{"id":13163,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/qual-e-o-futuro-para-uma-sociedade-multicultural-multietnica-e-multirreligiosa\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"qual-e-o-futuro-para-uma-sociedade-multicultural-multietnica-e-multirreligiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/qual-e-o-futuro-para-uma-sociedade-multicultural-multietnica-e-multirreligiosa\/","title":{"rendered":"Qual \u00e9 o futuro para uma sociedade multicultural, multi\u00e9tnica e multirreligiosa?"},"content":{"rendered":"<p>Chiara Lubich responde <!--more--> A quest\u00e3o colocada a Chiara Lubich, no di\u00e1rio \u201cIl Tempo\u201d de 24 de Julho, \u00e9 tamb\u00e9m o t\u00edtulo da Mari\u00e1polis, o t\u00edpico encontro de Ver\u00e3o promovido pelos Focolares, em v\u00e1rias partes do mundo, que teve in\u00edcio a 24 de Julho em Lake District Windermere, no norte da Inglaterra, onde est\u00e3o a participar mais de 500 pessoas, entre as quais um grupo de mu\u00e7ulmanos. \u00c9 esta a interroga\u00e7\u00e3o premente que se coloca n\u00e3o s\u00f3 na Inglaterra, mas em toda a Europa e n\u00e3o s\u00f3, depois do atentado terrorista do passado dia 7 de Julho em Londres, a cidade mais cosmopolita do velho continente. No dia 19 de Julho de 2004, em Londres, no Westminster Central Hall, diante de mais de 2000 pessoas, com personalidades mu\u00e7ulmanas, budistas, sikhs e hindus, Chiara Lubich tinha dado uma resposta a esta quest\u00e3o. Diante do receio pelo futuro, Chiara Lubich exp\u00f5e a vis\u00e3o de S. Agostinho no tempo das migra\u00e7\u00f5es dos povos: n\u00e3o se trata de um conflito de civiliza\u00e7\u00f5es, mas do nascimento de um mundo novo. Aponta para o di\u00e1logo como preven\u00e7\u00e3o do terrorismo e indica os caminhos para o concretizar, a \u201cregra de ouro\u201d comum a muitas religi\u00f5es: \u201cN\u00e3o fa\u00e7as aos outros aquilo que n\u00e3o gostarias que fizessem a ti\u201d, aquele amor que sabe ouvir at\u00e9 ao ponto de \u201centrar na pele do outro, penetrar naquilo que para ele significa ser budista, mu\u00e7ulmano, hindu\u201d. \u00c9 este o caminho para a incultura\u00e7\u00e3o rec\u00edproca de modo a suscitar uma sociedade onde \u201cas culturas estejam abertas umas \u00e0s outras e em profundo di\u00e1logo de amor\u201d. Prop\u00f5e \u00e0s religi\u00f5es uma \u201cestrat\u00e9gia de fraternidade\u201d para sanar as diferen\u00e7as entre ricos e pobres e imprimir uma reviravolta nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. S\u00e3o muitos os ecos que chegaram via email de v\u00e1rios pa\u00edses, de crist\u00e3os, mu\u00e7ulmanos e membros de outras religi\u00f5es que participaram nas Mari\u00e1polis que se t\u00eam realizado durante os meses de Ver\u00e3o. De Los Angeles, onde estavam presentes amigos mu\u00e7ulmanos disc\u00edpulos de W.D. Mohammed, l\u00edder dos afro-americanos, escrevem: \u201cOuvir juntos esta mensagem de fraternidade universal, depois de termos sabido dos atentados em Londres, foi um verdadeiro sinal de esperan\u00e7a. Foi um momento forte ver a fraternidade universal realizada entre n\u00f3s\u201d. Na Mari\u00e1polis de St Vith na B\u00e9lgica, estavam representadas 18 nacionalidades. \u201cO que mais impressionou os mu\u00e7ulmanos foi a experi\u00eancia de Deus no meio da comunidade, presente pelo amor rec\u00edproco vivido\u201d. O mesmo se passou em Amman, na Jord\u00e2nia, onde estava presente um grupo proveniente do Iraque, e