{"id":134436,"date":"2019-04-18T23:10:32","date_gmt":"2019-04-18T22:10:32","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=134436"},"modified":"2019-04-18T23:10:32","modified_gmt":"2019-04-18T22:10:32","slug":"homilia-do-bispo-de-aveiro-na-missa-vespertina-da-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-missa-vespertina-da-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Aveiro na Missa Vespertina da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Memorial e vida da \u00daltima Ceia do Senhor<\/strong><\/p>\n<p>O texto da Carta de S. Paulo aos Cor\u00edntios (11, 23-26) fala-nos de um momento decisivo da vida da comunidade crist\u00e3, da liturgia que celebramos todos os dias e da espiritualidade, porque nele a comunidade \u201crecorda\/faz mem\u00f3ria\/atualiza\u201d as palavras de Jesus, recordando toda a sua vida hist\u00f3rica e a for\u00e7a da vida nova que agora se entrega a n\u00f3s como o Senhor ressuscitado. N\u00e3o \u00e9 uma simples recorda\u00e7\u00e3o do passado, mas sim uma presen\u00e7a real, verdadeira, como promessa do pr\u00f3prio Jesus no mandato que d\u00e1 aos seus ap\u00f3stolos e a toda a Igreja \u201cfazei isto em mem\u00f3ria de mim\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 um ato memorial atrav\u00e9s do qual o crente se reafirma no \u201cpacto\u201d, na \u201calian\u00e7a\u201d que Cristo quis tornar presente naquela noite em que entregou aos disc\u00edpulos a sua vida, antes que lha tirassem por um processo legal segundo aqueles que o acusavam, mas totalmente injusto.<\/p>\n<p>Os profetas sempre nos ofereceram gestos e sinais que v\u00e3o mais al\u00e9m do mero sentido literal. O gesto de partir o p\u00e3o e dar o vinho a beber constr\u00f3i a Igreja. \u00c9 algo que acontece com a comunidade crist\u00e3 na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e com toda a humanidade pela qual Cristo deu a vida. Este \u00e9 o sentido da sua entrega a todos os homens e mulheres de todos os tempos no p\u00e3o e no vinho da alian\u00e7a.<\/p>\n<p>Na celebra\u00e7\u00e3o da Ceia do Senhor expressamos a plenitude da nossa f\u00e9, afirmando a presen\u00e7a do Senhor no meio de n\u00f3s. Unimo-nos como membros da fam\u00edlia de Deus \u00e0 volta da mesa comunit\u00e1ria e temos um momento de comunh\u00e3o pessoal com o Senhor. Afirmamos, ainda, a nossa unidade com o corpo de Cristo e proclamamos a vit\u00f3ria final de Cristo como o Senhor da cria\u00e7\u00e3o e vencedor da morte. Renovamos o nosso pacto com Deus por meio de Jesus Cristo, porque o que existe de melhor no ser humano na sua rela\u00e7\u00e3o com Deus, deve renovar-se continuamente.<\/p>\n<p><strong>O Servidor do amor, cingido para a luta<\/strong><\/p>\n<p>O Evangelho de S. Jo\u00e3o n\u00e3o nos oferece a tradi\u00e7\u00e3o das palavras da \u00daltima Ceia, mas o gesto prof\u00e9tico de lavar os p\u00e9s aos seus ap\u00f3stolos est\u00e1 cheio de significado, tal como est\u00e1 a entrega da sua vida no p\u00e3o e no c\u00e1lice da \u00daltima Ceia.<\/p>\n<p>S. Jo\u00e3o diz-nos que tinha chegado a sua \u201chora\u201d de passar deste mundo para o Pai, e essa hora n\u00e3o \u00e9 outra que a do amor consumado por n\u00f3s. Lavar os p\u00e9s tem a mesma dimens\u00e3o de entrega que a pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o de partir o p\u00e3o e dar a beber do c\u00e1lice da nova alian\u00e7a. S\u00e3o dois gestos que se completam mutuamente.<\/p>\n<p>A hora de Jesus, que \u00e9 a hora do amor derramado por n\u00f3s, exige luta, uma guerra contra aqueles que querem impor o \u00f3dio como destino da humanidade. Jesus n\u00e3o est\u00e1 disposto a que, sem mais, lhe deem a morte, mas \u00e9 Ele que imp\u00f5e a sua hora como vontade e projeto de Deus. O Pai entregou-lhe tudo nas suas m\u00e3os e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que ningu\u00e9m lhe roube o projeto de Deus, porque a sua morte \u00e9 um dom para toda a humanidade. Jesus, cingindo a toalha \u00e0 cintura para lavar os p\u00e9s a cada um de n\u00f3s, n\u00e3o luta para n\u00e3o morrer, mas sim para que a sua morte tenha sentido e n\u00e3o seja cega e absurda como a morte que d\u00e1 o mundo. Jesus cinge a toalha para n\u00e3o morrer odiando, mas amando.