{"id":131337,"date":"2019-03-22T09:14:07","date_gmt":"2019-03-22T09:14:07","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=131337"},"modified":"2019-07-04T16:59:31","modified_gmt":"2019-07-04T15:59:31","slug":"entrevista-os-cristaos-nao-podem-participar-numa-missa-e-desinteressarem-se-pelos-problemas-da-sua-terra-d-jose-traquina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/entrevista-os-cristaos-nao-podem-participar-numa-missa-e-desinteressarem-se-pelos-problemas-da-sua-terra-d-jose-traquina\/","title":{"rendered":"Entrevista: Os crist\u00e3os \u00abn\u00e3o podem participar numa Missa e desinteressarem-se pelos problemas da sua terra\u00bb \u2013 D. Jos\u00e9 Traquina"},"content":{"rendered":"<p><em>Respons\u00e1vel pela Pastoral Social da Igreja Cat\u00f3lica diz que h\u00e1 regras claras para as institui\u00e7\u00f5es prestarem contas do que recebem e garante que \u00e9 isso que j\u00e1 est\u00e3o a fazer.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>Em entrevista \u00e0 Renascen\u00e7a e \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, D. Jos\u00e9 Traquina considera a sustentabilidade das IPSS \u201cum problema grav\u00edssimo\u201d em Portugal e apela \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no pedit\u00f3rio da C\u00e1ritas, que est\u00e1 a decorrer. O presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, refere-se tamb\u00e9m \u00e0 necessidade de alargar a ajuda a Mo\u00e7ambique, por causa das cheias, e afirma que o drama da viol\u00eancia dom\u00e9stica vai ser analisado pelos bispos de Portugal na pr\u00f3xima assembleia plen\u00e1ria.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a), Paulo Rocha (Ecclesia)<br \/>\nJoana Gon\u00e7alves (imagem)<\/p>\n<figure id=\"attachment_131360\" aria-describedby=\"caption-attachment-131360\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/jose_traquina_rr1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-131360\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/jose_traquina_rr1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/jose_traquina_rr1.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/jose_traquina_rr1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/jose_traquina_rr1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/jose_traquina_rr1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/jose_traquina_rr1-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-131360\" class=\"wp-caption-text\">Foto Renascen\u00e7a\/Joana Gon\u00e7alves<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos na Semana Nacional da C\u00e1ritas, cujo ponto alto \u00e9 o Pedit\u00f3rio P\u00fablico, que est\u00e1 a decorrer por estes dias. \u00c9 importante os portugueses participarem?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 muito importante, por duas raz\u00f5es: primeiro porque \u00e9 necess\u00e1rio ajudar quem precisa, segundo porque aumenta a qualidade dos pr\u00f3prios portugueses que ajudam. A pessoa quando d\u00e1, quando ajuda, tem a ganhar com isso, na sua qualidade, generosidade, capacidade de interpretar as situa\u00e7\u00f5es de car\u00eancia. E uma possibilidade de colaborar com aqueles que necessitam \u00e9 atrav\u00e9s deste pedit\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Receia que os portugueses possam estar menos solid\u00e1rios, tendo em conta as pol\u00e9micas que houve com as ajudas depois dos inc\u00eandios de 2017?<\/em><\/p>\n<p>Houve algumas observa\u00e7\u00f5es e \u00e9 bom que haja observa\u00e7\u00f5es quando existem dificuldades de transpar\u00eancia. A C\u00e1ritas tem todo o interesse em fazer os esclarecimentos necess\u00e1rios e n\u00e3o p\u00f4r em causa a credibilidade de que goza em Portugal. No que diz respeito ao pedit\u00f3rio, ele \u00e9 fundamental porque, para as pr\u00f3prias C\u00e1ritas diocesanas, como \u00e9 o caso da minha diocese de Santar\u00e9m, reverte mesmo para as C\u00e1ritas paroquiais que est\u00e3o no terreno. Portanto \u00e9 um pedit\u00f3rio importante.