{"id":13234,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/jovens-portugueses-partem-para-lutar-contra-a-fome-no-rio-de-janeiro\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"jovens-portugueses-partem-para-lutar-contra-a-fome-no-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jovens-portugueses-partem-para-lutar-contra-a-fome-no-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"Jovens portugueses partem para lutar contra a fome no Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<p>Os \u201cJovens Sem Fronteiras\u201d preparam-se para mexer na sua hist\u00f3ria. At\u00e9 agora, todas as experi\u00eancias mission\u00e1rias foram realizadas em \u00c1frica. A primeira \u201cPonte\u201d decorreu em Cabo Verde, em 1992. A partir desta data, realizaram-se \u2018Pontes\u2019 todos os anos, em Angola, Guin\u00e9-Bissau, Mo\u00e7ambique, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe e Cabo Verde.  Em Agosto, a Ponte 2005, com o lema \u201cEduca\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade ao servi\u00e7o da Justi\u00e7a\u201d, vai \u2018construir-se\u2019 em S. Crist\u00f3v\u00e3o de Cabo Frio, no Estado do Rio de Janeiro. Pela primeira vez na hist\u00f3ria, os JSF avan\u00e7am rumo \u00e1 Am\u00e9rica Latina. S. Crist\u00f3v\u00e3o \u00e9 um contexto triplamente perif\u00e9rico. \u00c9 periferia de Cabo Frio que \u00e9 periferia de Niter\u00f3i, que \u00e9 periferia do Rio de Janeiro. Os Espiritanos ali chegaram em 1989 e ali trabalham hoje dois mission\u00e1rios espiritanos: o P. Lu\u00eds Oliveira Martins e o P. Ant\u00f3nio Laranjeira. Tive a oportunidade de visitar S. Crist\u00f3v\u00e3o e ver, no terreno, as onze comunidades (algumas favelas) e o trabalho pastoral e social que ali se faz.  <b>A Pastoral da Sa\u00fade e da Crian\u00e7a<\/b> A Par\u00f3quia apostou na Sa\u00fade e, com o apoio da APARF, construiu o centro pastoral com um espa\u00e7o para atendimento m\u00e9dico e uma farm\u00e1cia. Assim, todas as semanas h\u00e1 um m\u00e9dico que d\u00e1 consultas a pessoas pobres e temos um banco de medicamentos para apoiar essa gente que n\u00e3o tem possibilidades de ir \u00e0 farm\u00e1cia. Depois, realizam-se ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00f5es nas comunidades do interior onde j\u00e1 foi erradicada a lepra e onde continua a ser importante dar algumas no\u00e7\u00f5es de saneamento, higiene,etc. Tamb\u00e9m a famosa \u2018pastoral da crian\u00e7a\u2019 investe muito no sector da sa\u00fade. As crian\u00e7as s\u00e3o pesadas, as fam\u00edlias s\u00e3o acompanhadas, h\u00e1 apoio alimentar alternativo para combater a desnutri\u00e7\u00e3o. Cada comunidade tem, mensalmente, a \u2018celebra\u00e7\u00e3o da vida\u2019: as crian\u00e7as s\u00e3o pesadas, medidas, distribui-se alimenta\u00e7\u00e3o, faz-se festa, reza-se.  <b> \u2018Fome Zero\u2019 e \u2018Cesta b\u00e1sica\u2019<\/b> O programa \u2018Fome Zero\u2019, em si, faz todo o sentido porque h\u00e1 muita fome no Brasil. Mas o certo \u00e9 que a mis\u00e9ria continua a aumentar, os resultados deste programa n\u00e3o se v\u00eaem. As duas Par\u00f3quias de Cabo Frio avan\u00e7aram, h\u00e1 quatro anos, com o projecto \u2018Natal de luz, Natal sem fome\u2019. Faz-se um fim de semana de campanha, de casa em casa, nos media, recolhem-se alimentos para que nenhuma pessoa fique sem Natal. \u00c9 que h\u00e1 muita fome, muito sofrimento, sobretudo nas favelas. Em 2003, juntaram-se 50 toneladas de alimento. No Natal, atenderam 1500 fam\u00edlias. \u00c9 bom saber que, durante anos a fio, Cabo Frio viveu das salinas. Agora o sal n\u00e3o d\u00e1 quase nada. H\u00e1 muito turismo, por causa das praias, mas o n\u00edvel de vida sobe muito no ver\u00e3o e n\u00e3o desce durante o resto do ano. Na Par\u00f3quia de S. Crist\u00f3v\u00e3o, o plano de luta contra a pobreza, ainda na linha alimentar, \u00e9 o da \u2018cesta b\u00e1sica\u2019 que atenda 300 fam\u00edlias por m\u00eas. Cada m\u00eas h\u00e1 a \u2018Missa do Quilo\u2019 em que os crist\u00e3os levam para a Eucaristia um quilo de alimentos.  <b>A pastoral social organizada<\/b> O investimento mais emblem\u00e1tico da Par\u00f3quia na \u00e1rea social \u00e9 o CEPASC (Centro de Promo\u00e7\u00e3o Social da Par\u00f3quia de S. Cristov\u00e3o). Fundado no ano 2000, coordena toda a ac\u00e7\u00e3o pastoral social, possibilitando negociar parcerias com o governo e a sociedade civil. O Estado n\u00e3o pode doar nada \u00e1 Igreja, mas pode apoiar projectos sociais. Assim, a Par\u00f3quia passou a ter assento no Conselho Comunit\u00e1rio do Munic\u00edpio. Temos uma advogada para defender a causa dos pobres, forma\u00e7\u00e3o e defesa dos direitos humanos. H\u00e1 uma psic\u00f3loga que faz um trabalho imprescind\u00edvel num tempo em que h\u00e1 muitas pessoas afectadas psicologicamente. Ainda na parte da promo\u00e7\u00e3o humana, temos cursos de corte e costura, crochet, bordados onde se preparam trabalhos para uma exposi\u00e7\u00e3o-venda. H\u00e1 ainda pintura em tela e de imagens. O mesmo se diga na \u00e1rea da culin\u00e1ria e do\u00e7aria. Tudo formas de valorizar as pessoas. Devo dizer que, sobretudo no ver\u00e3o, h\u00e1 muita gente que ganha a vida a vender doces aos turistas, nas praias. Desde h\u00e1 algum tempo, temos uma parceria com uma Escola de Ingl\u00eas.  <b>Desemprego e inseguran\u00e7a<\/b> H\u00e1 muito desemprego e, por consequ\u00eancia, alguma mis\u00e9ria. Nestes contextos, a droga chega em for\u00e7a e os assaltos s\u00e3o frequentes. Ningu\u00e9m se sente muito seguro e pode ver-se que, mesmo n\u00e3o havendo muito dinheiro, todas as casas t\u00eam grades. O refor\u00e7o da seguran\u00e7a \u00e9 aposta geral. S\u00e3o tantos os crimes que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o nas cadeias para todos os que s\u00e3o presos. Por isso, h\u00e1 o recurso habitual a penas alternativas e a Par\u00f3quia, atrav\u00e9s do CEPASC, tem acolhido pessoas que fazem trabalhos sociais para cumprir a pena a que foram condenados. O futuro do Brasil passa por tr\u00eas grandes metas que devem ter prioridade na actual realidade brasileira: &#8211; a erradica\u00e7\u00e3o da fome; o efectivo respeito dos direitos humanos para todos; o desenvolvimento sustent\u00e1vel que garanta a qualidade de vida \u00e1 popula\u00e7\u00e3o e respeito pela ecologia.  <b>Projecto Ponte<\/b> S\u00e3o 15 os participantes. V\u00eam de grupos JSF do Minho ao Algarve e representam as dioceses de Braga, Porto, Leiria-F\u00e1tima, Lisboa, Set\u00fabal, Beja e Algarve. O Projecto incide nas \u00e1reas da sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, Pastoral, apoio \u00e0s crian\u00e7as e aos jovens, M\u00fasica, Comunica\u00e7\u00e3o Social e Direitos Humanos. Ser\u00e1 um tempo de partilha da vida das popula\u00e7\u00f5es de S. Crist\u00f3v\u00e3o. Com uma certeza apenas: no fim de Agosto, todos estar\u00e3o mais ricos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os \u201cJovens Sem Fronteiras\u201d preparam-se para mexer na sua hist\u00f3ria. At\u00e9 agora, todas as experi\u00eancias mission\u00e1rias foram realizadas em \u00c1frica. A primeira \u201cPonte\u201d decorreu em Cabo Verde, em 1992. A partir desta data, realizaram-se \u2018Pontes\u2019 todos os anos, em Angola, Guin\u00e9-Bissau, Mo\u00e7ambique, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe e Cabo Verde. 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