{"id":131198,"date":"2019-03-23T07:49:49","date_gmt":"2019-03-23T07:49:49","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=131198"},"modified":"2020-01-17T13:20:36","modified_gmt":"2020-01-17T13:20:36","slug":"conferencia-episcopal-portuguesa-apresenta-nova-traducao-da-biblia-para-fazer-pontes-entre-texto-original-e-cultura-contemporanea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conferencia-episcopal-portuguesa-apresenta-nova-traducao-da-biblia-para-fazer-pontes-entre-texto-original-e-cultura-contemporanea\/","title":{"rendered":"Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa lan\u00e7a nova tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia, para fazer pontes entre texto original e cultura contempor\u00e2nea"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Anacleto Oliveira, biblista e bispo de Viana do Castelo, \u00e9 o coordenador do projeto<\/em><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-128014\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/biblia_cep_aberta-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/biblia_cep_aberta-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/biblia_cep_aberta-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/biblia_cep_aberta-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/biblia_cep_aberta-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/biblia_cep_aberta.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>A Confer\u00eancia Episcopal apresenta 25 de mar\u00e7o o primeiro volume da nova tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia em portugu\u00eas, feita por 34 investigadores a partir das l\u00ednguas originais, com a publica\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o de \u201cOs Quatro Evangelhos e os Salmos\u201d. Al\u00e9m das dezenas de colaboradores, em v\u00e1rias \u00e1reas, a iniciativa tem como marca de inova\u00e7\u00e3o a inten\u00e7\u00e3o de integrar tamb\u00e9m os leitores no resultado final.<\/p>\n<p>D. Anacleto Oliveira, biblista e bispo de Viana do Castelo, \u00e9 o coordenador do projeto e fala \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA de todo o processo que, ao longo dos \u00faltimos anos, permite agora publicar um texto que fale \u00e0 cultura contempor\u00e2nea e responda \u00e0s necessidades da comunidade cat\u00f3lica, na Liturgia e na Evangeliza\u00e7\u00e3o. Tudo com o objetivo de apresentar \u201cuma tradu\u00e7\u00e3o literal, mas n\u00e3o literalista\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Oct\u00e1vio Carmo<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A primeira pergunta que tivemos nas redes sociais, ao publicar a not\u00edcia sobre uma nova edi\u00e7\u00e3o da Sagrada Escritura em Portugu\u00eas, foi: para qu\u00ea uma nova tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia?<\/em><\/p>\n<p><em>O que \u00e9 que est\u00e1 por tr\u00e1s deste projeto?<\/em><\/p>\n<p>O que est\u00e1 por tr\u00e1s deste projeto \u00e9 a necessidade de a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa ter uma B\u00edblia da sua responsabilidade, isto \u00e9 um desejo que vem j\u00e1 desde o Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965). \u00c9 interessante que os pr\u00f3prios bispos e os biblistas, nessa altura, manifestaram esse desejo. Depois foi-se repetindo, periodicamente, at\u00e9 que h\u00e1 coisa de 10 anos, se tanto, alguns biblistas que, entretanto, foram ordenados bispos, insistiram na ideia. Ach\u00e1vamos que t\u00ednhamos meios para isso, financeiros e, sobretudo, tradutores \u00e0 altura de podermos enveredar por essa iniciativa. Sabendo, entretanto, que outras confer\u00eancias episcopais j\u00e1 tinham realizado o mesmo, basta dizer que a Confer\u00eancia Episcopal Alem\u00e3 j\u00e1 tem a segunda edi\u00e7\u00e3o; a mesma coisa acontece com a Confer\u00eancia Episcopal Italiana. A Confer\u00eancia Episcopal Espanhola fez a sua coisa h\u00e1 meia d\u00fazia de anos, se