<\/p>\n<p>Mas, deixe-me sublinhar a import\u00e2ncia pessoal de quem d\u00e1. N\u00f3s precisamos de cultivar na sociedade portuguesa a dimens\u00e3o da solidariedade, porque na sociedade portuguesa, como na sociedade na Europa, estamos muito marcados pela dimens\u00e3o da competitividade &#8211; competir, competir &#8211; , e a certa altura esquecemo-nos que nem toda a gente tem capacidade de competir. No pr\u00f3prio desenvolvimento tecnol\u00f3gico, h\u00e1 pessoas que n\u00e3o conseguem entrar nessa na evolu\u00e7\u00e3o e ficam para tr\u00e1s. Mas, s\u00e3o pessoas e essas pessoas precisam de ajuda. Portanto, n\u00f3s partilhamos saber, partilhamos aquilo que podemos e temos de ter em conta que h\u00e1 pessoas de outra idade, com outras dificuldades, que n\u00e3o t\u00eam as mesmas capacidade de ganhar, de ter rendimentos como seria desej\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Hoje h\u00e1 diretrizes, nacionais e europeias, nomeadamente na quest\u00e3o da transpar\u00eancia. Como presidente da Comiss\u00e3o Episcopal que acompanha este setor, que indica\u00e7\u00f5es s\u00e3o dadas a quem est\u00e1 no terreno para que se cultive essa transpar\u00eancia e para que se possam afastar de vez d\u00favidas sobre os destinos dos bens recolhidos e dos donativos?<\/em><\/p>\n<p>A C\u00e1ritas Europeia tem, sobre esta mat\u00e9ria, princ\u00edpios e diretrizes muito claras. As C\u00e1ritas t\u00eam de fazer fiscaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 obrigat\u00f3ria a auditoria. Se as C\u00e1ritas n\u00e3o fizerem isso, a pr\u00f3pria C\u00e1ritas Europeia promove ela mesma a auditoria a essas contas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E isso vai acontecendo em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Tem que acontecer, \u00e9 uma diretriz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E essa garantia tem que ser dada aos portugueses, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Isto \u00e9 transversal e \u00e9 global. A transpar\u00eancia \u00e9, digamos, o pre\u00e7o da credibilidade, e tem de haver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso aconteceu com os pedit\u00f3rios para os inc\u00eandios de 2017 nas C\u00e1ritas diocesanas envolvidas?<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 este ano, em Fevereiro, a C\u00e1ritas de Coimbra apresentou um relat\u00f3rio com tudo o que fez. Quem quiser pode consultar e \u00e9 transparente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que a C\u00e1ritas fez. E n\u00e3o houve protestos das pessoas em causa, das constru\u00e7\u00f5es, das empresas que foram reabilitadas, dos empres\u00e1rios agr\u00edcolas que tiveram apoio para as suas terras, para as suas m\u00e1quinas agr\u00edcolas. Enfim, tudo foi referenciado, sinalizado, cumprido e est\u00e1 praticamente conclu\u00edda a ajuda no que diz respeito \u00e0 C\u00e1ritas de Coimbra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A C\u00e1ritas portuguesa, as C\u00e1ritas Diocesanas, as C\u00e1ritas paroquiais, continuam a ter um papel muito importante no pa\u00eds, pela proximidade que t\u00eam das popula\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Sim! Sobretudo nas situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, as C\u00e1ritas t\u00eam um papel muito importante e t\u00eam essa tradi\u00e7\u00e3o. E fazem-no bem, temos essa credibilidade. Nas comunidades, h\u00e1 outras respostas sociais. Mas no que diz respeito \u00e0s emerg\u00eancias e \u00e0 aten\u00e7\u00e3o aos pobres, \u00e0s fam\u00edlias e a situa\u00e7\u00f5es isoladas que aparecem, como estrangeiros, a C\u00e1ritas tem a\u00ed um lugar muito importante como express\u00e3o da pr\u00f3pria comunidade que recebe. Repare-se que n\u00e3o funciona com coopera\u00e7\u00f5es com a Seguran\u00e7a Social. Quer dizer, \u00e9 mesmo dar aquilo que recebe: recebe da popula\u00e7\u00e3o e d\u00e1 a quem precisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ajudar Mo\u00e7ambique<\/strong><\/p>\n<table class=\" alignright\" style=\"width: 50%;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 423px;\"><figure class=\"wp-block-embed wp-block-embed-youtube is-type-video is-provider-youtube