{"id":133590,"date":"2019-04-12T10:55:13","date_gmt":"2019-04-12T09:55:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=133590"},"modified":"2019-07-04T16:30:09","modified_gmt":"2019-07-04T15:30:09","slug":"abusos-sexuais-nenhuma-outra-questao-e-tao-danosa-para-a-relacao-de-confianca-entre-os-jovens-e-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/abusos-sexuais-nenhuma-outra-questao-e-tao-danosa-para-a-relacao-de-confianca-entre-os-jovens-e-a-igreja\/","title":{"rendered":"Abusos sexuais: \u00abNenhuma outra quest\u00e3o \u00e9 t\u00e3o danosa para a rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a entre os jovens e a Igreja\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><i>A carta do Papa Francisco dirigida aos \u00a0jovens de todo o mundo com as conclus\u00f5es do S\u00ednodo dos Bispos sobre a juventude e a voca\u00e7\u00e3o \u00e9 analisada por Tom\u00e1s Virtuoso na entrevista da semana Ecclesia\/Renascen\u00e7a.<\/i><\/p>\n<p><!--more--><i><\/i><\/p>\n<figure id=\"attachment_133610\" aria-describedby=\"caption-attachment-133610\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-133610\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-133610\" class=\"wp-caption-text\">Foto RR\/In\u00eas Rocha, Tom\u00e1s Virtuoso<\/figcaption><\/figure>\n<p><i>O documento &#8220;Cristo Vive&#8221;, como se intitula a exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal assinada por Francisco no dia 25 de mar\u00e7o, no Santu\u00e1rio de Nossa Senhora do Loreto, \u00e9 mais um &#8220;passo no caminho sinodal&#8221; da rela\u00e7\u00e3o da Igreja com os jovens. Come\u00e7ou com a reuni\u00e3o preparat\u00f3ria do s\u00ednodo, em mar\u00e7o de 2018, onde esteve Tom\u00e1s Virtuoso, um dos tr\u00eas jovens de Portugal que, com tr\u00eas centenas de participantes de todo o mundo, deixaram propostas aos bispos para a reuni\u00e3o do s\u00ednodo que decorreu no m\u00eas de outubro seguinte. Nesta entrevista, as propostas do Papa s\u00e3o o ponto de partida para a an\u00e1lise aos desafios que Portugal enfrenta na dinamiza\u00e7\u00e3o da Pastoral Juvenil, que o Papa quer que seja &#8220;popular&#8221;, e para a realiza\u00e7\u00e3o da Jornada\u00a0Mundial da Juventude em Portugal, em 2022. Uma conversa onde a quest\u00e3o dos abusos sexuais \u00e9 referida como sento a &#8220;mais danosa&#8221; na rela\u00e7\u00e3o da Igreja com os jovens.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Paulo Rocha (Ag\u00eancia ECCLESIA)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Exorta\u00e7\u00e3o &#8220;Cristo Vive&#8221;, recentemente publicada, corresponde ao que esperava?<\/em><\/p>\n<p>Na verdade este documento \u00e9 escrito pelo Papa, mas vem no seguimento de um caminho que j\u00e1 \u00e9 longo, de um processo sinodal, como o Papa n\u00e3o se cansa de repetir, ali\u00e1s no pr\u00f3prio documento. Portanto, o documento n\u00e3o traz uma data de novidades, de que nunca tenhamos falado, \u00e9 um rearranjar, um rearrumar destes temas, a partir da pena do Papa. \u00c9 verdadeiramente uma carta aos jovens, num formato muito interessante que o Papa usa, e que n\u00e3o estou muito acostumado a ver em documentos da Igreja. O Papa vai fazendo umas considera\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas sobre a juventude e, de repente, muda para a segunda pessoa e come\u00e7a a falar &#8216; tu a tu&#8217; com os jovens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Muda o registo, com uma linguagem muito acess\u00edvel e muito direta.