{"id":134592,"date":"2019-04-20T12:10:02","date_gmt":"2019-04-20T11:10:02","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=134592"},"modified":"2019-04-20T12:10:02","modified_gmt":"2019-04-20T11:10:02","slug":"homilia-do-bispo-de-beja-na-celebracao-da-paixao-e-morte-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-beja-na-celebracao-da-paixao-e-morte-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Beja na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o e Morte do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Reverendo Senhor Padre Provincial dos Capuchinhos, Senhores C\u00f3negos, Padres e Di\u00e1conos, Religiosos e Religiosas, Seminaristas, e fi\u00e9is leigos: <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estamos reunidos na Igreja M\u00e3e desta diocese, neste dia em que n\u00e3o h\u00e1 Eucaristia. Estamos reunidos para comemorar a Morte do Senhor Jesus Cristo. Os paramentos s\u00e3o vermelhos, porque se trata do mart\u00edrio do Filho de Deus, feito Homem por nosso amor. O seu mart\u00edrio, fonte da gra\u00e7a e do perd\u00e3o, \u00e9 o lugar do nascimento da Igreja, nossa M\u00e3e. Convido-vos, irm\u00e3os, a meditar em alguns aspetos deste mist\u00e9rio admir\u00e1vel, fonte de vida eterna para todos n\u00f3s que acreditamos e vivemos a vida do Filho de Deus crucificado e ressuscitado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">1 \u2013 Contemplando Cristo crucificado, a primeira constata\u00e7\u00e3o pode ser esta: os pensamentos de Deus s\u00e3o muito diferentes dos nossos, e os seus des\u00edgnios absolutamente incompreens\u00edveis para n\u00f3s. Quem poderia imaginar que a salva\u00e7\u00e3o do mundo viria da morte do Filho de Deus crucificado? S. Paulo, o fariseu que tinha posto a sua gl\u00f3ria no cumprimento exaustivo da Lei, diz-nos que tudo aquilo que dantes tinha sido para ele motivo de enaltecimento o considerava como lixo perante o conhecimento de Jesus Cristo e da Sua sabedoria manifestada na Cruz. Ele escreve aos Cor\u00edntios, lembrando-lhes como chegou a essa cidade, depois do fracasso que teve em Atenas, onde pregou com a sabedoria da sua admir\u00e1vel cultura: <\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o quis saber outra coisa entre v\u00f3s a n\u00e3o ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado. Estive entre v\u00f3s cheio de fraqueza, receio e tremor; a minha palavra e a minha prega\u00e7\u00e3o nada tinham da persuasiva linguagem da sabedoria, mas eram uma demonstra\u00e7\u00e3o de Esp\u00edrito e poder, a fim de que a vossa f\u00e9 n\u00e3o se baseie na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (1Cor 2,2-5). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E mais adiante, <\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ensinamos a sabedoria de Deus misteriosa e oculta que Deus, antes dos s\u00e9culos, de antem\u00e3o destinou para nossa gl\u00f3ria. Nenhum dos pr\u00edncipes deste mundo a conheceu, pois, se a tivessem conhecido, n\u00e3o teriam crucificado o Senhor da Gl\u00f3ria. Mas como est\u00e1 escrito, o que os olhos n\u00e3o viram, os ouvidos n\u00e3o ouviram e o cora\u00e7\u00e3o do homem n\u00e3o percebeu, tudo o que Deus preparou para os que O amam. A n\u00f3s por\u00e9m Deus o revelou pelo Esp\u00edrito <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(1Cor 2,7-10).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Onde est\u00e1, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, nas nossas comunidades, esta sabedoria, este Esp\u00edrito surpreendente? Certamente n\u00e3o \u00e9 Ele quem alimenta divis\u00f5es e contendas, e quem leva pessoas religiosas que comungam o Corpo de Cristo a passar por outras sem lhes falar! Temos de reconhecer que, infelizmente, \u00e9 desconhecida por um grande n\u00famero de pessoas batizadas na Igreja Cat\u00f3lica, a sabedoria da Cruz!