{"id":13277,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/bispo-de-santarem-sublinha-valor-das-festas-religiosas\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"bispo-de-santarem-sublinha-valor-das-festas-religiosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bispo-de-santarem-sublinha-valor-das-festas-religiosas\/","title":{"rendered":"Bispo de Santar\u00e9m sublinha valor das Festas Religiosas"},"content":{"rendered":"<p>O m\u00eas de Agosto \u00e9 a ocasi\u00e3o de muitas festas. As popula\u00e7\u00f5es de cada localidade movimentam-se, esfor\u00e7am-se e congregam-se para organizar uma festa com brilho. Normalmente s\u00e3o designadas de festas religiosas e ostentam quase sempre nos cartazes a imagem do(a) padroeiro(a) da terra. Tendo em conta o programa e ambiente vivido nestas manifesta\u00e7\u00f5es poderemos consider\u00e1-las verdadeiramente como festas crist\u00e3s? Desempenham inegavelmente uma fun\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica muito positiva. \u00c9 um tempo agrad\u00e1vel, relaxante, regenerador. Permite que cada um se sinta livre do constrangimento quotidiano, cultive a boa disposi\u00e7\u00e3o, tenha tempo para os outros e para a comunidade e possa saborear a beleza da vida e do mundo.  A festa evoca boa alimenta\u00e7\u00e3o, conv\u00edvio de amigos, roupas novas, divertimentos, liberdade. A perspectiva da festa anima a suportar o trabalho cansativo e o sacrif\u00edcio do dia a dia. Nesse sentido, a festa exerce uma fun\u00e7\u00e3o regeneradora da vida humana. Precisamos de festas para viver com harmonia.  H\u00e1 muitas variedades de festas: As que celebram as grandes etapas do ciclo da vida, como o Baptismo, o Casamento, o anivers\u00e1rio do nascimento, etc.; ou as quadras do ciclo lit\u00fargico ligado ao ciclo c\u00f3smico (Natal, P\u00e1scoa, Santos Populares, Santo padroeiro). Desejo referir-me particularmente a estas \u00faltimas. A festa anual de cada localidade desempenha uma fun\u00e7\u00e3o importante no fortalecimento da identidade e da vida comunit\u00e1ria das popula\u00e7\u00f5es. Merece, por isso, o interesse e a participa\u00e7\u00e3o de todos os membros da terra. \u00c9 o momento em que as pessoas das comunidades se encontram com as suas ra\u00edzes, evocam as suas mem\u00f3rias comuns, convivem de forma simples e alegre, abrem as portas e procuram apresentar aos de fora a sua melhor imagem. Num tempo de individualismo e de estranheza m\u00fatua, devemos apreciar e salvar as festas dos padroeiros como uma oportunidade de enriquecimento pessoal, social e crist\u00e3o.  Estas festas t\u00eam caracter\u00edsticas pr\u00f3prias. Antes de mais, s\u00e3o participadas por todos: a festa \u00e9 de todos, feita por todos, vivida por todos. Mesmo quando se convidam os de fora, \u00e9 para vir \u00e0 &#8220;nossa festa&#8221;. Revestem, por outro lado, uma dimens\u00e3o solene, sagrada que leva a contemplar a dimens\u00e3o transcendente da vida. Uma festa do padroeiro que n\u00e3o tenha uma missa festiva e uma prociss\u00e3o pelas ruas da terra, esquece o caracter religioso da vida e da festa e perde, tamb\u00e9m, consist\u00eancia e respeito. Nestes ritos damos visibilidade ao mist\u00e9rio invis\u00edvel em que acreditamos. N\u00e3o estamos s\u00f3s na vida, fazemos parte de um povo que peregrina acompanhado de Deus, da Virgem e dos Santos, participamos na Igreja celeste. A vida est\u00e1 envolvida pelo mist\u00e9rio e encontra luz e grandeza \u00e0 luz da f\u00e9 celebrada nestes ritos religiosos. Nesse sentido, para salvar estas festas devemos dar relevo ao que \u00e9 verdadeiramente importante: participar na missa e na prociss\u00e3o como um acto central e unificador de todos os elementos do programa festivo. Enfeitar as ruas e as casas para este momento \u00e9 uma forma de mostrar o apre\u00e7o por estes actos religiosos e exteriorizar a alegria e a beleza da vida iluminada pela f\u00e9.  Nota-se, actualmente, uma tend\u00eancia para sobrevalorizar os espect\u00e1culos em detrimento das festas. Os espect\u00e1culos cada vez mais caros e mais ruidosos s\u00e3o, no meu entender, a grande amea\u00e7a das festas. Em vez da participa\u00e7\u00e3o, os espect\u00e1culos favorecem a passividade e o individualismo. Enquanto a festa nos ajuda a sermos n\u00f3s mesmos, o espect\u00e1culo aliena. Precisamos, por isso, de gente com criatividade, coragem e imagina\u00e7\u00e3o para salvar o verdadeiro significado das festas. Oxal\u00e1 encontremos crist\u00e3os empenhados e mordomos com esta vis\u00e3o e coragem.  <i>D. Manuel Pelino, Bispo de Santar\u00e9m<\/i>  Agosto de 2005<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O m\u00eas de Agosto \u00e9 a ocasi\u00e3o de muitas festas. As popula\u00e7\u00f5es de cada localidade movimentam-se, esfor\u00e7am-se e congregam-se para organizar uma festa com brilho. Normalmente s\u00e3o designadas de festas religiosas e ostentam quase sempre nos cartazes a imagem do(a) padroeiro(a) da terra. 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