{"id":132633,"date":"2019-04-03T10:23:54","date_gmt":"2019-04-03T09:23:54","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=132633"},"modified":"2019-04-09T10:36:06","modified_gmt":"2019-04-09T09:36:06","slug":"a-cruz-escondida-49","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-49\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p>No Ruanda, a Irm\u00e3 C\u00e9cire luta contra a mem\u00f3ria dos tempos do massacre<!--more--><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Mulheres_Extraordinarias_fais.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-131391\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Mulheres_Extraordinarias_fais.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Mulheres_Extraordinarias_fais.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Mulheres_Extraordinarias_fais-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Mulheres_Extraordinarias_fais-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Mulheres_Extraordinarias_fais-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Mulheres_Extraordinarias_fais-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3>Livre para amar<\/h3>\n<p>Tem 49 anos e lembra-se perfeitamente dos tempos em que o Ruanda se transformou num matadouro. Em 1994, um milh\u00e3o de pessoas foram assassinadas. Foram h\u00fatus contra tutsis. Um massacre. Num pa\u00eds onde a mem\u00f3ria dos mortos ainda alimenta vingan\u00e7as, um grupo de mulheres consagradas a Deus procura ajudar os mais d\u00e9beis, os mais idosos. Os mais desprotegidos. Todos os dias a Irm\u00e3 C\u00e9cire prova que o amor \u00e9 mais forte do que o \u00f3dio\u2026<\/p>\n<p>Foram apenas 100 dias. Em 1994, grupos de homens armados, pertencentes \u00e0 etnia hutu, mataram membros da minoria tutsi. Provavelmente nunca se saber\u00e1 o n\u00famero exacto dos que morreram. Estima-se que entre 800 mil a 1 milh\u00e3o de pessoas tenham sido assassinadas. Foram 100 dias que enlutaram o pa\u00eds. Fala-se em massacre, em genoc\u00eddio. Houve fam\u00edlias destro\u00e7adas. Mulheres violadas em frente aos maridos antes de serem assassinados. Filhos mortos, um a um, perante o olhar impotente e aturdido dos pais. Houve de tudo. No Ruanda h\u00e1 1 milh\u00e3o de raz\u00f5es para quem ainda transporte algum \u00f3dio no olhar, para quem ainda n\u00e3o tenha conseguido sossegar a sua vontade de vingan\u00e7a. Mas no Ruanda h\u00e1 tamb\u00e9m quem procure todos os dias levar gestos de amor onde parece s\u00f3 haver espa\u00e7o para o \u00f3dio. A irm\u00e3 Cec\u00edlia tem 49 anos e desde muito jovem que sonhava com uma vida dedicada aos outros. At\u00e9 que descobriu a Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Palotinas. A sua vida mudou nesse dia. \u201cDeus escolheu-me para fazer este trabalho\u201d, afirma com toda a simplicidade. Cec\u00edlia, juntamente com mais sete irm\u00e3s, trabalha num centro de sa\u00fade, num jardim-de-inf\u00e2ncia e em escolas. E todos os dias consegue ainda arranjar tempo para visitar algumas pessoas em suas casas. S\u00e3o \u00f3rf\u00e3os, idosos, pessoas abandonadas. Pessoas que vivem ainda em fam\u00edlias destru\u00eddas pela onda de viol\u00eancia que varreu o Uganda h\u00e1 pouco mais de duas d\u00e9cadas. S\u00e3o pessoas que a sociedade continua a ignorar, que ningu\u00e9m v\u00ea, que ningu\u00e9m escuta. Muitos s\u00e3o idosos. Todas <a href=\"https:\/\/youtu.be\/ExG8ygUeEoY\">as pessoas abandonadas que a Irm\u00e3 C\u00e9cire visita<\/a> s\u00e3o consequ\u00eancia ainda dos dias de terror. A insensibilidade \u00e0 dor do outro continua a fazer v\u00edtimas no Ruanda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Amor e perd\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cToda a gente perdeu algu\u00e9m\u201d, diz a Irm\u00e3 C\u00e9cire. \u201cPerdemos muito e isso afecta-nos at\u00e9 hoje. H\u00e1 muitos \u00f3rf\u00e3os, muitos idosos abandonados, muitas fam\u00edlias destru\u00eddas, \u00e9 por isso que temos de espalhar o amor de Deus.\u201d C\u00e9cire, a Irm\u00e3 C\u00e9cire tem um sorriso desarmante. Todos os dias ela vai a casa de algumas pessoas mais fragilizadas. Normalmente s\u00e3o idosos. Normalmente est\u00e3o s\u00f3s, abandonados. Se n\u00e3o fossem as irm\u00e3s, ningu\u00e9m trataria deles. \u201c\u00c0s vezes nem t\u00eam nada para comer\u201d, explica, procurando traduzir numa simples frase a dimens\u00e3o tr\u00e1gica que se esconde em cada uma das casas que as irm\u00e3s visitam. S\u00e3o pessoas abandonadas. A solidariedade tem de ser constru\u00edda. \u00c9 preciso varrer barreiras de \u00f3dio, de incompreens\u00e3o. \u00c9 preciso trazer o outro para dentro da nossa casa. Partilhar, ajudar, sorrir. Estender a m\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil o trabalho destas Irm\u00e3s Palotinas num pa\u00eds em que a desconfian\u00e7a sobre o outro ainda est\u00e1 t\u00e3o presente. A Irm\u00e3 C\u00e9cire sabe que, sozinha, n\u00e3o consegue mudar o mundo. Mas n\u00e3o desiste. \u201cO amor de Deus inunda-me e transborda. Sinto-me livre para amar toda a gente. A minha fam\u00edlia \u00e9 maior do que os la\u00e7os de sangue. A minha fam\u00edlia \u00e9 toda a minha aldeia\u201d, acrescenta. Num pa\u00eds onde a mem\u00f3ria dos mortos ainda alimenta vingan\u00e7as, um grupo de <a href=\"C\u00e9cire\">mulheres consagradas a Deus<\/a> procura ajudar os mais d\u00e9beis, os mais idosos. Os mais desprotegidos. Todos os dias a Irm\u00e3 C\u00e9cire prova que o amor \u00e9 mais forte do que o \u00f3dio\u2026<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Ruanda, a Irm\u00e3 C\u00e9cire luta contra a mem\u00f3ria dos tempos do massacre<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95189,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-132633","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132633","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=132633"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132633\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=132633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=132633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}