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Somos crist\u00e3os. Ao sermos batizados fomos mergulhados na morte de Cristo. Morremos com Ele e com Ele fomos sepultados. A vida que temos agora vivemo-la na f\u00e9 de Cristo morto e ressuscitado, e orientamo-nos por esta sabedoria misteriosa, oculta a quem vive segundo a carne. Deixemo-nos, irm\u00e3os, guiar pelo Esp\u00edrito de Cristo, por este Esp\u00edrito que Ele nos deu ao morrer na Cruz, Esp\u00edrito que tem o poder de nos revelar, no concreto das nossas vidas, esta sabedoria divina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">2 \u2013 Estamos t\u00e3o habituados a esta linguagem crist\u00e3, que pode parecer-nos um exagero do Sin\u00e9drio a causa da condena\u00e7\u00e3o de Jesus: a sua afirma\u00e7\u00e3o de que Ele, verdadeiro Homem, \u00e9 Filho de Deus. Sabeis, caros irm\u00e3os e irm\u00e3s, qual \u00e9 o espec\u00edfico dos disc\u00edpulos de Jesus, dos crist\u00e3os? O que \u00e9 que o Batismo nos d\u00e1 e faz de n\u00f3s pessoas diferentes de todas as outras? Esse mesmo exagero: tornamo-nos filhos adotivos de Deus. Esta express\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">filhos de Deus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> n\u00e3o \u00e9 apenas um jogo de palavras: ao sermos batizados recebemos o Esp\u00edrito Santo que faz de n\u00f3s, que somos homens e mulheres e que temos a natureza humana, participantes da pr\u00f3pria natureza divina. Deus \u00e9 amor. Este amor que Deus nos oferece \u00e9 a sua pr\u00f3pria natureza. Vivemos para qu\u00ea? Para ganhar muito dinheiro, para termos sa\u00fade, para gozarmos a vida? Vivemos para ser filhos de Deus, no amor. Vivemos para caminhar para Deus, para ser eternamente felizes amando a Deus e amando o pr\u00f3ximo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">3 \u2013 Na Vig\u00edlia da P\u00e1scoa, a Liturgia Batismal tem um relevo muito grande. Tudo converge para a renova\u00e7\u00e3o das promessas do Batismo nas quais, depois de termos renunciado ao pecado e ao dem\u00f3nio, professamos solenemente a nossa f\u00e9 crist\u00e3, de vela acesa na m\u00e3o e com o cora\u00e7\u00e3o a transbordar de amor. Realmente, o amor \u00e9 a chave da vida crist\u00e3. Cristo morreu por n\u00f3s, quer dizer, em vez de n\u00f3s, em nosso favor, por amor de n\u00f3s. Custa-nos hoje compreender que algu\u00e9m possa dar a sua vida por outra pessoa. Custa-nos compreender como \u00e9 que Jesus, h\u00e1 dois mil anos, p\u00f4de carregar com os pecados do mundo inteiro, de todos os tempos e lugares. E dificilmente podemos compreender como \u00e9 que a sua salva\u00e7\u00e3o pode chegar at\u00e9 n\u00f3s que vivemos no s\u00e9culo XXI. Sendo verdadeiramente Homem, Jesus \u00e9 o Verbo de Deus, por quem e para quem tudo foi criado. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Por Ele e para Ele tudo foi criado, e n\u2019Ele tudo subsiste<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (Col 1,17). Estas palavras de S. Paulo dizem-nos que o facto de estarmos vivos se deve a Cristo, pois \u00e9 n\u2019Ele, no seu amor, que tudo subsiste. Amor com amor se paga, diz o nosso povo. A \u00fanica verdade, para n\u00f3s, \u00e9 amar Jesus Cristo. Tudo o resto \u00e9 vaidade e corrida atr\u00e1s do vento. A moral crist\u00e3 \u00e9 uma moral de resposta: amemos, porque Ele nos amou primeiro. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Antigamente, o centro da casa de fam\u00edlia era a sala do Senhor, era o orat\u00f3rio, a Cruz gloriosa de Cristo Jesus. Nessa sala se reunia a fam\u00edlia para rezar, para conversar, para cultivar a comunh\u00e3o entre todos os seus membros, comunh\u00e3o que tinha as suas ra\u00edzes no amor de Cristo, que deu a sua vida por n\u00f3s. E hoje? Quantas casas de gente batizada, repletas de pinturas e imagens, algumas valiosas, mas sem uma Cruz? O sinal da Cruz \u00e9 o sinal crist\u00e3o por excel\u00eancia, e devemos honr\u00e1-lo e glorific\u00e1-lo. \u00c9 ele quem nos mostra o verdadeiro amor, o verdadeiro sentido da vida, e a sua aus\u00eancia das nossas vidas abre a porta a toda esta confus\u00e3o entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas. Somos crist\u00e3os, marcados pelo sinal da Cruz, e n\u00e3o podemos envergonhar-nos dela. Quem se envergonha de Algu\u00e9m que \u00e9 para si fonte da vida e do amor? <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">4 \u2013 A prop\u00f3sito de amor, \u00e9 grande a confus\u00e3o na nossa sociedade hedonista. Chama-se amor a muita coisa que n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a sua nega\u00e7\u00e3o. Que \u00e9 o amor? A primeira carta de S. Jo\u00e3o diz-nos: <\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Nisto conhecemos o amor: Jesus deu a sua vida por n\u00f3s e n\u00f3s devemos dar a vida pelos irm\u00e3os <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(1Jo 3,16). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o se trata de sentimentos de ternura, mas de dar a vida, de morrer por algu\u00e9m que amamos. Jesus ama-te e deu a sua vida por ti, n\u00e3o por seres merecedor, mas gratuitamente. Amou-te quando eras malvado e pecador. Se te reconheces amado por Cristo, se vives a partir d\u2019Ele e para Ele, tu podes dar aos outros o que eles n\u00e3o podem oferecer-te. Podes amar os teus inimigos, podes fazer bem \u00e0queles que te fazem mal. Descobrir\u00e1s ent\u00e3o que o verdadeiro inimigo que tu n\u00e3o deves amar \u00e9 o dem\u00f3nio, e experimentar\u00e1s que o mal que algu\u00e9m nos fa\u00e7a, concorre sempre para o nosso bem. Por isso, queridos irm\u00e3os, precisamos de contemplar frequentemente a Cristo crucificado, como fonte da vida e do amor de que precisamos para amar os nossos irm\u00e3os. Precisamos de receber d\u2019Ele, para darmos aos que nos rodeiam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">5 \u2013 Como sabeis, a Igreja convida-nos, neste dia, a adorar a Cruz do Senhor, a adorar o Senhor crucificado. Fazei este gesto lucidamente, com o esp\u00edrito iluminado pela sabedoria da Cruz. Lembra-te, querido irm\u00e3o, que ao beijares a Cruz do Senhor te disp\u00f5es a segui-l\u2019O em cada dia, carregando com a tua cruz. Lembra-te tamb\u00e9m de que a Cruz se pode aceitar e viver de cima para baixo e de baixo para cima. De cima para baixo esmaga-te, leva-te a um t\u00famulo, ou seja, ao velho Ad\u00e3o; de baixo para cima liberta-te, leva-te ao C\u00e9u e abre os teus bra\u00e7os para acolher os irm\u00e3os, assim como s\u00e3o, sem os escolheres. Tomar a Cruz todos os dias, \u00e9 viver a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade, as tr\u00eas virtudes teologais que expressam a vida divina recebida de Cristo. Adorar hoje a Cruz do Senhor ajudar-nos-\u00e1 a segui-l\u2019O como disc\u00edpulos em cada dia da nossa vida, proclamando que toda a nossa gl\u00f3ria est\u00e1, de facto, na sua Cruz salvadora. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":86860,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[171,275],"class_list":["post-134592","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-beja","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134592","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134592"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134592\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/86860"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}