epyt-figure\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_48821\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/D-Gsouydg9g?enablejsapi=1&autoplay=0&cc_load_policy=0&cc_lang_pref=pt&iv_load_policy=1&loop=0&rel=0&fs=1&playsinline=1&autohide=2&theme=dark&color=red&controls=1&disablekb=0&\" class=\"__youtube_prefs__  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div><\/div><\/figure><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><em>Al\u00e9m dessa proximidade tamb\u00e9m d\u00e1 resposta \u00e0s emerg\u00eancias no caso de cat\u00e1strofes internacionais, como se est\u00e1 a ver agora com Mo\u00e7ambique, em que houve uma resposta quase imediata da institui\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Houve um sinal da institui\u00e7\u00e3o que foi dado logo nas primeiras cheias, a semana passada. A C\u00e1ritas Portuguesa avan\u00e7ou com um sinal de 25 mil euros dos seus fundos para responder de imediato e dar um sinal de boa vontade&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma ajuda de emerg\u00eancia\u2026<\/em><\/p>\n<p>Uma primeira ajuda. Mas, de repente surgiu aquela avalancha de \u00e1gua e estamos perante uma situa\u00e7\u00e3o que requer uma outra resposta. Espero que na pr\u00f3xima segunda-feira consigamos dar algumas informa\u00e7\u00f5es para a comunica\u00e7\u00e3o social daquilo que pretendemos fazer e os esclarecimentos que \u00e9 preciso dar \u00e0s popula\u00e7\u00f5es, porque as pessoas v\u00eam as imagens na televis\u00e3o e est\u00e3o a perguntar&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Querem ajudar?<\/em><\/p>\n<p>Querem ajudar! E como \u00e9 que vamos fazer? Temos programado na pr\u00f3xima segunda-feira poder fazer isso com mais seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Haver\u00e1 uma campanha aut\u00f3noma, j\u00e1 depois desta Semana Nacional da C\u00e1ritas?<\/em><\/p>\n<p>Sim, aut\u00f3noma, depois desta Semana, para n\u00e3o estarmos a confundir as coisas. E sobretudo porque possibilita nestes dias pensar melhor as coisas. H\u00e1 uma coisa que queremos nisto, \u00e9 manter a credibilidade (junto) do povo portugu\u00eas e do governo de Portugal. Quer dizer, aquilo que se fizer para Mo\u00e7ambique h\u00e1 de ter toda a transpar\u00eancia, sentido de coopera\u00e7\u00e3o com aqueles que necessitam, porque \u00e9 esse o esp\u00edrito. Isto n\u00e3o \u00e9 uma empresa para ter lucros, n\u00e3o quer garantir o servi\u00e7o, manter o servi\u00e7o, mas ajudar as popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Qual \u00e9 o papel da C\u00e1ritas entre as v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es que desenvolvem esse trabalho de solidariedade em Portugal, e muitas pertencem \u00e0 Igreja, como IPSS&#8217;s, ou Sociedade de S. Vicente de Paulo?<\/em><\/p>\n<p>O papel da C\u00e1ritas tem esta dimens\u00e3o de proximidade, para responder aos pobres, a quem precisa. Mas, h\u00e1 diferen\u00e7as de diocese para diocese.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar num papel de coordena\u00e7\u00e3o por parte da C\u00e1ritas neste setor social?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o. A C\u00e1ritas Portuguesa tem coordena\u00e7\u00e3o naquilo que s\u00e3o as C\u00e1ritas diocesanas. Congrega, n\u00e3o coordena. Isto \u00e9, converge para que haja uma linguagem comum.<\/p>\n<p>A C\u00e1ritas Portuguesa promove projetos, cuidados a fazer, ensinamentos que se podem desenvolver para bem das popula\u00e7\u00f5es e depois as C\u00e1ritas diocesanas assumem esses projetos&#8230; Mas, respostas estruturais, nas comunidades, nem todas as C\u00e1ritas t\u00eam. Lisboa e Coimbra t\u00eam estruturas v\u00e1rias, mas isso noutras dioceses est\u00e1 mais com as Santas Casas da Miseric\u00f3rdia, com os Centros Sociais Paroquiais, IPSS&#8217;s. As dioceses t\u00eam configura\u00e7\u00f5es diferentes no sentido do apoio \u00e0s popula\u00e7\u00f5es. Agora, seja nas C\u00e1ritas, seja nos Centros Sociais Paroquiais, uma coisa me parece importante: desenvolver na popula\u00e7\u00e3o e nas comunidades, o princ\u00edpio da solidariedade. N\u00e3o podem uns paroquianos ou uma comunidade ter ali um Centro Social Paroquial e concluir que aquilo ou \u00e9 do padre ou daqueles que est\u00e3o