{"id":132086,"date":"2019-03-29T08:40:24","date_gmt":"2019-03-29T08:40:24","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=132086"},"modified":"2019-07-04T17:02:22","modified_gmt":"2019-07-04T16:02:22","slug":"mocambique-a-hora-da-fome-e-das-doencas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mocambique-a-hora-da-fome-e-das-doencas\/","title":{"rendered":"Mo\u00e7ambique: A hora da fome e das doen\u00e7as&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><em>Santos Gotine, Secret\u00e1rio-geral da C\u00e1ritas de Mo\u00e7ambique, \u00e9 o convidado da entrevista semanal conjunta ECCLESIA\/Renascen\u00e7a<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Matos (Ecclesia) e \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a)<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/IMG-20190328-WA0002.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-132088 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/IMG-20190328-WA0002-195x260.jpg\" alt=\"\" width=\"195\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/IMG-20190328-WA0002-195x260.jpg 195w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/IMG-20190328-WA0002-768x1024.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/IMG-20190328-WA0002.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 195px) 100vw, 195px\" \/><\/a>Mo\u00e7ambique enfrenta uma das mais graves trag\u00e9dias da sua hist\u00f3ria. Como \u00e9 que est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o, nesta altura?<\/em><\/p>\n<p>Neste momento, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a normalizar-se, porque o n\u00edvel das \u00e1guas est\u00e1 a reduzir-se, depois das cheias. \u00c9 verdade que existem ainda algumas \u00e1reas onde o processo de resgate e procura de desaparecidos ainda continua, porque h\u00e1 um n\u00famero grande .<\/p>\n<p>Entre os que foram afetados, a maioria na Beira, come\u00e7am tamb\u00e9m a erguer-se, porque o impacto do ciclone \u00e9 aquele que n\u00f3s conhecemos, mas as chuvas j\u00e1 n\u00e3o caem, n\u00e3o se fazem sentir.<\/p>\n<p>H\u00e1 muita fome, isso \u00e9 uma verdade. Os que est\u00e3o a distribuir alimentos \u2013 algumas institui\u00e7\u00f5es do Governo, ONG \u2013 encaram um desafio, h\u00e1 muita gente a precisar, mas a comida ainda n\u00e3o chega\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Neste momento, o que \u00e9 que faz mais falta?<\/em><\/p>\n<p>O que faz mais falta \u00e9 comida, tendas, para alojar aqueles que perderam as suas casas e n\u00e3o t\u00eam abrigo, e tamb\u00e9m os kits de higiene e \u00e1gua. J\u00e1 ocorrem alguns problemas, como o surto de c\u00f3lera, principalmente na cidade da Beira, onde as autoridades sanit\u00e1rias est\u00e3o preocupadas com esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em termos de acessos, felizmente, a via que liga \u00e0 cidade da Beira j\u00e1 est\u00e1 restabelecida, com algumas condi\u00e7\u00f5es, mas existem ainda zonas onde n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel chegar por estrada.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Referiu que tem ainda indica\u00e7\u00e3o de muitos desaparecidos. Teme, de alguma forma, que estes n\u00fameros possam vir a fazer aumentar o n\u00famero de mortos?<\/em><\/p>\n<p>Obviamente, sem d\u00favida.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Estamos ainda muito longe de um balan\u00e7o final\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, muito longe, de facto. As informa\u00e7\u00f5es que nos chegam ainda n\u00e3o s\u00e3o exatas, porque ainda n\u00e3o h\u00e1 acesso a certas zonas. Existem helic\u00f3pteros a sobrevoar e barcos a navegar, onde \u00e9 poss\u00edvel chegar, mas tamb\u00e9m h\u00e1 dificuldades.<\/p>\n<p>De real\u00e7ar tamb\u00e9m que a barragem de Cahora Bassa come\u00e7ou a fazer descargas, de 3 mil metros c\u00fabicos por segundo. Diz-se que a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 controlada, mas podemos ver o Rio Zambeze a transbordar, porque j\u00e1 chegou ao seu n\u00edvel de alerta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 pessoas que se est\u00e3o a recusar a abandonar as suas casas, com medo de perder os seus bens?