{"id":134495,"date":"2019-04-19T16:07:13","date_gmt":"2019-04-19T15:07:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=134495"},"modified":"2019-04-22T12:13:54","modified_gmt":"2019-04-22T11:13:54","slug":"homilia-do-arcebispo-de-braga-na-celebracao-da-paixao-e-morte-do-senhor-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-celebracao-da-paixao-e-morte-do-senhor-2\/","title":{"rendered":"Homilia do arcebispo de Braga na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o e Morte do Senhor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong>Homilia na Celebra\u00e7\u00e3o da Morte do Senhor<\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Braga, S\u00e9 Catedral<\/p>\n<p>Nesta hora carregada de emo\u00e7\u00e3o e dramatismo, em que recordamos a morte do inocente Jesus, que\u00a0deu a vida para restituir a salva\u00e7\u00e3o e a dignidade \u00e0 Humanidade, leio uma passagem da \u00faltima\u00a0Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal Cristo Vive dirigida aos jovens e a todo o povo de Deus.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos ser uma Igreja que n\u00e3o chora \u00e0 vista destes dramas dos seus filhos jovens.<\/p>\n<p>N\u00e3o\u00a0devemos jamais habituar-nos a isto, porque, quem n\u00e3o sabe chorar, n\u00e3o \u00e9 m\u00e3e.\u00a0Queremos chorar\u00a0para que a pr\u00f3pria sociedade seja mais m\u00e3e, a fim de que, em vez de matar, aprenda a dar \u00e0 luz, de\u00a0modo que seja promessa de vida.<\/p>\n<p>Choramos ao recordar os jovens que morreram por causa da\u00a0mis\u00e9ria e da viol\u00eancia e pedimos \u00e0 sociedade que aprenda a ser uma m\u00e3e solid\u00e1ria.<\/p>\n<p>Esta dor n\u00e3o\u00a0passa, acompanha-nos, porque n\u00e3o se pode esconder a realidade. A pior coisa que podemos fazer \u00e9\u00a0aplicar a receita do esp\u00edrito mundano, que consiste em anestesiar os jovens com outras not\u00edcias, com\u00a0outras distra\u00e7\u00f5es, com banalidades\u201d (n. 75).<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o estes dramas que afetam os jovens e tantas outras inst\u00e2ncias da sociedade?<\/p>\n<p>A marginaliza\u00e7\u00e3o e a exclus\u00e3o social por raz\u00f5es religiosas, \u00e9tnicas ou econ\u00f3micas, a situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de adolescentes e jovens que engravidam e que, muitas vezes, embarcam na praga do aborto, a difus\u00e3o do HIV, tantas formas de depend\u00eancias, nomeadamente as drogas, os jogos de azar, a pornografia, as situa\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as e jovens de rua, quem n\u00e3o tem casa, fam\u00edlia, trabalho, recursos econ\u00f3micos, alimenta\u00e7\u00e3o, direitos sociais \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos continuar esta ladainha de situa\u00e7\u00f5es que geram dor\u00a0e colocam as vidas de muita gente em situa\u00e7\u00f5es existenciais verdadeiramente dram\u00e1ticas.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos passar ao lado destas situa\u00e7\u00f5es graves. A morte de Cristo fala-nos de muitas vidas\u00a0mortas. \u00a0\u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o as ver e n\u00e3o se deixar comover por elas.<\/p>\n<p>No sil\u00eancio\u00a0do Calv\u00e1rio, convido-vos a que vejamos as dores da Humanidade. Paremos! Pensemos na\u00a0realidade do sofrimento. Olhemos para ela com serenidade e consci\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o precisamos de fugir do\u00a0nosso quotidiano. Ao nosso lado, se estivermos atentos, existem muitas situa\u00e7\u00f5es lancinantes.<\/p>\n<p>Entremos nos hospitais e imaginemos a dor dos doentes terminais. Consideremos o flagelo da\u00a0viol\u00eancia dom\u00e9stica que continua a matar com formas inimagin\u00e1veis de verdadeiro terror.<\/p>\n<p>Vejamos\u00a0os refugiados sem a serenidade de uma casa e de m\u00ednimos para viver.\u00a0Confrontemo-nos com os\u00a0migrantes que fogem de situa\u00e7\u00f5es b\u00e9licas e de persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que mundo este o nosso! Poderia dar o essencial a todos e, no entanto, permite que poucos\u00a0concentrem em si riquezas que poderiam ser partilhadas.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos viver no o\u00e1sis de uma natureza\u00a0cuidada e respeitada para bem de todos e, todavia, soa o alarme de destrui\u00e7\u00e3o consequente \u00e0s\u00a0altera\u00e7\u00f5es em curso.<\/p>\n<p>Importaria que a transpar\u00eancia e a honestidade significassem confian\u00e7a m\u00fatua e n\u00e3o caminharmos por sendas tenebrosas da corrup\u00e7\u00e3o que vai impondo os seus tent\u00e1culos em tantos\u00a0sectores.