l\u00e1 a mandar ou da Seguran\u00e7a Social. N\u00e3o, aquilo \u00e9 nosso, aquilo \u00e9 da comunidade, aquilo tem de ser express\u00e3o da comunidade. E para ser express\u00e3o da comunidade, eles t\u00eam que ter participa\u00e7\u00e3o, nomeadamente tamb\u00e9m com a ajuda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pensar a sustentabilidade e reconfigurar as IPSS<\/strong><\/p>\n<table class=\" alignright\" style=\"height: 23px; width: 50%;\">\n<tbody>\n<tr style=\"height: 23px;\">\n<td style=\"height: 23px; width: 301px;\"><figure class=\"wp-block-embed wp-block-embed-youtube is-type-video is-provider-youtube epyt-figure\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_43575\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-rkVOlgPEh4?enablejsapi=1&autoplay=0&cc_load_policy=0&cc_lang_pref=pt&iv_load_policy=1&loop=0&rel=0&fs=1&playsinline=1&autohide=2&theme=dark&color=red&controls=1&disablekb=0&\" class=\"__youtube_prefs__  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div><\/div><\/figure><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><em>H\u00e1 necessidade de reconfigurar os Centros Sociais Paroquiais, tendo em conta que outras institui\u00e7\u00f5es, como as autarquias, est\u00e3o a assumir val\u00eancias at\u00e9 agora asseguradas por estas IPSS\u2019s?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 necessidade de reconfigurar porque as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e das popula\u00e7\u00f5es se alteraram. N\u00f3s temos comunidades mais pequenas, par\u00f3quias do interior onde a popula\u00e7\u00e3o baixou, s\u00e3o menos pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E um Centro Social Paroquial deve existir para redistribuir fundos que v\u00eam do Estado, que v\u00eam da Seguran\u00e7a Social? Esse \u00e9 um fim bastante para um Centro Social Paroquial?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 para receber fundos, \u00e9 para assegurar que aquele servi\u00e7o aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas, acontece com protocolos que estabelece com a Seguran\u00e7a Social.<\/em><\/p>\n<p>Sim, a Seguran\u00e7a Social d\u00e1 40% para apoiar que determinado servi\u00e7o funcione naquela terra, mas a institui\u00e7\u00e3o tem que assegurar 60% dos custos com o pessoal, com tudo, da\u00ed agora as dificuldades. Porque, se as pessoas t\u00eam fracos rendimentos e a popula\u00e7\u00e3o diminuiu, as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguem arranjar os 60% para manter.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A sustentabilidade \u00e9 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o da maioria das institui\u00e7\u00f5es de solidariedade social&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Neste momento \u00e9 um problema grav\u00edssimo em Portugal. N\u00f3s temos muitas institui\u00e7\u00f5es com resultados negativos ao final do ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E muitas delas d\u00e3o resposta onde o Estado n\u00e3o chega. Ainda a semana passada a provincial das irm\u00e3s hospitaleiras dizia \u00e0 Renascen\u00e7a que est\u00e3o a fazer &#8216;omeletas sem ovos&#8217; e o respons\u00e1vel pelo departamento s\u00f3cio caritativo de \u00c9vora dizia-nos que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grave, pior ainda do que no tempo da troika. Como Bispo respons\u00e1vel por esta \u00e1rea tem recebido essas informa\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Tenho algumas informa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o, de facto, preocupantes. Vemos gente de muito boa vontade, felizmente, nessas institui\u00e7\u00f5es, que s\u00f3 deixam mesmo \u00e0 \u00faltima, porque a sua for\u00e7a motivadora \u00e9 a causa humana, \u00e9 o amor \u00e0s pessoas, e fazem-no com uma dedica\u00e7\u00e3o, com um carinho extremo.