{"id":13146,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/concertos-nas-igrejas\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"concertos-nas-igrejas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/concertos-nas-igrejas\/","title":{"rendered":"Concertos nas igrejas?"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com mais frequ\u00eancia que no passado, organiza\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o musical demandam as igrejas para a realiza\u00e7\u00e3o de concertos. Quase todas as semanas os jornais noticiam a realiza\u00e7\u00e3o de concertos em igrejas. Tal facto pode levar a pensar, erradamente, que as igrejas se destinam tamb\u00e9m a ser audit\u00f3rios de m\u00fasica.  N\u00e3o faltam contudo respons\u00e1veis de igrejas (p\u00e1rocos, reitores e capel\u00e3es) que pro\u00edbem qualquer esp\u00e9cie de manifesta\u00e7\u00e3o musical nas igrejas, enquanto que outros parece admitirem ou tolerarem tudo. Diante de procedimento t\u00e3o d\u00edspar, por vezes, os organizadores interrogam-se sobre a justeza dos crit\u00e9rios, ou mesmo se a inexist\u00eancia de crit\u00e9rios cede lugar a caprichos. No sentido de esclarecer e, tamb\u00e9m, <i>\u201cajudar os Senhores Bispos a tomarem decis\u00f5es pastorais v\u00e1lidas, tendo tamb\u00e9m em considera\u00e7\u00e3o as situa\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-culturais do pr\u00f3prio ambiente\u201d<\/i>, a Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto divino redigiu uma Carta, em 5 de Novembro de 1987, sobre <i>\u201cinterpreta\u00e7\u00f5es musicais fora das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas\u201d<\/i>, remetendo para outros documentos j\u00e1 publicados, nomeadamente a Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Liturgia, a Instru\u00e7\u00e3o Musicam Sacram, a Instru\u00e7\u00e3o Liturgicae Instaurationes e, em particular, para o C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico.  Neste mesmo sentido, apresentam-se algumas refer\u00eancias \u00fateis: As igrejas n\u00e3o s\u00e3o meros lugares p\u00fablicos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e para realizar o que quer que seja. <i>\u00abS\u00e3o lugares sagrados, isto \u00e9, &#8220;separados&#8221;, destinados de modo permanente ao culto de Deus, desde o momento da dedica\u00e7\u00e3o ou da b\u00ean\u00e7\u00e3o\u00bb<\/i> (Carta da Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto divino [=CCCD], 5 De acordo com o c\u00e2none 1213, \u00e9 \u00e0 autoridade eclesi\u00e1stica (na diocese, ao bispo) que compete exercer livremente o seu poder nos lugares sagrados e, por conseguinte, regulamentar o uso das igrejas, salvaguardando o seu car\u00e1cter sagrado. O apre\u00e7o que a Igreja tem pela m\u00fasica e pelos artistas \u00e9 indiscut\u00edvel. A hist\u00f3ria o demonstra com facilidade. Todos reconhecem quanto o cristianismo inspirou a m\u00fasica ocidental e quanto a Igreja preza a m\u00fasica, destinando-lhe um lugar de nobreza, no culto divino. \u00c9 por isso falsa e maldosa a afirma\u00e7\u00e3o de que \u201ca Igreja n\u00e3o quer a m\u00fasica\u201d nas igrejas. O crit\u00e9rio para a aceita\u00e7\u00e3o ou nega\u00e7\u00e3o de um concerto na igreja \u00e9 o princ\u00edpio de que o uso das igrejas n\u00e3o deve ser contr\u00e1rio \u00e0 santidade do lugar.<I> \u201cN\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo programar numa igreja a execu\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica que n\u00e3o \u00e9 de inspira\u00e7\u00e3o religiosa, e que foi composta para ser interpretada em contextos profanos determinados, quer se trate de m\u00fasica cl\u00e1ssica, quer de m\u00fasica contempor\u00e2nea, de alto n\u00edvel ou de car\u00e1cter popular\u201d<\/i> (CCCD, 8). Pelo contr\u00e1rio, a m\u00fasica sacra e a m\u00fasica religiosa que, <i>\u201cpor motivos contingentes n\u00e3o pode ser executada durante a celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica\u201d, <\/i> pode ter o seu lugar na igreja sob a forma de concerto (CCCD, 9). <i>\u201cA Rep\u00fablica Portuguesa reconhece que a finalidade pr\u00f3pria dos bens eclesi\u00e1sticos deve ser salvaguardada pelo direito portugu\u00eas\u2026\u201d (Concordata, n\u00ba 2 art\u00ba 23\u00ba) \u201cOs im\u00f3veis\u2026 classificados como \u00abmonumentos nacionais\u00bb ou como de \u00abinteresse p\u00fablico\u00bb continuam com afecta\u00e7\u00e3o permanente ao servi\u00e7o da Igreja\u2026\u201d<\/i> (Concordata, n\u00ba 1 art\u00ba 22\u00ba) <b>A Igreja n\u00e3o s\u00f3 permite os concertos de m\u00fasica sacra como os promove<\/b> Concertos nas igrejas, sim ou n\u00e3o? Sim de m\u00fasica da Igreja, m\u00fasica sacra ou religiosa hist\u00f3rica. Caso contr\u00e1rio, n\u00e3o. Nos casos duvidosos, os peritos competentes, dar\u00e3o o seu parecer. Relativamente \u00e0 quest\u00e3o que, por vezes, se levanta de entradas pagas ou entradas livres, deve respeitar-se a norma do C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico, can. 1221. Para ser poss\u00edvel realizar um concerto numa igreja \u00e9 necess\u00e1rio que, em tempo \u00fatil e por escrito, se fa\u00e7a o requerimento ao Bispo diocesano, indicando o lugar, a data, a hora e o programa do concerto com o nome das obras musicais a apresentar e os seus autores. Ap\u00f3s a autoriza\u00e7\u00e3o do bispo, o p\u00e1roco ou reitor da igreja poder\u00e1 permitir o uso da igreja, velando por que todos, int\u00e9rpretes e assistentes, respeitem, pelo seu comportamento, o lugar sagrado. Al\u00e9m disso, os organizadores dever\u00e3o responsabilizar-se, por escrito, pelos gastos e eventuais danos.  Dever-se-\u00e1 respeitar os sinais sagrados, nomeadamente o altar, o amb\u00e3o e a cadeira, e convir\u00e1 retirar o Sant\u00edssimo Sacramento para um lugar seguro e digno.  <i>Secretariado Diocesano de Liturgia do Porto<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com mais frequ\u00eancia que no passado, organiza\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o musical demandam as igrejas para a realiza\u00e7\u00e3o de concertos. Quase todas as semanas os jornais noticiam a realiza\u00e7\u00e3o de concertos em igrejas. Tal facto pode levar a pensar, erradamente, que as igrejas se destinam tamb\u00e9m a ser audit\u00f3rios de m\u00fasica. 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