<\/p>\n<p>Gostar\u00edamos de ver um respeito pela vida, desde a conce\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte natural e deixamos-nos conduzir por ideologias que destroem e matam.<\/p>\n<p>Esta hora \u00e9 momento para chorar a morte de Cristo e o modo como ela aconteceu. Mas temos,\u00a0tamb\u00e9m, como nos recorda o Santo Padre, o dever de chorar por muitas outras realidades.<\/p>\n<p>Ver\u00f3nica,\u00a0naquele doloroso momento, ainda limpou as l\u00e1grimas. Mas n\u00e3o seria melhor, hoje, deix\u00e1-las correr e\u00a0esperar que sejam vistas por este mundo ego\u00edsta?<\/p>\n<p>Quem destr\u00f3i a beleza da vida precisa de ser\u00a0incomodado por este sinal. Ser\u00e1 que se deixar\u00e3o comover? Se as l\u00e1grimas n\u00e3o valerem para eles,\u00a0ser\u00e3o ao menos \u00fateis para n\u00f3s\u2026 que sentimos que o mundo precisa de se confrontar com a\u00a0incoer\u00eancia dos comportamentos.<\/p>\n<p>O mundo poder\u00e1 mudar por aquilo que os outros realizam. \u00c9 uma possibilidade. Ele muda e \u00e9\u00a0diferente se eu n\u00e3o me deixar envolver nesses processos e jogos de poder.<\/p>\n<p>Temos de arriscar a via do\u00a0testemunho que n\u00e3o espera resultados imediatos mas sabe que uma semente pequena pode gerar\u00a0uma grande \u00e1rvore com frutos de boa qualidade.<\/p>\n<p>O testemunho de cada um \u00e9 muito significativo. \u00c9 a\u00a0\u00fanica coisa que vale e que est\u00e1 ao nosso alcance. Se eu alterar os meus comportamentos ego\u00edstas e de\u00a0procura de prazer, o mundo ter\u00e1 outro rosto.<\/p>\n<p>Parece rid\u00edculo o meu contributo. S\u00f3 a partir de homens e mulheres renovados pela for\u00e7a do amor de Cristo ser\u00e1 leg\u00edtimo esperar uma sociedade mais justa e humana.<\/p>\n<p>As verdadeiras revolu\u00e7\u00f5es nascem no cora\u00e7\u00e3o de cada um. Dele emerge uma for\u00e7a\u00a0que incide no\u00a0quotidiano pessoal e que irradia para a vida. Cada um pode ser uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para a Igreja e para o\u00a0mundo.<\/p>\n<p>Na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Cristo Vive, o Santo Padre recorda, com insist\u00eancia, a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade\u00a0enquanto miss\u00e3o universal. Se olharmos para a vida dos santos, verificamos que n\u00e3o nasceram\u00a0santos.<\/p>\n<p>Muitos deles levaram uma vida mundana e sem compromisso com Cristo. Depois, algum\u00a0epis\u00f3dio doloroso nas suas vidas fizeram-nos compreender que o sentido da vida \u00e9 a doa\u00e7\u00e3o e a\u00a0entrega.<\/p>\n<p>Deixaram uma marca na Hist\u00f3ria e pegadas bem profundas que convidaram muitos a imit\u00e1-los.<\/p>\n<p>O que aconteceu com S. Francisco? A mis\u00e9ria dos outros, a doen\u00e7a do leproso, levou-o a\u00a0desapegar-se de tudo para abra\u00e7ar a pobreza.<\/p>\n<p>A sua vida foi uma revolu\u00e7\u00e3o para a Igreja. Muitos o\u00a0seguiram. O seu esp\u00edrito continua presente. Bastou um passo e uma decis\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 dias, o Papa Francisco, em Marrocos, celebrando para a comunidade pouco numerosa de crist\u00e3os,\u00a0sublinhou algo muito importante. \u201cO problema n\u00e3o est\u00e1 no facto de ser pouco numerosos mas de ser\u00a0insignificantes, tornar-se sal que j\u00e1 n\u00e3o tem o sabor do Evangelho, este \u00e9 o problema, ou uma luz que\u00a0j\u00e1 nada ilumina\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o poderemos ver nestas palavras um alerta capaz de destruir a nossa in\u00e9rcia mission\u00e1ria e a pureza do nosso discipulado? A sociedade secularizada necessita da presen\u00e7a de\u00a0crist\u00e3os mais aut\u00eanticos.<\/p>\n<p>Aqui dizemos que somos muitos. Mas, estaremos a testemunhar o valor do nosso cristianismo?<\/p>\n<p>A morte de Cristo que hoje meditamos coloca-nos no mundo. Choramos os males, n\u00e3o nos afastamos\u00a0da mis\u00e9ria e pedimos coragem ao Senhor da vida e da morte para ser causa de esperan\u00e7a para quem\u00a0h\u00e1 muito n\u00e3o a sente.<\/p>\n<p>Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia na Celebra\u00e7\u00e3o da Morte do Senhor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":87101,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172,275],"class_list":["post-134495","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134495","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134495"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134495\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87101"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}