tanto; a Confer\u00eancia Episcopal Francesa, para todos os pa\u00edses de l\u00edngua francesa, tamb\u00e9m fez a sua tradu\u00e7\u00e3o. Isto, no fundo, foi um desejo, n\u00e3o uma imposi\u00e7\u00e3o por parte do Vaticano, em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o significa desprimor nenhum com as tradu\u00e7\u00f5es que j\u00e1 temos, gostaria que isto ficasse muito claro. Cada tradu\u00e7\u00e3o tem o seu cunho, concreto. Em portugu\u00eas de Portugal, at\u00e9 este momento, s\u00f3 existia uma B\u00edblia traduzida dos textos originais, que \u00e9 a dos Capuchinhos, todas as outras s\u00e3o tradu\u00e7\u00f5es de tradu\u00e7\u00f5es: h\u00e1 a B\u00edblia de Jerusal\u00e9m, cujo original \u00e9 franc\u00eas; a Tradu\u00e7\u00e3o Ecum\u00e9nica da B\u00edblia, cujo original \u00e9 franc\u00eas; h\u00e1 uma tradu\u00e7\u00e3o dos Paulistas, cujo original \u00e9 italiano. Portanto, \u00e9 tradu\u00e7\u00e3o de outra tradu\u00e7\u00e3o. A raz\u00e3o principal \u00e9 esta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Qual \u00e9 o objetivo desta tradu\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma B\u00edblia para uso dos crist\u00e3os, primariamente na Liturgia; em segundo lugar, em todas as outras atividades que n\u00f3s dizemos formativas, como a catequese, a disciplina de EMRC \u2013 porque \u00e9 muito aborrecido um mi\u00fado ter uma tradu\u00e7\u00e3o e outro, ao lado, ter uma tradu\u00e7\u00e3o diferente, cria uma confus\u00e3o tremenda. A tradu\u00e7\u00e3o oficial n\u00e3o exclui as outras, pelo contr\u00e1rio, agradecemos que as outras se mantenham, porque seguem crit\u00e9rios que n\u00f3s n\u00e3o seguimos.<\/p>\n<p>A isto, juntou-se a necessidade de revis\u00e3o da pr\u00f3pria tradu\u00e7\u00e3o lit\u00fargica: havia imprecis\u00f5es, havia contradi\u00e7\u00f5es entre tradu\u00e7\u00f5es, havia erros, diria erros de palmat\u00f3ria. Iam-se adensando as cr\u00edticas, as vozes, de que era necess\u00e1ria uma tradu\u00e7\u00e3o atualizada.<\/p>\n<p>As tradu\u00e7\u00f5es da B\u00edblia s\u00e3o peri\u00f3dicas. Porqu\u00ea? Porque a investiga\u00e7\u00e3o sobre a B\u00edblia continua, sempre. A v\u00e1rios n\u00edveis, desde logo na descoberta dos textos originais. Permanentemente, h\u00e1 atualiza\u00e7\u00f5es: na Faculdade de Teologia Evang\u00e9lica da Universidade de M\u00fanster, onde eu estudei, h\u00e1 um instituto s\u00f3 dedicado \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o dos manuscritos que v\u00e3o aparecendo, com textos b\u00edblicos. Porque n\u00e3o temos o manuscrito original de nenhum texto b\u00edblico. Isto \u00e9 um trabalho que exige, portanto, revis\u00f5es permanentes. A edi\u00e7\u00e3o de base do texto grego j\u00e1 vai, suponho, na 28\u00aa vers\u00e3o, h\u00e1 atualiza\u00e7\u00f5es permanentes.<\/p>\n<p>Depois, a pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o. Eu fiz a minha tese de doutoramento, antes de mim tinham feito outros, depois de mim outros\u2026 O pr\u00f3prio texto b\u00edblico \u00e9 pass\u00edvel, e bem, de novas interpreta\u00e7\u00f5es. Dentro deste processo de investiga\u00e7\u00e3o, \u00e9 normal uma tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 tamb\u00e9m uma evolu\u00e7\u00e3o evidente, que \u00e9 a da pr\u00f3pria l\u00edngua portuguesa\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, esse outro aspeto \u00e9 muito importante: a pr\u00f3pria l\u00edngua evolui, h\u00e1 termos novos que aparecem, outros deixam de estar em uso e n\u00f3s temos de acompanhar a l\u00edngua, nesta evolu\u00e7\u00e3o, normal. Esta tradu\u00e7\u00e3o, estou convencido, daqui a 10 ou 20 anos vai ter uma revis\u00e3o, que n\u00f3s agradecemos, o que significa que a Palavra de Deus \u00e9 viva, usando uma express\u00e3o da pr\u00f3pria Sagrada Escritura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table style=\"background-color: #ededed;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><em>No texto de tradu\u00e7\u00e3o do Pai-Nosso, por exemplo, Deus \u00e9 tratado por \u2018Tu\u2019. \u00c9 preciso fazer uma catequese do que esta tradu\u00e7\u00e3o implica na vida de f\u00e9?