<\/p>\n<p>\u00c9 muito bonito que uma sociedade cuide dos seus doentes e dos seus deficientes. Porque uma sociedade n\u00e3o pode ser considerada desenvolvida se n\u00e3o cuida dos seus doentes e dos seus deficientes. N\u00e3o \u00e9 ter um desenvolvimento econ\u00f3mico e estamos todos contentes! Tem que chegar a todos, t\u00eam que ser integrados tamb\u00e9m na sociedade esses apoios. \u00c9 uma preocupa\u00e7\u00e3o, de facto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como bispo respons\u00e1vel por esta \u00e1rea pode ter aqui alguma interven\u00e7\u00e3o junto do Estado, fazer mais press\u00e3o para que haja sensibilidade para esta mat\u00e9ria?<\/em><\/p>\n<p>Bem, a certa altura temos a impress\u00e3o que o ser Igreja n\u00e3o \u00e9 um mais na quest\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o \u00e9 uma vantagem, \u00e9 uma desvantagem?<\/em><\/p>\n<p>\u00c0s vezes parece uma desvantagem. Mas, reconhe\u00e7a-se que a nossa voz n\u00e3o \u00e9 outra coisa se n\u00e3o corresponder \u00e0quilo em que n\u00f3s acreditamos. Temos uma mensagem, essa mensagem \u00e9 para bem da humanidade, celebramos aquilo que acreditamos e queremos testemunhar isso em gestos concretos. Se nos proibirem de fazer uma coisa, vamos fazer outra.<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 certa: n\u00f3s n\u00e3o vamos deixar nos interessar pela causa humana. Enquanto houver pessoas que precisem, n\u00f3s queremos l\u00e1 estar, os crist\u00e3os devem l\u00e1 estar. N\u00e3o \u00e9 n\u00f3s os bispos: s\u00e3o os crist\u00e3os que devem l\u00e1 estar. A nossa preocupa\u00e7\u00e3o, neste momento, \u00e9 que todos os crist\u00e3os tenham esta marca: n\u00e3o podem participar numa Missa, ouvir o Evangelho e desinteressarem-se pelos problemas da sua terra ou da sua comunidade. Aquilo faz parte da problem\u00e1tica? Ent\u00e3o faz parte de n\u00f3s&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia dom\u00e9stica: um problema mais largo que que se imagina<\/strong><\/p>\n<table class=\" alignright\" style=\"width: 50%;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><figure class=\"wp-block-embed wp-block-embed-youtube is-type-video is-provider-youtube epyt-figure\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_36397\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/07AnxYgTkO8?enablejsapi=1&autoplay=0&cc_load_policy=0&cc_lang_pref=pt&iv_load_policy=1&loop=0&rel=0&fs=1&playsinline=1&autohide=2&theme=dark&color=red&controls=1&disablekb=0&\" class=\"__youtube_prefs__  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div><\/div><\/figure><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><em>Na mensagem para a quaresma, que dirigiu \u00e0 diocese de Santar\u00e9m , fala na viol\u00eancia dom\u00e9stica, na explora\u00e7\u00e3o humana e na escravatura. Que mudan\u00e7a cultural e de mentalidades \u00e9 necess\u00e1ria para que estes casos sejam denunciados e a sociedade lhes possa p\u00f4r fim?<\/em><\/p>\n<p>Este \u00e9 um problema mais largo, mais vasto, do que aquilo que eu podia imaginar. Mas, de facto, temos n\u00fameros que s\u00e3o muito preocupantes. Em 2018 foram assassinadas 28 mulheres, mas os detidos foram 598. Quer dizer: o ambiente n\u00e3o \u00e9 bom em muitas casas, em muitos lares e em muitas fam\u00edlias. Al\u00e9m da viol\u00eancia dom\u00e9stica entre homem e mulher, \u00e9 uma viol\u00eancia familiar, porque atinge os av\u00f3s, atinge as crian\u00e7as. \u00c9 uma viol\u00eancia em que, aquilo que \u00e9 um lugar onde as pessoas, porventura, sonharam em ser felizes, se tornou num inferno. Isto \u00e9 muito preocupante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Confer\u00eancia Episcopal est\u00e1 a discutir este problema? Vai tomar iniciativas nesta \u00e1rea?<\/em><\/p>\n<p>Estamos preocupados. Estou a falar com colegas meus, no sentido de promover mais observa\u00e7\u00f5es e porventura um documento, no futuro. A minha mensagem para a Quaresma surgiu em cima do fogo: eu estava a escrever sobre fim do ano mission\u00e1rio e de repente aquilo estava a pegar muito comigo! E decidi: vou falar sobre isto&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Era preciso reagir?<\/em><\/p>\n<p>Reagir de imediato \u00e0quela situa\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Haver\u00e1 um documento para a pr\u00f3xima Assembleia Plen\u00e1ria dos Bispos, que vai decorrer no final de Abril?