{"id":13312,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/emigrantes-exigem-mais-atencao-do-estado\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"emigrantes-exigem-mais-atencao-do-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/emigrantes-exigem-mais-atencao-do-estado\/","title":{"rendered":"Emigrantes exigem mais aten\u00e7\u00e3o do Estado"},"content":{"rendered":"<p>As comunidades de emigrantes portugueses exigem mais aten\u00e7\u00e3o do Estado para os problemas que afectam um ter\u00e7o dos cidad\u00e3os, que pelos mais variados motivos vivem e trabalham longe da p\u00e1tria, cuja hist\u00f3ria corre risco de se perder.  A mensagem foi deixada ontem por Jos\u00e9 Machado, presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es Portuguesas em Fran\u00e7a, na abertura da Conven\u00e7\u00e3o C\u00edvica das Comunidades Portuguesas, em Fafe, que ficou marcada pela apresenta\u00e7\u00e3o do Museu da Emigra\u00e7\u00e3o e das Comunidades (texto junto).  \u00abAt\u00e9 agora Portugal ainda n\u00e3o tomou a iniciativa de assumir a preserva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da emigra\u00e7\u00e3o\u00bb, afirmou o presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es Portuguesas em Fran\u00e7a, notando que esta atitude contrasta com outras grandes na\u00e7\u00f5es emigrantes como Israel, os EUA e a Fran\u00e7a, sendo que esta assumiu recentemente a miss\u00e3o de reunir a hist\u00f3ria das sua diversas comunidades.  Jos\u00e9 Machado notou que a mem\u00f3ria e a hist\u00f3ria da epopeia da emigra\u00e7\u00e3o portuguesa \u00abestava a perder-se, porque est\u00e3o a desaparecer os actores da emigra\u00e7\u00e3o \u00bb, ou seja, aqueles que viveram mais directamente esse fen\u00f3meno e que melhor podem fazer a hist\u00f3ria desta ter\u00e7a parte da na\u00e7\u00e3o portuguesa.  \u00abA emigra\u00e7\u00e3o arrisca-se, assim, a perder a sua pr\u00f3pria mem\u00f3ria\u00bb, pelo que era importante que o Estado assumisse a sua salvaguarda, assinalou. Neste sentido, o representante das Associa\u00e7\u00f5es Portuguesas em Fran\u00e7a enalteceu a iniciativa da C\u00e2mara de Fafe de avan\u00e7ar com a cria\u00e7\u00e3o do que pretende ser reconhecido como o Museu Nacional da Emigra\u00e7\u00e3o.  \u00abQualquer cidade deveria orgulhar-se de ter um museu dedicado \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o \u00bb, notou, lamentando que por vezes se gaste dinheiro em coisas secund\u00e1rias, em vez de reconhecer \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o o papel que ela merece. Manifestar o seu reconhecimento pelo investimento que a autarquia dedica \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o foi, por isso, o motivo porque decidiram realizar em Fafe a \u201cConven\u00e7\u00e3o C\u00edvica das Comunidades Portuguesas\u201d, que teve na sua g\u00e9nese o impulso de ex-exilados como Em\u00eddio Guerreiro e Jos\u00e9 Augusto Seabra e que pretende ser um f\u00f3rum aberto de debate sobre os problemas da emigra\u00e7\u00e3o, juntando durante o dia de hoje diversos respons\u00e1veis e especialistas naquela cidade.   <b>Portugal cresceu sempre que saiu al\u00e9m fronteiras<\/b> Jos\u00e9 Machado reconheceu, contudo, que o futuro n\u00e3o exige s\u00f3 maior empenho do Governo, mas tamb\u00e9m uma maior articula\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es de emigrantes espalhadas por todo o mundo. \u00abSomos milh\u00f5es e temos centenas de associa\u00e7\u00f5es, mas temos ainda pouca visibilidade \u00bb, referiu, desejando que a Conven\u00e7\u00e3o possa ser no futuro ainda mais abrangente. No mesmo sentido, manifestou- se a ex-deputada pelo c\u00edrculo da emigra\u00e7\u00e3o Manuela Aguiar que assinalou o facto de Portugal ser \u00aba \u00fanica grande n\u00e3o emigrante que n\u00e3o tem uma estrutura internacional que agregue as diversas comunidades\u00bb.  Manuela Aguiar felicitou a autarquia pela iniciativa do museu, considerando que este est\u00e1 muito melhor em Fafe do que em Lisboa\u00bb e desejando que se torne uma centro de estudo da emigra\u00e7\u00e3o portuguesa. Infelizmente, \u00aba emigra\u00e7\u00e3o raramente faz parte do discurso pol\u00edtico, pelo que est\u00e1-se a pensar no futuro sem utilizar a for\u00e7a de uma ter\u00e7o dos portugueses \u00bb, lamentou.  