{"id":132767,"date":"2019-04-05T09:54:28","date_gmt":"2019-04-05T08:54:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=132767"},"modified":"2019-07-04T16:55:12","modified_gmt":"2019-07-04T15:55:12","slug":"ter-barcos-parados-e-pessoas-a-morrer-no-mar-as-portas-da-europa-e-uma-vergonha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ter-barcos-parados-e-pessoas-a-morrer-no-mar-as-portas-da-europa-e-uma-vergonha\/","title":{"rendered":"Entrevista: \u00abTer barcos parados e pessoas a morrer no mar \u00e0s portas da Europa, \u00e9 uma vergonha\u00bb &#8211; Francisca Onofre"},"content":{"rendered":"<p><em>Respons\u00e1vel portuguesa que coordena o Servi\u00e7o Jesu\u00edta aos Refugiados(JRS) na Gr\u00e9cia lamenta que a Europa esteja cada vez mais fechada<\/em><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-132769 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/02-2.jpg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1365\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/02-2.jpg 2048w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/02-2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/02-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/02-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/02-2-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/>Em entrevista \u00e0 Renascen\u00e7a e \u00e0 Ag\u00eancia Ecclesia, Francisca Onofre fala dos projetos com que est\u00e3o a apoiar quase 800 pessoas em Atenas. Diz que o que distingue o JRS \u00e9 a \u201chospitalidade\u201d, e como isso \u00e9 valorizado por quem ajudam, e pelas outras institui\u00e7\u00f5es no terreno.<\/p>\n<p>Assistente social e t\u00e9cnica de Educa\u00e7\u00e3o Especial, de forma\u00e7\u00e3o, j\u00e1 teve v\u00e1rias experi\u00eancias de voluntariado, dentro e fora de Portugal. \u00c1frica era o pr\u00f3ximo destino com que tinha sonhado, mas foi a Gr\u00e9cia que se apresentou no caminho, aos 33 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Henrique Matos (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Fotos: Joana Bougard (RR)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Est\u00e1 em Atenas desde o ver\u00e3o de 2018. Como \u00e9 que est\u00e1 a correr esta miss\u00e3o a que foi chamada, de liderar o JRS num pa\u00eds que \u00e9 uma das portas de entrada dos refugiados na Europa?<\/em><\/p>\n<p>Cheguei em setembro. \u00c9 uma miss\u00e3o muito especial para mim, estar ao servi\u00e7o do JRS \u00e9 um grande orgulho. A Gr\u00e9cia continua uma bagun\u00e7a, embora j\u00e1 n\u00e3o se fale tanto nisso&#8230;<\/p>\n<p>Fala-se quando h\u00e1 resgates no Mediterr\u00e2neo&#8230;<\/p>\n<p>Quando h\u00e1 resgates, ou sobre as ilhas gregas e os campos, que est\u00e3o em bastante m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es. Mas, n\u00e3o se fala tanto de Atenas, que \u00e9 onde n\u00f3s estamos, nem dos refugiados urbanos, que s\u00e3o muitos. S\u00e3o cada vez mais. O governo grego est\u00e1 a tirar pessoas das ilhas, e por isso estamos a ter cada vez mais pessoas em Atenas. Vivem em apartamentos ou na rua, em casas de acolhimento ou em campos. Tamb\u00e9m n\u00e3o se fala que a Gr\u00e9cia continua a receber semanalmente centenas de refugiados. O pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 totalmente fechado, o que \u00e9 um ponto positivo, eu acho. Mesmo n\u00e3o tendo muitas condi\u00e7\u00f5es continuam bastante abertos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que refugiados urbanos s\u00e3o estes, e que g\u00e9nero de trabalho desenvolvem com eles?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o refugiados urbanos porque n\u00e3o vivem em campos, e \u00e9 completamente diferente o trabalho em campo ou numa cidade, onde os refugiados t\u00eam muito mais pontos atrativos. No \u2018JRS Gr\u00e9cia\u2019 temos um Shelter, uma casa de acolhimento. Come\u00e7ou como uma casa de acolhimento de emerg\u00eancia, que este ano estamos a transformar numa casa de acolhimento e integra\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 j\u00e1 um passo \u00e0 frente, digamos assim?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Temos de pensar que a Gr\u00e9cia j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 propriamente em emerg\u00eancia, apesar de haver ainda muitas situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia. Tamb\u00e9m temos um programa de educa\u00e7\u00e3o para adultos, que come\u00e7\u00e1mos no final do ano passado e que est\u00e1 a crescer muito, com aulas de l\u00ednguas e workshops para as pessoas estarem mais informadas. Temos um espa\u00e7o a que chamamos &#8216;Tea Time&#8217;, que \u00e9 muito acarinhado por volunt\u00e1rios e pelas pessoas que v\u00e3o l\u00e1.