{"id":134459,"date":"2019-04-19T11:15:23","date_gmt":"2019-04-19T10:15:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=134459"},"modified":"2019-04-22T12:26:49","modified_gmt":"2019-04-22T11:26:49","slug":"homilia-do-bispo-de-coimbra-na-celebracao-da-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-celebracao-da-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Coimbra na celebra\u00e7\u00e3o da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong>MISSA DA CEIA DO SENHOR 2019 &#8211; <\/strong><strong>S\u00c9 NOVA \u2013 COIMBRA<\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>Estamos a celebrar o sacramento da caridade, no qual Deus reparte connosco o Seu Corpo e Sangue, para matar a nossa fome e a nossa sede, para encher a nossa pobreza com a sua riqueza, para apagar em n\u00f3s os sinais de morte e fazer brilhar os sinais de vida.<\/p>\n<p>Estamos a celebrar o sacramento da caridade, no qual nos sentimos impelidos a repartir com os outros aquilo que temos e aquilo que somos, para que ningu\u00e9m se sinta exclu\u00eddo do banquete da humanidade, para que todos tenham o necess\u00e1rio para viver com dignidade no seu corpo e no seu esp\u00edrito.<\/p>\n<p>A Eucaristia ou sacrif\u00edcio de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as de Jesus ao Pai \u00e9 o sacramento da gratid\u00e3o que nasce do amor reconhecido e retribu\u00eddo. Tudo recebeu do Pai e tudo agradece ao Pai, pela oferta da Sua vida em favor da humanidade. Com Ele aprendemos a agradecer ao Pai o amor que nos tem e a retribuir com a oferta do sacramento e com a oferta da nossa vida em favor da mesma humanidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode falar de Eucaristia sem se falar de amor, pois nessa altura, da parte de Jesus seria uma obriga\u00e7\u00e3o decorrente do facto de ser Filho, que tem o dever de obedecer ao Pai. Ningu\u00e9m mais livre do que Jesus, Aquele que pode chamar com verdade a Deus Seu Pai, Abb\u00e1, porque conhece e reconhece o Seu infinito amor. Dar a vida \u00e9 um gesto de liberdade no amor, \u00e9 a s\u00edntese de toda a Sua vida: por amor oferece a Sua vida ao Pai e por amor reparte a Sua vida com todos os que lhe s\u00e3o dados como irm\u00e3os.<\/p>\n<p>A \u00daltima Ceia, de que n\u00f3s fazemos memorial, hoje e em cada Eucaristia que celebramos, de acordo com o mandato que recebemos \u2013 \u201cfazei isto em mem\u00f3ria de Mim\u201d \u2013 \u00e9 o sacramento da caridade de Deus ao qual se une o sacramento da caridade dos homens. Assim como toda a vida de Jesus se resumiu num gesto sacramental e ritual, tamb\u00e9m a nossa vida tem a possibilidade de ali se representar no amor que recebemos e que damos. Aquele gesto sacramental torna-se o centro da nossa f\u00e9, que ali se exprime e se alimenta; o centro da nossa esperan\u00e7a, que cresce e se purifica; o centro da nossa caridade, que se aprofunda na rela\u00e7\u00e3o com Deus e que projeta a rela\u00e7\u00e3o com os irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Nada pior para a compreens\u00e3o da Eucaristia e para a participa\u00e7\u00e3o na sua celebra\u00e7\u00e3o do que entend\u00ea-la como uma obriga\u00e7\u00e3o ou numa perspetiva ritualista. A oferta da vida \u00e9 o que h\u00e1 de mais livre e de mais generoso, tal como Jesus nos ensinou quando disse: \u201ca vida ningu\u00e9m ma tira, sou Eu que a ofere\u00e7o livremente\u201d (Jo 10, 18). A participa\u00e7\u00e3o no sacramento da Eucaristia, sinal da oferta livre da vida, tamb\u00e9m n\u00e3o tem sentido como uma obriga\u00e7\u00e3o, pois contrariaria o sentido profundo da oferta, negaria a gratid\u00e3o e o amor, que n\u00e3o se imp\u00f5em, mas brotam do cora\u00e7\u00e3o livre.