<\/em><\/p>\n<p>Porventura! N\u00e3o sei se vamos a tempo&#8230; Temos um outro assunto que mexe com esta quest\u00e3o, um documento sobre o casamento, o matrim\u00f3nio. Ainda n\u00e3o o analisei, ainda n\u00e3o est\u00e1 apresentado no seu todo, para discuss\u00e3o na Assembleia (plen\u00e1ria da CEP), mas porventura vir\u00e1 a prop\u00f3sito este tema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 poss\u00edvel que haja alguma recomenda\u00e7\u00e3o aos padres para que estejam mais atentos a estas situa\u00e7\u00f5es nas suas comunidades e possam ser interventivos no sentido de ajudar as eventuais v\u00edtimas?<\/em><\/p>\n<p>Sim! E j\u00e1 s\u00e3o. Repare: temos o minist\u00e9rio da confiss\u00e3o e do acolhimento nas par\u00f3quias. Nos santu\u00e1rios e igrejas todos os dias se confessam pessoas e entre essas pessoas h\u00e1 as que v\u00e3o desabafar uma dificuldade que n\u00e3o querem contar a ningu\u00e9m, mas sabem que o padre tem o dever de confidencialidade e contam. S\u00e3o momentos de grande ajuda que a Igreja faz atrav\u00e9s de um sacramento que \u00e9 o da confiss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E h\u00e1 possibilidade de, a partir desses encontros, o problema ter alguma resolu\u00e7\u00e3o, sem quebrar a confidencialidade?<\/em><\/p>\n<p>A pessoa fica fortalecida. H\u00e1 pessoas que conseguem rever a sua situa\u00e7\u00e3o. Uma discuss\u00e3o \u00e9 sempre entre duas pessoas. Se houver uma que tome uma atitude diferente, pode ter outro rumo. Agora, quando nem uma nem outra quer baixar as armas, pode extremar-se. Mas, \u00e0s vezes a pessoa fala com algu\u00e9m que a aconselha a ter um procedimento diferente e vai agir num outro registo e acaba por ter uma sa\u00edda diferente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Bispo da Diocese de Santar\u00e9m<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00c9 Bispo titular da Diocese de Santar\u00e9m deste final 2017. Que balan\u00e7o faz?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma miss\u00e3o com mais responsabilidade. Sou o \u00fanico bispo da diocese e todos os acontecimentos, em termos de programa\u00e7\u00e3o pastoral e coordena\u00e7\u00e3o, passam pelo bispo. Uma coisa \u00e9 certa: gosto de funcionar em equipa e segundo o princ\u00edpio da sinodalidade. \u00c9 uma coisa que eu gosto de fazer, em pastoral sempre me habituei a fazer e estou nesse registo.<\/p>\n<p>No ano 2025 a diocese faz 50 anos e estou neste momento a projetar-me neste sentido de prop\u00f4r \u00e0 Diocese\u2026 e isto era segredo&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Agora deixou de ser&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Deixou de ser\u2026 Mas, esta semana vou ter outra reuni\u00e3o, j\u00e1 tive algumas, onde este assunto \u00e9 tema, a ver se conseguimos fazer alguma proje\u00e7\u00e3o para os pr\u00f3ximos anos&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Um S\u00ednodo diocesano?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o vamos por a\u00ed. \u00c9 uma diocese pequena, n\u00e3o estamos a pensar em ir por a\u00ed. Mas pensar as coisas pelo menos em termos de concerta\u00e7\u00e3o dos anos, de fazer uma caminhada em algumas \u00e1reas da pastoral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Respons\u00e1vel pela Pastoral Social da Igreja Cat\u00f3lica diz que h\u00e1 regras claras para as institui\u00e7\u00f5es prestarem contas do que recebem e garante que \u00e9 isso que j\u00e1 est\u00e3o a fazer.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":131360,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[180,282],"class_list":["post-131337","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-diocese-de-santarem","tag-pastoral-social"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/131337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=131337"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/131337\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/131360"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=131337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=131337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=131337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}