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9. A\u00ed est\u00e1 exatamente uma evolu\u00e7\u00e3o que houve na sociedade portuguesa, diria, nos \u00faltimos 50 anos. H\u00e1 50 anos, um filho tratar um pai por tu seria uma ofensa. Hoje, comummente, os filhos tratam o pai por \u201ctu\u201d, porque isso implica uma intimidade muito mais profunda; a exce\u00e7\u00e3o s\u00e3o os filhos que tratam os pais por senhor ou vossemec\u00ea, como se dizia no meu tempo. At\u00e9 nisso, n\u00f3s achamos que era importante evoluir. Posso dizer que foi uma decis\u00e3o tomada, por vota\u00e7\u00e3o, na Confer\u00eancia Episcopal. N\u00e3o foi de \u00e2nimo leve, porque havia opini\u00f5es diferentes, mas a maioria dos bispos disse: \u201cN\u00e3o, \u00e9 tempo de passarmos a isso\u201d.<\/p>\n<p>Agora, na revis\u00e3o do Missal, que est\u00e1 para sair, j\u00e1 se coloca a quest\u00e3o de n\u00e3o passar esta tradu\u00e7\u00e3o para l\u00e1 e passar a tratar Deus por \u201cTu\u201d. Suponho que ainda n\u00e3o vai ser nesta edi\u00e7\u00e3o, mas quando a B\u00edblia estiver traduzida, nessa altura, vai haver colis\u00e3o, porque h\u00e1 muitos textos da B\u00edblia que s\u00e3o lidos na Liturgia. Se os fi\u00e9is ouvem um texto oficial em que Deus \u00e9 tratado por \u201cTu\u201d e as ora\u00e7\u00f5es em que \u00e9 ainda tratado por \u201cSenhor\u201d, \u00e9 evidente que vai causar choque, mas \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o da cultura, estamos noutra \u00e9poca. Chocaria se continu\u00e1ssemos a tratar Deus como se trata um pai \u00e0 maneira antiga\u2026<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que foi este processo? H\u00e1 muita gente envolvida na tradu\u00e7\u00e3o, no olhar sobre o que significa hoje aquela palavra original?<\/em><\/p>\n<p>Esse \u00e9 o trabalho mais duro. A tradu\u00e7\u00e3o passa por v\u00e1rias fases: o primeiro trabalho foi fazer uma consulta, a todos os biblistas, come\u00e7ando naturalmente pelos membros da Associa\u00e7\u00e3o B\u00edblica Portuguesa, com a chancela da Confer\u00eancia Episcopal, que \u00e9 correspons\u00e1vel nesta tradu\u00e7\u00e3o. Foram constitu\u00eddas comiss\u00f5es e depois foi feita uma sondagem a todos os biblistas, para que nos indicassem quais os livros que preferiam traduzir \u2013 naturalmente, nem todos s\u00e3o especialistas em todas as \u00e1reas \u2013 e cada um apresentou a lista; em seguida, fizemos a distribui\u00e7\u00e3o, por eles. Esse primeiro trabalho foi: um biblista, especialista, interessado num determinado livro b\u00edblico, faz a sua tradu\u00e7\u00e3o, rigorosa, sendo, quanto poss\u00edvel, fiel ao texto original, mas tendo j\u00e1, nessa fase, a preocupa\u00e7\u00e3o de o texto ser compreens\u00edvel a um leitor comum, hoje. Temos de fazer uma tradu\u00e7\u00e3o literal, mas n\u00e3o literalista, caso contr\u00e1rio torna-se incompreens\u00edvel. Foi o primeiro trabalho.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E quem avaliou estas propostas?<\/em><\/p>\n<p>A tradu\u00e7\u00e3o apresentada \u00e9 analisada por uma subcomiss\u00e3o do Antigo Testamento e outra do Novo Testamento, conforme os textos. Essa subcomiss\u00e3o come\u00e7a por ver se a tradu\u00e7\u00e3o tem n\u00edvel. J\u00e1 houve casos em foi rejeitada, em que voltou para tr\u00e1s a pedir uma nova tradu\u00e7\u00e3o; noutros casos, pelo contr\u00e1rio, est\u00e1 muito boa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessa primeira an\u00e1lise, cada subcomiss\u00e3o faz um trabalho muito importante, que \u00e9 de harmoniza\u00e7\u00e3o das diferentes tradu\u00e7\u00f5es. Isso coloca-se, particularmente, em rela\u00e7\u00e3o aos Evangelhos, porque h\u00e1 muitos termos comuns e n\u00e3o se pode traduzir uma palavra de determinada forma, em S\u00e3o Lucas, e de outra forma em S\u00e3o Mateus. Isso causaria uma confus\u00e3o tremenda.