{"id":134866,"date":"2019-04-22T13:26:08","date_gmt":"2019-04-22T12:26:08","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=134866"},"modified":"2019-04-22T13:34:10","modified_gmt":"2019-04-22T12:34:10","slug":"homilia-do-bispo-de-lamego-na-missa-da-ceia-do-senhor-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-lamego-na-missa-da-ceia-do-senhor-2\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Lamego na Missa da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p>Igreja de Lamego, senta-te \u00e0 mesa do teu senhor!<!--more--><\/p>\n<ol>\n<li>\n<figure id=\"attachment_134871\" aria-describedby=\"caption-attachment-134871\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/lava_pes_lamego2019.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-134871 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/lava_pes_lamego2019-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/lava_pes_lamego2019-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/lava_pes_lamego2019-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/lava_pes_lamego2019-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/lava_pes_lamego2019-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/lava_pes_lamego2019.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-134871\" class=\"wp-caption-text\">Diocese de Lamego<\/figcaption><\/figure>\n<p>Com esta celebra\u00e7\u00e3o da Ceia do Senhor, em Quinta-Feira Santa, a Igreja Una e Santa reacende a mem\u00f3ria da institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia, do Sacerd\u00f3cio e da Caridade, e d\u00e1 in\u00edcio ao Tr\u00edduo Pascal da Paix\u00e3o e Ressurrei\u00e7\u00e3o do seu Senhor, que se prolonga at\u00e9 \u00e0s V\u00e9speras II do Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o. O Tr\u00edduo Pascal constitui o ponto mais alto do Ano Lit\u00fargico, de onde tudo parte e aonde tudo chega, cora\u00e7\u00e3o que bate de amor em cada passo dado, em cada gesto esbo\u00e7ado, em cada casa visitada, em cada mesa posta, em cada pedacinho de p\u00e3o sonhado e partilhado. \u00c9 assim que Deus nos d\u00e1 a gra\u00e7a de caminhar durante todo o Ano Lit\u00fargico, dia ap\u00f3s dia, Domingo ap\u00f3s Domingo, sempre partindo da P\u00e1scoa do Senhor, sempre chegando \u00e0 P\u00e1scoa do Senhor.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Neste Dia Sant\u00edssimo, \u00e9-nos dada a gra\u00e7a de poder escutar um dos mais antigos e intensos relatos da Ceia do Senhor: \u00abO Senhor Jesus, na noite em que <em>ia ser<\/em> <em>entregue<\/em>, <em>recebeu<\/em> o p\u00e3o, e <em>dando gra\u00e7as<\/em>, <em>partiu-o<\/em>, e disse: \u201cIsto \u00e9 o <em>meu corpo<\/em>, que \u00e9 <em>para v\u00f3s<\/em>; isto <em>fazei para mem\u00f3ria de mim<\/em>\u201d. Do mesmo modo fez com o c\u00e1lice, depois da ceia, dizendo: \u201cEste c\u00e1lice \u00e9 a <em>nova Alian\u00e7a<\/em> no meu sangue; isto fazei, sempre que o beberdes, <em>para mem\u00f3ria de mim<\/em>\u201d. Portanto, sempre que comerdes este p\u00e3o e beberdes este c\u00e1lice, estais a <em>anunciar<\/em> <em>a morte do Senhor<\/em> at\u00e9 que Ele venha\u00bb (1 Cor\u00edntios 11,23-26).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Atravessando o relato, deparamo-nos com uma sequ\u00eancia verbal riqu\u00edssima, que mostra bem como a viv\u00eancia da Eucaristia transforma a nossa vida desde dentro, desde o cora\u00e7\u00e3o, s\u00edstole e di\u00e1stole, ao mesmo tempo sangue e amor a circular nas nossas veias! Vida nova que vem de Deus, como quando o Esp\u00edrito impele Sans\u00e3o, os profetas, Paulo ou Jesus. O verbo hebraico para dizer este impulso do Esp\u00edrito \u00e9 <em>pa\u0559am<\/em>. Sim, o Esp\u00edrito impele-nos e empurra-nos pela estrada fora, mas esta sua a\u00e7\u00e3o forte e suave faz-se tamb\u00e9m sentir por dentro e desde dentro, movendo o cora\u00e7\u00e3o e as suas avenidas, pois a fam\u00edlia etimol\u00f3gica que de <em>pa\u0559am<\/em> se desprende tamb\u00e9m serve para dizer o <em>bater do cora\u00e7\u00e3o<\/em> (<em>pa\u0559am<\/em>) e a <em>pulsa\u00e7\u00e3o<\/em> (<em>po\u0559am<\/em>), e estende-se ainda ao soar do sino ou da campainha (<em>pa\u0559amon<\/em>), cujo som festivo ouvimos h\u00e1 pouco, e se calou, para voltar a soar na noite da Vig\u00edlia Pascal, e ao longo do Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, na Visita Pascal. Portanto, o Esp\u00edrito de Deus que invocamos sobre este p\u00e3o e sobre este vinho, impele-nos, empurra-nos, impulsiona-nos desde fora, mas move tamb\u00e9m e sobretudo a nossa vida desde dentro, dando-nos um cora\u00e7\u00e3o novo, capaz de conjugar em cada dia os verbos fundamentais da Eucaristia: RECEBER, BENDIZER e AGRADECER,\/ PARTILHAR e DAR,\/ COMEMORAR, ANUNCIAR e ESPERAR.