepulcro. Extraordin\u00e1ria acostagem do Menino, nascido em Bel\u00e9m, e do Crucificado, nascido <em>in aeternum<\/em>. E S\u00e3o Paulo a descodificar bem o nosso Batismo, pelo qual somos sepultados com Cristo, para com Ele ressurgirmos para uma vida nova (Romanos 6,3-5).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li>E assim chegamos sempre ao Ressuscitado, hoje visto atrav\u00e9s do relato de Lucas 24,1-12. \u00c0quele Jesus Cristo, Crucificado, Morto e Sepultado, segundo as Escrituras, que se levanta do ch\u00e3o raso e da folha plana de papiro ou de papel, elevando a nossa humana vida e a inteira Escritura \u00e0 sua Plenitude. Porque Ele enche a Escritura, f\u00e1-la transbordar, transborda dela! Era, na verdade, muito grande aquela pedra que barrava a entrada e a sa\u00edda do sepulcro (Marcos 16,3-4). Quem a pode retirar? A pedra da morte \u00e9 sempre intranspon\u00edvel para as nossas poucas for\u00e7as. Tem, por isso, de ser trabalho de Deus. \u00c9 assim que as mulheres que v\u00e3o de madrugada ao sepulcro (Lucas 24,1), que elas bem conheciam porque atentamente o tinham estado a observar (Lucas 23,55), levam os aromas e perfumes que cuidadosa e carinhosamente tinham preparado (Lucas 24,1; 23,56), e <em>encontraram<\/em> a pedra do sepulcro <em>retirada<\/em> (<em>apokekylism\u00e9non<\/em>: part. perf. pass. de <em>apokyl\u00ed\u00f4<\/em>) (Lucas 24,2), e, entrando, <em>n\u00e3o encontraram<\/em> o corpo do Senhor Jesus (Lucas 24,3). Estes dois acontecimentos, que as mulheres n\u00e3o souberam decifrar, deixaram-nas sem saber o que fazer, literalmente, \u00absem caminho\u00bb (<em>apor\u00e9\u00f4<\/em>) (Lucas 24,4). <em>P\u00f3ros<\/em> significa caminho; <em>\u00e1poros<\/em>, com o prefixo privativo <em>\u00e1<\/em>, significa \u00absem caminho\u00bb. Estando assim as mulheres sem nenhum progresso ou regresso, sem c\u00f3digo de acesso ao jardim e \u00e0 \u00e1rvore da vida, eis logo junto delas dois homens com vestes <em>relampejantes<\/em> (<em>astr\u00e1pt\u00f4<\/em>) (Lucas 24,4b), como aqueles querubins que, com espadas <em>relampejantes<\/em>, guardavam e acabam agora de abrir o acesso ao jardim do \u00c9den, \u00e0 \u00e0rvore da vida, \u00e0 alegria e \u00e0 nova cria\u00e7\u00e3o (G\u00e9nesis 3,24).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li>Acesso aberto, descodificado, portanto. Nova cria\u00e7\u00e3o ali \u00e0 m\u00e3o, a transbordar de Luz e de Jesus. A pedra muito grande retirada, no tempo perfeito, representa a porta da habita\u00e7\u00e3o da morte <em>para sempre aberta<\/em>. O modo passivo (passivo divino ou teol\u00f3gico) do verbo revela que um tal afazer \u00e9 <em>coisa s\u00f3 de Deus<\/em>. O facto de os homens serem <em>dois<\/em> caracteriza-os como testemunhas (cf. Deuteron\u00f3mio 19,15), e acentua a autoridade do que disserem. As vestes <em>relampejantes<\/em> revelam a sua <em>proveni\u00eancia celeste<\/em> (cf. Mateus 28,3). Este novo acontecimento da apari\u00e7\u00e3o junto delas dos <em>dois<\/em> homens com vestes <em>relampejantes<\/em> provoca nelas dois tipos de rea\u00e7\u00e3o: uma interior \u2013 \u00abficaram cheias de medo\u00bb (<em>\u00e9mphobos gen\u00f3menos<\/em>) \u2013, e outra exterior: \u00abinclinaram o rosto para a terra\u00bb (Lucas 24,5), express\u00e3o s\u00f3 aqui usada em todo o NT e nos LXX. Os dois homens de <em>proveni\u00eancia celeste<\/em>, duas testemunhas, falam <em>os dois<\/em> ao mesmo tempo para as mulheres: \u00abPor que procurais (<em>t\u00ed z\u00eate\u00eete<\/em>) entre os mortos \u201co Vivente\u201d (<em>t\u00f2n z\u00f4nta<\/em>)?