tamb\u00e9m em Istambul. Um professor, ex-militar mu\u00e7ulmano, comentou: \u201cEu aqui vi que a fraternidade tomou outras dimens\u00f5es. Tudo aquilo que ouvimos recorda-nos o pensamento de Mevlana (grande m\u00edstico mu\u00e7ulmano turco). E uma senhora mu\u00e7ulmana: \u201cAqui, as diferen\u00e7as transformaram-se em unidade. Experiment\u00e1mos o arco-\u00edris da paz, colorido pelo amor\u201d. Mais informa\u00e7\u00f5es: www.focolare.org  <b>Entrevista a Chiara Lubich<\/b> Publicada no Jornal \u201cIl Tempo\u201d no dia 24 de Julho de 2005  <i>Depois dos atentados de Londres e de Sharm El Sheik, uma quest\u00e3o \u00e9 premente: qual \u00e9 o futuro para uma sociedade multicultural, multi\u00e9tnica e multirreligiosa? Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares e h\u00e1 40 anos empenhada no di\u00e1logo com judeus e mu\u00e7ulmanos, budistas e hindus, d\u00e1 uma resposta. Entrevist\u00e1mo-la nas v\u00e9speras da Mari\u00e1polis da Inglaterra, um encontro de Ver\u00e3o organizado pelos Focolares no mundo inteiro, onde participam representantes de v\u00e1rias religi\u00f5es, entre os quais muitos mu\u00e7ulmanos.<\/i>  <i>Chiara Lubich, diante dos \u00faltimos atentados em Londres e em Sharm El Sheik, podemos dizer que estamos diante de um choque de civiliza\u00e7\u00f5es?<\/i> N\u00e3o. Nunca como neste momento no mundo, pessoas crentes e respons\u00e1veis de todas as religi\u00f5es sentiram o dever de trabalhar juntos pelo bem comum da humanidade. \u00c9 uma urg\u00eancia que est\u00e1 viva como nunca nestes dias, e ainda mais na Gr\u00e3 Bretanha. Confirma isto a quantidade enorme de declara\u00e7\u00f5es e iniciativas que t\u00eam sido feitas. Com o 11 de Setembro de 2001, a humanidade descobriu, aterrorizada, a natureza deste grande e enorme perigo que \u00e9 o terrorismo. O terrorismo, tal como tinha afirmado Jo\u00e3o Paulo II, \u00e9 tamb\u00e9m fruto das for\u00e7as do Mal com M mai\u00fasculo, das Trevas. Ora bem, for\u00e7as deste tipo n\u00e3o se combatem unicamente com meios humanos, diplom\u00e1ticos, pol\u00edticos ou militares; s\u00e3o necess\u00e1rias as for\u00e7as do Bem com B mai\u00fasculo. E o Bem com B mai\u00fasculo \u00e9 \u2013 j\u00e1 sabemos \u2013 Deus, e tudo aquilo que tem n\u2019Ele as suas ra\u00edzes. Pode-se, portanto, combater com as for\u00e7as espirituais, com a ora\u00e7\u00e3o e, por exemplo, com o jejum.  <i>Acha que a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 suficiente para travar a ac\u00e7\u00e3o suicida dos fan\u00e1ticos do terror? <\/i> Penso que a ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o basta. Sabemos que s\u00e3o muitas as causas do terrorismo, mas uma, a mais profunda, \u00e9 o sofrimento insuport\u00e1vel diante de um mundo rico que corresponde a um quinto, e de um mundo pobre que corresponde a quatro quintos. Isto gerou e gera ressentimentos em incuba\u00e7\u00e3o h\u00e1 muito tempo nas pessoas, gerando viol\u00eancia e vingan\u00e7a. Exige-se mais igualdade, mais solidariedade, sobretudo uma mais justa distribui\u00e7\u00e3o dos bens. Mas, como sabemos, os bens n\u00e3o se mexem sozinhos, n\u00e3o caminham sozinhos, s\u00e3o movidos pelos cora\u00e7\u00f5es. Por isso, \u00e9 preciso difundir entre o maior n\u00famero poss\u00edvel de pessoas, a ideia e a pr\u00e1tica da fraternidade e, dada a vastid\u00e3o do problema, a ideia da fraternidade universal. Os irm\u00e3os sabem pensar nos irm\u00e3os, sabem como ajud\u00e1-los, sabem como partilhar aquilo que t\u00eam.  <i>Quem deveriam ser os principais actores desta \u201crevolu\u00e7\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es\u201d? <\/i> O contributo das religi\u00f5es \u00e9 decisivo. De quem, se n\u00e3o das grandes tradi\u00e7\u00f5es religiosas, poderia partir a estrat\u00e9gia da fraternidade capaz de assinalar uma reviravolta nas rela\u00e7\u00f5es internacionais? Os enormes recursos espirituais e morais, o contributo de ideais, de aspira\u00e7\u00f5es \u00e0 justi\u00e7a, o empenho em favor dos mais necessitados, juntamente com todo o peso pol\u00edtico de milh\u00f5es de crentes, que nascem do sentimento religioso, se fossem canalizados para o campo das rela\u00e7\u00f5es humanas, poderiam, sem d\u00favida alguma, traduzir-se em ac\u00e7\u00f5es que podem influenciar positivamente a ordem internacional.  <i>Como \u00e9 poss\u00edvel dialogar com quem tem uma hist\u00f3ria, uma tradi\u00e7\u00e3o, uma religi\u00e3o, totalmente diferentes das nossas? <\/i> Posso responder com a nossa experi\u00eancia. Aquela descoberta, para mim fulgurante, de Deus Amor que aconteceu num outro per\u00edodo de \u00f3dio e de viol\u00eancia como foi a segunda guerra mundial, ainda hoje ilumina a minha vida e a de pessoas de todas as culturas. Diante do receio do futuro, temos que ter a certeza que temos um Pai que n\u00e3o abandona os seus filhos, mas que os quer acompanhar, proteger e ajudar. Acreditar no seu amor foi sempre o primeiro imperativo, acreditar que somos amados por Ele pessoal e imensamente. A descoberta do Pai leva \u00e0 redescoberta dos filhos, da radicalidade do amor evang\u00e9lico. Este amor n\u00e3o \u00e9 feito s\u00f3 de palavras ou de sentimentos, \u00e9 concreto. Exige que se fa\u00e7a um com os outros, que \u201cse viva\u201d de certo modo \u201co outro\u201d com os seus sofrimentos, as suas alegrias, para o compreender, para poder servi-lo e ajudar concreta e eficazmente. Trata-se de chorar com quem chora e de se alegrar com quem est\u00e1 contente. Este amor \u00e9 a chave que abre um di\u00e1logo profundo e fraterno, tamb\u00e9m com os membros das outras religi\u00f5es e com pessoas de outras culturas. Se tivermos este amor, o outro poder\u00e1 manifestar-se, porque encontra em n\u00f3s algu\u00e9m que o acolhe, pode doar-se, porque encontra em n\u00f3s algu\u00e9m que o ouve. Ficamos ent\u00e3o a conhecer a sua f\u00e9, a sua cultura, a sua linguagem. Entramos no seu mundo, inculturamo-nos nele e assim nos enriquecemos. A nossa completa abertura predisp\u00f5e o outro a ouvir-nos. E com esta atitude contribu\u00edmos para que as nossas sociedades multiculturais sejam interculturais, isto \u00e9, compostas por culturas abertas umas \u00e0s outras e em profundo di\u00e1logo de amor entre si.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chiara Lubich responde<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[203,212,237,258,314],"class_list":["post-13163","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-europa","tag-focolares","tag-joao-paulo-ii","tag-migracoes","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13163","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13163"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13163\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13163"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13163"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13163"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}