{"id":134619,"date":"2019-04-20T17:15:09","date_gmt":"2019-04-20T16:15:09","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=134619"},"modified":"2019-04-23T12:27:42","modified_gmt":"2019-04-23T11:27:42","slug":"homilia-do-bispo-de-aveiro-na-celebracao-da-paixao-e-morte-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-celebracao-da-paixao-e-morte-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Aveiro na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o e Morte do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>O mist\u00e9rio do sofrimento em Cristo<\/p>\n<p>Como olhar o sofrimento redentor de Jesus Cristo, levado ao extremo do esc\u00e1rnio e humilha\u00e7\u00e3o, perante o Pai, um Deus de amor?<\/p>\n<p>A vida do homem atinge a sua plenitude por Cristo e em Cristo. Cristo introduz-nos no mist\u00e9rio de Deus e ajuda-nos a descobrir o \u2018porqu\u00ea\u2019 do sofrimento, na medida em que n\u00f3s formos capazes de compreender a sublimidade do amor divino. Deus, ao enviar o Seu Filho ao mundo para libertar o homem do mal, traz em Si a definitiva e absoluta perspetiva do sofrimento e do amor salv\u00edfico. \u00ab<em>O sofrimento humano atingiu o seu v\u00e9rtice na paix\u00e3o de Cristo; e, ao mesmo tempo, revestiu-se de uma dimens\u00e3o completamente nova e entrou numa ordem nova: ele foi associado ao amor, \u00e0quele amor de que Cristo falava a Nicodemos, \u00e0quele amor que cria o bem, tirando-o mesmo do mal, tirando-o por meio do sofrimento, tal como o bem supremo da Reden\u00e7\u00e3o do mundo foi tirado da cruz de Cristo e nela encontra perenemente o seu princ\u00edpio<\/em>\u00bb (<em>SD<\/em>\u00a018). Pela paix\u00e3o de Cristo na cruz, o Salvador realizou a reden\u00e7\u00e3o da humanidade.<\/p>\n<p>De Jesus recebemos extraordin\u00e1rias li\u00e7\u00f5es de sofrimento. Tamb\u00e9m Ele experimentou o sofrimento da solid\u00e3o,\u00a0da persegui\u00e7\u00e3o,\u00a0da crucifix\u00e3o,\u00a0o abandono dos disc\u00edpulos\u00a0e at\u00e9\u00a0o aparente abandono do Pai\u00a0quando, citando um salmo, rezou: \u201c<em>Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?<\/em>\u201d (<em>Sl<\/em>\u00a021). Diz-nos o Papa Francisco: \u201c<em>Sem cruz nunca encontrareis o verdadeiro Jesus; e uma Cruz sem Jesus n\u00e3o tem sentido<\/em>\u201d. Deus manifesta preocupa\u00e7\u00e3o com a felicidade dos seus filhos. Ele salva e redime a quem est\u00e1 prostrado, a quem vive desanimado, a quem n\u00e3o consegue encontrar caminho e sentido para a sua vida. Deus encontra-se n\u00e3o na sua omnipot\u00eancia, mas na sua debilidade.<\/p>\n<p>Jesus ensina a amar a cruz<\/p>\n<p>A resposta mais completa ao sentido e valor do sofrimento foi dada \u00e0 humanidade por Deus, em Cristo. Jesus revela-nos um Deus que \u00e9 Pai, mas que n\u00e3o impede o seu nem o nosso sofrimento. Jesus n\u00e3o s\u00f3 o venceu como lhe d\u00e1 um novo sentido, assume a dor com a alegria interior de quem realiza na fidelidade a vontade do Pai. Este sentido n\u00e3o est\u00e1 dado \u00e0 partida; \u00e9 necess\u00e1rio descobri-lo.<\/p>\n<p>O projeto trazido por Jesus Cristo \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o do homem, e para isso viveu e indicou o caminho da cruz. Tamb\u00e9m Ele foi interpelado, na cruz, por todo o tipo de sofrimento com que o feriram os nossos pecados. E como respondeu? S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel entender a cruz na dimens\u00e3o do amor. As palavras da ora\u00e7\u00e3o no Gets\u00e9mani \u00ab<em>Abb\u00e1, Pai, tudo te \u00e9 poss\u00edvel; afasta de mim este c\u00e1lice<\/em>\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a014,36) atestam a verdade do sofrimento e provam\u00a0<em>a\u00a0<\/em>verdade do amor que, com a sua obedi\u00eancia, o Filho demonstra para com o Pai. Este \u00e9 o exemplo para o qual devemos olhar. Na cruz, junto de Jesus crucificado, o mau ladr\u00e3o deixou-se arrastar pelo \u00f3dio \u00e0 cruz. Pelo contr\u00e1rio, o bom ladr\u00e3o soube descobrir na sua cruz uma escada que lhe serviu para chegar a Cristo e subir ao c\u00e9u (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a023,39-43).<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da uni\u00e3o com Cristo faz com que todos os sofrimentos possam ser penetrados pela mesma for\u00e7a de Deus que se manifestou na cruz. Mais do que debru\u00e7armo-nos sobre o inv\u00f3lucro da dor, urge\u00a0<em>adentrar no mist\u00e9rio da cruz<\/em>. Assim como Cristo nos salvou pela cruz, assim tamb\u00e9m nos aperfei\u00e7oa e nos santifica por meio da cruz. O sofrimento faz-nos ascender para horizontes maiores; ajuda-nos a escalar os caminhos do amor a Deus e do amor ao pr\u00f3ximo. Abra\u00e7ar a cruz significa viver o mandamento novo, porque \u201c<em>ningu\u00e9m tem mais amor do que este: que algu\u00e9m d\u00ea a sua vida pelos seus amigos<\/em>\u201d (<em>Jo<\/em>\u00a015,13).<\/p>\n<p>A cruz \u00e9 a presen\u00e7a incontest\u00e1vel do amor. Ent\u00e3o \u00e9 hora de perguntar a mim mesmo: como aceito eu o sofrimento? Que tipo de consolador(a) sou eu? Vivo na minha vida a bem-aventuran\u00e7a dos que choram \u201c<em>porque ser\u00e3o consolados<\/em>\u201d (<em>Mt<\/em>\u00a05,4)? Ponho-me no lugar do outro para o compreender e lhe servir de b\u00e1lsamo apaziguador da sua tristeza?<\/p>\n<p>Esta pode ser a forma como hoje sou convidado a viver a paix\u00e3o e a morte de Jesus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aveiro, 19 de abril de 2019.<\/p>\n<p>+ Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":134620,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[170,275],"class_list":["post-134619","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-aveiro","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134619","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134619"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134619\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134620"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}