{"id":132992,"date":"2019-04-08T10:16:27","date_gmt":"2019-04-08T09:16:27","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=132992"},"modified":"2019-04-08T10:16:27","modified_gmt":"2019-04-08T09:16:27","slug":"o-desafio-de-conversar-com-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-desafio-de-conversar-com-deus\/","title":{"rendered":"O desafio de conversar com Deus"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><!--more--><\/p>\n<p><em>A vida digital de muitas pessoas \u00e9 mais intensa e activa do que a vida real. Todos estamos conectados. Uma grande parte atrav\u00e9s das redes sociais, ou em grupos de WhatsApp. E isto acontece de tal modo que me questionei qual o efeito que tem sobre as nossas conversas com Deus. \u00c9 que h\u00e1 uma diferen\u00e7a grande entre conectar e conversar.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/silence.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-132993  alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/silence-1005x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"553\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/silence-1005x1024.jpg 1005w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/silence-255x260.jpg 255w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/silence-768x783.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/silence-1080x1101.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/silence.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 553px) 100vw, 553px\" \/><\/a>No seu livro <em><a href=\"https:\/\/www.wook.pt\/livro\/reclaiming-conversation-sherry-turkle\/16675985\">Reclaiming conversation<\/a><\/em>, Sherry Turkle, professora no MIT distingue <em>conex\u00e3o<\/em> de <em>conversa<\/em>.<\/p>\n<p><em>Conex\u00e3o<\/em> \u00e9 a palavra que d\u00e1 \u00e0s interac\u00e7\u00f5es de banda-curta que definem as nossas vidas online.<\/p>\n<p><em>Conversa<\/em> corresponde a uma comunica\u00e7\u00e3o de banda-larga que define os encontros reais entre seres humanos.<\/p>\n<blockquote><p>\u201dUma conversa face-a-face \u00e9 a coisa mais humana e humanizante que podemos fazer. Totalmente presentes um ao outro, aprendemos a escutar. \u00c9 a\u00ed que desenvolvemos a capacidade para a empatia. \u00c9 a\u00ed que experimentamos a alegria de ser escutado e compreendido.\u201d (Sherry Turkle)<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 mais f\u00e1cil conectar do que conversar, mas o nosso bem-estar diminui &#8211; segundo alguns estudos que Turkle refere no seu livro &#8211; quando substitu\u00edmos a conversa pela conex\u00e3o.<\/p>\n<p>Este aspecto fez-me lembrar uma experi\u00eancia que fiz enquanto lia sobre esta distin\u00e7\u00e3o. Soube de um amigo que achou interessante participar na organiza\u00e7\u00e3o de uma iniciativa que eu estava a desenvolver. Nesse sentido, enviei-lhe uma mensagem por WhatsApp a perguntar se estaria interessado em participar. Percebi que leu, mas n\u00e3o respondeu. O meu primeiro pensamento foi: se estivesse realmente interessado teria respondido. Mas n\u00e3o estaria eu a substituir a conversa pela conex\u00e3o? Foi a\u00ed que decidi telefonar para conversar e percebi que diversos empenhos levaram-no a esquecer-se de responder.<\/p>\n<p>As conversas face-a-face s\u00e3o lentas, exigem paci\u00eancia, um tom adequado na voz e uma aten\u00e7\u00e3o plena \u00e0s nuances da cara, corpo, voz do outro e conte\u00fado daquilo que fala. Mas \u00e9 precisamente isso que faz das conversas o que constr\u00f3i e mant\u00e9m os relacionamentos.<\/p>\n<p>De Deus nunca receberemos uma mensagem, um \u201clike\u201d ou \u201ccora\u00e7\u00e3o\u201d, um coment\u00e1rio ou emojis. Com Deus s\u00f3 mesmo uma conversa face-a-face. As formas de conectar poder\u00e3o servir de suporte para as formas de conversar, como \u00e9 o caso das chamadas v\u00eddeo, e no caso de Deus, apps que nos ajudam a rezar, mas n\u00e3o h\u00e1 <em>conex\u00e3o digital<\/em> que substitua uma <em>conversa real<\/em> com Deus. E o desafio est\u00e1 mesmo a\u00ed.<\/p>\n<p>Diante do sacr\u00e1rio falo interiormente e escuto em sil\u00eancio. No quarto quando paro, sento-me, fecho os olhos para rezar, e o mais comum \u00e9 faz\u00ea-lo no sil\u00eancio. Mas quantas vezes n\u00e3o me vieram as l\u00e1grimas aos olhos com um c\u00e2ntico, ou na comunh\u00e3o depois de um momento s\u00e9rio e aberto de confiss\u00e3o, ainda que n\u00e3o sa\u00edsse uma nota da boca ou uma palavra? E quantas vezes a resposta de Deus n\u00e3o ocorre no sil\u00eancio?<\/p>\n<p>Aos olhos do mundo sabemos qu\u00e3o grande \u00e9 o contra-senso. Que a conversa mais profunda e \u00edntima com Deus se d\u00ea no sil\u00eancio. Mas no mundo de tanto ru\u00eddo digital e urbano, o que \u00e9 mais lento, paciente e exigente do que o sil\u00eancio?<\/p>\n<blockquote><p>\u201d-Senhor, do\u00eda-me que estivesses sempre em sil\u00eancio&#8230;<\/p>\n<p>-N\u00e3o estava em sil\u00eancio. Sofria ao teu lado.<\/p>\n<p>-Mas tu mandaste embora Judas: \u2018O que tens a fazer, f\u00e1-lo depressa!\u2019 O que foi feito de Judas, Senhor?<\/p>\n<p>-Eu n\u00e3o o mandei embora. Apenas disse que fizesse quanto antes o que tinha a fazer (&#8230;) porque Judas tinha dorido o cora\u00e7\u00e3o como tu agora.\u201d (Sil\u00eancio, Shusaku Endo)<\/p><\/blockquote>\n<p>As conversas com Deus ser\u00e3o sempre originais, mas exigem que dediquemos tempo ao sil\u00eancio. E quando sofremos com o Seu sil\u00eancio sabemos que \u00e9 o momento em que Ele est\u00e1 mais pr\u00f3ximo de n\u00f3s do que nunca. \u00c9 quando a palavra, gesto, emo\u00e7\u00e3o mais inesperada surgem, mudam a nossa realidade e daqueles \u00e0 nossa volta. Um sil\u00eancio que n\u00e3o cessa de nos surpreender.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-132992","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132992","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=132992"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132992\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132992"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=132992"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=132992"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}