<\/em><\/p>\n<p>Sim, h\u00e1, mas o Governo est\u00e1 a retirar todos, compulsivamente. De facto, \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o, as pessoas que t\u00eam algumas propriedades sabem que, quando se ausentam, podem perd\u00ea-las. H\u00e1 esse problema, \u00e9 verdade, estamos a enfrent\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em termos de sa\u00fade, come\u00e7aram a aparecer casos de c\u00f3lera, como se temia, que j\u00e1 fizeram v\u00edtimas, e casos de diarreia. Como \u00e9 que se est\u00e1 a responder a esta situa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>As estruturas governamentais j\u00e1 montaram algumas equipas no terreno, para tentar monitorizar e responder a esta situa\u00e7\u00e3o. Existem tendas, j\u00e1 montadas, na Beira, com equipamento; h\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, tamb\u00e9m, por alguns parceiros. N\u00f3s, como C\u00e1ritas, tamb\u00e9m vamos ter uma m\u00e1quina industrial de purifica\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, que vem de Espanha, e vamos dando o nosso contributo, mas a verdade \u00e9 que este problema est\u00e1 a surgir em quase todas as zonas atingidas, tanto pelo ciclone como pelas cheias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Ex\u00e9rcito Portugu\u00eas tamb\u00e9m tem estado a ensinar a popula\u00e7\u00e3o a tratar da \u00e1gua. \u00c9 um problema grave\u2026 <\/em><\/p>\n<p>Sim, \u00e9 um problema grave, porque, para tratar a \u00e1gua, a popula\u00e7\u00e3o tem de ter meios, em primeiro lugar. Muitos perderam os seus utens\u00edlios, mesmo para um simples processo de tratamento, que \u00e9 ferver a \u00e1gua, algumas pessoas n\u00e3o t\u00eam panelas. H\u00e1 um esfor\u00e7o grande de muitas organiza\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 um esfor\u00e7o que precisa de ser redobrado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>V\u00e1rios pa\u00edses mobilizaram-se para ajudar, de Portugal seguiu ajuda oficial, tamb\u00e9m atrav\u00e9s de institui\u00e7\u00f5es como a Cruz Vermelha e a C\u00e1ritas. T\u00eam sido ajudas importantes?<\/em><\/p>\n<p>Sim, s\u00e3o ajudas que contribuem para amenizar a situa\u00e7\u00e3o, para refor\u00e7ar o que outras institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o a fazer, em resposta ao sofrimento da popula\u00e7\u00e3o. Tenho de agradecer o gesto da C\u00e1ritas Portuguesa, como nossa irm\u00e3, que nos est\u00e1 a apoiar. Esta solidariedade \u00e9 muito boa e n\u00f3s vamos fazer os esfor\u00e7os poss\u00edveis. Essa ajuda \u00e9 bem-vinda e est\u00e1 a servir muito para apoiar as popula\u00e7\u00f5es afetadas.<\/p>\n<p>Ainda temos um d\u00e9fice de capacidade, em recursos humanos, porque a interven\u00e7\u00e3o \u00e9 grande e precisa de pessoas especializadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Referiu, na apresenta\u00e7\u00e3o da campanha da C\u00e1ritas Portuguesa para ajuda a Mo\u00e7ambique, que preferia os donativos em dinheiro, porque h\u00e1 problemas log\u00edsticos quando se enviam bens e, por outro lado, isso tamb\u00e9m ajudaria a recuperar a Economia local.<\/em><\/p>\n<p>Obviamente. Continuo a defender essa op\u00e7\u00e3o, o nosso mercado precisa de ser revitalizado, refor\u00e7ado, recuperando a Economia. Quando as coisas v\u00eam de fora, h\u00e1 muitos gastos feitos em transporte, \u00e0s vezes mesmo para quest\u00f5es alfandeg\u00e1rias tem havido muitos problemas, tenho assistido a isso. Se formos a ver, o valor do custo de transporte podia ser utilizado para comprar produtos internamente ou nos pa\u00edses vizinhos, se aqui n\u00e3o tivermos capacidade.<\/p>\n<p>O facto de trazer muitos produtos de fora, \u00e9 uma quest\u00e3o que gostar\u00edamos de minimizar, pedindo aos parceiros que apliquem o dinheiro do transporte nas pessoas afetadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Entretanto, h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de que os pre\u00e7os est\u00e3o a disparar, devido \u00e0 escassez dos bens dispon\u00edveis, com algum aproveitamento&#8230;<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 sempre oportunistas, \u00e9 verdade. Os produtos dispararam, em termos de pre\u00e7o, principalmente na cidade da Beira. Temos de levar em considera\u00e7\u00e3o que s\u00e3o poucos armazenistas os que t\u00eam produtos, porque as vias de acesso ficaram bloqueadas. Era preciso ter armaz\u00e9ns com produtos, para abastecer.<\/p>\n<p>\u00c9 um fen\u00f3meno que acontece em todas as situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia em Mo\u00e7ambique, os pre\u00e7os disparam\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que a C\u00e1ritas est\u00e1 a articular a sua a\u00e7\u00e3o, como \u00e9 que est\u00e1 a chegar aos locais onde \u00e9 mais necess\u00e1rio?