{"id":13476,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/responsavel-pela-pastoral-dos-brasileiros-no-exterior-exige-mais-atencao-para-o-fenomeno-das-migracoes\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"responsavel-pela-pastoral-dos-brasileiros-no-exterior-exige-mais-atencao-para-o-fenomeno-das-migracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/responsavel-pela-pastoral-dos-brasileiros-no-exterior-exige-mais-atencao-para-o-fenomeno-das-migracoes\/","title":{"rendered":"Respons\u00e1vel pela pastoral dos brasileiros no exterior exige mais aten\u00e7\u00e3o para o fen\u00f3meno das migra\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Homilia no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima <!--more--> Excelent\u00edssimo Sr. Dom Ant\u00f3nio Vitalino, presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana, Reverendos Sacerdotes, irm\u00e3os e irm\u00e3s na f\u00e9 e no baptismo que nos acompanham pelas redes nacionais de televis\u00e3o, emigrantes de todas as origens e proveni\u00eancias,  Sinto-me deveras honrado com a oportunidade que me \u00e9 oferecida, dentro das comemora\u00e7\u00f5es da 33\u00aa Semana de Migra\u00e7\u00f5es, de presidir \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, neste s\u00e1bado 13 de Agosto, dia especialmente dedicado \u00e0 Virgem Maria. J\u00e1 tive a oportunidade de visitar outras duas vezes Portugal, dentro das atribui\u00e7\u00f5es que desempenho em minha Confer\u00eancia Episcopal &#8211; em 1999 e 2002 &#8211; mas o convite de participar da 33\u00aa Semana de Migra\u00e7\u00f5es e da Peregrina\u00e7\u00e3o Internacional de Migrantes ao Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, oferece-me uma oportunidade especial para estreitar os la\u00e7os de amizade e de colabora\u00e7\u00e3o entre a Igreja no Brasil e a Igreja em Portugal. Al\u00e9m disso, me proporciona o ensejo de manifestar afei\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica para com os migrantes e um sentimento de gratid\u00e3o para com a Hierarquia e a Na\u00e7\u00e3o portuguesa pela contribui\u00e7\u00e3o que deram ao desenvolvimento religioso e social de minha terra. Sa\u00fado fraternalmente, em meu nome e em nome da Confer\u00eancia Nacional do Bispos do Brasil, os Irm\u00e3os do Episcopado Portugu\u00eas, os Rev.mos sacerdotes, o povo de Deus e, de modo particular os migrantes que, participando desta Peregrina\u00e7\u00e3o Internacional prestigiam a Semana de Migra\u00e7\u00f5es. Nesta ocasi\u00e3o, \u00e9-me grato, amados irm\u00e3os, convid\u00e1-los a reflectir comigo sobre o tema das migra\u00e7\u00f5es que, cada vez mais, se torna presente e questionador na hist\u00f3ria da humanidade.  A migra\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno em crescimento No s\u00e9culo XIX, quando o Pai dos Migrantes, o bem-aventurado D. Jo\u00e3o Batista Scalabrini, propunha ao Santo Padre Pio X\u00ba a cria\u00e7\u00e3o de um Organismo para a Assist\u00eancia aos Emigrados Cat\u00f3licos, encontrou resist\u00eancia junto aos altos prelados do Vaticano, porque achavam que a emigra\u00e7\u00e3o era um fen\u00f3meno passageiro. A realidade veio demonstrar o contr\u00e1rio. A mobilidade humana cresceu num ritmo vertiginoso. Calcula-se hoje que h\u00e1 175 milh\u00f5es de pessoas que vivem longe da pr\u00f3pria terra e que, no ano de 2050, os migrantes alcan\u00e7ar\u00e3o a cifra impressionante de 230 milh\u00f5es. Se somarmos as pessoas que se encontram fora do pa\u00eds por motivos econ\u00f3micos \u00e0quelas que se deslocam por motivos tur\u00edsticos, teremos a espantosa cifra de um bilh\u00e3o de pessoas. Al\u00e9m dos migrantes e turistas, mais de 65 milh\u00f5es de indiv\u00edduos vivem longe da pr\u00f3pria terra na condi\u00e7\u00e3o de refugiados ou deslocados pela viol\u00eancia. No quadro dos pa\u00edses mais afectados pelos fluxos migrat\u00f3rios, encontram-se os Estados Unidos, onde vivem 35 milh\u00f5es de migrantes, a Federa\u00e7\u00e3o Russa que tem 13 milh\u00f5es e 300 mil  migrantes, a Alemanha que acolhe 7 milh\u00f5es e 300 mil, a Fran\u00e7a a Ar\u00e1bia, o Canad\u00e1 e a Austr\u00e1lia (1)  A mobilidade humana em nossos pa\u00edses. Os nossos pa\u00edses n\u00e3o apresentam um quadro muito diferente. Milhares de portugueses buscaram outras terras na Europa, na Am\u00e9rica e na \u00c1frica. Segundo estimativas levantadas em 2003, 4.862.093 filhos de Portugal est\u00e3o espalhados em 121 na\u00e7\u00f5es. Grande n\u00famero deles aportou em terras do Brasil. De 1850 a 1960 radicaram-se ali 1.700.000, os quais, com sua ind\u00fastria e seu trabalho, deram grande impulso ao desenvolvimento e ao progresso do pa\u00eds.  