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>&#8216;Tea Time&#8217; \u00e9 a hora do ch\u00e1, de conv\u00edvio?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 exatamente isso. Temos um &#8216;Tea Time&#8217; dois dias por semana para homens, e um &#8216;Tea Time&#8217; dois dias por semana para mulheres. Neste caso trabalhamos muito a parte do empowerment de mulheres. Sem dizermos diretamente o que \u00e9 que estamos a fazer, continuamos a chamar &#8216;Tea Time&#8217;, mas acabamos por dar uma parte educativa que \u00e9 bastante importante. Temos, ainda, um Centro Educativo com 200 alunos, com crian\u00e7as que v\u00e3o \u00e0 escola, que s\u00e3o migrantes gregos ou refugiados, onde trabalhamos a integra\u00e7\u00e3o social e principalmente a dificuldade na l\u00edngua, porque chegam e n\u00e3o falam grego, e na escola s\u00f3 se fala grego.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 um desafio gerir o tempo livre daqueles que est\u00e3o \u00e0 espera, depois de viajarem de outro pa\u00eds, trabalhar e valorizar estes momentos de espera?<\/em><\/p>\n<p>Sim, e em Atenas trata-se de um momento de espera longo, pode ser de anos. O que tentamos transmitir \u00e9 que esses anos n\u00e3o sejam uma espera passiva, mas uma espera ativa, em que se v\u00e3o preparando para a chegada ao destino que tanto desejam, e que \u00e9 diverso. Maioritariamente \u00e9 Alemanha, mas j\u00e1 come\u00e7a a mudar um bocadinho a tend\u00eancia\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Portugal \u00e9 pouco atrativo?<\/em><\/p>\n<p>Portugal come\u00e7a a ser mais atrativo, porque come\u00e7am a reparar que Portugal est\u00e1 bastante mais aberto a receber refugiados do que outros pa\u00edses. Para alguns \u00e9 menos atrativo porque n\u00e3o h\u00e1 uma comunidade de s\u00edrios, ou de afeg\u00e3os. Pode ser mais atrativo talvez para comunidades africanas\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Muitos dos que t\u00eam vindo para Portugal acabam por seguir para outros pa\u00edses\u2026<\/em><\/p>\n<p>Eu acredito que as pessoas gostam de estar onde tenham uma comunidade do seu pa\u00eds, e Portugal n\u00e3o tem ainda uma grande comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_99605\" aria-describedby=\"caption-attachment-99605\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/20180316_refugiados-gr\u00e9cia_1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-99605 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/20180316_refugiados-gr\u00e9cia_1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/20180316_refugiados-gr\u00e9cia_1-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/20180316_refugiados-gr\u00e9cia_1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/20180316_refugiados-gr\u00e9cia_1-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/20180316_refugiados-gr\u00e9cia_1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/20180316_refugiados-gr\u00e9cia_1.jpg 1918w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-99605\" class=\"wp-caption-text\">Foto: JRS<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>No trabalho \u00e0 frente do JRS da Gr\u00e9cia, e nestas v\u00e1rias val\u00eancias, tem quantos imigrantes e refugiados a seu cargo?<\/em><\/p>\n<p>No Magis Stories, que \u00e9 o tal programa de educa\u00e7\u00e3o para adultos, temos \u00e0 volta de 250 pessoas inscritas. No &#8216;Tea Time&#8217; de homens temos 200 pessoas a irem, no &#8216;Tea Time&#8217; de mulheres vamos crescendo devagarinho, temos 40 mulheres e bastantes crian\u00e7as tamb\u00e9m. Temos programas de educa\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as que n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 escola, um grupo de 30, 40, vai oscilando. No Shelter, a comunidade de inser\u00e7\u00e3o, temos neste momento cerca de 30 pessoas com crian\u00e7as, e no centro Pedro Arrupe, que \u00e9 um Centro Educativo para jovens, temos 200.