{"id":134211,"date":"2019-04-18T11:35:08","date_gmt":"2019-04-18T10:35:08","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=134211"},"modified":"2019-04-22T12:10:12","modified_gmt":"2019-04-22T11:10:12","slug":"homilia-do-bispo-de-braganca-miranda-na-missa-crismal-2019","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-braganca-miranda-na-missa-crismal-2019\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Bragan\u00e7a-Miranda na Missa Crismal 2019"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ungidos e enviados na alegria do Azeite<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><!--more--><\/p>\n<p>A Missa crismal constitui um lugar decisivo da nossa forma\u00e7\u00e3o permanente, aquela que permanece, numa atitude constante de aprender a aprender para ser fiel ao \u00fanico Evangelho, Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Assinalamos nesta ora\u00e7\u00e3o comum os anivers\u00e1rios da ordena\u00e7\u00e3o presbiteral e da vida consagrada: 25 anos; 50 anos; 75 anos; ainda os 100 anos de um dos nossos muito estimados antecessores, D. Ab\u00edlio, que a 8 de junho transladaremos de Ifanes para a Catedral, dia dos 125 anos do nascimento.<\/p>\n<p><strong>Crisma \u2013 azeite perfumado de Esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Jesus come\u00e7ou a miss\u00e3o na liturgia da sinagoga de Nazar\u00e9, a sua terra na Galileia. Leu o Profeta Isa\u00edas e apresenta-se como o ungido e o enviado para anunciar e proclamar a Boa Nova aos pobres, aos prisioneiros, aos cegos, aos oprimidos&#8230; e conclui a leitura dizendo: \u00ab<em>hoje, aos vossos ouvidos cumpriu-se esta escritura<\/em>\u00bb. O texto de hoje relaciona-se tamb\u00e9m com o lema do nosso ano lit\u00fargico e pastoral: \u00ab<em>o Senhor ungiu os meus olhos<\/em>\u00bb (cf. Jo 11, 1-41).<\/p>\n<p>No Mist\u00e9rio da Luz da eterna Luz vemos a vida mais colorida. Dizer que Jesus \u00e9 o Cristo, o ungido que nos sagra, quer dizer que Ele \u00e9 o sentido do meu sacerd\u00f3cio, da minha consagra\u00e7\u00e3o, do meu matrim\u00f3nio, da minha vida\u2026. na comunidade. Ele \u00e9 a Luz da Luz e n\u00e3o apenas um rel\u00e2mpago ou um fogo de palha. \u00c9 Luz permanente, mesmo quando as sombras nos surpreendem, somos sempre iluminados na Luz \u2013 Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Todavia, a rea\u00e7\u00e3o do povo evidencia um insucesso pastoral em Nazar\u00e9, o que o leva at\u00e9 a dizer: \u00ab<em>nenhum profeta \u00e9 aceite na sua terra natal<\/em>\u00bb e depois \u00ab<em>passando por meio deles, seguiu adiante<\/em>\u00bb, porque ningu\u00e9m pode impedir o caminho de Jesus para Jerusal\u00e9m. Miss\u00e3o e rejei\u00e7\u00e3o interligam-se. Para Jesus a f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um c\u00e1lculo de probabilidades; \u00e9 confian\u00e7a em Deus sem reservas, sem <em>se<\/em>, nem <em>mas<\/em>&#8230; Que Jesus abra os nossos olhos e nos d\u00ea a humildade.<\/p>\n<p>Todos fomos ungidos no Batismo, alguns j\u00e1 no Crisma e os Sacerdotes fomos ungidos e enviados para o minist\u00e9rio generoso e corajoso do Evangelho. Os padres s\u00e3o marcados como homens da Palavra, do Perd\u00e3o, da Partilha, da Bondade, da Transpar\u00eancia e da Autenticidade de Deus.