{"id":134873,"date":"2019-04-22T13:38:32","date_gmt":"2019-04-22T12:38:32","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=134873"},"modified":"2019-04-22T13:38:32","modified_gmt":"2019-04-22T12:38:32","slug":"homilia-do-bispo-de-lamego-na-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-lamego-na-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Lamego na Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p>Igreja de Lamego, deixa-te vencer pelo amor!<!--more--><\/p>\n<ol>\n<li>\n<figure id=\"attachment_134874\" aria-describedby=\"caption-attachment-134874\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/celebracao_paixao_lamego2019.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-134874 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/celebracao_paixao_lamego2019-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/celebracao_paixao_lamego2019-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/celebracao_paixao_lamego2019-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/celebracao_paixao_lamego2019-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/celebracao_paixao_lamego2019-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/celebracao_paixao_lamego2019.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-134874\" class=\"wp-caption-text\">Diocese de Lamego<\/figcaption><\/figure>\n<p>Foi-nos dada a gra\u00e7a de nos reunirmos aqui, na Casa de Deus, nesta Sexta-Feira Santa, para celebrarmos, unidos de alma e cora\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja inteira, a Una e Santa, a Paix\u00e3o do \u00fanico Senhor da nossa vida, \u00abAquele que nos ama\u00bb (Apocalipse 1,5), Jesus Cristo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>E foi-nos dado seguir, passo a passo, com a convers\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o e com o louvor no cora\u00e7\u00e3o, o imenso relato da Paix\u00e3o do \u00fanico Senhor da nossa vida, a partir do Evangelho segundo S. Jo\u00e3o (18,1-19,42). Foi assim que atravess\u00e1mos o C\u00e9dron e entr\u00e1mos no \u00abjardim\u00bb. \u00c9 de noite, mas arde a LUZ, a LUZ, a LUZ. \u00c9 verdade que j\u00e1 n\u00e3o estamos todos. Judas perdeu-se na NOITE, na NOITE, na NOITE (Jo\u00e3o 13,30). Vir\u00e1 depois com archotes e lanternas, m\u00edsero suced\u00e2neo da LUZ, e com armas (Jo\u00e3o 18,3), como um salteador. Vem prender a LUZ, mas cai encandeado (Jo\u00e3o 18,6). Tem de ser a LUZ a ofuscar-se por amor e a entregar-se a ele por amor. Neste ponto preciso, refere o relato de Marcos que n\u00f3s fugimos todos, abandonando-o (Marcos 14,50). E fugidos andaremos, e perdidos, na noite e no frio, at\u00e9 sermos por Ele outra vez encontrados, acolhidos e recolhidos. Mas j\u00e1, entretanto, Pedro, perdido, se acolhe a outra luz e se aquece a outro lume (Jo\u00e3o 18,18). E, interpelado, nega ter andado com Jesus, nega ter alguma coisa a ver com Jesus, nega \u00abter parte\u00bb com Jesus. Nega mesmo conhecer Jesus (cf. Marcos 14,67-71; Jo\u00e3o 18,17-27).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Bem vistas as coisas, parece que Pedro n\u00e3o conhecia mesmo Jesus. Na verdade, Pedro afirmou, durante a Ceia, estar disposto a dar a vida por Jesus (cf. Jo\u00e3o 13,37), porque era verdadeiramente amigo de Jesus. E pensava, de resto, que tamb\u00e9m Jesus estava disposto a dar a sua vida por ele, porque era verdadeiramente seu amigo. Sim, a amizade e a simpatia s\u00e3o o cimento de verdadeiros grupos de amigos. E \u00e9 da nossa humana experi\u00eancia que os amigos a s\u00e9rio, a doer, est\u00e3o sempre l\u00e1, dispon\u00edveis para se ajudarem uns aos outros, para se defenderem uns aos outros, se