{"id":133828,"date":"2019-04-14T10:03:42","date_gmt":"2019-04-14T09:03:42","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=133828"},"modified":"2019-04-14T10:03:59","modified_gmt":"2019-04-14T09:03:59","slug":"homilia-do-papa-francisco-no-domingo-de-ramos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-papa-francisco-no-domingo-de-ramos-2\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco no Domingo de Ramos"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-100242 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DOC.20180325.23930572.06628390.jpg\" alt=\"\" width=\"2318\" height=\"1545\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DOC.20180325.23930572.06628390.jpg 2318w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DOC.20180325.23930572.06628390-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DOC.20180325.23930572.06628390-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DOC.20180325.23930572.06628390-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/DOC.20180325.23930572.06628390-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 2318px) 100vw, 2318px\" \/>As aclama\u00e7\u00f5es da entrada em Jerusal\u00e9m e a humilha\u00e7\u00e3o de Jesus. Os gritos festosos e o encarni\u00e7amento feroz. Anualmente, este duplo mist\u00e9rio acompanha a entrada na Semana Santa com os dois momentos carater\u00edsticos desta celebra\u00e7\u00e3o: ao in\u00edcio, a prociss\u00e3o com os ramos de palmeira e de oliveira e, depois, a leitura solene da narra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Deixemo-nos envolver nesta a\u00e7\u00e3o animada pelo Esp\u00edrito Santo, para obtermos o que se pede na ora\u00e7\u00e3o: acompanhar com f\u00e9 o caminho do nosso Salvador e ter sempre presente o grande ensinamento da sua Paix\u00e3o como modelo de vida e de vit\u00f3ria contra o esp\u00edrito do mal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jesus mostra-nos como enfrentar os momentos dif\u00edceis e as tenta\u00e7\u00f5es mais insidiosas, guardando no cora\u00e7\u00e3o uma paz que n\u00e3o \u00e9 isolamento, n\u00e3o \u00e9 ficar impass\u00edvel nem fazer o super-homem, mas confiante abandono ao Pai e \u00e0 sua vontade de salva\u00e7\u00e3o, de vida, de miseric\u00f3rdia; e Jesus, em toda a sua miss\u00e3o, viu-Se assaltado pela tenta\u00e7\u00e3o de \u00abfazer a sua obra\u00bb, escolhendo Ele o modo e desligando-Se da obedi\u00eancia ao Pai. Desde o in\u00edcio, na luta dos quarenta dias no deserto, at\u00e9 ao fim, na Paix\u00e3o, Jesus repele esta tenta\u00e7\u00e3o com uma obediente confian\u00e7a no Pai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E hoje, na sua entrada em Jerusal\u00e9m, tamb\u00e9m nos mostra o caminho. Pois, neste acontecimento, o maligno, o pr\u00edncipe deste mundo, tinha uma carta para jogar: a carta do triunfalismo, e o Senhor respondeu permanecendo fiel ao seu caminho, o caminho da humildade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O triunfalismo procura tornar a meta mais pr\u00f3xima por meio de atalhos, falsos comprometimentos. Aposta na subida para o carro do vencedor. O triunfalismo vive de gestos e palavras, que n\u00e3o passaram pelo cadinho da cruz; alimenta-se da compara\u00e7\u00e3o com os outros, julgando-os sempre piores, defeituosos, falhados&#8230; Uma forma subtil de triunfalismo \u00e9 a mundanidade espiritual, que \u00e9 o maior perigo, a mais p\u00e9rfida tenta\u00e7\u00e3o que amea\u00e7a a Igreja (Henri de Lubac). Jesus destruiu o triunfalismo com a sua Paix\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Verdadeiramente o Senhor aceitou e alegrou-Se com a iniciativa do povo, com os jovens que gritavam o seu nome, aclamando-O Rei e Messias. O seu cora\u00e7\u00e3o rejubilava ao ver o entusiasmo e a festa dos pobres de Israel, de tal maneira que, aos fariseus que Lhe pediam para censurar os disc\u00edpulos pelas suas escandalosas aclama\u00e7\u00f5es, Jesus respondeu: \u00abSe eles se calarem, gritar\u00e3o as pedras\u00bb (Lc 19, 40). Humildade n\u00e3o significa negar a realidade, e Jesus \u00e9 realmente o Messias, o Rei.