<\/p>\n<p>O azeite, o sumo da azeitona da oliveira, onde cai, marca. Santo Agostinho mostra at\u00e9 \u00ab<em>a alegria do azeite<\/em>\u00bb que faz brilhar os batizados que vivem de Cristo. De facto, o Salmo 132 refere esta alegria e beleza do azeite, para cantar a fraternidade: \u00ab<em>Vede como \u00e9 bom e agrad\u00e1vel<\/em><em>\u00a0<\/em><em>que os irm\u00e3os vivam unidos! \u00c9 como azeite perfumado derramado sobre a cabe\u00e7a,<\/em><em>\u00a0<\/em><em>a escorrer pela barba, a barba de Aar\u00e3o,<\/em><em>\u00a0<\/em><em>a escorrer at\u00e9 \u00e0 orla das suas vestes<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Por isso, uma antiga ora\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo III reza para a b\u00ean\u00e7\u00e3o do azeite: para a b\u00ean\u00e7\u00e3o das azeitonas: \u00ab<em>Concedei tamb\u00e9m que n\u00e3o se afaste da vossa do\u00e7ura este fruto da oliveira, s\u00edmbolo da abund\u00e2ncia que fizestes brotar da \u00e1rvore, para (dar) a vida \u00e0queles que em V\u00f3s esperam<\/em>\u00bb (Tradi\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica 6).<\/p>\n<p><strong>Jovens na Fam\u00edlia dos filhos da Luz<\/strong><\/p>\n<p>Aos ac\u00f3litos, aos confirmandos e a todos os jovens que est\u00e3o aqui hoje, que estiveram na Lectio divina e adorante e que estar\u00e3o no Dia Diocesano da Juventude a 11 de maio em Vinhais, gostariamos de sublinhar as palavras do Papa Francisco: \u00ab<em>Queridos jovens, ficarei feliz vendo-vos correr mais r\u00e1pido do que os lentos e temerosos. Correi \u201catra\u00eddos por esse Rosto t\u00e3o amado, que adoramos na Sagrada Eucaristia e que reconhecemos na carne do irm\u00e3o sofredor. Que o Esp\u00edrito Santo vos empurre nesta corrida para a frente. A Igreja precisa do vosso entusiasmo, das vossas intui\u00e7\u00f5es, da vossa f\u00e9. Fazeis-nos falta! E quando chegardes onde n\u00f3s ainda n\u00e3o cheg\u00e1mos, tende paci\u00eancia para esperar por n\u00f3s\u201d<\/em>\u00bb (CV 299).<\/p>\n<p>Os jovens na fam\u00edlia dos filhos da luz, renascidos pela \u00e1gua e pelo Esp\u00edrito, anunciamos, celebramos e testemunhamos a alegria e a beleza do azeite, porque: \u00ab<em>Cristo, nossa esperan\u00e7a, est\u00e1 vivo e \u00e9 a mais formosa juventude deste mundo. Tudo aquilo que Ele toca torna-se jovem, faz-se novo, enche-se de vida. Ent\u00e3o, as primeiras palavras que quero dirigir a cada um dos jovens crist\u00e3os s\u00e3o: Ele vive e quer-te vivo<\/em>\u00bb (Francisco, CV 1) Deus ama-te; Cristo salva-te; Ele vive! (cf. CV 112-129).<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><strong>O minist\u00e9rio da Luz da eterna Luz<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 por causa do Mist\u00e9rio da Luz que existem os minist\u00e9rios e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Alguns est\u00e3o ao servi\u00e7o de todos para a constru\u00e7\u00e3o da unidade e da catolicidade da Igreja, numa motiva\u00e7\u00e3o que d\u00e1 sentido \u00e0 vida doada: Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Bispos, Presb\u00edteros, Di\u00e1conos, Leitores, Ac\u00f3litos, Pessoas Consagradas, Catequistas, Sacrist\u00e3es, membros dos grupos lit\u00fargicos, Ministros extraordin\u00e1rios da comunh\u00e3o, Visitadores dos doentes; membros das equipas das Unidades pastorais, membros das dire\u00e7\u00f5es das IPSS can\u00f3nicas, \u201c<em>disp\u00f5em a Igreja \u00e0 sua miss\u00e3o<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Todavia, n\u00e3o somos prestadores de servi\u00e7os e nem os fi\u00e9is s\u00e3o nossos clientes. Cada uma de n\u00f3s \u00e9 uma miss\u00e3o! E a nossa miss\u00e3o \u00e9 a evangeliza\u00e7\u00e3o. Nunca cedamos \u00e0 mediocridade humana, pastoral, espiritual e mission\u00e1ria. Quem n\u00e3o vive a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade, contenta-se pela funcionalidade. O contr\u00e1rio da santidade \u00e9 a frustra\u00e7\u00e3o. \u00ab<em>O santo \u00e9 o homem que vive na sua vida a Vida de Deus<\/em>\u00bb (Padre Am\u00e9rico).