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 resist\u00eancia dos refugiados a este esfor\u00e7o por lhes dar forma\u00e7\u00e3o e lhes ocupar o tempo de forma produtiva? Imagino que haja quest\u00f5es culturais, quando percebem que as mulheres est\u00e3o a ter acesso a determinado grau de instru\u00e7\u00e3o, e os homens s\u00e3o convidados a fazer algo a que n\u00e3o estavam habituados. Como \u00e9 que voc\u00eas fazem esta gest\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que eles s\u00e3o bastante abertos. T\u00eam no\u00e7\u00e3o que v\u00eam para um continente que \u00e9 muito diferente da realidade onde viviam, e por isso v\u00e3o-se abrindo cada vez mais, devagarinho. As nossas atividades, por exemplo no Magis Stories, de educa\u00e7\u00e3o para adultos, s\u00e3o abertas para todos. Est\u00e1vamos com algum receio de n\u00e3o ter mulheres, no entanto temos, o que \u00e9 \u00f3timo. Por isso temos aulas misturadas, mulheres e homens. No &#8216;Tea Time&#8217; s\u00e3o muitos homens juntos, o ambiente \u00e9 um bocadinho mais pesado, por isso decidimos ter um tempo espec\u00edfico para mulheres. Mas, na Gr\u00e9cia, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, na parte da educa\u00e7\u00e3o dos jovens n\u00e3o h\u00e1 um grande desequil\u00edbrio entre rapazes e raparigas terem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 \u00f3timo. H\u00e1 menos raparigas, mas porque s\u00e3o menos, n\u00e3o \u00e9 tanto porque n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 escola.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Entre os refugiados muitas crian\u00e7as chegam sozinhas. \u00c9 uma preocupa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Chegam sozinhas e muitas ficam durante muito tempo sozinhas. V\u00e3o chegando, de vez em quando, alguns jovens que n\u00e3o est\u00e3o acompanhados, mas n\u00e3o \u00e9 muito comum. Normalmente crian\u00e7as ou jovens que n\u00e3o est\u00e3o acompanhados v\u00e3o diretamente para centros de acolhimento espec\u00edficos para eles. Mas acontece, \u00e9 claro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, est\u00e3o alerta para o problema do tr\u00e1fico humano, de que se fala muito relativamente aos migrantes e refugiados? H\u00e1 crian\u00e7as desaparecidas?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1, claro. H\u00e1 crian\u00e7as, h\u00e1 mulheres e h\u00e1 homens, o tr\u00e1fico humano existe. E eu acho que termos as fronteiras fechadas aumenta a probabilidade de que isto exista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/03-2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-132770 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/03-2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/03-2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/03-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/03-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/03-2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/03-2.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>\u00c9 pior do que ter as fronteiras abertas?<\/em><\/p>\n<p>Eu diria que sim, que \u00e9 mais atrativo. Se calhar porque v\u00e3o como se fosse um convite para tentarem passar fronteiras, e depois pode ser uma coisa completamente diferente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este assunto nem sempre est\u00e1 na ordem do dia, a atualidade vive dominada por outras aparentes prioridades. Isso reflete-se na condi\u00e7\u00e3o de vida destas pessoas?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sem d\u00favida alguma. Na Gr\u00e9cia este continua a ser um assunto em cima da mesa, constantemente. Noutros pa\u00edses n\u00e3o, o que sai sempre \u00e9 sempre relativo a campos de refugiados. Fala-se muito em Samos, e com muita raz\u00e3o, porque tem muitos, muitos refugiados acima da capacidade, tal como em Moria, de que tamb\u00e9m se fala muito. N\u00e3o se fala tanto de Atenas, mas o governo grego continua bastante atento, e sinto que a tentar melhorar. Mas, \u00e9 bastante dif\u00edcil, porque temos de ter em conta que ainda n\u00e3o sairam da crise financeira. \u00c9 um pa\u00eds que, no geral, n\u00e3o est\u00e1 bem&#8230;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 milhares de refugiados na Gr\u00e9cia. Como \u00e9 que os gregos t\u00eam convivido com esta situa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Vivem com esta realidade h\u00e1 muito tempo, n\u00e3o \u00e9 uma realidade nova para a Gr\u00e9cia. Claro que, estando numa crise econ\u00f3mica h\u00e1 muitos anos, tem de haver um bode expiat\u00f3rio, e os refugiados ou migrantes s\u00e3o muitas vezes o bode expiat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Temos uma Europa que est\u00e1 quase totalmente fechada a receber mais refugiados ou migrantes, mas v\u00e3o aparecendo, a meu ver, projetos extraordin\u00e1rios para os ajudar a ter uma integra\u00e7\u00e3o mais global, n\u00e3o s\u00f3 na \u00e1rea do trabalho, mas a todos os n\u00edveis. Mesmo na Gr\u00e9cia v\u00e3o aparecendo projetos incr\u00edveis, de que n\u00e3o fala tanto, e \u00e9 uma pena. Fala-se muito no lado negativo, e n\u00e3o nos projetos que existem&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por exemplo?