<\/em><\/p>\n<p>Muito acess\u00edvel, mas sobretudo com uma capacidade de falar ao cora\u00e7\u00e3o de cada jovem. Quem ler esta carta sente aquilo como coisa para a sua vida, n\u00e3o \u00e9 um conjunto de ideias muito bonitas, muito abertas, n\u00e3o. Tem efeitos concretos na vida de cada jovem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa conseguiu incluir a diversidade de temas e propostas que foram lan\u00e7adas desde a reuni\u00e3o pr\u00e9-sinodal?<\/em><\/p>\n<p>Acho que sim. Vamos tamb\u00e9m reduzir-nos ao humanamente poss\u00edvel. A quantidade de coisas que foram faladas&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mesmo assim este documento j\u00e1 \u00e9 longo&#8230;<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 longo. O Papa aborda menos temas, mais profundamente e com uma capacidade maior de falar \u00e0 vida dos jovens, do que tocar todos os temas poss\u00edveis e depois aquilo \u00e9 tipo uma lista de compras dos temas que a Igreja tem que tocar, mas no fim de contas n\u00e3o h\u00e1 subst\u00e2ncia que possa ser trabalhada.<\/p>\n<p>O Papa tamb\u00e9m teve a capacidade de valorizar tudo aquilo que foi feito para tr\u00e1s, \u00e9 uma Exorta\u00e7\u00e3o profundamente citada, com muita cita\u00e7\u00e3o dos documentos que antes foram publicados. O Papa teria autoridade e legitimidade para isso, mas n\u00e3o quis escrever isto a partir do zero, \u2018agora \u00e9 que eu vou dizer aqui umas coisas\u2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa diz que \u00e9 mais um passo no\u00a0caminho sinodal.<\/em><\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 mais um passo. A pr\u00f3pria decis\u00e3o do Papa de fazer isto assim \u00e9 um sinal \u00e0 Igreja de que este caminho sinodal \u00e9 um caminho que vale a pena realmente ser uma aposta s\u00e9ria da Igreja do s\u00e9culo XXI.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Grandes temas: dos abusos ao mundo digital<\/strong><\/p>\n<p><em>H\u00e1 v\u00e1rias mensagens nesta Exorta\u00e7\u00e3o. O Papa diz, por exemplo, que a Igreja \u2018n\u00e3o \u00e9 um museu&#8217;, alerta para &#8216;as ideologias que escravizam&#8217;, e desafia os jovens a &#8216;cuidarem do Senhor como cuidam da liga\u00e7\u00e3o \u00e0 net&#8217;. Diz tamb\u00e9m que &#8216;os jovens s\u00e3o o agora de Deus&#8217;. Estes s\u00e3o os desafios mais importantes, em sua opini\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim. Eu acho que o Papa foi muito inteligente na forma como construiu esta Exorta\u00e7\u00e3o, porque come\u00e7a por enquadrar teologicamente esta quest\u00e3o da Juventude, indo buscar uma s\u00e9rie de exemplos \u00e0 B\u00edblia, \u00e0 juventude Jesus, depois \u00e0 juventude de Nossa Senhora, e at\u00e9 casos concretos de Santos jovens, que foram exemplos de como viver a Santidade na juventude. E depois o Papa faz uma coisa interessante que \u00e9 um cap\u00edtulo, que \u00e9 relativamente longo, sobre tr\u00eas temas fundamentais, que eu acho que talvez tenham sido os mais falados de todos. A come\u00e7ar a quest\u00e3o do digital: como \u00e9 que hoje a Igreja \u00e9 capaz de fazer uma proposta e de ser relevante no mundo digital, mas &#8211; e isto para mim parece-me importante &#8211; n\u00e3o querer ceder a todas as l\u00f3gicas do mundo digital, porque h\u00e1 alguma coisa de perene e de est\u00e1vel e de s\u00f3lido que a Igreja tem, que manifestamente o mundo digital n\u00e3o tem, e \u00e9 bom que tamb\u00e9m a Igreja n\u00e3o queira ceder em tudo.