O Brasil, de pa\u00eds de migra\u00e7\u00e3o tornou-se agora tamb\u00e9m um pa\u00eds de emigra\u00e7\u00e3o. Muitos de seus filhos se deslocaram rumo ao Paraguai, \u00e0 Am\u00e9rica do Norte, \u00e0 Europa e ao Jap\u00e3o. Segundo estimativas confi\u00e1veis, os emigrados brasileiros alcan\u00e7am hoje a cifra de tr\u00eas milh\u00f5es, e uma das maiores comunidade deles encontra-se em Portugal. Nos \u00faltimos 25 anos radicaram-se aqui 60.000 brasileiros, sem contar os 30.000 irregulares de que se tem not\u00edcia(2) \u00c9 justo, pois, que nossos pa\u00edses se encontrem unidos na celebra\u00e7\u00e3o das Semanas de Migra\u00e7\u00f5es, como estamos fazendo hoje, sob os olhares maternos da Virgem Maria.  A migra\u00e7\u00e3o na B\u00edblia A Escritura Sagrada, refere que as grandes personagens do Antigo Testamento foram migrantes. Abra\u00e3o saiu da Caldeia e foi peregrino em busca de uma terra para a sua posteridade. Jacob, juntou sua fam\u00edlia e foi morar no Egipto, onde era poss\u00edvel sobreviver no tempo de carestia. Mois\u00e9s liderou a migra\u00e7\u00e3o colectiva do povo de Israel, em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 terra prometida, onde ele conseguiu autonomia e liberdade.   As leituras e o Evangelho de hoje nos levam a descobrir a dimens\u00e3o teol\u00f3gica da migra\u00e7\u00e3o. S. Paulo, em sua carta aos Hebreus, lembra que o patriarca Abra\u00e3o foi impulsionado pela voca\u00e7\u00e3o divina a se tornar o pai de um grande povo, deixando sua p\u00e1tria de origem rumo \u00e0s terras de Cana\u00e3. E Cristo, logo em seus primeiros dias de vida, sujeitou-se \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o, enveredando pelos caminhos do \u00eaxodo a fim de salvar a sua vida A leitura do G\u00e9nesis, por sua vez, recorda que devemos ser hospitaleiros, porque acolhendo o migrante estamos acolhendo o pr\u00f3prio Deus.  A Migra\u00e7\u00e3o na vis\u00e3o da Igreja A Igreja em seus numerosos documento sempre demonstrou carinho para com os migrantes, inculcando nos indiv\u00edduos e nos governos o dever sagrado de os acolher e respeitar. Sua solicitude pelos migrantes inspirou-se em princ\u00edpios muito bem lembrados por D. Ant\u00f3nio Vitalino, na mensagem publicada em ocasi\u00e3o da 33\u00aa Semana de Migra\u00e7\u00f5es.  Em primeiro lugar, o crist\u00e3o deve lembrar que o migrante n\u00e3o \u00e9 um problema: \u00e9 uma pessoa humana, uma pessoa que deve ser respeitada por ser pessoa e por se encontrarem situa\u00e7\u00e3o de necessidade. Al\u00e9m disto, acolher o migrante e dialogar com ele \u00e9 exercer o preceito evang\u00e9lico da caridade que enobrece e enriquece quem o pratica. \u201cPelo di\u00e1logo \u2013 recorda Dom Vitalino &#8211; v\u00e3o se esbatendo as barreiras e as agress\u00f5es e constr\u00f3i-se uma sociedade pac\u00edfica, onde as diferen\u00e7as \u00e9tnicas, lingu\u00edsticas, religiosas e culturais s\u00e3o factor de enriquecimento das pessoas e da sociedade\u201d(3). Enfim, na vis\u00e3o da Igreja, os migrantes podem tornar-se pregoeiros de fraternidade, induzindo as na\u00e7\u00f5es a superar o pr\u00f3prio ego\u00edsmo e fazer do mundo uma sociedade integrada e pac\u00edfica, figura do Reino de Deus, onde todas as criaturas humanas, reunidas em Cristo, s\u00e3o filhos do mesmo Deus e irm\u00e3os entre si.           Conclus\u00e3o Infelizmente, caros irm\u00e3os, existem ainda muitos dramas nos caminhos do \u00eaxodo. Para n\u00e3o poucos infelizes, a fronteiras continuam a se tornar cemit\u00e9rios e, desta maneira, o quinto mandamento da lei de Deus \u201cn\u00e3o matar\u201d \u2013 em torno do qual neste ano gira a reflex\u00e3o catequ\u00e9tica da Igreja em Portugal &#8211; continua a ser um objectivo distante de ser alcan\u00e7ado. Nesta celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica que coroa as celebra\u00e7\u00f5es da 33\u00aa Semana de Migra\u00e7\u00f5es e a Peregrina\u00e7\u00e3o Internacional de Migrantes roguemos, pois, a Deus, pela intercess\u00e3o da Virgem de F\u00e1tima, que proteja os migrantes e suas fam\u00edlias e ajude nossos pa\u00edses a trabalhar pela unidade harm\u00f3nica dos povos, a fim de que o mundo possa realmente constituir \u201cuma cidade integrada e pac\u00edfica, em volta de um \u00fanico Deus e Senhor\u201d (4).  Amen.  <i>D. Laurindo Guizzardi<\/i> _________________________  1)  Estas cifras foram apresentadas no Encontro Internacional de Triuggio, It\u00e1lia, em fins de maio de 2005, reportado pela Ag\u00eancia Fides.  2) Cifras colhidas junto \u00e0OCPM. 3) D. Antonio Vitalino, em Mensagem para a 33\u00aa Semana de Migra\u00e7\u00f5es. 4)Idem, ibidem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[101,104,122,187,203,206,207,222,258,269,291],"class_list":["post-13476","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-africa","tag-america","tag-brasil","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-familia","tag-fatima","tag-hospitalidade","tag-migracoes","tag-ocpm","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13476"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13476\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}