<\/em><\/p>\n<p>O &#8216;Happy Caravana&#8217;, um projeto educativo que est\u00e1 a funcionar em mais de quatro campos em Atenas. O fundador \u00e9 um s\u00edrio que trabalhou com o JRS na S\u00edria, antes de ser refugiado na Gr\u00e9cia, e abriu este &#8216;Happy Caravana&#8217;, que \u00e9 um modo de darem educa\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as nos campos onde n\u00e3o existe. \u00c9 um bom exemplo, e como este h\u00e1 muitos mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais dram\u00e1tica nos campos de refugiados do que nestes projetos mais citadinos onde a Francisca est\u00e1?<\/em><\/p>\n<p>Depende do que consideramos dram\u00e1tico. Por exemplo, termos pessoas na rua, mulheres com crian\u00e7as a viverem na rua, n\u00e3o haver uma segunda resposta a seguir a estarem num Shelter (centro de acolhimento), e por isso passarem de Shelter para Shelter, ou de Shelter para campos, ou de Shelter para a rua\u2026 n\u00e3o sei se a situa\u00e7\u00e3o em meios urbanos n\u00e3o ser\u00e1 um pouco mais dram\u00e1tica do que a situa\u00e7\u00e3o nos campos\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 refugiados em condi\u00e7\u00e3o de sem abrigo, em Atenas?<\/em><\/p>\n<p>Sim e pode vir a haver mais. Existe uma resposta que \u00e9 dada que s\u00e3o os apartamentos e cash, dinheiro em banco. Esta resposta \u00e9 sobretudo para as pessoas que v\u00eam pedir asilo, n\u00e3o para pessoas que j\u00e1 t\u00eam o estatuto de refugiados. No entanto, em apartamentos e em campos h\u00e1 pessoas com estatuto de refugiado a viver l\u00e1 e a receber esta resposta financeira. O que se fala \u00e9 que, at\u00e9 ao final do ano, esta resposta vai parar, ou seja as pessoas que est\u00e3o em apartamentos v\u00e3o ser postas n\u00e3o sabemos onde, o que pode aumentar muito a situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo, principalmente em Atenas. E v\u00e3o deixar tamb\u00e9m de dar o tal dinheiro, o &#8216;cash card&#8217;. Se isto acontecer vai aumentar muit\u00edssimo a situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo em Atenas, porque n\u00e3o h\u00e1 uma segunda resposta. Depois temos as pessoas que estavam nas Ilhas e foram postas no continente, algumas em Resorts \u00f3timos, mas no meio do nada, sem acesso a nada, e que v\u00eam para as cidades \u00e0 procura de respostas, e por isso chegam em situa\u00e7\u00e3o de sem abrigo, sem um s\u00edtio para ficar.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_89534\" aria-describedby=\"caption-attachment-89534\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/05261537.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-89534 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/05261537-300x213.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/05261537-300x213.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/05261537-768x545.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/05261537-400x284.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/05261537.jpg 980w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-89534\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Lusa<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Muitas dessas pessoas chegaram \u00e0 Europa plenamente convencidas que tinham todo um continente pronto para as acolher e integrar socialmente, porque isso lhes foi passado pelos traficantes\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 pelos traficantes, mas tamb\u00e9m pelas fam\u00edlias que j\u00e1 est\u00e3o c\u00e1. Eu consigo compreender. Se eu fosse um deles, para n\u00e3o preocupar a minha fam\u00edlia, diria que estava tudo bem, e por isso esta \u00e9 a mensagem que eles v\u00e3o passando, para n\u00e3o preocupar os que ficaram, mas que cria uma ideia completamente diferente do que \u00e9 chegar \u00e0 Europa hoje em dia.