{"id":134649,"date":"2019-04-21T13:12:27","date_gmt":"2019-04-21T12:12:27","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=134649"},"modified":"2019-04-20T22:14:11","modified_gmt":"2019-04-20T21:14:11","slug":"homilia-do-bispo-de-angra-na-celebracao-do-domingo-de-pascoa-2019","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-angra-na-celebracao-do-domingo-de-pascoa-2019\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Angra na celebra\u00e7\u00e3o do Domingo de P\u00e1scoa 2019"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A palavra de Deus coloca perante n\u00f3s tr\u00eas atitudes fundamentais para uma verdadeira experi\u00eancia da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo e, assim, podermos usufruir da gra\u00e7a do Ressuscitado que nos \u00e9 oferecida no nosso Baptismo.<\/p>\n<p>No itiner\u00e1rio descrito no Evangelho, no qual se manifesta o percurso percorrido pelos Ap\u00f3stolos at\u00e9 se encontrarem com o sepulcro vazio, um deles que se adiantou, refere o texto Evang\u00e9lico, \u00abviu e acreditou\u00bb; j\u00e1 na primeira leitura dos Actos dos Ap\u00f3stolos, na qual se d\u00e1 noticia do discurso de Pedro \u00e0 multid\u00e3o, o qual ap\u00f3s narrar alguns aspectos conhecidos da vida p\u00fablica de Jesus de Nazar\u00e9 e implica\u00e7\u00e3o de todo o povo na morte do Nazareno, proclama a Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o dizendo que \u00abn\u00f3s somos testemunhas de tudo o que Ele fez no pa\u00eds dos judeus e em Jerusal\u00e9m; e eles mataram-n\u2019O, suspendendo-O na cruz. Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se, n\u00e3o a todo o povo, mas \u00e0s testemunhas de antem\u00e3o designadas por Deus, a n\u00f3s que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos\u00bb.<\/p>\n<p>Mais ainda, sublinha-se que \u00abJesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constitu\u00eddo por Deus juiz dos vivos e dos mortos\u00bb.<\/p>\n<p>Por sua vez, S. Paulo, segundo o texto da segunda leitura, exorta a comunidade crist\u00e3 dizendo que \u00abse ressuscitastes com Cristo, aspirai \u00e0s coisas do alto, onde est\u00e1 Cristo, sentado \u00e0 direita de Deus. Afei\u00e7oai-vos \u00e0s coisas do alto e n\u00e3o \u00e0s da terra\u00bb.<\/p>\n<p>Este itiner\u00e1rio que nos \u00e9 proposto pela Palavra de Deus \u00e9 fundamental para que a experi\u00eancia da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo continue a realizar-se na comunidade crist\u00e3 e em cada baptizado.<\/p>\n<p>Conduzidos pela interpela\u00e7\u00e3o que nos vem de algu\u00e9m que nos anuncia que Jesus Cristo est\u00e1 vivo, Ressuscitado, e que na Palavra, na Comunidade e nos Sacramentos \u00e9 poss\u00edvel fazer a Sua experi\u00eancia, despojando-nos dos nossos conceitos e preconceitos para darmos lugar \u00e0 iniciativa divina que pela presen\u00e7a do Espirito Santo nos conduz \u00e0 verdade total e entrela\u00e7a a nossa experi\u00eancia pessoal com a vida de Cristo, e deste modo, podemos hoje continuar a dizer com o Ap\u00f3stolo \u00abvi e acreditei\u00bb.<\/p>\n<p>Por sua vez, aquele que \u00abv\u00ea e acredita\u00bb torna-se em mission\u00e1rio desta Boa Nova, como testemunha dos factos que identificam a pessoa de Jesus de Nazar\u00e9 e a luz nova que o faz reconhecer como Vivo e Ressuscitado.<\/p>\n<p>Mas o testemunho s\u00f3 ser\u00e1 cred\u00edvel se manifestar valores, crit\u00e9rios e op\u00e7\u00f5es novos. Se verdadeiramente peregrinos neste mundo e interessados em tudo o que s\u00e3o os dramas da humanidade, projectamos uma esperan\u00e7a nova que vem de quem vive n\u00e3o s\u00f3 confrontado pelo mundo mas com os olhos postos \u00abnas coisas do alto\u00bb.<\/p>\n<p>Neste contexto lembramos as palavras do Concilio Vaticano II que referem que \u00abconstitu\u00eddo Senhor pela sua ressurrei\u00e7\u00e3o, Cristo, a quem foi dado todo o poder no c\u00e9u e na terra, \u00a0actua j\u00e1 pela for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo nos cora\u00e7\u00f5es dos homens; n\u00e3o suscita neles apenas o desejo da vida futura, mas, por isso mesmo, anima, purifica e fortalece tamb\u00e9m aquelas generosas aspira\u00e7\u00f5es que levam a humanidade a tentar tornar a vida mais humana e a submeter para esse fim toda a terra\u00bb (GS. 38).<\/p>\n<p>E, acrescenta, sublinhando que \u00absem d\u00favida, os dons do Esp\u00edrito s\u00e3o diversos: enquanto chama alguns a darem claro testemunho do desejo da p\u00e1tria celeste e a conservarem-no vivo no seio da fam\u00edlia humana, chama outros a dedicarem-se ao servi\u00e7o terreno dos homens, preparando com esta sua actividade como que a mat\u00e9ria do reino dos c\u00e9us\u00bb (Ib. 38).