necess\u00e1rio for, lutando contra os agressores do seu grupo de amigos, ou de algum dos seus membros. Era assim que Pedro via Jesus como fazendo parte do seu grupo de amigos. E estava disposto a arriscar a vida por Jesus, lutando por Jesus, se necess\u00e1rio fosse. \u00c9 por isso que, no \u00abjardim\u00bb, quando os salteadores queriam prender Jesus, Pedro puxou da espada, e feriu o servo do Sumo-Sacerdote (cf. Jo\u00e3o 18,10). Mas Jesus segura a m\u00e3o de Pedro, com estas palavras imensas, que s\u00f3 um amor imenso pode ajudar a entender: \u00abO c\u00e1lice que o Pai me deu, n\u00e3o hei de beb\u00ea-lo?\u00bb (Jo\u00e3o 18,11). O que Jesus est\u00e1 a dizer \u00e9 que o c\u00e1lice que Ele deve beber \u00e9 um dom do Pai! Quanto amor \u00e9 necess\u00e1rio para sabermos reconhecer na dor e no sofrimento, n\u00e3o uma coisa para doer e estoicamente suportar, mas um dom extraordin\u00e1rio do amor do Pai, luminosa promessa de fecundidade e felicidade!<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>Sim, Pedro era verdadeiramente amigo de Jesus, mas n\u00e3o conhecia mesmo Jesus! Pensava Pedro que a amizade de Jesus se esgotava naquele pequeno grupo de amigos que entusiasticamente o seguia desde a Galileia. A desilus\u00e3o e a crise de Pedro acontecem quando Pedro se apercebe de que, afinal, a amizade de Jesus n\u00e3o se confinava a ele e ao seu grupo. Pelo contr\u00e1rio, a amizade de Jesus rebentava mesmo as fronteiras daquele pequeno grupo, pois Jesus amava de forma diferente. T\u00e3o diferente, que amava tamb\u00e9m os seus inimigos, aqueles que o odiavam e o queriam matar, os que eram diferentes dele e contra ele, dando por todos livremente e por amor a sua vida (cf. Jo\u00e3o 10,18). Foi ao ver este amor novo, intermin\u00e1vel e incontrol\u00e1vel de Jesus, que n\u00e3o se limitava apenas \u00e0quele pequeno grupo de f\u00e3s e de disc\u00edpulos, mas abra\u00e7ava tamb\u00e9m os que eram diferentes dele e contra ele, que Pedro entrou em crise profunda, se foi embora, andou perdido na noite, e se foi aquecer a outro lume (cf. Jo\u00e3o 18,18). Mas foi tamb\u00e9m, ao compreender verdadeiramente este Amor novo e incontrol\u00e1vel de Jesus, que ama a todos, n\u00e3o se podendo confinar a uma pessoa ou a um qualquer grupo de amigos, que Pedro caiu de si abaixo, e saiu do pequeno palco em que se encontrava, para chorar l\u00e1grimas de dor e de amor novo (cf. Mateus 26,75; Marcos 14,72; Lucas 22,62). Como quem diz, com uma imensa express\u00e3o de espanto: \u00abH\u00e1 tanto tempo com Ele, e n\u00e3o o conhecia!\u00bb (cf. Jo\u00e3o 14,9). E pode acontecer que tamb\u00e9m n\u00f3s, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, sejamos levados a ter de dizer a mesma coisa e de sentir o mesmo abalo. Mas \u00e9 sempre tempo de implorarmos de Deus o dom das l\u00e1grimas e de come\u00e7ar a compreender este amor novo de Jesus, que a todos abra\u00e7a, n\u00e3o sendo perten\u00e7a exclusiva de ningu\u00e9m.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li>Sim, entendido e abra\u00e7ado este Amor novo, tamb\u00e9m Pedro saltar\u00e1 barreiras e fronteiras e ir\u00e1 pelo mundo inteiro anunciar e mostrar o Amor novo que encontrou em Jesus, amando ele pr\u00f3prio da mesma maneira, at\u00e9 ao ponto de vir tamb\u00e9m ele a dar a sua vida por Amor, amando tamb\u00e9m ele aqueles que o odiavam e o queriam matar, e o mataram.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li>Esta Cruz Gloriosa e Vitoriosa, que hoje adoramos, exp\u00f5e diante dos nossos olhos (G\u00e1latas 3,1) esse amor puro e gratuito, sem motivo e sem fundo, sem barreiras nem fronteiras nem grupos, que Jesus dedica a todos, sem exce\u00e7\u00e3o. A mim e a ti, aos pobres, aos doentes, aos estrangeiros, aos indiferentes, aos que o odeiam e nos odeiam, aos que o perseguem e nos perseguem, aos que o mataram e nos querem matar, como est\u00e1 a acontecer em tantas comunidades crist\u00e3s da S\u00edria e do Iraque.