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O que \u00e9 que est\u00e1 a falhar mais em sua opini\u00e3o, \u00e9 a ajuda que o ocidente devia dar aos pa\u00edses de origem? Ainda h\u00e1 dias, no regresso da viagem a Marrocos, o Papa defendeu que devia haver uma a\u00e7\u00e3o concertada dos v\u00e1rios pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia para responder a esta crise migrat\u00f3ria. Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Neste momento posso parecer louca, mas acho que maioritariamente a culpa do que est\u00e1 a acontecer nos pa\u00edses de origem \u00e9 nossa, do Ocidente. Se n\u00f3s fizermos algumas a\u00e7\u00f5es poderemos melhorar a qualidade de vida nos pa\u00edses de origem e diminuir a migra\u00e7\u00e3o. Fecharmos fronteiras, termos barcos parados e pessoas a morrer no mar \u00e0s portas da Europa \u00e9 uma vergonha para mim, e n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o. Se pararmos de vender armas e de colaborar com situa\u00e7\u00f5es que todos n\u00f3s sabemos que est\u00e3o a violar direitos humanos, ent\u00e3o sim, se calhar estamos a fazer alguma coisa. Outra das minhas opini\u00f5es, talvez um bocadinho ut\u00f3pica, \u00e9 que eu concordo que todo o processo de asilo deveria ser feito no pa\u00eds onde as pessoas desejavam viver, e os outros pa\u00edses deviam ajudar, a n\u00edvel financeiro ou em organiza\u00e7\u00e3o, os pa\u00edses que recebem mais refugiados. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dar dinheiro \u00e0 Gr\u00e9cia, que acho que j\u00e1 est\u00e1 vis\u00edvel para todos, n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso ajuda organizacional.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E a situa\u00e7\u00e3o da Turquia?<\/em><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da Turquia \u00e9 um esc\u00e2ndalo, a do L\u00edbano outro esc\u00e2ndalo. Na Turquia est\u00e3o mais de 4 milh\u00f5es de refugiados, e estamos a falar na Gr\u00e9cia que tem 74 mil. \u00c9 uma diferen\u00e7a brutal\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 uma verdadeira barragem cheia de refugiados que a Turquia pode abrir a qualquer momento?<\/em><\/p>\n<p>Claramente.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/05-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-132771 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/05-2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/05-2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/05-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/05-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/05-2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/05-2.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><em>Alguns pa\u00edses rubricaram o &#8216;Pacto Global para a Migra\u00e7\u00e3o Segura, Ordenada e Regular&#8217;. \u00c9 uma \u201cconquista significativa\u201d, como considerou o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ant\u00f3nio Guterres?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que \u00e9 uma conquista. S\u00f3 falarmos disto e discutirmos em conjunto \u00e9 uma conquista. Se vamos p\u00f4r alguma coisa em pr\u00e1tica, j\u00e1 n\u00e3o sei, porque ao mesmo tempo que temos este Pacto, estamos a falar em fechar ainda mais fronteiras. Por isso, para mim \u00e9 um pouco contradit\u00f3rio o que est\u00e1 a acontecer em rela\u00e7\u00e3o ao Pacto. Se der alguma resposta positiva \u00e9 fant\u00e1stico, porque o que saiu \u00e9 muito bom, \u00e9 muito importante, agora se depois vamos ou n\u00e3o p\u00f4r em pr\u00e1tica&#8230; mas, seria muito bonito se pus\u00e9ssemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 um Pacto que n\u00e3o \u00e9 lei, nem vincula&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, \u00e9 um desejo. Fazia falta que houvesse realmente esse desejo nos pa\u00edses. Ent\u00e3o, n\u00e3o necessitaria de ser uma lei, podia ser s\u00f3 um Pacto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 aqui uma situa\u00e7\u00e3o paradoxal, que \u00e9 o facto de serem os pa\u00edses do Sul, considerados \u201cincumpridores\u201d em termos de bom desempenho econ\u00f3mico, a acolher mais os refugiados e migrantes e a demonstrar solidariedade. A popula\u00e7\u00e3o das ilhas gregas continua sens\u00edvel \u00e0 situa\u00e7\u00e3o destas pessoas?<\/em><\/p>\n<p>Neste momento nas ilhas gregas j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o muito sens\u00edveis&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Porque perderam o neg\u00f3cio do turismo?