{"id":134503,"date":"2019-04-19T16:29:20","date_gmt":"2019-04-19T15:29:20","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=134503"},"modified":"2019-04-19T18:12:36","modified_gmt":"2019-04-19T17:12:36","slug":"134503-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/134503-2\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo do Porto na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o e Morte do Senhor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><b>Salva\u00e7\u00e3o e dor<\/b><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><i>Homilia na Paix\u00e3o do Senhor de 2019<\/i><\/em><\/p>\n<p>Se alguma palavra pudesse resumir esta santa liturgia, escrever-se-ia com poucas letras: dor. \u00c9 de dor que fala a primeira leitura, quando refere um servo de Deus \u201c<em><i>desfigurado<\/i><\/em>\u201d, \u201c<em><i>sem rosto humano<\/i><\/em>\u201d, e n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar a dor f\u00edsica e moral do Senhor covardemente atrai\u00e7oado, injustamente julgado, barbaramente chicoteado, sadicamente coroado, brutamente conduzido ao Calv\u00e1rio e cruelmente crucificado.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, dizemos que por aqui passou a nossa salva\u00e7\u00e3o. Mas ser\u00e1 que Jesus nos salvou porque sofreu?<\/p>\n<p>N\u00e3o. O Senhor salvou-nos porque nos ama e n\u00e3o se afastou de n\u00f3s, mesmo tendo de suportar o extremo sofrimento que deveria ser nosso e passou para Ele. N\u00e3o se afastou. A Reden\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende da quantidade do sofrimento.<\/p>\n<p>A Reden\u00e7\u00e3o acontece nesta proximidade de Deus \u00e0 hist\u00f3ria humana, tecida de sangue, de suor, de l\u00e1grimas, de injusti\u00e7a, de dor e de pecado. Em Jesus Cristo, Deus assume essa hist\u00f3ria e permanece connosco, mesmo quando o sofrimento se torna extremo e humanamente incompreens\u00edvel.<\/p>\n<p>Ao longo da sua exist\u00eancia biol\u00f3gica, Jesus n\u00e3o pronunciou discursos ou elaborou teorias sobre a dor. Pelo contr\u00e1rio, retirou a dor f\u00edsica e psicol\u00f3gica de muitos. Com a for\u00e7a salv\u00edfica de Deus, combateu a dor porque sempre soube viver connosco e para n\u00f3s.<\/p>\n<p>E precisamente por esta proximidade existencial e sentimental com o Pai e com a humanidade \u00e9 que suportou e remiu o mal do mundo. O Senhor n\u00e3o fugiu do mundo e revela-nos que Deus \u00e9 solid\u00e1rio com a hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p>O Pai n\u00e3o quer o sofrimento de ningu\u00e9m. Como tal, n\u00e3o quer o sofrimento de Jesus. Mas preza a fidelidade e solidariedade de Jesus \u00e0 humanidade. E porque esta se entrela\u00e7a com trai\u00e7\u00f5es e mis\u00e9rias, o Pai permite o exerc\u00edcio da liberdade humana e que esta condene o Senhor. Sim, n\u00e3o foi Deus quem condenou o Seu Filho, mas homens bem concretos.<\/p>\n<p>Como o P. Claudel, podemos dizer, portanto, que o amor de Deus n\u00e3o nos retira o sofrimento, mas d\u00e1 um sentido ao sofrimento. E obriga-nos a fazer o que Jesus fez: estar pr\u00f3ximo a todo o sofrimento dos outros e assumi-lo como nosso.<\/p>\n<p>Sim, se foi o nosso mal, o nosso pecado e a nossa dor que Jesus carregou nos seus ombros, ser crist\u00e3o -e, porventura, at\u00e9 ser homem- \u00e9 contribuir empenhadamente para retirar a dor de todas as exist\u00eancias e estar por bem perto de quem \u00e9 ferido pela dor para que esta diminua ou seja retirada. \u00c9 que dor partilhada \u00e9 dor diminu\u00edda.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 crist\u00e3o e \u00e9 humano. Anti-humano, animalesco, diab\u00f3lico \u00e9 um certo sadismo que se est\u00e1 a apoderar da sociedade contempor\u00e2nea, que sente prazer em gerar v\u00edtimas, em espezinhar o outro na sua dignidade e direito \u00e0 boa fama, seja por interm\u00e9dio das maiores baixezas e das criticas mais soezes, seja pelas <em><i>fake news<\/i><\/em>\u00a0intencionais, not\u00edcias falsas e persistentes que encontram no escondimento das \u00abredes sociais\u00bb o terreno prop\u00edcio para o germinar de tudo o que \u00e9 torpe e em certos meios de comunica\u00e7\u00e3o social a caixa de resson\u00e2ncia para uma maior repercuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Estes que assim fazem s\u00e3o do diabo e n\u00e3o de Deus, pois n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o retiram a dor do mundo como, voluntariamente, ainda a implantam e acrescentam. Vivem em pecado \u2013e pecado grave- e devem sentir-se excomungados da Igreja, comunidade dos seguidores das pr\u00e1ticas e das atitudes do Salvador.<\/p>\n<p>Caros crist\u00e3os, como vemos na Paix\u00e3o e Morte de Jesus, o amor de Deus n\u00e3o foge do nosso sofrimento. N\u00e3o \u00e9 surdo \u00e0 injusti\u00e7a, \u00e0 dor, aos gemidos e \u00e0s ang\u00fastias do homem. Pelo contr\u00e1rio, aproxima-se, assume-o e redime-o. Torna Deus presente \u00e0s nossas fragilidades para colmatar a nossa pequenez. E nisto consiste a Reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que bom \u00e9 sabermos que Deus est\u00e1 connosco! E, como diz S\u00e3o Paulo, \u201c<em><i>se Deus est\u00e1 connosco, quem poder\u00e1 estar contra n\u00f3s?<\/i><\/em>\u201d (Rom 8, 31). \u00a0Mas ser\u00e1 que n\u00f3s estamos do lado de Deus?<\/p>\n<p>+ Manuel Linda<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salva\u00e7\u00e3o e dor Homilia na Paix\u00e3o do Senhor de 2019 Se alguma palavra pudesse resumir esta santa liturgia, escrever-se-ia com poucas letras: dor. \u00c9 de dor que fala a primeira leitura, quando refere um servo de Deus \u201cdesfigurado\u201d, \u201csem rosto humano\u201d, e n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar a dor f\u00edsica e moral do Senhor covardemente atrai\u00e7oado, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":124407,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[187,275],"class_list":["post-134503","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-porto","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134503"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134503\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124407"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}