{"id":134607,"date":"2019-04-20T16:47:17","date_gmt":"2019-04-20T15:47:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=134607"},"modified":"2019-04-23T12:28:14","modified_gmt":"2019-04-23T11:28:14","slug":"homilia-do-arcebispo-de-evora-na-celebracao-da-paixao-e-morte-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-evora-na-celebracao-da-paixao-e-morte-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do arcebispo de \u00c9vora na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o e Morte do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<ol>\n<li><b><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00a0 \u00a0 Consumado e consumido. Tudo isto est\u00e1 consumado (cf. Jo 19, 30). E\u00a0\u00a0todo Ele est\u00e1 consumido. Jesus consumou a Sua miss\u00e3o e consumiu a Sua\u00a0\u00a0vida: consumiu a Sua vida ao consumar a Sua miss\u00e3o. Estar\u00e1 tudo\u00a0\u00a0terminado? \u00c9 \u00f3bvio que Jesus morreu. Mas os primeiros crist\u00e3os n\u00e3o entenderam a\u00a0\u00a0Sua morte como morte. E, na Liturgia Pascal, a Igreja at\u00e9 garante que\u00a0\u00a0Jesus \u00abdestruiu a morte\u00bb. J\u00e1 Santo Agostinho notara que Jesus, com a\u00a0\u00a0Sua morte, matou a morte: \u00abem Si, Ele matou a morte\u00bb!<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Guiados por S\u00e3o Jo\u00e3o, que espelha a F\u00e9 das primeiras comunidades crist\u00e3s, o que ouvimos n\u00e3o \u00e9 dito \u2013 explicitamente \u2014 que Jesus morreu. O que ouvimos, nesta Sexta-Feira\u00a0Santa, \u00e9 que, ap\u00f3s ter dito que \u00abtudo estava consumado\u00bb, Jesus\u00a0\u00abinclinou a cabe\u00e7a\u00bb e \u00abentregou o Esp\u00edrito\u00bb (\u00abpar\u00e9d\u00f4ken t\u00f2 Pneuma\u00bb)\u00a0[Jo 19, 30]. Sucede que inclinar a cabe\u00e7a \u00e9 pr\u00f3prio n\u00e3o s\u00f3 de quem morre, mas\u00a0tamb\u00e9m de quem adormece para acordar e viver de novo. Desde sempre, a Igreja\u00a0acredita ter nascido n\u00e3o \u00abdo lado morto\u00bb, mas do \u00ablado adormecido\u00bb de\u00a0Cristo.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> Tamb\u00e9m n\u00f3s, adormecendo em Cristo, com Ele ressuscitaremos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acresce que a \u00abentrega do Esp\u00edrito\u00bb n\u00e3o tem de ser um indicador de\u00a0morte. \u00abEntregar o Esp\u00edrito\u00bb (a Deus e aos homens) \u00e9 uma poderosa\u00a0\u00a0demonstra\u00e7\u00e3o de vida. Haja em vista que, na B\u00edblia, o Esp\u00edrito \u00e9\u00a0\u00a0sin\u00f3nimo de vida, pelo que entregar o Esp\u00edrito \u00e9 entregar a vida (cf.\u00a0\u00a0Jo 6, 63).<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o foi o que Jesus sempre fez?<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> Eis-nos como Disc\u00edpulos Mission\u00e1rios perante o Mestre, o Rabi da Galileia.<\/span><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><b><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00c9 verdade que Ele foi dado como morto (cf. Jo 19, 33) e sepultado\u00a0(cf. Mc 15, 46). Espantoso \u00e9 o significado teol\u00f3gico atribu\u00eddo a este\u00a0\u00a0facto biol\u00f3gico. \u00c9 que Jesus \u2014 mesmo depois de tudo ter consumado e de\u00a0todo Ele Se ter consumido \u2014 n\u00e3o parou de Se entregar.<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o Jo\u00e3o \u00e9 o \u00fanico evangelista que nos d\u00e1 conta do soldado que \u00abpicou\u00bb\u00a0o \u00ablado\u00bb de Jesus com uma lan\u00e7a (cf. Jo 19, 34). Sim, \u00abpicou\u00bb. Segundo os exegetas do Novo Testamento, a\u00a0tradu\u00e7\u00e3o mais fiel do que se encontra no texto: \u00ab\u00e9nyxen\u00bb \u00e9 o aoristo\u00a0do verbo \u00abn\u00fdss\u00f4\u00bb, que quer dizer \u00abpicar\u00bb ou \u00abperfurar\u00bb. Habitualmente,\u00a0\u00a0as tradu\u00e7\u00f5es dizem que o soldado \u00abtrespassou\u00bb o lado de Jesus. E, no\u00a0fundo, este acto de \u00abpicar\u00bb foi um aut\u00eantico \u00abtrespasse\u00bb: de um lado\u00a0para o outro; do lado de dentro jorrou para o lado de fora, do lado de Deus\u00a0para o lado do homem. <\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 do lado de dentro (isto \u00e9, do lado de Deus) que brotam as fontes\u00a0da salva\u00e7\u00e3o: o \u00absangue e a \u00e1gua\u00bb (cf. Jo 19, 34). Mas como era\u00a0\u00a0poss\u00edvel dar mais quem j\u00e1 tinha dado tudo? Acontece que