<\/p>\n<p>Muitos crist\u00e3os lidam mal com a participa\u00e7\u00e3o na celebra\u00e7\u00e3o da missa dominical por v\u00e1rios motivos. Primeiro devido \u00e0 debilidade da f\u00e9, que \u00e9 um sentimento vago, mas determina pouco da realidade da vida. Uma f\u00e9 intimista, espiritualista, intelectual e desligada da vida n\u00e3o sente necessidade de Eucaristia. No dia em que passar a significar uma rela\u00e7\u00e3o de amor a Deus, uma rela\u00e7\u00e3o de gratid\u00e3o \u00e0quele que nos amou primeiro, passar\u00e1 a fazer parte do projeto que nos move e do cora\u00e7\u00e3o que pulsa com ardor.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, h\u00e1 crist\u00e3os que lidam mal com a participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia devido \u00e0 pobreza dos la\u00e7os que os unem \u00e0 Igreja, comunidade do Povo de Deus. Quando falta o sentido da comunh\u00e3o de Deus connosco e de n\u00f3s com Ele e com os irm\u00e3os, que receberam o mesmo batismo, fica apenas o sentido humano dos la\u00e7os que nos unem e n\u00e3o se sente a dimens\u00e3o sagrada da perten\u00e7a ao Corpo de Cristo. Quando nos sentirmos membros do Corpo de Cristo e sentirmos a Igreja como mist\u00e9rio de comunh\u00e3o, que ultrapassa os la\u00e7os da nossa humanidade, desejaremos participar na Eucaristia como o\u00a0 sacramento que exprime e realiza essa comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, a dificuldade de ler a vida como um dom de amor, que se recebe para se dar, cria indiferen\u00e7a para com a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, que \u00e9, por excel\u00eancia, o sacramento da vida que se recebe e se d\u00e1 em ato de amor a Deus e ao pr\u00f3ximo. O ego\u00edsmo que se instala no cora\u00e7\u00e3o de qualquer pessoa, mesmo que batizada, contraria radicalmente o significado da Eucaristia de Jesus e afasta da sua celebra\u00e7\u00e3o do memorial da f\u00e9.<\/p>\n<p>N\u00e3o pode haver Eucaristia sem caridade nem verdadeira caridade do homem crente sem Eucaristia. O nosso caminho de vida crist\u00e3 incluir\u00e1 sempre o aprofundamento da f\u00e9 no mist\u00e9rio de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, a comunh\u00e3o com a Igreja, sacramento da salva\u00e7\u00e3o e um estilo de vida assente na caridade, ou seja, na oferta da pr\u00f3pria vida em favor dos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>O gesto de Jesus, que lava os p\u00e9s aos seus disc\u00edpulos, apresenta-se-nos, hoje, como o sinal concreto da identifica\u00e7\u00e3o de Eucaristia e caridade, como marca distintiva da condi\u00e7\u00e3o crist\u00e3. N\u00e3o se trata de uma caridade te\u00f3rica ou racional, mas de cont\u00ednuos gestos de amor e servi\u00e7o, que h\u00e3o de incluir a totalidade da nossa intelig\u00eancia e vontade.<\/p>\n<p>Queremos, nesta celebra\u00e7\u00e3o da Missa da Ceia do Senhor, realizar o gesto simb\u00f3lico do lava p\u00e9s, para assinalar a nossa decis\u00e3o pessoal e eclesial de acolher os outros como irm\u00e3os e a nossa vontade de estar sempre alerta para os servir como pessoas iguais em dignidade.<\/p>\n<p>Os jovens s\u00e3o tamb\u00e9m pessoas vulner\u00e1veis, apesar da vitalidade que os anima; s\u00e3o tamb\u00e9m pessoas pobres, apesar da grandeza dos seus sonhos; s\u00e3o tamb\u00e9m irm\u00e3os para quem devemos olhar com miseric\u00f3rdia, pois enfrentam enormes desilus\u00f5es.