<\/p>\n<p>Depois a quest\u00e3o das migra\u00e7\u00f5es, que se liga com a quest\u00e3o da identidade, da abertura ao outro, da cultura do encontro, que o Papa p\u00f5e muito em foco nos v\u00e1rios discursos que vai fazendo, e que me parece um tema fundamental para os dias de hoje. E depois o terceiro tema, que \u00e9 o tema dos abusos sexuais, em que o Papa, depois de referir o horror que isto \u00e9, e as solu\u00e7\u00f5es que foram encontradas, diz aos jovens &#8211; e eu fiquei muito comovido com isto: que uma m\u00e3e nunca se abandona. Seja a m\u00e3e o que seja, fa\u00e7a a m\u00e3e o que fa\u00e7a, temos de ter a coragem para apontar o dedo \u00e0 m\u00e3e quando \u00e9 preciso, mas a m\u00e3e n\u00e3o se abandona.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8216;N\u00e3o se abandona a m\u00e3e quando est\u00e1 ferida&#8217;, \u00e9 a express\u00e3o usada.<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um chamamento ao amor \u00e0 Igreja, que cada um dos jovens sinta a Igreja como sua, e tamb\u00e9m se sinta respons\u00e1vel pelos caminhos que a Igreja vai tomando.Portanto este cap\u00edtulo \u00e9 muito forte nesses tr\u00eas temas&#8230;<\/p>\n<figure id=\"attachment_133608\" aria-describedby=\"caption-attachment-133608\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-133608 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR2.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR2.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR2-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-133608\" class=\"wp-caption-text\">Foto RR\/In\u00eas Rocha, Tom\u00e1s Virtuoso<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Os temas centrais: Cristo vive<\/strong><\/p>\n<p><em>Um cap\u00edtulo que tamb\u00e9m \u00e9 central \u00e9 o quarto cap\u00edtulo \u2018O grande an\u00fancio para todos os jovens\u2019. De que forma \u00e9 que o Papa assume o perfil do te\u00f3logo a falar sobre temas que t\u00eam uma profundidade diferente e podem estar mais distantes dos jovens\u2026<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um cap\u00edtulo que eu acho que \u00e9 surpreendente, aparecer ali no meio\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Parece uma aula de teologia, e n\u00e3o uma carta aos jovens&#8230;<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma coisa interessant\u00edssima. A Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica j\u00e1 vai lan\u00e7ada quando o Papa vem com esse cap\u00edtulo.<\/p>\n<blockquote><p>O Papa p\u00e1ra e diz assim \u2013 \u2018meus amigos, mais do que nos preocuparmos como \u00e9 que anunciamos o que queremos anunciar, ou preocuparmo-nos demasiado com as formas, os\u00a0 m\u00e9todos ou as estrat\u00e9gias, vale a pena parar para perguntar o que \u00e9 que n\u00f3s queremos anunciar? O que \u00e9 que n\u00f3s temos de diferente, o que \u00e9 que n\u00f3s temos de relevante, que possa falar \u00e0 vida dos jovens de cada tempo?\u2019\u2026<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esse pode ser o problema da Pastoral Juvenil, nunca ter pensado nos conte\u00fados e ter olhado mais para as formas?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o sei, em parte pode ter sido. Muitas vezes estamos t\u00e3o preocupados com a forma, que o conte\u00fado da mensagem que queremos transmitir vai sendo progressivamente deixado de fora. A forma como est\u00e1 escrito parece um av\u00f4 a relembrar-nos coisas fundamentais, a dizer &#8216;Deus ama-te, Cristo salva-te, Cristo vive, o Esp\u00edrito Santo acompanha-te no teu caminho\u2019. At\u00e9 o facto de acabar com uma cita\u00e7\u00e3o do &#8216;Enamora-te&#8217;, uma ora\u00e7\u00e3o do padre jesu\u00edta Pedro Arrupe, \u00e9 o cl\u00edmax do cap\u00edtulo.