<\/em><\/p>\n<p>Perderam o neg\u00f3cio do Turismo. As ilhas n\u00e3o s\u00e3o uma coisa muito grande, por isso, h\u00e1 um medo muito humano, muito irracional, de sentirem que podem estar a ser invadidos.<\/p>\n<p>Tem havido bastantes protestos hoje em dia, bastantes manifesta\u00e7\u00f5es, tanto da parte dos refugiados, como da parte das pessoas que vivem, houve algumas manifesta\u00e7\u00f5es conjuntas, a pedir melhores condi\u00e7\u00f5es nas Ilhas. Ao mesmo tempo tamb\u00e9m tem havido algumas manifesta\u00e7\u00f5es, principalmente nas escolas, de pais gregos que n\u00e3o querem escolas com tanta mistura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estes protestos tamb\u00e9m se come\u00e7am a traduzir em resultados eleitorais em toda a Europa\u2026<\/em><\/p>\n<p>Claramente. Vamos ter as elei\u00e7\u00f5es europeias, e na Gr\u00e9cia este ano vamos elei\u00e7\u00f5es a todos os n\u00edveis. A Gr\u00e9cia funciona por munic\u00edpios, por isso se um munic\u00edpio \u00e9 fechado aos migrantes e aos refugiados, pode n\u00e3o haver respostas, mas se um munic\u00edpio \u00e9 aberto, ent\u00e3o pode haver respostas. \u00c9 um ano bastante sens\u00edvel\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Em Portugal tamb\u00e9m h\u00e1 mais do que um ato eleitoral este ano. Esta quest\u00e3o deve estar presente na campanha dos v\u00e1rios partidos?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Eu tenho imenso orgulho em ser portuguesa e dos projetos que n\u00f3s temos de acolhimento de refugiados, que v\u00e3o crescendo imenso. Somos um pa\u00eds que n\u00e3o s\u00f3 temos projetos para acolher melhor, como somos um pa\u00eds que funcionamos muito na sensibiliza\u00e7\u00e3o. Temos muitos projetos s\u00f3 de advocacy, que \u00e9 uma coisa formid\u00e1vel. Somos um exemplo, a meu ver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-99606 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/20180316_refugiados-gr\u00e9cia_2.jpg\" alt=\"\" width=\"1288\" height=\"858\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/20180316_refugiados-gr\u00e9cia_2.jpg 1288w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/20180316_refugiados-gr\u00e9cia_2-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/20180316_refugiados-gr\u00e9cia_2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/20180316_refugiados-gr\u00e9cia_2-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/20180316_refugiados-gr\u00e9cia_2-1080x719.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1288px) 100vw, 1288px\" \/>As institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Igreja, como \u00e9 o caso do JRS, continuam a estar na linha da frente da ajuda aos migrantes e refugiados. Na Gr\u00e9cia o trabalho do Servi\u00e7o Jesu\u00edta aos Refugiados \u00e9 reconhecido?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 reconhecido, e cada vez mais. N\u00f3s s\u00f3 existimos h\u00e1 tr\u00eas anos na Gr\u00e9cia, e na Gr\u00e9cia os crist\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o bem-vindos, n\u00e3o \u00e9 como em Portugal que somos uma maioria, ent\u00e3o h\u00e1 outros trabalhos mais reconhecidos do que os ligados \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. No entanto, vamos sendo reconhecidos cada vez mais no meio das organiza\u00e7\u00f5es, e no meio dos refugiados. H\u00e1 muitos que vivem em campos fora de Atenas e que v\u00eam \u00e0s nossas atividades, ou que v\u00eam pedir ajuda diretamente \u00e0 JRS, o que \u00e9 um orgulho enorme.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O que \u00e9 que distingue a JRS das outras organiza\u00e7\u00f5es, sabendo que n\u00e3o t\u00eam a preocupa\u00e7\u00e3o de fazer qualquer esp\u00e9cie de catequese junto das pessoas?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que o que distingue \u00e9 o saber acolher, a hospitalidade com que todas as pessoas da equipa do JRS &#8211; sejam volunt\u00e1rios, sejam trabalhadores, e temos bastantes refugiados que s\u00e3o nossos volunt\u00e1rios tamb\u00e9m \u2013 acolhem cada um. As pessoas sentem-se seguras nas nossas atividades, nos nossos projetos, sentem-se muito bem recebidas, \u00e9 uma coisa muito especial. Eu diria que \u00e9 o que temos de mais especial e que o que podemos dar melhor \u00e9 este saber acolher.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 uma marca que procuram passar para as pessoas que auxiliam, mas tamb\u00e9m no contacto com as outras organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias que est\u00e3o no terreno?