{"id":13202,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/verao-oportunidade-para-o-turismo-religioso\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"verao-oportunidade-para-o-turismo-religioso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/verao-oportunidade-para-o-turismo-religioso\/","title":{"rendered":"Ver\u00e3o, oportunidade para o turismo religioso"},"content":{"rendered":"<p>Num momento em que est\u00e1 cada vez mais  saturado o mercado do chamado turismo \u201csol e praia\u201d parece existir um interesse renovado pelas pr\u00e1ticas tur\u00edsticas que atendem \u00e0 marca do religioso, envolvendo o conhecimento do patrim\u00f3nio constru\u00eddo, das culturas locais e regionais, com as suas festas e romarias t\u00e3o t\u00edpicas do Ver\u00e3o. A religiosidade popular (conjunto de pr\u00e1ticas simb\u00f3licas de raiz popular) \u00e9 um facto que acompanha a vida da Igreja Cat\u00f3lica (aqui escolhida na sua qualidade de religi\u00e3o mais representativa no nosso pa\u00eds) e que a acompanhou durante todos os s\u00e9culos. Trata-se de express\u00f5es, gestos, atitudes, que expressam uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com Deus: beija-se a cruz, percorre-se a Via Sacra, participa-se numa peregrina\u00e7\u00e3o, ajoelha-se diante do t\u00famulo de um m\u00e1rtir ou um santo, conservam-se restos do seu corpo ou dos seus vestidos. No caso portugu\u00eas \u00e9 esta religiosidade que, sob uma aparente unidade enraizada no catolicismo, manifesta mais fielmente a pluralidade da sociedade portuguesa na viv\u00eancia do sagrado. Habitualmente a religiosidade popular afirma-se em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 oficial, sendo entendida por muitos como uma forma h\u00edbrida, isto \u00e9 formas inadequadas de entender e praticar a religi\u00e3o oficial. Em Portugal, por exemplo, as cren\u00e7as populares incluem, ainda hoje, um conjunto de cren\u00e7as e gestos m\u00e1gicos oriundos do paganismo celta. \u00c9 dif\u00edcil precisar onde foram os portugueses encontrar este \u201cimagin\u00e1rio\u201d, este \u201cfant\u00e1stico\u201d, este culto do sagrado, com uma estrutura\u00e7\u00e3o rigorosa de espa\u00e7o e do tempo e onde avultavam as grandes festas da Primavera e do Outono. \u00c9 neste contexto de assimila\u00e7\u00e3o das cren\u00e7as e antigos ritos pag\u00e3os, que se perpetuaram ao longo dos s\u00e9culos na tradi\u00e7\u00e3o oral, que se deve buscar a origem da maior parte dos ritos e cren\u00e7as que definem a religiosidade popular.  As festas populares, manifesta\u00e7\u00f5es colectivas, as cren\u00e7as e ritos de devo\u00e7\u00e3o particular s\u00e3o as grandes marcas da religiosidade popular no nosso pa\u00eds. Nas festividades populares, com ou sem rela\u00e7\u00e3o com o ritual oficial e, muitas vezes, com origem em cultos natural\u00edsticos, \u00e9 poss\u00edvel encontrar manifesta\u00e7\u00f5es particulares, por vezes, com car\u00e1cter m\u00e1gico.  A aten\u00e7\u00e3o especial aos sinais da natureza como a \u00e1gua, a terra, a luz, o c\u00e9u fascinou desde sempre as pessoas. A religiosidade popular, c\u00f3smica e natural, pode servir, no caso da Igreja Cat\u00f3lica, para compreender melhor a utiliza\u00e7\u00e3o de sinais e gestos simb\u00f3licos que expressam uma componente profundamente humana e religiosa. Por isso, tem sido sempre chamada a aten\u00e7\u00e3o para uma verdadeira integra\u00e7\u00e3o entre a liturgia e a piedade popular, como aconteceu na liturgia da Igreja dos primeiros s\u00e9culos, com algumas celebra\u00e7\u00f5es, e na liturgia romana da Idade M\u00e9dia, com as prociss\u00f5es, ladainhas e outros ritos, assumidos em forma de culto. O catolicismo, assumindo uma dimens\u00e3o universal (cat\u00f3lica), n\u00e3o pretende ser uma religi\u00e3o de elites. A sua hist\u00f3ria faz-se dentro dos povos, com os seus membros diversificados, a sua tradi\u00e7\u00e3o e cultura, a sua hist\u00f3ria e os seus projectos.  Os sectores do turismo e do Patrim\u00f3nio devem entender que, no campo religioso, todas estas dimens\u00f5es est\u00e3o presentes e devem ser descodificadas e valorizadas. S\u00f3 respeitando e dialogando se pode ajudar a crescer. O povo portugu\u00eas tem uma longa liga\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, sobretudo os meios mais populares e alde\u00e3os, com  a perman\u00eancia e a sobreviv\u00eancia de aspectos da religiosidade popular. Em muitas festas e celebra\u00e7\u00f5es, contudo, o aspecto folcl\u00f3rico tende a sobrepor-se a este fundo de significa\u00e7\u00f5es e mem\u00f3rias: a dimens\u00e3o religiosa est\u00e1 mais colocada ao lado, mas \u00e9 importante que continue, \u00e9 necess\u00e1rio garantir o aspecto religioso na festividade, como uma manifesta\u00e7\u00e3o de j\u00fabilo da comunidade.  Num per\u00edodo de globaliza\u00e7\u00e3o, em que tudo parecer ser igual e em que h\u00e1 tend\u00eancias para uniformizar a cultura, h\u00e1 uma forte necessidade das comunidades se identificarem. E essa identifica\u00e7\u00e3o faz-se, precisamente, atrav\u00e9s da revivesc\u00eancia das suas tradi\u00e7\u00f5es, fundamentalmente ligadas ao religioso, que nenhum respons\u00e1vel pela \u00e1rea do Turismo ou do Patrim\u00f3nio deve ignorar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num momento em que est\u00e1 cada vez mais saturado o mercado do chamado turismo \u201csol e praia\u201d parece existir um interesse renovado pelas pr\u00e1ticas tur\u00edsticas que atendem \u00e0 marca do religioso, envolvendo o conhecimento do patrim\u00f3nio constru\u00eddo, das culturas locais e regionais, com as suas festas e romarias t\u00e3o t\u00edpicas do Ver\u00e3o. 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