<\/p>\n<p>\u00c9 muito interessante que o Papa o queira p\u00f4r praticamente no centro da Exorta\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 o cap\u00edtulo quarto, e eles s\u00e3o nove. No fundo a quest\u00e3o fundamental \u00e9 esta: \u00a0n\u00f3s precisamos de cuidar aquilo que queremos transmitir a cada um dos jovens, e sobretudo ter uma no\u00e7\u00e3o clara de que n\u00e3o temos nada mais a oferecer a cada um dos jovens que n\u00e3o a pessoa de Jesus, e como a pessoa de Jesus realmente lhes pode mudar a vida, e pode ser a resposta fundamental \u00e0s quest\u00f5es mais profundas que eles t\u00eam no seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No cap\u00edtulo que \u00e9 dedicado \u00e0 pastoral juvenil, o Papa aponta v\u00e1rios caminhos a seguir, e lembra que n\u00e3o pode haver pastoral para os jovens sem o seu envolvimento. \u00c9 importante que isso seja tido em conta e seguido pela Igreja?<\/em><\/p>\n<p>Claro, sobretudo tendo em ideia at\u00e9 uma coisa que o Papa diz no documento, quando fala das escolas cat\u00f3licas, que \u00e9 a import\u00e2ncia de integrar os saberes da cabe\u00e7a, do cora\u00e7\u00e3o e das m\u00e3os. Tamb\u00e9m \u00e9 isso que eu acho que tem de se pedir aos jovens de hoje, esta capacidade de, estando dentro da Igreja, possam eles mesmo cuidar n\u00e3o s\u00f3 do seu cora\u00e7\u00e3o, e portanto da sua intimidade com Jesus. Que a Igreja possa dar-lhes uma experi\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o e de vida \u00edntima com Jesus profunda, mas que tamb\u00e9m lhes possa dar a capacidade de n\u00e3o s\u00f3 fazer coisas, p\u00f4r em pr\u00e1tica os planos da pastoral juvenil, como tamb\u00e9m de pens\u00e1-los raiz. Isto muda a forma como os jovens est\u00e3o na Igreja, n\u00e3o serem espetadores passivos, como o Papa repete muitas vezes, \u2018na varanda da sua hist\u00f3ria\u2019 e \u2018na varanda da vida da Igreja\u2019, ou ent\u00e3o numa rela\u00e7\u00e3o quase de supermercado, em que v\u00e3o, servem-se do que querem, e v\u00e3o embora, n\u00e3o se vinculam nem se comprometem.<\/p>\n<blockquote><p>Quem se sente respons\u00e1vel sente-se comprometido, quem se sente respons\u00e1vel sente-se mais parte da vida da Igreja. Como dizia h\u00e1 pouco: ter a Igreja como coisa sua parece-me absolutamente fundamental.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que conceito \u00e9 este da &#8216;pastoral juvenil popular&#8217;, que o Papa introduz neste documento?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 interessante. \u00c9 um conceito que o Papa aborda em duas \u00e1reas distintas. Numa primeira fase deixa uma nota para que se tenha cuidado com certos elitismos nas propostas de pastoral juvenil que se fazem, para o facto de Jesus ser universal, ser para todos, o que tem de ter consequ\u00eancias pr\u00e1ticas na forma como a Igreja vai estruturando a sua proposta de pastoral juvenil. Portanto, a capacidade de chegar a todos e que, independentemente das circunst\u00e2ncias e dos percursos de vida, saibamos ser resposta para todos os jovens.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o \u00e9 que os pr\u00f3prios jovens sejam o cora\u00e7\u00e3o da Pastoral Juvenil e n\u00e3o sejam s\u00f3 s\u00e3o mais um sat\u00e9lite. Quer dizer, n\u00e3o chegar aos jovens com produtos acabados, que eles depois aproveitam como querem, mas que, em \u00faltima an\u00e1lise, at\u00e9 podem ter uma rela\u00e7\u00e3o de cultura de descarte: &#8216;eu aproveitei, eu tirei o que queria, e agora deito fora&#8217;. N\u00e3o, a \u2018pastoral popular juvenil\u2019 \u00e9 uma pastoral enraizada na pr\u00f3pria realidade de cada um dos jovens, que parte das aspira\u00e7\u00f5es que eles t\u00eam, e que tem nos jovens o seu principal meio de concretiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pela experi\u00eancia que tem, em Portugal j\u00e1 se est\u00e1 a fazer mais esse caminho ao n\u00edvel da pastoral juvenil?