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos v\u00e1rios parceiros, que est\u00e3o c\u00e1 a dar apoio \u00e0 C\u00e1ritas Mo\u00e7ambicana, assim que ativamos o protocolo de coopera\u00e7\u00e3o, de emerg\u00eancia. Alguns parceiros t\u00eam meios pr\u00f3prios: a C\u00e1ritas \u00c1ustria tem um helic\u00f3ptero, que ajuda os colegas a transportar bens a localidades de dif\u00edcil acesso. Temos dificuldade de transporte terrestre, n\u00e3o s\u00f3 porque as vias est\u00e3o bloqueadas, mas tamb\u00e9m porque, em termos de capacidade de ve\u00edculos, isso representa um desafio.<\/p>\n<p>Lan\u00e7amos um apelo de emerg\u00eancia para resposta r\u00e1pida e ele est\u00e1 a ser bem recebido.<\/p>\n<figure id=\"attachment_132064\" aria-describedby=\"caption-attachment-132064\" style=\"width: 2048px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-132064 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/DOC.20190328.25916224.07468586.jpg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1365\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/DOC.20190328.25916224.07468586.jpg 2048w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/DOC.20190328.25916224.07468586-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/DOC.20190328.25916224.07468586-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/DOC.20190328.25916224.07468586-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/DOC.20190328.25916224.07468586-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-132064\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Lusa<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Seria importante que seguissem para Mo\u00e7ambique mais volunt\u00e1rios?<\/em><\/p>\n<p>Os volunt\u00e1rios s\u00e3o bem-vindos, porque n\u00f3s precisamos da sua ajuda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 forma de enquadrar a ajuda desses volunt\u00e1rios, a\u00ed no terreno?<\/em><\/p>\n<p>Sim, n\u00f3s temos uma equipa de coordena\u00e7\u00e3o, aqui ao n\u00edvel do secretariado, que tem um mapa com todo o pessoal que chega de fora. Antes de chegar, \u00e9 preciso determinar qual \u00e9 a especialidade de cada volunt\u00e1rio, para saber onde ser\u00e3o alocados, em termos de C\u00e1ritas Diocesanas. A log\u00edstica \u00e9 um grande desafio para n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos ainda em fase de resposta \u00e0s necessidades b\u00e1sicas da popula\u00e7\u00e3o, mas vem a\u00ed outra fase complicada, que ser\u00e1 a da reconstru\u00e7\u00e3o\u2026<\/em><\/p>\n<p>Essa fase de reconstru\u00e7\u00e3o \u00e9 uma fase em que vamos precisar de muita ajuda, porque vai ser uma reconstru\u00e7\u00e3o de raiz. As pessoas afetadas s\u00e3o muitas, vamos precisar de muito mais ajuda, porque neste momento estamos a dar uma resposta r\u00e1pida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 muitas infraestruturas da Igreja e de outras institui\u00e7\u00f5es que tenham sido afetadas? Temos o exemplo da R\u00e1dio Pax, emissora cat\u00f3lica da Beira, que n\u00e3o tem conseguido emitir\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, falando da cidade da Beira, quase todas as igrejas, conventos, outras estruturas da Igreja, est\u00e3o destru\u00eddas. A sede da C\u00e1ritas ficou sem teto, voou, todos os computadores foram destru\u00eddos. Esse \u00e9 um grande desafio que n\u00f3s temos, principalmente agora, num momento de resposta r\u00e1pida. Os bispos t\u00eam sublinhado que as Igrejas tamb\u00e9m sofreram, mas a nossa concentra\u00e7\u00e3o imediata como C\u00e1ritas \u00e9 para as pessoas afetadas que est\u00e3o sem abrigo, sem comida, sem \u00e1gua. \u00c9 um problema muito s\u00e9rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O tecido empresarial est\u00e1 tamb\u00e9m a tomar parte neste processo de reconstru\u00e7\u00e3o? Os recursos de Mo\u00e7ambique t\u00eam sido cobi\u00e7ados por grandes grupos econ\u00f3micos. Eles est\u00e3o a ajudar, neste momento?