{"id":134639,"date":"2019-04-21T11:58:50","date_gmt":"2019-04-21T10:58:50","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=134639"},"modified":"2019-04-21T11:13:12","modified_gmt":"2019-04-21T10:13:12","slug":"homilia-do-bispo-do-porto-na-missa-de-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-porto-na-missa-de-pascoa\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo do Porto na Missa de P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Salva\u00e7\u00e3o e f\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Recordamos a profecia de Jesus: \u201c<em>Destru\u00ed este templo e eu, em tr\u00eas dias, o reedificarei<\/em>\u201d (Jo 2, 19). E o Evangelista explica: \u201c<em>Ele referia-se ao templo do seu corpo<\/em>\u201d (Jo 2, 21). Destru\u00eddo na sexta feira e permanecendo no t\u00famulo em dia de s\u00e1bado, na aurora de Domingo cumpre-se a profecia e o Senhor, vivo e pr\u00f3ximo, volta ao contacto com os seus. \u00c9 esta ressurrei\u00e7\u00e3o gloriosa que celebramos neste dia de P\u00e1scoa, no qual ressoa o grito incontido: \u201c<em>Jesus est\u00e1 vivo! Aleluia<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Como se chegou a esta certeza? O Evangelho d\u00e1-nos pistas: a perce\u00e7\u00e3o de Maria Madalena, a pedra de acesso ao t\u00famulo retirada, as ligaduras no ch\u00e3o, o sud\u00e1rio enrolado. S\u00e3o estes \u201csinais\u201d que levam \u00e0 compreens\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio. Sinais para alguns insuficientes, pois n\u00e3o demonstram laboratorial ou matematicamente, mas plenamente reveladores para quem os vive a partir da experi\u00eancia da proximidade, da f\u00e9 e do amor.<\/p>\n<p>Foi o caso de Jo\u00e3o, o tal disc\u00edpulo que chegou ao t\u00famulo em primeiro lugar e que \u201c<em>viu e acreditou<\/em>\u201d. Que fez correr Jo\u00e3o, porventura apelidado de louco pelos comerciantes da estreita rua que, da cidade velha de Jerusal\u00e9m, sa\u00eda em dire\u00e7\u00e3o ao monte Calv\u00e1rio? O mais jovem dos Ap\u00f3stolos foi o \u00fanico que tinha vivido de perto os dramas do julgamento, crucifix\u00e3o e sepultura do Senhor. Fez-se \u00abpr\u00f3ximo\u00bb de Jesus, quando os outros se afastaram. Por amor, e s\u00f3 por amor, n\u00e3o abandonou o Amigo nem a M\u00e3e do Amigo. Por isso, receber d\u2019Ele o sagrado encargo de amparar a M\u00e3e, j\u00e1 vi\u00fava e, a partir daquele momento, sem ningu\u00e9m para cuidar dela.<\/p>\n<p>\u00c9 por esta cont\u00ednua presen\u00e7a junto do Amigo que, para o \u201cdisc\u00edpulo amado\u201d, a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o se tornou um dado quase natural. \u201c<em>Viu e acreditou<\/em>\u201d. Viu a partir do olhar da afetividade e acreditou confiadamente ou com a naturalidade com que uma crian\u00e7a acredita na m\u00e3e. \u00c9 prov\u00e1vel que a sua raz\u00e3o n\u00e3o compreendesse tudo, mas o amor ajudou o cora\u00e7\u00e3o a abrir-se e a ver. Foi essa intui\u00e7\u00e3o amorosa e de proximidade que permitiu a Jo\u00e3o ver e acreditar antes de todos os outros. Nele, a alegria pascal maturou sobre uma base de amor fiel. Um amor que nada nem ningu\u00e9m pode quebrar ou p\u00f4r em causa.