Jesus \u00e9 d\u00e1diva\u00a0sem fim, \u00e9 d\u00e1diva at\u00e9 para l\u00e1 do fim. O \u00absangue e a \u00e1gua\u00bb que correm do Seu lado aberto continuam a escorrer\u00a0\u00a0pelo mundo inteiro: a \u00e1gua para lavar e o sangue para redimir. A \u00e1gua\u00a0\u00a0sempre foi vista como alus\u00e3o ao sacramento do Baptismo e o sangue\u00a0\u00a0sempre foi acolhido como s\u00edmbolo do sacramento da Eucaristia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Admir\u00e1vel \u00e9 que, uma vez mais, se fa\u00e7a sobressair uma luminosa\u00a0afirma\u00e7\u00e3o de vida. A inten\u00e7\u00e3o de espetar a lan\u00e7a \u2014 e trespassar o corpo \u2014\u00a0era para testar a morte. S\u00f3 que aquele cora\u00e7\u00e3o estava repleto de vida:\u00a0\u00a0da vida que, pelo Seu Filho, Deus ofereceu \u00e0 humanidade. Como recordou o Papa Pio XII foi \u00abdo cora\u00e7\u00e3o ferido do Redentor que\u00a0\u00a0nasceu a Igreja\u00bb. O cora\u00e7\u00e3o sinaliza o imenso amor \u00abque moveu o nosso\u00a0Salvador a celebrar o Seu m\u00edstico matrim\u00f3nio com a Igreja\u00bb.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 curioso notar como tamb\u00e9m Eva, a primeira mulher da humanidade,\u00a0fora constitu\u00edda a partir do lado (tsel\u00e1) do primeiro homem adormecido\u00a0(cf. Gen 2, 21-22).<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9, portanto, em v\u00e3o que o Catecismo sufraga esta conex\u00e3o: \u00abDa\u00a0mesma forma que Eva foi formada do lado de Ad\u00e3o adormecido, tamb\u00e9m a\u00a0Igreja nasceu do cora\u00e7\u00e3o trespassado de Cristo morto na Cruz\u00bb.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><b><\/b> <span style=\"font-weight: 400;\">Amanh\u00e3, S\u00e1bado Santo, com Maria, M\u00e3e e Modelo dos Disc\u00edpulos Mission\u00e1rios, iremos acompanhar Jesus na sepultura. Tamb\u00e9m\u00a0esta \u00e9 encarada n\u00e3o como um lugar de aniquilamento, mas de repouso.\u00a0Tal como Deus repousa ap\u00f3s a obra da cria\u00e7\u00e3o (cf. Gen 2, 2), tamb\u00e9m o\u00a0Filho de Deus repousa ap\u00f3s a obra da reden\u00e7\u00e3o. Neste Seu repouso, Jesus est\u00e1 em plena actividade. Ele vai visitar os\u00a0\u00a0mortos. Como refere um conhecido texto do s\u00e9culo IV, Jesus \u00abfaz\u00a0quest\u00e3o de visitar os que est\u00e3o mergulhados nas trevas e na sombra da\u00a0morte\u00bb. Jesus \u00e9 a \u00abvida [at\u00e9] para os mortos\u00bb.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Santo Agostinho percebeu que Jesus, ao nascer para morrer, nasceu\u00a0para viver a nossa morte. \u00abParticipando da nossa morte, torna-nos\u00a0participantes da Sua vida\u00bb. Jesus muda tudo: Ele vai ao ponto de nos \u00abvitalizar\u00bb na pr\u00f3pria morte!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A vida de Jesus n\u00e3o terminou. \u00c9 transfigurada pelo Esp\u00edrito que\u00a0nos entrega \u00abda parte do Pai\u00bb (Jo 15, 26). \u00c9 no Esp\u00edrito que Jesus\u00a0vive eternamente. \u00c9 no Esp\u00edrito que tamb\u00e9m n\u00f3s viveremos para sempre.<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">A sede de Jesus antes do \u00faltimo suspiro (cf. Jo 19, 28) n\u00e3o \u00e9 sede do\u00a0vinagre que Lhe foi dado (cf. Jo 19, 29.30). N\u00e3o \u00e9 de vinagre que\u00a0\u00a0Jesus tem sede. Jesus tem sede de n\u00f3s: da nossa fidelidade, do nosso\u00a0amor. Que n\u00f3s, os seus Disc\u00edpulos do S\u00e9culo XXI, tenhamos sede d\u2019Ele como Ele tem sede de n\u00f3s. Na Sua\u00a0morte, disponhamo-nos a transformar a nossa vida e a sermos suas testemunhas, mission\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">+ Francisco Jos\u00e9, Arcebispo de \u00c9vora<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":134613,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[175,275],"class_list":["post-134607","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-evora","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134607","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134607"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134607\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134613"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134607"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134607"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134607"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}