{"id":132417,"date":"2019-04-01T10:23:41","date_gmt":"2019-04-01T09:23:41","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=132417"},"modified":"2019-04-01T10:23:41","modified_gmt":"2019-04-01T09:23:41","slug":"o-aborrecimento-nao-e-tragico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-aborrecimento-nao-e-tragico\/","title":{"rendered":"O aborrecimento n\u00e3o \u00e9 tr\u00e1gico"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><!--more--><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/bored-kid-compressor.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-132418 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/bored-kid-compressor.jpg\" alt=\"\" width=\"356\" height=\"244\" \/><\/a>A pessoa que hoje tem dificuldade em lidar com o aborrecimento perde uma das maiores fontes de compreens\u00e3o do mundo e de si pr\u00f3pria.<\/em><\/p>\n<p>Quando estamos na missa e a homilia parece dizer-nos pouco sentimo-nos aborrecidos. Hoje h\u00e1 quem tenha perdido o escr\u00fapulo e n\u00e3o resista a ver se tem novas mensagens no seu telem\u00f3vel, ou se existe algo de novo &#8211; e menos aborrecido &#8211; no mural das redes sociais.<\/p>\n<p>Quando estamos na fila de um hipermercado para pagar as nossas compras sentimo-nos aborrecidos e o gesto de tirar o telem\u00f3vel passou a ser o mais comum.<\/p>\n<p>O aborrecimento parece uma trag\u00e9dia finalmente resolvida com a possibilidade que temos de ter nas nossas m\u00e3os uma fonte eterna de divertimento e combate ao t\u00e9dio. \u00c9 uma pena porque o aborrecimento \u00e9 muito mais valioso do que possamos imaginar \u00e0 partida e pode ser at\u00e9 <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-beneficio-oculto-do-tedio\/\">ben\u00e9fico<\/a>.<\/p>\n<p>O aborrecimento ajuda-nos a compreender o tempo e n\u00f3s pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>O Ant\u00eddoto<\/h3>\n<p>Podemos n\u00e3o nos dar conta, mas quando nos sentimos aborrecidos experimentamos o tempo na sua forma e conte\u00fado mais puros. E em vez de explorarmos esse contacto privilegiado com o tempo, optamos por entrar no mundo da distrac\u00e7\u00e3o que chega ininterruptamente \u00e0s nossas m\u00e3os pelos pequenos \u00e9crans.<\/p>\n<p>E se muitos de n\u00f3s temos mem\u00f3ria de um passado onde a experi\u00eancia do tempo que passa n\u00e3o se traduzia logo em aborrecimento, hoje, sobretudo para os mais jovens, o desconforto que sentem com o passar do tempo sem estarem a fazer alguma coisa com os dedos \u00e9 grande e n\u00e3o t\u00eam outra experi\u00eancia sen\u00e3o esta. O facto dos mais velhos n\u00e3o darem o exemplo, significa que falhamos na miss\u00e3o de ensinar aos mais jovens como sentirem-se mais confort\u00e1veis com o tempo e tirarem partido dele.<\/p>\n<blockquote><p>\u201dUma gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o consegue aguentar o t\u00e9dio ser\u00e1 uma gera\u00e7\u00e3o de homens pequenos, de homens excessivamente divorciados do processo lento da natureza, de homens onde cada impulso vital se definha lentamente como se fossem flores cortadas num vaso.\u201d (Bertrand Russell)<\/p><\/blockquote>\n<p>Qual \u00e9, ent\u00e3o, o ant\u00eddoto para o drama do aborrecimento?<\/p>\n<p>Pensar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Encontro com os pensamentos<\/h3>\n<p>Pensar \u00e9 o melhor ant\u00eddoto para o aborrecimento. Se est\u00e1s a viver um momento de t\u00e9dio, pensa nisso. Em alem\u00e3o, a tradu\u00e7\u00e3o para a palavra t\u00e9dio \u00e9 <em> langeweile<\/em> cuja etimologia aponta para um <em>longa pausa<\/em> que expressa como o tempo parece mais lento quando estamos aborrecidos.<\/p>\n<p>O drama que essa <em>longa pausa<\/em> traduz \u00e9 a tortura que muitas pessoas sentem quando s\u00e3o incapazes de estar a s\u00f3s com o que lhes passa pela mente. Da\u00ed que educar a lidar com o que designaria por <em>sil\u00eancio cognitivo<\/em> seja crucial.<\/p>\n<p>Observa como a tua mente responde ao aborrecimento. O que sentes quando est\u00e1s aborrecido? Em que pensas? Ao contr\u00e1rio do que se pensava antigamente, estar junto com os nossos pensamentos n\u00e3o \u00e9 uma forma de distrac\u00e7\u00e3o, mas um modo de compreender o que se passa dentro de n\u00f3s e de processar o que se passa com o mundo, ou seja, fora de n\u00f3s.<\/p>\n<p>O aborrecimento \u00e9 o momento de pausa em que as emo\u00e7\u00f5es se recolhem na tranquilidade, como diria o poeta William Wordsworth, e damos espa\u00e7o \u00e0 reflex\u00e3o que d\u00e1 sentido e significado \u00e0s horas vazias onde estamos, simplesmente, ali, naquele lugar qualquer, e vivemos a \u00fanica coisa que realmente temos\u2026 o presente.<\/p>\n<p>O <em>sil\u00eancio cognitivo<\/em> \u00e9 o momento de encontro com os nossos pensamentos. Um momento de pausa que \u00e9 mais f\u00e1cil de encontrar quando sentimos o aborrecimento ou t\u00e9dio. Mas \u00e9 algo mais.<\/p>\n<blockquote><p>\u201dO t\u00e9dio \u00e9 o \u00faltimo privil\u00e9gio da mente livre.\u201d (Gayatri Devi)<\/p><\/blockquote>\n<p>A mente que ao encontrar-se livre com os seus pensamentos cria a oportunidade de se encontrar com a sua maior fonte de inspira\u00e7\u00e3o\u2026 Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-132417","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132417","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=132417"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132417\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132417"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=132417"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=132417"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}