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a guerra que temos de travar entre a luz e as trevas, entre o projeto de Deus e projeto do mundo. Vai morrer por todos e por isso lava tamb\u00e9m os p\u00e9s a Judas que est\u00e1 sentado \u00e0 mesa.<\/p>\n<p><strong>O pobre como sacramento de Cristo\u00a0(CIC 1397).<\/strong><\/p>\n<p>O sacramento da Eucaristia n\u00e3o se pode separar do sacramento do pobre. A Eucaristia tem uma dimens\u00e3o social, tal como a solidariedade humana tem uma dimens\u00e3o eucar\u00edstica. As obras de miseric\u00f3rdia est\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia. \u00c9 fundamental compreender e viver a unidade entre f\u00e9-liturgia-vida. \u201cSaboreaste o sangue do Senhor e n\u00e3o reconheces sequer o teu irm\u00e3o. Desonras esta mesa, se n\u00e3o julgas digno de partilhar o teu alimento com aquele que foi julgado digno de tomar parte nesta mesa. Deus libertou-te de todos os teus pecados e chamou-te para ela; e tu nem ent\u00e3o te tornaste mais misericordioso\u201d. (S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo). H\u00e1 que tornar o nosso ato de f\u00e9 sobre a presen\u00e7a de Cristo no pobre e no marginal como o \u00e9 na sua presen\u00e7a no p\u00e3o e vinho consagrados. Os atos de caridade fraterna devem ser vividos como um gesto eucar\u00edstico.<\/p>\n<p>Os pobres foram parte integrante do minist\u00e9rio de Jesus: viveu toda a sua vida p\u00fablica a fazer-se pr\u00f3ximo dos leprosos, dos possessos, dos que viviam mergulhados na mis\u00e9ria, dos sem-abrigo, dos que eram desprezados pela sociedade. Ele veio ao mundo para responder ao grito dos pobres e dos exclu\u00eddos da sociedade, chegando mesmo a identificar-se com eles, \u201csendo rico, fez-se pobre\u201d (2Cor 8,9). Jesus\u00a0sofria com a rejei\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m (cf.Mt\u00a023,37) e, por esta situa\u00e7\u00e3o, chorou (cf.\u00a0Lc\u00a019,41). Compadecia-Se tamb\u00e9m \u00e0 vista da multid\u00e3o atribulada (cf.\u00a0Mc\u00a06, 34). Vendo os outros a chorar, comovia-se e turbava-se (cf.\u00a0Jo\u00a011, 33), e Ele mesmo chorou pela morte de um\u00a0amigo (cf.\u00a0Jo\u00a011,35). Estas manifesta\u00e7\u00f5es da sua sensibilidade mostram at\u00e9 que ponto estava aberto aos outros o seu cora\u00e7\u00e3o humano\u00bb (AL\u00a0144). A sua dor \u00e9 uma dor de amor. Por sua vez,\u00a0aquele que recebe a compaix\u00e3o de Deus, deve manifest\u00e1-la para com o seu semelhante em atos concretos, pois s\u00f3 assim p\u00f5e em pr\u00e1tica a vontade de Deus.<\/p>\n<p>Nesta noite santa pe\u00e7amos um cora\u00e7\u00e3o cheio de compaix\u00e3o e miseric\u00f3rdia capaz de lavar os p\u00e9s aos nossos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Aveiro, 18 de abril de 2019.<br \/>\n+ Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro ramos, Bispo de Aveiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":134434,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[170,308],"class_list":["post-134436","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-aveiro","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134436","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134436"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134436\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134434"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134436"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134436"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}