{"id":134172,"date":"2019-04-17T11:40:08","date_gmt":"2019-04-17T10:40:08","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=134172"},"modified":"2019-05-03T13:29:10","modified_gmt":"2019-05-03T12:29:10","slug":"homilia-de-d-rui-valerio-na-missa-crismal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-rui-valerio-na-missa-crismal\/","title":{"rendered":"\u00a0Homilia de D. Rui Val\u00e9rio na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Caros irm\u00e3os em Cristo,<\/p>\n<p>Na recente visita que efetuei \u00e0 Rep\u00fablica Centro Africana, uma coisa que me impressionou, quando entrei na Capela do Campo onde est\u00e3o as nossas For\u00e7as destacadas e onde celebrei a Eucaristia, foi encontrar, na parede correspondente ao altar-mor, duas grandes imagens que se impunham: a \u00daltima Ceia e a imagem de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II. \u00daltima Ceia que nos reenvia para a Eucaristia; S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II que nos remete para o Sacerd\u00f3cio.<\/p>\n<p>Impressionou-me porque, quando um militar se retira na solid\u00e3o deste pequeno templo, junto de Cristo Senhor, em busca de luz, conforto ou alguma explica\u00e7\u00e3o para os enigmas da vida, recebe como resposta e como prova da sua bondade os dons do Seu amor inef\u00e1vel, ou seja, a Eucaristia e o Sacerd\u00f3cio. De facto, s\u00e3o a encarna\u00e7\u00e3o viva e concreta da sua presen\u00e7a no meio de n\u00f3s.<\/p>\n<p>A Eucaristia \u00e9 a perp\u00e9tua celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa eterna, da passagem de Cristo para o Pai e, em Cristo, de tudo e de todos para a eternidade. Por isso, toda a Eucaristia celebrada nos faz penetrar na Gl\u00f3ria de Deus. \u00c9 n\u2019Ela que a criatura, em uni\u00e3o com Cristo, vive a supera\u00e7\u00e3o da sua condi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, realizando a sua voca\u00e7\u00e3o para entrar na Comunh\u00e3o com o Pai, no Esp\u00edrito Santo. \u00c9 este mist\u00e9rio que torna a Eucaristia atrativa e fascinante, ao mesmo tempo que confere significado \u00e0 vida e miss\u00e3o do sacerdote. Este \u00e9, antes de mais e em primeiro lugar, aquele que em Cristo celebra a santa Eucaristia. E ao faz\u00ea-lo, torna-se mediador e ponte, permitindo \u00e0 comunidade reunida em torno do altar a passagem para a Eternidade do Pai, ainda que permanecendo momentaneamente cidad\u00e3 do tempo e da hist\u00f3ria. O fasc\u00ednio exercido pela Eucaristia e pelo Sacerd\u00f3cio reside precisamente nesta capacidade inerente de ser for\u00e7a transbordante, capaz de transportar uma simples criatura e de a fazer entrar na pr\u00f3pria vida de Deus. N\u00e3o esque\u00e7amos, caros capel\u00e3es, que esta \u00e9 a nossa marca: ser pontes que promovem a passagem do tempo para a eternidade; que permitem que o povo que nos \u00e9 confiado encontre no seio desta vida a ebriedade da Vida de Deus. Nenhum esfor\u00e7o e nenhuma a\u00e7\u00e3o nos realizar\u00e1 tanto como sacerdotes quanto essa comunh\u00e3o com Deus que, atrav\u00e9s da nossa a\u00e7\u00e3o, se torna efetiva para o povo. Mas esta miss\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel a quem a vive: tal como nos \u00e9 permitida a comunh\u00e3o com Deus em fun\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o do Sumo e Eterno Sacerdote Jesus Cristo com o Pai, assim tamb\u00e9m ser\u00e1 na vida de comunh\u00e3o de cada um que aos outros \u00e9 favorecida a comunh\u00e3o com Cristo e com o Pai.