Tamb\u00e9m o ex-deputado Carlos Lu\u00eds enalteceu o papel da emigra\u00e7\u00e3o, considerando que \u00abPortugal cresceu sempre que olhou al\u00e9m das fronteiras do continente e regrediu quando se reduziu ao espa\u00e7o europeu\u00bb. O ex-parlamentar notou que \u00abn\u00e3o h\u00e1 nenhuma fam\u00edlia que n\u00e3o tenha emigrantes\u00bb, real\u00e7ando que \u00absempre que calcorreamos todos os oceanos e continentes crescemos enquanto na\u00e7\u00e3o e hoje que nos fechamos dentro das fronteiras estamos quase a regredir\u00bb.  <b>Museu da Emigra\u00e7\u00e3o<\/b> A Autarquia de Fafe apresentou ontem publicamente o novo museu virtual da Emigra\u00e7\u00e3o e das Comunidades, que passa a estar dispon\u00edvel em www.museu-emigrantes. org  \u00abH\u00e1 quatro anos que a autarquia de Fafe decidiu avan\u00e7ar com a ideia de criar um Museu da Emigra\u00e7\u00e3o e das Comunidades, j\u00e1 que at\u00e9 ent\u00e3o o pa\u00eds n\u00e3o tinha dado a aten\u00e7\u00e3o devida aos seus emigrantes\u00bb, amou o edil Jos\u00e9 Ribeiro, na abertura da Conven\u00e7\u00e3o C\u00edvica das Comunidades Portuguesas.  O autarca fafense notou que o objectivo \u00e9 que este \u00abseja um museu nacional, que fa\u00e7a a hist\u00f3ria da emigra\u00e7\u00e3o portuguesa\u00bb, notando que desde ent\u00e3o \u00abmuito foi feito\u00bb sob a coordena\u00e7\u00e3o de Miguel Monteiro, sendo que neste momento a autarquia \u00abest\u00e1 em negocia\u00e7\u00f5es para a aquisi\u00e7\u00e3o de um edif\u00edcio\u00bb, para dar exist\u00eancia f\u00edsica a um museu, que j\u00e1 disponibiliza pela Internet um importante esp\u00f3lio hist\u00f3rico-documental.  \u00abEste \u00e9 um projecto que queremos realizar com todo o rigor cient\u00edfico e sem pressas \u00bb, referiu ainda o presidente da autarquia, entidade que \u00e9 at\u00e9 agora a \u00fanica financiadora do museu. Neste sentido o projecto espera tamb\u00e9m obter apoio financeiro da Secretaria de Estado da Emigra\u00e7\u00e3o e das Comunidades e de outras autarquias que se associem ao projecto, para al\u00e9m da colabora\u00e7\u00e3o do Instituto Portugu\u00eas dos Museus e de institui\u00e7\u00f5es cong\u00e9neres nacionais e estrangeiras.  Embora ainda naturalmente muito centrado em Fafe, o museu virtual re\u00fane j\u00e1 um grande volume de informa\u00e7\u00e3o, organizada por seis salas \u2013 \u00e1reas tem\u00e1ticas \u2013 a come\u00e7ar pela \u201cSala dos Indiv\u00edduos\u201d, organizada por \u00e1reas geogr\u00e1ficas, onde pode ser encontrada a identifica\u00e7\u00e3o e biografia; a \u201cSala da Ascend\u00eancia\u201d, onde se procura construir a genealogia, a partir da base de dados do N\u00facleo de Estudos de Popula\u00e7\u00e3o e Sociedade da Universidade do Minho, e aceder ao historial de fam\u00edlias, a partir de registos paroquiais e de outras fontes documentais.  Este espa\u00e7o virtual, acess\u00edvel em qualquer ponto do mundo, \u00e9 composto tamb\u00e9m por uma \u201cSala da Mem\u00f3ria\u201d, que d\u00e1 visibilidade \u00e0s express\u00f5es materiais e simb\u00f3licas da emigra\u00e7\u00e3o; a \u201cSala das Comunidades\u201d, com divulga\u00e7\u00e3o das actividades e a manuten\u00e7\u00e3o de la\u00e7os com os territ\u00f3rios de origem; a \u201cSala do Conhecimento\u201d, que divulga trabalhos cient\u00edficos nos diferentes dom\u00ednios da coloniza\u00e7\u00e3o e da emigra\u00e7\u00e3o; e a \u201cSala da Historia e da Lusofonia\u201d que revela a vida e a obra de figuras significativas associadas a constru\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio da Lusofonia. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As comunidades de emigrantes portugueses exigem mais aten\u00e7\u00e3o do Estado para os problemas que afectam um ter\u00e7o dos cidad\u00e3os, que pelos mais variados motivos vivem e trabalham longe da p\u00e1tria, cuja hist\u00f3ria corre risco de se perder. 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