<\/p>\n<p>Na verdade, \u00abliberta, por\u00e9m, a todos, para que, deixando o amor pr\u00f3prio e empregando em favor da vida humana todas as energias terrenas, se lancem para o futuro, em que a humanidade se tornar\u00e1 obla\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel a Deus\u00bb (Ib. 38).<\/p>\n<p>De facto, mergulhados na experi\u00eancia da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo e captando a miss\u00e3o que dela nos atinge e compromete, reconhecemos que \u00abprocurando o seu fim salv\u00edfico, a Igreja n\u00e3o se limita a comunicar ao homem a vida divina; espalha sobre todo o mundo os reflexos da sua luz, sobretudo enquanto cura e eleva a dignidade da pessoa humana, consolida a coes\u00e3o da sociedade e d\u00e1 um sentido mais profundo \u00e0 quotidiana actividade dos homens\u00bb (Ib., 40).<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, \u00aba Igreja pensa, assim, que por meio de cada um dos seus membros e por toda a sua comunidade, muito pode ajudar para tornar mais humana a fam\u00edlia dos homens e a sua hist\u00f3ria\u00bb (Ib., 40).<\/p>\n<p>Celebrar a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo implica da parte de toda a comunidade crist\u00e3 e de cada baptizado assumirem a miss\u00e3o de testemunhar, pela palavra e sobretudo com gestos libertadores, a mesma vida de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o dia para lan\u00e7armos o olhar para o nosso mundo, para a nossa sociedade e para a nossa cultura e escutar o clamor de tantos homens e mulheres que atingidos pelos sinais de morte, procuram uma vida autenticamente digna do ser humano.<\/p>\n<p>A Ressurrei\u00e7\u00e3o e a Vida Nova presente na vida dos baptizados n\u00e3o \u00e9 uma teoria, muito pelo contr\u00e1rio, \u00e9 verdadeiramente uma pr\u00e1tica, \u00a0de modo que colocando a esperan\u00e7a nos bens futuros se aplicam afincadamente na transforma\u00e7\u00e3o do mundo actual.<\/p>\n<p>Buscar os Sinais do Reino de Deus, desenvolv\u00ea-los e torn\u00e1-los patentes para que atraiam e sirvam de apoio seguro para a humanidade de hoje, eis o nosso compromisso.<\/p>\n<p>O caminho que nos leva ao encontro de Jesus Cristo vivo e ressuscitado \u00e9 o mesmo caminho que nos leva ao encontro dos irm\u00e3os para os fazer sair das trevas da sua ignor\u00e2ncia, da teimosia da sua soberba, da arrog\u00e2ncia do seu ego\u00edsmo, e oferecer a docilidade do caminho do amor, do despojamento e da partilha aberto pela Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>H\u00e1 um mundo novo que se abre atrav\u00e9s da Ressurrei\u00e7\u00e3o, no qual \u00e9 poss\u00edvel fazer desaparecer a exclus\u00e3o, a mis\u00e9ria, a ignor\u00e2ncia, a viol\u00eancia, as trevas da intelig\u00eancia, a aus\u00eancia de Deus e a autorreferencialidade para desabrochar a alegria e o amor, a paz e a partilha comunit\u00e1ria, a comunh\u00e3o com Deus e com os irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Celebrar a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo \u00e9 fundamental para que cada comunidade crist\u00e3 viva e partilhe a miss\u00e3o com frescura, esperan\u00e7a, vitalidade e entusiasmo. Deste modo, damos express\u00e3o ao lema da nossa diocese para este ano: \u00abcomunidade evangelizada em comunh\u00e3o mission\u00e1ria\u00bb.<\/p>\n<p>Fa\u00e7amos com que a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo atinja a todos e em todos os lugares.<\/p>\n<p>Imploro de Nossa Senhora, M\u00e3e e Rainha dos A\u00e7ores, que se alegrou com a ressurrei\u00e7\u00e3o do Seu Filho que lance o Seu olhar e a Sua b\u00ean\u00e7\u00e3o sobre todos os nossos diocesanos, fam\u00edlias, idosos, crian\u00e7a, jovens, emigrados, prisioneiros, doentes, exclu\u00eddos cultural, social e religiosamente e todos os que se sentem destitu\u00eddos da sua dignidade humana e nos encaminhe pelas sendas da evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo de hoje.<\/p>\n<p>Amen.<\/p>\n<p><em>D. Jo\u00e3o Lavrador, Bispo de Angra e Ilhas dos A\u00e7ores<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":134650,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[169,275],"class_list":["post-134649","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-angra","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134649","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134649"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134649\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134650"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134649"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134649"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134649"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}