<\/em><\/p>\n<p>Sim, h\u00e1 muita solidariedade. Quase todas as empresas de Mo\u00e7ambique, as multinacionais, est\u00e3o a dar muito apoio. A quest\u00e3o \u00e9 se esse apoio chega aos destinat\u00e1rios. Como C\u00e1ritas, questionamos sempre isso, porque h\u00e1 um problema de perda de credibilidade das institui\u00e7\u00f5es governamentais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Para al\u00e9m desta situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia na Beira, por causa das cheias e do ciclone, h\u00e1 outras situa\u00e7\u00f5es em Mo\u00e7ambique onde a C\u00e1ritas esteja tamb\u00e9m a dar resposta? A semana passada o bispo nomeado para Tete, um mission\u00e1rio portugu\u00eas, referia que na regi\u00e3o de Inhambane se vive uma seca severa. Tem sido um ano de trag\u00e9dias clim\u00e1ticas?<\/em><\/p>\n<p>Sim, vamos dando resposta \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de seca tanto na prov\u00edncia de Gaza como de Inhambane.<\/p>\n<p>Quando do ciclone Idai e das cheias n\u00f3s concentramos mais o nosso esfor\u00e7o nas prov\u00edncias das dioceses que foram mais afetadas: Beira, Chimoio e Quelimane. Mas tamb\u00e9m de referir que temos a Diocese de Pemba onde antes do ciclone Idai estava inundada at\u00e9 \u00e0 pr\u00f3pria cidade<\/p>\n<p>Temos tamb\u00e9m a Diocese de Lichinga, no Distrito de Cuamba, onde temos problemas tamb\u00e9m de cheias. Hoje mesmo, no nosso encontro de coordena\u00e7\u00e3o, distinguimos o que tem de ser feito, porque o nosso desafio s\u00e3o as tr\u00eas Dioceses da Beira, Chimoio e Quelimane.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Este ano, em Mo\u00e7ambique \u00e9 tamb\u00e9m marcado pelas elei\u00e7\u00f5es gerais (presidencial, parlamento e assembleias provinciais, 15 de outubro de 2019). A comiss\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es manifesta a recomenda\u00e7\u00e3o de as adiar para dezembro, o recenseamento foi adiado. O que poder\u00e1 gerar na sociedade mo\u00e7ambicana perante esta quest\u00e3o eleitoral e o drama que est\u00e3o a viver e o sofrimento. Acha que pode p\u00f4r em causa a paz social?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um debate p\u00fablico que est\u00e1 a acontecer neste momento, n\u00e3o s\u00f3 o aspeto das elei\u00e7\u00f5es, previstas para outubro, que poder\u00e3o ser adiadas para dezembro. Mas tamb\u00e9m ontem o presidente da Rep\u00fablica e o presidente da Confer\u00eancia Episcopal de Mo\u00e7ambique anunciaram a visita do Papa para a primeira semana de setembro.<\/p>\n<p>\u00c9 muita coisa junta e n\u00e3o sei se teremos capacidade de fazermos isso com perfei\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdade que neste momento a concentra\u00e7\u00e3o maior \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia na regi\u00e3o centro.<\/p>\n<p><em>Dar resposta \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia \u00e9 mais urgente do que falar nestas visitas?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A visita do Papa que foi anunciada \u00e9 importante para Mo\u00e7ambique e para a Igreja nesse pa\u00eds? <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil dar uma resposta como Igreja, mas dando resposta pessoal penso que n\u00e3o seria oportuno neste momento. Estamos a aproximar-nos das elei\u00e7\u00f5es e sabemos que quando se aproximam elei\u00e7\u00f5es uma visita Papal pode ser interpretada como dar prioridade aos que est\u00e3o no poder e pode ser interpretada como pr\u00e9-campanha para o partido no poder. Esta \u00e9 uma vis\u00e3o muito pessoal, existem debates.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 entendimento, solidariedade entre a Igrejas, as religi\u00f5es presentes em Mo\u00e7ambique para ajudar a ultrapassar esta situa\u00e7\u00e3o de crise?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 muita solidariedade e h\u00e1 muita uni\u00e3o. As Igrejas est\u00e3o a trabalhar para poder apoiar esta situa\u00e7\u00e3o que estamos a viver.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santos Gotine, Secret\u00e1rio-geral da C\u00e1ritas de Mo\u00e7ambique, \u00e9 o convidado da entrevista semanal conjunta ECCLESIA\/Renascen\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":132087,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[],"class_list":["post-132086","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132086","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=132086"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132086\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/132087"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132086"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=132086"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=132086"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}