<\/p>\n<p>Por isso, pe\u00e7amos ao Senhor que, exatamente na medida em que somos padres, nos mantenha na alegria de estarmos perfeitamente conscientes de sermos dons do seu amor para a humanidade. Que Ele garanta, enquanto homens chamados e constitu\u00eddos sacramento do Seu amor para todos os que vagueiam nas encruzilhadas da vida, sermos sempre dignos da Sua confian\u00e7a para connosco. Apraz-me contemplar a abertura que vigora na alma da nossa gente para ver num simples padre a concretiza\u00e7\u00e3o real da Bondade do Senhor. Tal como a imagem do Santo Padre estava fixada na parede do altar daquela Capela, acredito que tamb\u00e9m o Capel\u00e3o estar\u00e1 bem preso na admira\u00e7\u00e3o e estima da sua gente.<\/p>\n<p>Mas a Eucaristia e o Sacerd\u00f3cio tamb\u00e9m nos remetem para uma totalidade, para um sentido de plenitude pr\u00f3prio da vida da nova economia instaurada por Cristo. Ele \u00e9 o Cordeiro, o Sacerdote e o Altar. O Evangelho \u00e9 testemunho feliz do car\u00e1ter absoluto que carateriza tanto a vida de Cristo, como a vida de quem o segue. Ele nunca envereda pela pr\u00e1tica da parcialidade; deu-se todo a n\u00f3s e por n\u00f3s, n\u00e3o uma parte fragmentada de si. Prova disso \u00e9 que, na Eucaristia, nos oferece o Seu Corpo e o Seu Sangue. No exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio de cuidado, nunca curava s\u00f3 a doen\u00e7a f\u00edsica da pessoa, tamb\u00e9m as suas enfermidades espirituais. E ele n\u00e3o veio s\u00f3 para os filhos perdidos da Casa de Israel, mas veio para que todos se salvem. Temos aqui, caros irm\u00e3os no sacerd\u00f3cio, uma fonte inspiradora que nos ajuda a estruturar o nosso apostolado. Que sejamos sacerdotes plenamente. A tempo inteiro, por Cristo e pelos irm\u00e3os. N\u00e3o queiramos viver segundo meias medidas, ser sacerdotes mas s\u00f3 parcialmente. Nunca queiramos p\u00f4r em disputa o tempo para Cristo e para o povo e o tempo para n\u00f3s\u2026 Como Cristo, sacerdotes em plenitude e na totalidade.<\/p>\n<p>O Evangelho escutado apresentava Jesus numa t\u00edpica a\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica, a proclamar, na Sinagoga de Nazar\u00e9, o centro da sua miss\u00e3o:<br \/>\n\u00abO Esp\u00edrito do Senhor me ungiu<br \/>\npara anunciar a Boa-Nova aos pobres;<br \/>\nenviou-me a proclamar a liberta\u00e7\u00e3o aos cativos<br \/>\na levar a vista aos cegos,<br \/>\na restituir a liberdade aos oprimidos,<br \/>\na proclamar um ano favor\u00e1vel da parte do Senhor.\u00bb<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria vida de Jesus, sintetizada nesses t\u00e3o ardentes verbos de a\u00e7\u00e3o, revelam-nos Algu\u00e9m que vive para servir. O centro de gravidade da Sua Vida e Miss\u00e3o s\u00e3o os outros. Durante a \u00daltima Ceia, Jesus deixou-nos a gram\u00e1tica da sua morte cruel. N\u00e3o, n\u00e3o foi o sucumbir ao destino irrevog\u00e1vel decretado pelos poderosos deste mundo. Jesus fez da sua morte o \u00e1pice da sua vida. Uma vida expendida em favor dos outros. Ele n\u00e3o se anunciou a si pr\u00f3prio, mas proclamou o Reino do Pai; nem agiu em vista de si pr\u00f3prio, mas sempre em vista da humanidade. A sua exist\u00eancia foi uma pr\u00f3-exist\u00eancia, viver-para-os-outros.<\/p>\n<p>Desde sempre que a beleza de o sacerdote ser chamado a fazer da sua vida uma doa\u00e7\u00e3o e entrega exerceu grande fasc\u00ednio e, ao mesmo tempo, perplexidade na vida sacerdotal. Esquecido de si, o sacerdote vive em Cristo para o Pai e para os irm\u00e3os. \u00c9 t\u00e3o triste, pois, quando esse mesmo sacerdote cai na tenta\u00e7\u00e3o de se entregar ao ef\u00e9mero; de viver apegado \u00e0s coisas que reduzem qualquer homem ao n\u00edvel da mediocridade e da pequenez.