<\/p>\n<p>Car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s, sejamos bons, mesmo que alguns confundam bondade com fraqueza. \u00ab<em>Parece que a maldade se est\u00e1 a apoderar do mundo; A maledic\u00eancia e a malevol\u00eancia ocupam cada vez maiores espa\u00e7os e penetram cada vez mais profundamente<\/em>\u00bb (Padre Arrupe). Porqu\u00ea tanta revolta, frustra\u00e7\u00e3o, infelicidade, intriga, paranoia e raiva? Porqu\u00ea t\u00e3o maus modos? Porqu\u00ea tanta consci\u00eancia anestesiada e perversa?<\/p>\n<p>Sejamos fi\u00e9is e leais: ao Evangelho, \u00e0 Igreja, ao retiro anual, \u00e0 consci\u00eancia moral; \u00e0 forma\u00e7\u00e3o permanente, aos encontros presbiterais, \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, aos sacramentos. Sejamos bons, fi\u00e9is e leais! Aquela fidelidade do cora\u00e7\u00e3o, pessoal e diocesana, ao renovar as promessas sacerdotais. Prossigamos alegres no mart\u00edrio da paci\u00eancia com sentido de amor e de humor! Olhai que h\u00e1 muitas pessoas que se dedicam ao nosso mart\u00edrio da paci\u00eancia!<\/p>\n<p>O que \u00e9 que cada um pode fazer para que o Presbit\u00e9rio seja mais e melhor Presbit\u00e9rio, onde todos somos respons\u00e1veis por todos, onde todos servimos a todos como irm\u00e3os amigos?! Que posso fazer eu como Presb\u00edtero para entusiasmar os jovens para o servi\u00e7o sacerdotal e outras voca\u00e7\u00f5es na Igreja? O que fazer na atual realidade humana, social, geogr\u00e1fica, demogr\u00e1fica, pastoral e eclesial da Diocese, para construirmos uma comunidade de fi\u00e9is amadurecida em torno da Catequese, da Liturgia e da Caridade numa vida relacional, evitando a autossufici\u00eancia e a autorreferencialidade e a necessidade de uma nova presen\u00e7a da Igreja no territ\u00f3rio, segundo a eclesiologia de comunh\u00e3o e de miss\u00e3o?<\/p>\n<p>Muito obrigado a todos, especialmente aos Padres dedicados e homens de Deus e da Igreja, que s\u00e3o para n\u00f3s a proximidade da beleza, da bondade e da alegria de Cristo, nossa Esperan\u00e7a! Muito gratos rezemos por todos os ministros da Luz para que sejamos felizes e santos na doa\u00e7\u00e3o inteira do cora\u00e7\u00e3o, da intelig\u00eancia e das m\u00e3os que aben\u00e7oam na Paz: \u00ab<em>mas sempre com o amor de Deus e na fidelidade absoluta \u00e0 Igreja a quem servimos humildemente porque a amamos apaixonadamente<\/em>\u00bb (Padre Arrupe).<\/p>\n<p>Com confian\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o dizemos a Jesus Cristo: \u00ab<em>pois em Ti se encontra a fonte da vida e \u00e9 na tua luz que vemos a luz<\/em>\u00bb (Sl 36,10). Com efeito se Ele n\u00e3o \u00e9 o centro do nosso cora\u00e7\u00e3o e da nossa vida, perdemo-nos e n\u00e3o celebramos a P\u00e1scoa em Cristo vivo.<\/p>\n<p><em>D. Jos\u00e9 Manuel Cordeiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ungidos e enviados na alegria do Azeite\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":134213,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[173,308],"class_list":["post-134211","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braganca-miranda","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134211","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134211"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134211\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134213"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}