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. H\u00e1 pessoas e organiza\u00e7\u00f5es especializadas em v\u00e1rias coisas. Eu diria que o \u2018JRS Gr\u00e9cia\u2019 \u00e9 especializado no acolhimento, por isso acabamos por transmitir o que \u00e9 este nosso acolher sem fronteiras. Acolhemos tudo. Os nossos projetos n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 para refugiados, s\u00e3o para migrantes &#8211; e a Gr\u00e9cia tem muito migrantes -, s\u00e3o para gregos, e s\u00f3 assim conseguimos ter uma integra\u00e7\u00e3o realmente verdadeira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Francisca \u00e9 licenciada em Servi\u00e7o Social, com p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o em Ensino Especial, e tem estado sempre ligada a este setor e ao voluntariado, como nos grandes inc\u00eandios de 2017, quando criou a &#8216;Miss\u00e3o Aqui e Agora&#8217;, em Castanheira de P\u00eara. Alguma vez tinha pensado ir para a Gr\u00e9cia?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, estava mais virada para \u00c1frica. Mas, a Gr\u00e9cia pode ser a minha \u00c1frica na Europa\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/01-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-132768 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/01-2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/01-2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/01-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/01-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/01-2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/01-2.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>E como \u00e9 que tem sido responder a este desafio que lhe foi lan\u00e7ado? Que balan\u00e7o \u00e9 que faz destes meses?<\/em><\/p>\n<p>Eu sou parte da organiza\u00e7\u00e3o, sou trabalhadora (do \u2018JRS Gr\u00e9cia\u2019), mas para mim \u00e9 um tempo de miss\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 tanto a parte profissional, mas sim o que \u00e9 isto de viver em miss\u00e3o, onde sinto que sou mais chamada a estar. Tenho um compromisso muito grande em tentar viver e em tentar estar e servir os que mais precisam, por isso acho que \u00e9 uma sorte imensa ter esta oportunidade. \u00c9 principalmente isso, tentar viver em miss\u00e3o e acreditar que com o pouco que fa\u00e7o consigo provocar bem no mundo, ajudar algumas pessoas a terem uma qualidade de vida melhor e a reconciliarem-se consigo mesmas, com a sua hist\u00f3ria, e at\u00e9 com o pa\u00eds que as recebe, neste momento a Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A f\u00e9 tem algum lugar no meio de toda esta dedica\u00e7\u00e3o, esta entrega?<\/em><\/p>\n<p>Claramente. Acho que se n\u00e3o fosse a f\u00e9, era s\u00f3 loucura. \u00c9 a f\u00e9 que me move e \u00e9 este desejo de tentar seguir Jesus, e seguir a vontade que Deus tem para mim, onde quer que seja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Viver nestes pa\u00edses \u00e9 um estar em alerta constante, em dedica\u00e7\u00e3o permanente. Olha para a sua vida como uma miss\u00e3o, ou \u00e9 uma experi\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p>Eu tento viver a minha vida como uma miss\u00e3o, assim, e tenho cada vez mais a certeza de que \u00e9 a isso que sou chamada a viver. Se calhar n\u00e3o no conforto, se calhar se tiver que mudar de lugar, mudar. \u00c9 uma aprendizagem di\u00e1ria, que tenho que confirmar diariamente. N\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o f\u00e1cil como pensava ao in\u00edcio, mas \u00e9 um compromisso que fui fazendo e que espero ir conseguindo fazer ao longo da minha vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Respons\u00e1vel portuguesa que coordena o Servi\u00e7o Jesu\u00edta aos Refugiados(JRS) na Gr\u00e9cia lamenta que a Europa esteja cada vez mais fechada<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":132769,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[236,261,291],"class_list":["post-132767","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-jesuitas","tag-missoes","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=132767"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132767\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/132769"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=132767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=132767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}