<\/p>\n<p>Este trabalho de harmoniza\u00e7\u00e3o foi um trabalho muito duro, longo, feito pelos tr\u00eas membros da comiss\u00e3o. Depois de se encontrar um texto mais ou menos harmonizado, um pouco mais compreens\u00edvel, ent\u00e3o o texto \u00e9 entregue a uma pessoa especializada em Literatura Portuguesa; no caso dos Salmos, foi a um poeta; no caso dos Evangelhos, foi a uma professora universit\u00e1ria de Portugu\u00eas. Eles examinam e t\u00eam em conta a dimens\u00e3o do texto, enquanto \u00e9 para ser proclamado, para ser lido, nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, na catequese, na disciplina de EMRC. Para n\u00f3s \u00e9 muito importante haver uma pessoa que cuida da musicalidade, digamos, do ritmo das frases, para que seja percet\u00edvel e n\u00e3o cause confus\u00f5es.<\/p>\n<p>Depois disso, ainda passa pelo crivo de um liturgista, porque o uso principal \u00e9 para a Liturgia e porque h\u00e1 termos lit\u00fargicos que conv\u00e9m, de facto, que sejam conservados e outros que se possam mudar por serem mais adaptados \u00e0 Liturgia. Tudo isso volta \u00e0 tal subcomiss\u00e3o, para analisar todas as propostas, e depois tomam uma decis\u00e3o. H\u00e1 depois uma aprova\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Episcopal, n\u00e3o ainda de Roma, da\u00ed chamar-se experimental. De certo modo, \u00e9 mais uma fase numa tradu\u00e7\u00e3o t\u00e3o perfeita quanto poss\u00edvel, porque uma das finalidades desta tradu\u00e7\u00e3o \u00e9, exatamente, pedir o contributo dos leitores portugueses na pr\u00f3pria tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_131108\" aria-describedby=\"caption-attachment-131108\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-131108\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/anacleto_oliveira_biblia-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/anacleto_oliveira_biblia-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/anacleto_oliveira_biblia-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/anacleto_oliveira_biblia-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/anacleto_oliveira_biblia-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/anacleto_oliveira_biblia.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-131108\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/PR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>H\u00e1 uma dimens\u00e3o comunit\u00e1ria que \u00e9 pr\u00f3pria do olhar cat\u00f3lico sobre a B\u00edblia\u2026<\/em><\/p>\n<p>Eu sei que isso \u00e9 muito perigoso: dizem que estamos, de certo modo, formatados em determinada linguagem, e queremos adaptar a esta a linguagem b\u00edblica. \u00c9 evidente que h\u00e1 express\u00f5es, h\u00e1 maneiras de falar, tipicamente cat\u00f3licas. Para n\u00f3s, o que se tem de dar \u00e9 o contr\u00e1rio: a B\u00edblia \u00e9 que d\u00e1 a norma. Evidentemente, se entre os cat\u00f3licos h\u00e1 determinada frase, determinada tradu\u00e7\u00e3o, mas a B\u00edblia diz que \u00e9 melhor outra\u2026<\/p>\n<p>Quer um exemplo? Estamos habituados \u2013 basta ler os Evangelhos \u2013 a ouvir esta express\u00e3o da boca de Jesus: \u201cEm verdade, em verdade vos digo\u201d. At\u00e9 agora traduzimos sempre assim, \u201cem verdade vos digo\u201d. Na nova tradu\u00e7\u00e3o, vai aparecer \u201cAmen vos digo\u201d. E porqu\u00ea?