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, ao mesmo tempo o cora\u00e7\u00e3o de Cristo encontra-se noutro caminho, no caminho santo que s\u00f3 Ele e o Pai conhecem: aquele que vai da \u00abcondi\u00e7\u00e3o divina\u00bb \u00e0 \u00abcondi\u00e7\u00e3o de servo\u00bb, o caminho da humilha\u00e7\u00e3o na obedi\u00eancia \u00abat\u00e9 \u00e0 morte e morte de cruz\u00bb (Flp 2, 6-8). Ele sabe que, para chegar ao verdadeiro triunfo, deve dar espa\u00e7o a Deus; e, para dar espa\u00e7o a Deus, s\u00f3 h\u00e1 um modo: o despojamento, o esvaziamento de si mesmo. Calar, rezar, humilhar-se. Com a cruz, n\u00e3o se pode negociar: abra\u00e7a-se ou recusa-se. E, com a sua humilha\u00e7\u00e3o, Jesus quis abrir-nos o caminho da f\u00e9 e preceder-nos nele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Atr\u00e1s d\u2019Ele, a primeira que o percorreu foi a sua M\u00e3e, Maria, a primeira disc\u00edpula. A Virgem e os santos tiveram que padecer para caminhar na f\u00e9 e na vontade de Deus. No meio dos acontecimentos duros e dolorosos da vida, responder com a f\u00e9 custa \u00abum particular aperto do cora\u00e7\u00e3o\u00bb (cf. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Enc. Redemptoris Mater, 17). \u00c9 a noite da f\u00e9. Mas, s\u00f3 desta noite \u00e9 que desponta a aurora da ressurrei\u00e7\u00e3o. Ao p\u00e9 da cruz, Maria repensou nas palavras com que o Anjo Lhe anunciara o seu Filho: \u00abSer\u00e1 grande (\u2026). O Senhor Deus vai dar-Lhe o trono de seu pai David, reinar\u00e1 eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado n\u00e3o ter\u00e1 fim\u00bb (Lc 1, 32-33). No G\u00f3lgota, Maria depara-Se com o desmentido total daquela promessa: o seu Filho agoniza numa cruz como um malfeitor. Deste modo o triunfalismo, destru\u00eddo pela humilha\u00e7\u00e3o de Jesus, foi igualmente destru\u00eddo no cora\u00e7\u00e3o da M\u00e3e; ambos souberam calar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Precedidos por Maria, incont\u00e1veis santos e santos seguiram a Jesus pelo caminho da humildade e da obedi\u00eancia. Hoje, Dia Mundial da Juventude, quero lembrar os in\u00fameros santos e santas jovens, especialmente os de \u00abao p\u00e9 da porta\u00bb, que s\u00f3 Deus conhece e que \u00e0s vezes gosta de no-los revelar de surpresa. Queridos jovens, n\u00e3o vos envergonheis de manifestar o vosso entusiasmo por Jesus, gritar que Ele vive, que \u00e9 a vossa vida. Mas, ao mesmo tempo n\u00e3o tenhais medo de O seguir pelo caminho da cruz. E, quando sentirdes que vos pede para renunciardes a v\u00f3s mesmos, para vos despojardes das pr\u00f3prias seguran\u00e7as confiando-vos completamente ao Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us, ent\u00e3o alegrai-vos e exultai! Encontrais-vos no caminho do Reino de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aclama\u00e7\u00f5es festosas e encarni\u00e7amento feroz; \u00e9 impressionante o sil\u00eancio de Jesus na sua Paix\u00e3o. Vence inclusivamente a tenta\u00e7\u00e3o de responder, de ser \u00abmedi\u00e1tico\u00bb. Nos momentos de escurid\u00e3o e grande tribula\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso ficar calado, ter a coragem de calar, contanto que seja um calar manso e n\u00e3o rancoroso. A mansid\u00e3o do sil\u00eancio far-nos-\u00e1 aparecer ainda mais fr\u00e1geis, mais humilhados, e ent\u00e3o o dem\u00f3nio ganha coragem e sai a descoberto. Ser\u00e1 necess\u00e1rio resistir-lhe em sil\u00eancio, \u00abconservando a posi\u00e7\u00e3o\u00bb, mas com a mesma atitude de Jesus. Ele sabe que a guerra \u00e9 entre Deus e o pr\u00edncipe deste mundo, e n\u00e3o se trata de empunhar a espada, mas de permanecer calmo, firme na f\u00e9. \u00c9 a hora de Deus. E, na hora em que Deus entra na batalha, \u00e9 preciso deix\u00e1-Lo agir. O nosso lugar seguro ser\u00e1 sob o manto da Santa M\u00e3e de Deus. E enquanto esperamos que o Senhor venha e acalme a tempestade (cf. Mc 4, 37-41), com o nosso testemunho silencioso e orante, demos a n\u00f3s mesmos e aos outros a \u00abraz\u00e3o da esperan\u00e7a que est\u00e1 em [n\u00f3s]\u00bb (1 Ped 3, 15). Isto ajudar-nos-\u00e1 a viver numa santa tens\u00e3o entre a mem\u00f3ria das promessas, a realidade do encarni\u00e7amento palp\u00e1vel na cruz e a esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":100242,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[308],"class_list":["post-133828","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133828","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=133828"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133828\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/100242"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=133828"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=133828"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=133828"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}