<\/p>\n<p>Convido, pois, cada um de n\u00f3s a deixar-se habitar pelo mesmo Esp\u00edrito que ungiu e conduziu Jesus de Nazar\u00e9, o Messias. \u00c9 Ele que nos habilita para a Miss\u00e3o e nos configura com Cristo, plasmando a nossa vida de acordo com a sua vida de entrega e doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 o dia que nos deve encontrar ocupados na recria\u00e7\u00e3o interior das mesmas condi\u00e7\u00f5es e circunst\u00e2ncias do Cen\u00e1culo, esse lugar da descida e infus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>a) O Novo Testamento \u00e9 concorde em sublinhar que a vinda do Esp\u00edrito Santo tem sempre um car\u00e1ter eclesial e comunit\u00e1rio. Desde o Jord\u00e3o ao Cen\u00e1culo, existe uma clara refer\u00eancia \u00e0 import\u00e2ncia do estar juntos e unidos. \u201cQuando chegou o dia de Pentecostes, encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar\u201d, l\u00ea-se nos Atos dos Ap\u00f3stolos. Estar em comunh\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em ordem a colmatar o testemunho da unidade da mesma f\u00e9, mas um requisito para atrair o Esp\u00edrito de Cristo Ressuscitado. S\u00f3 a unidade faz existir Pentecostes. Tamb\u00e9m a unidade do corpo eclesial \u00e9 em ordem \u00e0 vinda e presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. Ele nos ungiu, Ele nos abre e move ao an\u00fancio do Amor. Recordemos a famosa frase de Aten\u00e1goras: \u201cSem o Esp\u00edrito: Deus est\u00e1 longe, Cristo permanece no passado, o Evangelho \u00e9 letra morta, a Igreja uma simples organiza\u00e7\u00e3o, a Autoridade uma domina\u00e7\u00e3o, a Miss\u00e3o \u00e9 propaganda, o Culto uma velharia e o agir crist\u00e3o uma obra de escravos.\u201d<\/p>\n<p>b) Uma segunda carater\u00edstica relativa ao Esp\u00edrito Santo \u00e9 o facto de ele refletir a Sua estrita liga\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria pessoa de Cristo. Cristo \u00e9 o grande e fundamental mobilizador do Esp\u00edrito: em vista de Cristo, o Esp\u00edrito desce sobre Maria; \u00e9 em ordem \u00e0 Sua miss\u00e3o messi\u00e2nica de Redentor que o Esp\u00edrito vem sobre Si no Batismo no Jord\u00e3o; e os ap\u00f3stolos receberam o Esp\u00edrito quando estavam reunidos no Cen\u00e1culo, esse lugar de fortes refer\u00eancias a Cristo, e a\u00ed viveram com Ele momentos e experi\u00eancias de grande intensidade. Portanto, s\u00f3 quando Cristo \u00e9 a raz\u00e3o de ser do que somos e fazemos nos predispomos a ser destinat\u00e1rios do Seu Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Que o Senhor nos abra o cora\u00e7\u00e3o aos dons do Esp\u00edrito e nos reforce a vontade de lhe sermos fi\u00e9is, a fim de vivermos em fun\u00e7\u00e3o das necessidades espirituais do povo de Deus que nos foi confiado, promovendo a sua dignidade humana e a sua voca\u00e7\u00e3o para a santidade.<\/p>\n<p><em>D. Rui Val\u00e9rio, bispo das For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":134173,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[271,275],"class_list":["post-134172","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-ordinariato-castrense","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134172","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134172"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134172\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134173"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134172"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134172"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134172"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}