\u00bb (Lucas 24,5b). A pergunta p\u00f5e \u00e0s claras o absurdo da a\u00e7\u00e3o das mulheres: tudo fazem para estar perto de Jesus, mas fazem-no no lugar errado, no modo errado! E acrescentam logo: \u00abN\u00e3o est\u00e1 aqui, mas foi ressuscitado (<em>eg\u00e9rth\u00ea<\/em>: aor. pass. de <em>ege\u00edr\u00f4<\/em>)\u00bb (Lucas 24,6a). N\u00e3o podemos deixar de reparar em Lucas 2,49, quando Jesus diz para Maria e Jos\u00e9: \u00abPor que me procur\u00e1veis (<em>t\u00ed ez\u00eate\u00eet\u00e9 me<\/em>)? N\u00e3o sab\u00edeis que nas coisas de meu Pai \u00e9 necess\u00e1rio que eu esteja?\u00bb. N\u00e3o sabiam Maria e Jos\u00e9, como n\u00e3o sabem as mulheres agora. E n\u00f3s?<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel n\u00e3o reparar nos contrapontos. As mulheres procuram o Vivente (<em>ho z\u00f4n<\/em>) \u2013 linguagem paulina; nos Evangelhos s\u00f3 Lucas usa este t\u00edtulo \u2013 no mundo da morte! Inclinam o rosto para o ch\u00e3o, e \u00e9 celeste a proveni\u00eancia dos dois homens! O t\u00edtulo de \u00abO Vivente\u00bb, e n\u00e3o apenas \u00abRessuscitado\u00bb (literalmente \u00abacordado\u00bb), mostra ainda com mais for\u00e7a que Jesus n\u00e3o \u00abacordou\u00bb simplesmente para a vida de antes, como quando algu\u00e9m acorda do sono, mas entrou numa nova condi\u00e7\u00e3o de vida permanente, divina. Ele est\u00e1 vivo e presente. No texto lucano, que estamos a seguir, as mulheres n\u00e3o s\u00e3o incumbidas de nenhuma miss\u00e3o destinada aos disc\u00edpulos, e tamb\u00e9m n\u00e3o surge a Galileia como meta e novo horizonte. A Galileia surge nos l\u00e1bios dos dois homens com vestes relampejantes para indicar, n\u00e3o a meta, mas o lugar de origem que guardava as Palavras faladas (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>), portanto, com carga de revela\u00e7\u00e3o, que Jesus lhes tinha dirigido acerca da sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o (<em>an\u00edsth\u00eami<\/em>, <em>an\u00e1sthasis<\/em>) (Lucas 24,6-7), que exprime, j\u00e1 n\u00e3o \u00abacordar\u00bb, mas \u00ablevantar-se\u00bb. Esse <em>falar<\/em> novo de Jesus na Galileia, indicado pelos dois homens, \u00e9 introduzido com uma \u00fanica ordem: \u00abRecordai\u00bb (<em>mn\u00easth\u00eate<\/em>, imper. aor. de <em>mimn\u00easkomai<\/em>). E o narrador refere que elas se recordaram das Palavras (<em>t\u00e0 rh\u00eamata<\/em>) de Jesus (Lucas 24,8), e acrescenta que elas, mesmo sem para isso terem recebido nenhuma incumb\u00eancia, anunciaram (<em>apagg\u00e9ll\u00f4<\/em>) estas coisas aos Onze e aos outros com eles (Lucas 24,9).