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>Tivemos Hoje tamb\u00e9m a gra\u00e7a de ouvir o colorido relato da P\u00e1scoa primeira, celebrada pelo Povo hebreu no Egito, conforme o relato do \u00caxodo 12,1-14. \u00abP\u00e1scoa\u00bb quer dizer \u00abpassagem\u00bb, e p\u00f5e em cena \u00abpassageiros\u00bb. Com os antigos pastores bedu\u00ednos semi-n\u00f3madas, que preenchem a mem\u00f3ria da pr\u00e9-hist\u00f3ria de Israel, aprendemos a passar festivamente para um tempo novo, do inverno para a primavera, numa festa noturna, ao luar, na primeira lua-cheia da primavera, que marca o in\u00edcio da transum\u00e2ncia ao encontro de novas pastagens e de vida nova. Com os hebreus, no Egito, sedentariz\u00e1mos e atualiz\u00e1mos a festa da primeira lua-cheia da primavera dos antigos pastores semi-n\u00f3madas de Israel, e fomos levados, por gra\u00e7a, a passar da escravid\u00e3o para a liberdade, que \u00e9 um caminho sempre novo, nunca terminado e sempre a recome\u00e7ar, com a cintura apertada, sand\u00e1lias nos p\u00e9s, cajado na m\u00e3o, lume novo aceso no cora\u00e7\u00e3o. Com Jesus Cristo, fomos, tamb\u00e9m por gra\u00e7a, levados a passar do pecado para a gra\u00e7a, da soleira da porta para a mesa, da morte para a vida em abund\u00e2ncia, da nossa tenda de peregrinos para a Casa hospitaleira do Pai. \u00c9 assim que n\u00f3s, por gra\u00e7a feitos \u00abfilhos no Filho\u00bb, aprendemos a ser peregrinos e h\u00f3spedes, tranquilamente sentados em Casa e \u00e0 Mesa daquele \u00fanico Senhor que servimos e que, paradoxalmente, nos serviu primeiro a n\u00f3s.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li>\u00c9 a\u00ed que estamos todos, meus irm\u00e3os e irm\u00e3s. A\u00ed, entenda-se, em Casa e \u00e0 Mesa, hospedados. E \u00e9 a\u00ed que Jesus se dirige a Pedro e a cada um de n\u00f3s, e diz: \u00abSe n\u00e3o te lavo, Pedro, n\u00e3o ter\u00e1s parte comigo!\u00bb (Jo\u00e3o 13,8). Isto \u00e9, n\u00e3o participar\u00e1s da minha vida por amor Dada e Recebida (Jo\u00e3o 10,17-18). \u00abTer parte com\u00bb Cristo \u00e9 <em>participar<\/em> no seu supremo servi\u00e7o de amor at\u00e9 dar a vida para receber a vida. \u00abSer lavado\u00bb e \u00abter parte com\u00bb e \u00abestar puro\u00bb \u00e9 linguagem b\u00edblica de ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal. Basta ler o texto do Livro dos N\u00fameros 18,20, juntamente com os Cap\u00edtulos 29 e 40 do Livro do \u00caxodo e o Cap\u00edtulo 8.\u00ba do Livro do Lev\u00edtico, acerca da ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal de Aar\u00e3o e dos seus filhos. Est\u00e1 ai, na participa\u00e7\u00e3o na vida de Jesus, no modo de viver de Jesus, a fonte do nosso sacerd\u00f3cio ministerial, mas tamb\u00e9m do sacerd\u00f3cio comum dos fi\u00e9is.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li>Por isso, Jesus diz, num imenso dizer revelat\u00f3rio ainda a retinir nos nossos ouvidos e a ecoar em tudo o que fazemos: \u00ab<em>Como<\/em> Eu vos fiz, fazei v\u00f3s tamb\u00e9m!\u00bb (Jo\u00e3o 13,15). V\u00ea-se bem, meus irm\u00e3os e irm\u00e3s, que n\u00e3o \u00e9 tanto o que se faz que conta. Conta muito mais o <em>como<\/em> se faz. O segredo \u00e9 dar a vida por amor, para sempre, para todos. Jesus \u00e9 o \u00fanico Mestre que ensina a Viver desta maneira. E \u00e9 assim que fica bem \u00e0 vista do nosso cora\u00e7\u00e3o o significado da institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia, do Sacerd\u00f3cio e da Caridade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta Quinta-Feira \u00e9 Santa:<br \/>\nSabe a Deus,<br \/>\nSabe a p\u00e3o,<br \/>\nSabe a alegria,<br \/>\nSabe a Eucaristia!<\/p>\n<p>Esta Quinta-Feira \u00e9 Santa:<br \/>\nSabe a amor,<br \/>\nA d\u00e1diva da vida,<br \/>\nA uma l\u00e1grima comovida.<\/p>\n<p>Esta Quinta-Feira \u00e9 Santa:<br \/>\nSabe a Ceia<br \/>\nE a Jesus,<br \/>\nLuz grande que incendeia<br \/>\nAs trevas do cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nE faz nascer amor e comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lamego, 18 de abril de 2019, Quinta-Feira Santa, Homilia na Missa Vespertina da Ceia Senhor<\/p>\n<p><em>+ Ant\u00f3nio, vosso bispo e irm\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Igreja de Lamego, senta-te \u00e0 mesa do teu 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