<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_133609\" aria-describedby=\"caption-attachment-133609\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR3.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-133609\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR3-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Tomas_Virtuoso_RR3.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-133609\" class=\"wp-caption-text\">Foto RR\/In\u00eas Rocha, Tom\u00e1s Virtuoso<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nas Equipas de Jovens de Nossa Senhora (EJNS), que \u00e9 um movimento de que muito me orgulho de pertencer, a quem devo muit\u00edssimo na minha vida de f\u00e9, neste ensinar-me a estar em Igreja e em amar uma Igreja verdadeiramente universal, agora tamb\u00e9m com esta experi\u00eancia no Secretariado Internacional, sim! Realmente o que eu vou vendo \u00e9 este espa\u00e7o que se d\u00e1 aos jovens, de n\u00e3o serem s\u00f3 as m\u00e3os, mas tamb\u00e9m serem o cora\u00e7\u00e3o e a cabe\u00e7a. E a capacidade que os jovens t\u00eam de ler alguns sinais dos tempos. Sim, \u00e9 um facto que tamb\u00e9m precisamos da experi\u00eancia de vida, precisamos dos mais velhos, mas os jovens est\u00e3o nos s\u00edtios onde a juventude hoje acontece. Portanto, esta confian\u00e7a de que os jovens de hoje podem saber ler os sinais dos tempos, eu tenho visto isso nas Equipas e \u00e9 muito bonito ver como quando se p\u00f5e uma medida alta ao jovem, ele tem esse desejo de cumprimento e vai l\u00e1. N\u00e3o se pode infantilizar os jovens, achando-se que n\u00e3o t\u00eam capacidade de se levar a s\u00e9rio, s\u00f3 querem brincadeira e vida f\u00e1cil. Isso \u00e0s vezes pode ser verdade, mas no fundo, no fundo, no cora\u00e7\u00e3o de cada jovem h\u00e1 este desejo de se sentir realizado e de saber que \u00e9 feito para coisas grandes. \u00c9 isso que tenho experienciado nas Equipas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Abusos: <\/strong><strong>nenhuma outra \u00e9 t\u00e3o danosa para a rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a entre os jovens e a Igreja<\/strong>.<\/p>\n<p><em>Retomemos a quest\u00e3o dos abusos e o pedido do Papa aos jovens para que n\u00e3o se deixem abater pelas \u2018falhas da Igreja\u2019. Corre-se o risco de se perder a confian\u00e7a dos jovens por causa destes esc\u00e2ndalos?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que sim e \u00e9 importante olharmos para a quest\u00e3o sem rodeios.<\/p>\n<blockquote><p>Arrisco mesmo a dizer que nenhuma outra \u00e9 t\u00e3o danosa para a rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a entre os jovens e a Igreja como esta.E ainda bem que \u00e9, porque aqui os jovens n\u00e3o est\u00e3o enganados quando dizem \u2018quero que algu\u00e9m que acompanhe o meu cora\u00e7\u00e3o e o meu crescimento de vida, n\u00e3o esteja envolvido em suspeitas por causa dos abusos sexuais, de consci\u00eancia ou de poder\u2019. \u00c9 importante n\u00e3o focar s\u00f3 os abusos sexuais, que s\u00e3o o problema mais dram\u00e1tico e mais vis\u00edvel, mas os outros tamb\u00e9m s\u00e3o relevantes.