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li>S\u00f3 agora, para real\u00e7ar que o testemunho n\u00e3o \u00e9 an\u00f3nimo e desprovido de valor, o narrador refere os nomes de tr\u00eas mulheres: Maria Madalena, Joana e Maria de Tiago, e outras com elas, e volta a referir que elas diziam repetidamente (<em>\u00e9legon<\/em>: imperf. de <em>l\u00e9g\u00f4<\/em>) estas coisas aos ap\u00f3stolos, mas que eles n\u00e3o lhes deram cr\u00e9dito, considerando aquelas palavras como uma l\u00e9ria (<em>l\u00earos<\/em>) (Lucas 24,10-11), isto \u00e9, tratava-se s\u00f3 de palavras, sem nenhum facto que lhes correspondesse. Esta anota\u00e7\u00e3o da incredulidade mostra que os ap\u00f3stolos n\u00e3o eram ing\u00e9nuos e que a f\u00e9 na Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus n\u00e3o foi inventada. E serve para p\u00f4r em destaque Pedro, que se levantou, correu ao sepulcro, inclinou-se, viu s\u00f3 as faixas, e voltou maravilhando-se (<em>thaum\u00e1z\u00f4n<\/em>) (Lucas 24,12). Note-se que, em mundo judaico, \u00abcorrer\u00bb \u00e9 um comportamento ins\u00f3lito num adulto masculino, o que, neste caso de Pedro, deixa a descoberto um particular interesse e empenhamento. E aquele regresso \u00abmaravilhando-se\u00bb, implica que tamb\u00e9m Pedro j\u00e1 entrou na avenida florida das maravilhas de Deus!<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li>O relato evang\u00e9lico \u00e9 s\u00f3brio, mas rico e denso. Fiel a esta intensa sobriedade, a arte crist\u00e3 nunca se atreveu a representar a ressurrei\u00e7\u00e3o antes dos s\u00e9culos X-XI. \u00c9 tal o fulgor da Luz deste mist\u00e9rio, que ficar\u00e1 sempre no dom\u00ednio do inef\u00e1vel, que simultaneamente ilumina e esconde. \u00c9 por isso que a Paix\u00e3o \u00e9 um relato, mas a Ressurrei\u00e7\u00e3o, que p\u00f5e fim ao relato, s\u00f3 nos pode chegar como Not\u00edcia, vinda de fora, como a Aurora.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"11\">\n<li>\u00c9 por isso que esta Noite \u00e9 uma fulgura\u00e7\u00e3o de Luz e Lume novo. Desde as brasas acesas, ao C\u00edrio Pascal aceso, ao nosso cora\u00e7\u00e3o aceso como o dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas. \u00c9 tamb\u00e9m por isso que o Batismo come\u00e7ou por ser chamado \u00abIlumina\u00e7\u00e3o\u00bb, sendo a Vig\u00edlia Pascal tamb\u00e9m a grande Noite Batismal. E cada batizado levar\u00e1 para sempre a arder dentro de si este Lume novo, este C\u00edrio que arde e se consome. Como este humano cora\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m arde e se consome.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vem, Senhor Jesus Ressuscitado,<br \/>\nFica Connosco,<br \/>\nVai connosco,<br \/>\nQue precisamos de ter o cora\u00e7\u00e3o habitado,<br \/>\nIluminado,<br \/>\nE incendiado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lamego, 20\/21 de abril de 2019, Homilia na Celebra\u00e7\u00e3o da Vig\u00edlia Pascal<\/p>\n<p>+ Ant\u00f3nio, vosso bispo e irm\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Noite de luz e lume novo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":134877,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[176,275],"class_list":["post-134876","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-lamego","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134876"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134876\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134877"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}