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li>Sim, este Jesus que expomos e adoramos nesta Cruz, \u00e9 de todos, ama a todos, d\u00e1 a sua vida por todos. Portanto, n\u00e3o podemos guardar ou resguardar o nosso amor a Cristo no nosso pequeno grupo de amigos ou de perten\u00e7a, mesmo nos grupos ou movimentos intra-eclesiais, tantas vezes autorreferenciais. Compreendamos bem que Jesus rebenta todas estas ligaduras. E \u00e9 s\u00f3 saindo ao encontro do outro por amor, \u00e9 s\u00f3 sendo evangelizadores no meio deste mundo, que cumprimos o mandamento de Jesus de nos amarmos uns aos outros <em>como<\/em> Ele nos amou (cf. Jo\u00e3o 13,34; 15,12).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li>A peregrina Eg\u00e9ria, oriunda da Galiza, que, em finais do s\u00e9culo IV, visitou demoradamente os Lugares Santos, diz-nos que a Santa Cruz era ent\u00e3o exposta \u00e0 adora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is duas vezes no ano: em 14 de Setembro e em Sexta-Feira Santa. Eg\u00e9ria descreve assim a adora\u00e7\u00e3o de Sexta-Feira Santa: \u00abdesde as oito horas da manh\u00e3 at\u00e9 ao meio-dia\u00bb, \u00abtodos passavam, um por um: inclinam-se, tocam a Cruz com a fronte, e depois com os olhos a Cruz e a inscri\u00e7\u00e3o, a seguir beijam a Cruz e saem, sem que ningu\u00e9m toque com a m\u00e3o na Cruz\u00bb (<em>Itinerarium<\/em>, 36,5; 37,3).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li>Adoremos n\u00f3s tamb\u00e9m, com amor, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, neste Dia de Sexta-Feira Santa, a Santa Cruz do \u00fanico Senhor da nossa vida. Ao acariciarmos a Cruz de Jesus, sintamo-nos tamb\u00e9m por Ele acariciados. Com o intuito de mostrar a comunh\u00e3o das Igrejas de todo o mundo com a Igreja de Jerusal\u00e9m e da Terra Santa, o Papa Le\u00e3o XIII instituiu, em 1887, o dia de Sexta-Feira Santa como Jornada de Ora\u00e7\u00e3o e Ofert\u00f3rio Pontif\u00edcio de ajuda \u00e0 Cust\u00f3dia dos Lugares Santos e \u00e0 Igreja presente na terra de Jesus. Nesse sentido, o contributo que hoje depusermos aos p\u00e9s da Cruz do Senhor destina-se \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o dos Lugares Santos da Terra Santa, e \u00e9 tamb\u00e9m uma car\u00edcia fraterna para os nossos irm\u00e3os perseguidos at\u00e9 ao sangue nas igrejas irm\u00e3s do M\u00e9dio Oriente, sobretudo na S\u00edria e no Iraque.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Irei, Senhor,<\/p>\n<p>Em prociss\u00e3o de amor,<\/p>\n<p>Beijar a tua Cruz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E quando eu olhar para ti,<\/p>\n<p>Para o teu rosto ferido e desfigurado,<\/p>\n<p>Para as tuas muitas chagas a sangrar,<\/p>\n<p>D\u00e1-me a gra\u00e7a de a\u00ed ver bem o meu pecado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E quando Tu, Senhor, olhares para mim,<\/p>\n<p>Com esse meigo olhar de serena compaix\u00e3o,<\/p>\n<p>D\u00e1-me a gra\u00e7a de a\u00ed ver o teu perd\u00e3o nunca poupado,<\/p>\n<p>E de sair com o cora\u00e7\u00e3o transfigurado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lamego, 19 de abril de 2019, Homilia na Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor<\/p>\n<p>+ Ant\u00f3nio, vosso bispo e irm\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Igreja de Lamego, deixa-te vencer pelo 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