<\/p>\n<p>A nossa cidade de Coimbra acolhe uma multid\u00e3o imensa de jovens estudantes e tem de estar atenta \u00e0s suas pessoas e anseios. Quando proclamamos que todos s\u00e3o iguais em dignidade e devem ter as mesmas oportunidades na vida, nem sempre estamos dispostos a acolh\u00ea-los e a dar-lhes o lugar que lhes cabe. Frequentemente os deixamos entregues \u00e0 sua sorte; aos cuidados das suas fam\u00edlias, quer elas tenham as possibilidades adequadas ou n\u00e3o; outras vezes reenviamo-los para as institui\u00e7\u00f5es, mesmo que elas estejam atrofiadas pelas suas normas gerais e demasiado burocratizadas.<\/p>\n<p>Coimbra precisa de estar mais atenta a cada jovem, precisa de desenvolver um acompanhamento personalizado, tem de estar atenta \u00e0s debilidades e necessidades dos seus estudantes. H\u00e1 quem chega e se sente sozinho, h\u00e1 quem se perde no meio da massa, h\u00e1 quem se deixa seduzir pela novidade de estar fora de casa e sem a modera\u00e7\u00e3o e o aconchego familiar, h\u00e1 quem perca o ritmo nas atividades acad\u00e9micas, h\u00e1 quem encontra o vazio do sentido para a vida, h\u00e1 quem entra na noite escura da f\u00e9, e h\u00e1 quem vive na pobreza econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>O nosso gesto de lavar os p\u00e9s aos jovens estudantes de Coimbra pretende chamar a aten\u00e7\u00e3o para o lugar daqueles a quem o Papa Francisco chamou o hoje ou o presente da sociedade e da Igreja. N\u00e3o podemos permitir que, em Coimbra, haja jovens estudantes sem carinho, sem presente nem futuro ou deixados de lado por n\u00e3o terem nascido num ber\u00e7o dourado ou por se terem deixado perder nas malhas enredadas da vida.<\/p>\n<p>Cada jovem estudante precisa muito mais de propostas e oportunidades que o levem a sentir-se bem consigo, com os outros e com a vida,\u00a0 do que de atrativas formas de se alienar do presente e do futuro. E n\u00f3s temos a responsabilidade de lhas oferecer.<\/p>\n<p>Enquanto Igreja Diocesana de Coimbra, manifestamos a nossa disponibilidade para estar no terreno, na aten\u00e7\u00e3o a todos e a cada um. As nossas institui\u00e7\u00f5es, servi\u00e7os e movimentos procurar\u00e3o alargar a sua a\u00e7\u00e3o, simplesmente por amor aos jovens. O Fundo Solid\u00e1rio do Instituto Universit\u00e1rio Justi\u00e7a e Paz, para aux\u00edlio material aos estudantes pobres e para o qual reverte a nossa ren\u00fancia quaresmal deste ano, \u00e9 tamb\u00e9m um sinal de um desejo de os acompanhar melhor.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 Eucaristia sem caridade, nem caridade crist\u00e3 sem Eucaristia. Nesta P\u00e1scoa, Cristo passa tamb\u00e9m pela nossa cidade de Coimbra, p\u00f5e a toalha \u00e0 cintura e lava os p\u00e9s aos nossos jovens estudantes. Rogamos-lhe que nos ensine a fazer o mesmo com caridade para que haja mais Eucaristia.<\/p>\n<p>Coimbra, 18 de abril de 2019<\/p>\n<p><strong><em>Virg\u00edlio do Nascimento Antunes<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Bispo de Coimbra<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MISSA DA CEIA DO SENHOR 2019 &#8211; S\u00c9 NOVA \u2013 COIMBRA<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":134460,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[174,275],"class_list":["post-134459","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-coimbra","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134459","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134459"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134459\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134460"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}