<\/p><\/blockquote>\n<p>Acho fundamental termos a capacidade de n\u00e3o olhar este problema dos abusos como sendo de padres, cardeais e do Papa. Tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o nossa porque levanta desafios importantes \u00e0 nossa vida: como \u00e9 que eu como jovem, e n\u00f3s como jovens cat\u00f3licos, e nos meios cat\u00f3licos, que cultura de poder \u00e9 que temos? \u00c9 poder como servi\u00e7o, ou como domina\u00e7\u00e3o do outro? Como fomentamos, nos meios cat\u00f3licos, a transpar\u00eancia e a unidade de vida? Pessoas que s\u00e3o uma coisa em todas as vertentes da sua vida. Ter a capacidade de recusar as vidas duplas.Porque a meu ver o tema dos abusos sexuais est\u00e1 relacionado com estes temas. Depois, infelizmente levantam-se outros temas, como o celibato, que s\u00e3o laterais e desfocam do tema fundamental aqui, que \u00e9 um problema de poder, de capacidade de viver a vida com transpar\u00eancia, com simplicidade, sem duplicidade de discurso, \u2018eu sou aqui uma coisa, e sou ali outra\u2019.<\/p>\n<p>Portanto esta quest\u00e3o dos abusos sexuais, parece-me, pode ser muito \u00fatil para n\u00f3s jovens crescermos saudavelmente, porque h\u00e1 um perigo nesta vontade de dar mais poder aos jovens e p\u00f4-los protagonistas: se em vez de estarmos a formar gente ao servi\u00e7o dos outros, estamos a formar monstros com egos intermin\u00e1veis, de jovens que se n\u00e3o est\u00e3o no centro\u2026! E\u00a0 sobretudo neste tempo de responsabilidade, e de JMJ em Portugal, \u00e9 muito importante formar os jovens na consci\u00eancia de que o servir \u00e9 humilde e desinteressado e n\u00e3o um permanente procurar que o meu ego cres\u00e7a.<\/p>\n<p>O tema dos abusos sexuais n\u00e3o \u00e9 um cometa, um sat\u00e9lite muito afastado! N\u00e3o! Est\u00e1 no centro do que queremos propor aos jovens, em cada tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Lisboa 2022: Jornada Mundial da Juventude em Portugal<\/strong><\/p>\n<p><em>A Jornada Mundial da Juventude pode ter esse perigo, se n\u00e3o existirem parcerias entre as diferentes lideran\u00e7as na Igreja Cat\u00f3lica, de Movimentos Juvenis, pode ser um afirmar de identidade, de partes, de segmentos da Igreja?<\/em><\/p>\n<p>Eu tenho pena de entrarmos neste tema das Jornadas com uma coisa t\u00e3o negativa. Porque acho mesmo que \u00e9 uma gra\u00e7a, um dom! Tenho dado por mim a agradecer todos os dias a sorte que estou a ter, como uma s\u00e9rie de amigos meus, de sermos jovens cat\u00f3licos, comprometidos com a Igreja e apaixonados pela Igreja, neste tempo da sua hist\u00f3ria em que vem uma coisas destas para Portugal.<\/p>\n<p>Tudo o que \u00e9 bom tamb\u00e9m pode ter coisas m\u00e1s. Nas jornadas, e os senhores bispos com responsabilidades, o senhor D. Am\u00e9rico e o Senhor D. Joaquim, tamb\u00e9m o dizem, vamos ser todos precisos e toda a gente vai ter de se envolver. \u00c9 evidente que, como em tudo na vida, pode ser uma ocasi\u00e3o para descentrar cora\u00e7\u00f5es, para procurar ter mais um \u2018quinh\u00e3o de poder\u2019, ter mais notoriedade ou ter este cargo e n\u00e3o ser uma ocasi\u00e3o de cada um perguntar simplesmente isto: \u2018como \u00e9 que eu posso crescer interiormente com estas jornadas e, a partir deste crescimento interior, servir mais a Igreja?\u2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A sua experi\u00eancia nas JMJ no Panam\u00e1 mostra que acaba por acontecer sempre o trabalho em conjunto?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o tenho d\u00favidas nenhumas disso!O caminho pode ser acidentado, h\u00e1 coisas que n\u00e3o v\u00e3o correr t\u00e3o bem, pode haver uma ou outra divis\u00e3o, e isso \u00e9 normal, na medida certa.