{"id":134510,"date":"2019-04-19T17:35:16","date_gmt":"2019-04-19T16:35:16","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=134510"},"modified":"2019-04-23T12:28:56","modified_gmt":"2019-04-23T11:28:56","slug":"homilia-do-bispo-do-funchal-na-celebracao-da-paixao-e-morte-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-funchal-na-celebracao-da-paixao-e-morte-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo do Funchal na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o e Morte do Senhor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong><b>SEXTA-FEIRA SANTA<\/b><\/strong><!--more--><\/p>\n<p><strong><b>Catedral do Funchal, <\/b><\/strong><strong><b>19 de Abril de 2019<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Irm\u00e3os<\/p>\n<p>1. Hoje, em dia de Sexta-feira Santa, a cruz de Jesus \u00e9 colocada no centro da celebra\u00e7\u00e3o, para receber a adora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is \u2014 atitude nos outros dias reservada exclusivamente \u00e0 Eucaristia.<\/p>\n<p>Mas sabemos como, mesmo fora deste dia Santo, a cruz \u00e9\u00a0t\u00e3o querida a n\u00f3s crist\u00e3os. Ela foi, logo desde o in\u00edcio, o sinal que nos definiu. Come\u00e7ou por ser um esc\u00e2ndalo: o esc\u00e2ndalo de quem ousa anunciar um Salvador morto, condenado \u00e0 morte de cruz, o modo mais horr\u00edvel e mais temido de condena\u00e7\u00e3o. E, no entanto, os primeiros crist\u00e3os n\u00e3o hesitaram: eram disc\u00edpulos de um crucificado que lhes tinha dito: \u201cSe algu\u00e9m desejar seguir-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me\u201d (Mt 16,24).<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata, absolutamente, de qualquer tend\u00eancia para o pessimismo ou o sofrimento. Trata-se antes de perceber como o amor de Deus por n\u00f3s \u2014 pela humanidade no seu todo; pelos homens e mulheres que hoje vivem; por cada um de n\u00f3s, por ti que aqui te encontras nesta Catedral \u2014 trata-se de perceber como o amor de Deus longe de ser uma ideia ou conceito geral \u00e9 antes algo de concreto, t\u00e3o concreto e real como a vida e a morte. T\u00e3o concreto e real como a cruz e a morte de Jesus.<\/p>\n<p>Ali, quando Deus morre \u2014 quero dizer: quando Deus experimenta em primeira pessoa o que \u00e9 morrer, com todo o sofrimento, abandono e solid\u00e3o que isso traz consigo; quando Deus experimenta a morte dos malditos \u2014 ali percebemos como Ele assume e vive o sofrimento de todo o universo, o sofrimento da humanidade de todos os tempos. Percebemos como Ele assume e vive o pecado e a morte de todos os seres humanos.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que alguns artistas \u2014 de S. Jo\u00e3o da Cruz a Salvador Dal\u00ed \u2014 quando se interrogam sobre o modo como Deus olha para o nosso mundo, representam uma cruz vista a partir do C\u00e9u. \u00c9 atrav\u00e9s da Cruz que Deus olha para o nosso mundo. \u00c9 atrav\u00e9s da Cruz que somos vistos, amados e iluminados por Deus. A Cruz de Jesus Cristo \u00e9 a forma como Deus te olha e, assim, \u00e9 tamb\u00e9m o modo como podes olhar e representar-te o pr\u00f3prio Deus.<\/p>\n<p>A cruz de Jesus Cristo \u00e9 o lugar do amor. Longe de ser o lugar da morte, \u00e9 antes o lugar onde resplandece o amor divino, com toda a sua grandeza, com todo o seu esplendor, com tudo o que tem de infinito e incompreens\u00edvel. Deixando-te confrontar com a cruz de Jesus, deixas-te confrontar com a medida m\u00e1xima do amor. Ent\u00e3o, quando percebes o quanto Deus te ama, tudo se ilumina na tua vida, todas as sombras e recantos da tua exist\u00eancia, mesmo aqueles que gostarias ficassem desconhecidos do pr\u00f3prio Deus.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos espante, portanto, que a Cruz de Jesus Cristo tenha ultrapassado as fronteiras da f\u00e9 e se tenha constitu\u00eddo como express\u00e3o de uma inteira civiliza\u00e7\u00e3o \u2014 da nossa civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u2014, do que ela \u00e9, das suas conquistas e dos seus ideais.