<\/p>\n<p>Creio que esta continua a ser a grande via de acesso ao mist\u00e9rio central da nossa f\u00e9: o da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Racionalmente, nenhuma ci\u00eancia a demonstra. Mas na proximidade existencial e amorosa com o Senhor, \u00abcomendo e bebendo com Ele\u00bb, como invocava S. Pedro no discurso escutado na primeira leitura, a f\u00e9 de que \u201c<em>Deus O ressuscitou dos mortos<\/em>\u201d e \u201c<em>O constituiu juiz dos vivos e dos mortos<\/em>\u201d torna-se uma \u201c<em>absoluta certeza<\/em>\u201d. Certeza preg\u00e1vel a \u201c<em>toda a casa de Israel<\/em>\u201d, mais familiarizada com a cren\u00e7a na ressurrei\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m preg\u00e1vel ao ainda pag\u00e3o Corn\u00e9lio e sua fam\u00edlia, o qual, curiosamente, o chamou \u00e0 cosmopolita Cesareia Mar\u00edtima, porque se impressionou com esse testemunho e se disp\u00f4s a ser batizado.<\/p>\n<p>Como sabemos bem, a atualidade necessita muito deste testemunho a ser dado por aqueles que vivem a tal proximidade amorosa com o Senhor. Face a uma nova cultura de massas, por vezes de base materialista e hedonista, \u00e9 preciso apresentar o grande \u201csinal\u201d hist\u00f3rico: ao longo de dois mil\u00e9nios, milh\u00f5es e milh\u00f5es de crist\u00e3os afinaram a sua exist\u00eancia pela \u201cressurrei\u00e7\u00e3o\u201d e celebraram-na ininterruptamente no pr\u00f3prio dia semanal em que aconteceu: no primeiro dia da semana ou Domingo. De tal forma que f\u00e9 em Jesus Cristo, cren\u00e7a na ressurrei\u00e7\u00e3o, guarda do Domingo como dia absolutamente diferente e celebra\u00e7\u00e3o festiva aglutinaram-se numa mesma unidade, qual marca identit\u00e1ria da cultura ocidental humanista.<\/p>\n<p>Esta marca est\u00e1 a perder-se. E a perder-se em detrimento da dignidade pessoal e dos direitos humanos. Pensemos no novo esclavagismo da labora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, \u00ablegalmente\u00bb imposta pelos novos senhores do mundo que dominam a economia e, por esta, os governos. Pensemos como os crit\u00e9rios dos \u00abturnos\u00bb, em sectores onde, para al\u00e9m da gan\u00e2ncia, nada os justifica, a par dos graves transtornos psicol\u00f3gicos do trabalhador e do fracionamento dos encontros familiares, est\u00e1 a gerar a \u00abmorte do Domingo\u00bb, o fim dos ritmos semanais, a aboli\u00e7\u00e3o dos verdadeiros momentos celebrativos e o fracionamento da fam\u00edlia e das rela\u00e7\u00f5es de amizade. O mesmo se diga da abertura dos supermercados e dos centros comerciais ao Domingo, express\u00e3o de um certo subdesenvolvimento humano e mesmo econ\u00f3mico. Enfim, est\u00e1-se a gerar uma civiliza\u00e7\u00e3o fria, sem alma, individualista, sem profundidade de rela\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo sem outros contactos que n\u00e3o sejam os da \u00abrealidade virtual\u00bb.<\/p>\n<p>Caro crist\u00e3os, convoco-vos para esta tarefa urgente de trazer nova alma \u00e0 nossa cultura mediante a inser\u00e7\u00e3o nela da cren\u00e7a profunda na ressurrei\u00e7\u00e3o. Dizei-o a todos e vivei-a convictamente a partir da proximidade amorosa com o Senhor Jesus. A P\u00e1scoa \u00e9 a alegria do c\u00e9u que irrompe sobre a terra. A P\u00e1scoa \u00e9 a luz da esperan\u00e7a que desfaz as nossas trevas e ang\u00fastias. A P\u00e1scoa \u00e9 a forma de percebermos uma nova comunh\u00e3o entre as pessoas. Jesus est\u00e1 vivo! Brilhe em todos n\u00f3s a alegria da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>D. Manuel Linda<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":101235,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[187,275],"class_list":["post-134639","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-porto","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134639"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134639\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/101235"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}