<\/p>\n<p>Eu tive a grande sorte de ter estado no Panam\u00e1 um m\u00eas, a trabalhar no comit\u00e9 de organiza\u00e7\u00e3o, na dire\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es internacionais. Foi uma experi\u00eancia intens\u00edssima e muito interessante, em que trabalhei muito e tamb\u00e9m aprendi muito e vi uma coisa que me marcou (e espero que no Panam\u00e1 ningu\u00e9m me ou\u00e7a): realmente em termos de organiza\u00e7\u00e3o, eles n\u00e3o s\u00e3o muito organizados, foi um tanto ou quanto ca\u00f3tico, para algu\u00e9m que est\u00e1 habituado, em Portugal, a alguma organiza\u00e7\u00e3o; mas, o que mais me marcou \u00e9 que, mesmo que tudo falhasse na organiza\u00e7\u00e3o, o cora\u00e7\u00e3o daquela gente estava centrado no essencial; \u00a0a capacidade que tinham de, mesmo que tudo estivesse a cair, n\u00e3o deixarem de rezar. Quando as reuni\u00f5es come\u00e7avam a ficar muito tensas, rezavam ao Esp\u00edrito Santo para que os iluminasse, ou pegavam em pandeiretas e come\u00e7avam a cantar com uma alegria profund\u00edssima. Isto tem uma parte cultural que \u00e9 dif\u00edcil transportar para c\u00e1, mas ao mesmo tempo d\u00e1-nos uma boa li\u00e7\u00e3o, a esta Europa\u00a0encarquilhada e velha, demasiado focada nas quest\u00f5es da efici\u00eancia, da compet\u00eancia e da produtividade, que \u00e0s vezes nos descentram do fundamental.<\/p>\n<blockquote><p>As Jornadas t\u00eam de ser mais do que tudo o resto uma ocasi\u00e3o de cada um dos jovens poder fazer um encontro profundo na sua vida com Jesus e n\u00e3o ser um mero evento log\u00edstico, igual a qualquer festival de ver\u00e3o, onde as \u00fanicas coisas que interessam s\u00e3o resultados, indicadores e \u00edndices de produtividade ou de compet\u00eancia. Saibamos cuidar ao longo destes tr\u00eas anos e meio do cora\u00e7\u00e3o das jornadas.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O que espera que possa mudar na Igreja com estas jornadas? Ser\u00e1 um momento de mostrar a vitalidade da f\u00e9 que existe em Portugal, entre os jovens cat\u00f3licos?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Concordo muito com uma coisa que o senhor D. Manuel Clemente tem dito: as jornadas v\u00eam para Portugal num momento not\u00e1vel. Eu vou ouvindo, pelos meus pais e gente mais velha, como era a Igreja em Portugal nos tempos deles. Hoje em dia olho \u00e0 volta e vejo uma quantidade de gente a fazer coisas inacredit\u00e1veis!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, \u00e0s vezes n\u00e3o \u00e9 essa a perce\u00e7\u00e3o que quem n\u00e3o \u00e9 crente ou cat\u00f3lico tem\u2026<\/em><\/p>\n<p>Certo. Realmente temos uma Igreja viva e cheia de vitalidade, mas isso n\u00e3o nos pode colocar numa posi\u00e7\u00e3o de \u2018j\u00e1 fizemos o que t\u00ednhamos a fazer, j\u00e1 chegamos onde t\u00ednhamos de chegar, n\u00e3o temos mais nada a propor\u2019.<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o. Nestes tr\u00eas anos e meio \u2013 gosto de p\u00f4r isto assim, porque \u00e9 o mais importante, n\u00e3o s\u00e3o aquelas duas semanas das JMJ que v\u00e3o mudar alguma coisa &#8211; tem de haver um processo claro de convers\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es, das cabe\u00e7as e das m\u00e3os, da capacidade de fazer coisas diferentes.Objetivamente, algumas coisas em Portugal ter\u00e3o de mudar, outras ter\u00e3o de se manter, porque j\u00e1 fazemos tanta coisa bem!<\/p><\/blockquote>\n<p>Estes tr\u00eas anos e meio, mais do que tudo o resto, tem de ser uma ocasi\u00e3o de cada um, a partir de si mesmo e, passando pelos seus movimentos, par\u00f3quias, dioceses , pela Igreja em Portugal, perguntar: onde ainda n\u00e3o estamos? Onde queremos chegar? Onde \u00e9 que Jesus ainda n\u00e3o \u00e9 conhecido? Quando fazemos estas perguntas a s\u00e9rio, percebemos que h\u00e1 uma s\u00e9rie de \u00e1reas onde ainda n\u00e3o estamos. J\u00e1 fazemos coisas muito bonitas, mas ainda n\u00e3o conseguimos comunicar bem, nas mais variadas \u00e1reas, seja na cultura, na comunica\u00e7\u00e3o social, no ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio, na pol\u00edtica. H\u00e1 tantas \u00e1reas onde a Igreja pode trabalhar e crescer.