<\/p>\n<p>2. Mas, ao mesmo tempo que adquire toda esta grandeza, nunca a cruz de Jesus Cristo deixou de ser algo de concreto, que toca e ilumina todos os momentos, pontuais ou englobantes, da nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Nesta semana tivemos not\u00edcia de dois acontecimentos, tristemente concretos e reais, que deixaram em todos uma interroga\u00e7\u00e3o. Por um lado, o inc\u00eandio da catedral de Notre Dame \u2014 a \u201ccatedral da Europa\u201d, s\u00edmbolo de uma Europa crist\u00e3 que da terra eleva o seu pensamento, a sua ac\u00e7\u00e3o, o seu esp\u00edrito a Deus e procura e afirma que o C\u00e9u n\u00e3o se encontra desligado da terra, e que esta n\u00e3o consegue ser um espa\u00e7o digno do homem sem a atitude orante de quem escuta, pede e responde a Deus. Um inc\u00eandio destruidor quase deitou por terra a Catedral de Paris. Permaneceu, significativamente, no seu interior, a cruz que, apesar do escuro das paredes queimadas, e contrastando com elas, continuava a brilhar, como que a proclamar, teimosamente, o amor de Deus por todos.<\/p>\n<p>E, dias depois, na passada quarta-feira, um acidente ceifou a vida a 29 nossos irm\u00e3os e deixou tantos outros com ferimentos graves ou com marcas no seu cora\u00e7\u00e3o \u2014 marcas de um momento onde a vida se mostrou fr\u00e1gil e fora do nosso dom\u00ednio. Um sofrimento, a que n\u00e3o somos capazes de aportar qualquer explica\u00e7\u00e3o, como \u00e9 sempre o sofrimento inocente. E, na parede da casa destru\u00edda pelo autocarro, l\u00e1 estava a cruz, como que a dizer-nos como o Senhor padece sempre de novo, hoje, nos nossos dias.<\/p>\n<p>Como quer que seja, n\u00f3s, crist\u00e3os, n\u00e3o podemos deixar de ver nestes acontecimentos um parentesco com o sofrimento mais inocente que \u00e9 o de Jesus na Cruz. E olhando para esse momento de trevas, n\u00e3o podemos deixar de sentir, de perceber como o pr\u00f3prio Deus sofreu e continua a sofrer, porque a cruz de Jesus resume, sintetiza faz seu todo o sofrimento do mundo. E n\u00e3o podemos igualmente deixar de nos dar conta que apenas na cruz nos \u00e9 oferecida uma luz que nos afirma a capacidade redentora, salvadora, destes momentos-limite de humanidade.<\/p>\n<p>Na cruz est\u00e1 o sofrimento da humanidade: todo o sofrimento humano, com todo o seu peso (como ter\u00e1 sido pesado o sofrimento do Senhor!). Na cruz est\u00e1 o teu sofrimento e o teu pecado; est\u00e1 a tua morte. Mas est\u00e1 tamb\u00e9m o amor de Deus que o suporta! Suporta-o porque o vive contigo e o sofre contigo (n\u00e3o recusa nunca tomar contigo a cruz!). E suporta-o porque, contigo, te ajuda a viv\u00ea-lo, tornando mais leve o seu peso.<\/p>\n<p>Na cruz, encontras, igualmente e sempre, o amor de Deus. Esse amor que tudo ilumina; que permite ver mais longe; que convida a ir al\u00e9m da raz\u00e3o e do sentimento para procurares as raz\u00f5es do amor, as raz\u00f5es de Deus, como o fizeram tantos e, de um modo particular, os santos.<\/p>\n<p>Nesta tarde de Sexta-feira Santa \u2014 na tarde <u>desta<\/u>\u00a0Sexta-feira Santa \u2014 deixa que este amor concreto, pessoal e eterno de Deus, ilumine a tua vida. Deixa que Ele te salve.<\/p>\n<p>D. Nuno Br\u00e1s, bispo do Funchal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEXTA-FEIRA SANTA<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":124486,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186,275],"class_list":["post-134510","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134510","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134510"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134510\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124486"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134510"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}