<\/p>\n<p>As jornadas t\u00eam de ser uma ocasi\u00e3o de nos apaixonarmos mais pela Igreja e trabalharmos mais para alargarmos o cora\u00e7\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Equipas Jovens de Nossa Senhora: em liga\u00e7\u00e3o com a S\u00edria<\/strong><\/p>\n<p><em>Tudo isso est\u00e1 a acontecer a uma escala internacional, em cada um dos Movimentos. Falemos especificamente das Equipas de Jovens de Nossa Senhora (EJNS): integra o Secretariado Internacional e est\u00e1 a fazer uma ponte com a S\u00edria&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Sim. As EJNS est\u00e3o espalhadas pelo mundo todo. Neste momento, estou respons\u00e1vel por acompanhar os pa\u00edses da Europa e da S\u00edria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O que \u00e9 que a S\u00edria traz de novo \u00e0s din\u00e2micas das Equipas?<\/em><\/p>\n<p>Est\u00e1 a ser uma experi\u00eancia incr\u00edvel. Falo recorrentemente com o respons\u00e1vel do Movimento na S\u00edria, onde as Equipas est\u00e3o presentes h\u00e1 muitos anos, mas reduziram-se muito por causa da guerra e agora est\u00e3o a voltar a crescer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quantas Equipas existem na S\u00edria?<\/em><\/p>\n<p>Entre 10 a 20. \u00c9 uma realidade muito pequena, comparada com Portugal\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em Portugal h\u00e1 3000 equipistas&#8230;<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdade e cheios de vitalidade. Mas, h\u00e1 uma semana, recebi um email do respons\u00e1vel nacional das Equipas na S\u00edria a dizer que depois de muito tempo de reflex\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o, decidiram voltar a Homs, uma das cidades que foi totalmente destru\u00edda e dominada pelo Estado Isl\u00e2mico. Ele pedia a nossa a ajuda, log\u00edstica, financeira e com ora\u00e7\u00f5es, porque, agora que a cidade j\u00e1 estava limpa de terroristas, tinham decidido voltar a essa cidade, depois de um padre que foi para l\u00e1 ter feito uma proposta espiritual aos jovens crist\u00e3os na S\u00edria para renascerem das cinzas. E decidiram voltar para Homs.<\/p>\n<p>As Equipas s\u00e3o isto e a Igreja \u00e9 isto: levar esperan\u00e7a \u00e0 vida das pessoas e saber dizer a cada uma,\u00a0 nas suas circunst\u00e2ncias concretas de vida, que h\u00e1 um tesouro que temos, que encontramos nas nossas vidas e que queremos levar \u00e0s vidas delas. \u00c9 isto que tenho aprendido nas Equipas e \u00e9 isto que a Igreja me tem dado. E \u00e9 tamb\u00e9m por isto que eu acho que o grande desafio, independentemente das jornadas ou dos s\u00ednodos, \u00e9 que cada jovem cat\u00f3lico, a partir de uma paix\u00e3o e de uma alegria de viver, de uma esperan\u00e7a e de uma verdadeira autenticidade, seja capaz de mostrar como Jesus continua a ser a resposta \u00e0s perguntas mais profundas que os jovens de cada tempo, e seguramente no tempo de hoje, t\u00eam no seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A carta do Papa Francisco dirigida aos \u00a0jovens de todo o mundo com as conclus\u00f5es do S\u00ednodo dos Bispos sobre a juventude e a voca\u00e7\u00e3o \u00e9 analisada por Tom\u00e1s Virtuoso na entrevista da semana 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