<\/p>\n<p>Primeiro, amen \u00e9 uma palavra portuguesa, de origem hebraica, que os autores que escreveram os Evangelhos, em grego, mantiveram na sua vers\u00e3o. A nossa pergunta \u00e9: quem somos n\u00f3s para mudar uma palavra rica, que \u00e9 muito dif\u00edcil de traduzir do que numa simples express\u00e3o, porque diz muito mais do que \u201cem verdade, em verdade vos digo\u201d. Amen tem a ver com a f\u00e9. Se Jesus usa essa express\u00e3o, ent\u00e3o n\u00f3s optamos por manter essa palavra na sua originalidade, que \u00e9 hebraica, mas que qualquer dicion\u00e1rio portugu\u00eas j\u00e1 regista. O amen \u00e9 uma palavra que at\u00e9 em linguagem profana\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos perante um trabalho que ultrapassa a tradu\u00e7\u00e3o, de educa\u00e7\u00e3o do olhar sobre a B\u00edblia, para reconquistar o gosto pela sua leitura, redescobrindo o que l\u00e1 est\u00e1, originalmente? Por exemplo, a c\u00e9lebre par\u00e1bola do Filho Pr\u00f3digo \u00e9 apresentada como a par\u00e1bola do \u201cPai Misericordioso\u201d\u2026<\/em><\/p>\n<p>Todos os t\u00edtulos s\u00e3o da responsabilidade dos tradutores, n\u00e3o s\u00e3o, digamos assim, do texto original, que era chamado de \u201clectio continua\u201d, em que nem sequer havia intervalos entre as palavras \u2013 era muito caro escrever e escrevia-se tudo ligado. \u00c9 evidente que um t\u00edtulo ajuda a perceber o conte\u00fado. Concretamente sobre essa passagem, o tradutor &#8211; e aceitamo-lo perfeitamente, porque hoje passou a ser um t\u00edtulo comum \u2013 preferiu focar a figura do Pai, que \u00e9, sem d\u00favida, a figura principal, chamando-a par\u00e1bola do Pai Misericordioso. Mas tamb\u00e9m j\u00e1 a vi ser chamada par\u00e1bola da Festa, porque culmina nessa festa, mas isso j\u00e1 \u00e9 interpreta\u00e7\u00e3o de quem faz a tradu\u00e7\u00e3o e escolhe um t\u00edtulo que d\u00e1 ao leitor, imediatamente, uma ideia sobre aquilo que depois vai ser traduzido, em seguida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 nesta nova tradu\u00e7\u00e3o um desafio \u00e0 comunidade, para que volte ao texto e ganhe o gosto pela leitura da B\u00edblia?<\/em><\/p>\n<p>Esse \u00e9 sem d\u00favida o objetivo principal, mesmo desta tradu\u00e7\u00e3o experimental: colocar os crist\u00e3os a ler a B\u00edblia. Gra\u00e7as a Deus, o gosto pela leitura e a frequ\u00eancia com que se tem feito a leitura da B\u00edblia tem aumentado, hoje \u00e9 comum. Seguindo as normas da Igreja, a partir do Conc\u00edlio Vaticano II, onde se faz um apelo para que a B\u00edblia chegue \u00e0s m\u00e3os de todos crist\u00e3o, o nosso objetivo \u00e9 p\u00f4r os crist\u00e3os a ler os livros b\u00edblicos, do modo mais acess\u00edvel poss\u00edvel. De tal maneira que possam alimentar a sua f\u00e9, orientar a pr\u00f3pria vida, a partir da Palavra de Deus. Esse \u00e9 o objetivo principal que nos orienta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como estudioso da B\u00edblia, tem um olhar pr\u00f3prio sobre o que est\u00e1 em causa. Gostaria de saber como \u00e9 que se chegou \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o do pr\u00f3logo do Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o, \u201cno in\u00edcio era a Palavra\u201d. Qual \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o desta tradu\u00e7\u00e3o do termo grego \u2018logos\u2019?<\/em><\/p>\n<p>Esse foi dos pontos mais discutidos entre n\u00f3s, de facto pusemos todas as hip\u00f3teses, at\u00e9 a de manter o termo grego, que \u00e9 registado nos nossos dicion\u00e1rios. Para a maioria dos crist\u00e3os, \u201clogos\u201d n\u00e3o seria compreens\u00edvel e exigiria imediatamente uma explica\u00e7\u00e3o, o que tornaria o texto pesado, pelo que foi posto de parte.<\/p>\n<p>\u00c9 uma vers\u00e3o experimental e estamos \u00e0 espera de rea\u00e7\u00f5es. Tenho dito e continuo a dizer: o biblista deve ser muito humilde e aceitar outras opini\u00f5es, que acabam por ter mais peso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Porque \u00e9 que se evitou a tradu\u00e7\u00e3o por \u2018verbo\u2019?<\/em><\/p>\n<p>Porque na ace\u00e7\u00e3o comum da l\u00edngua portuguesa, verbo \u00e9 um determinado g\u00e9nero de palavra. Portanto, \u00e9 limitativo. A quest\u00e3o vem do latim, em que se diz \u201cverbum\u201d, e as tradu\u00e7\u00f5es, j\u00e1 muito antigas, eram, na sua maioria a partir da Vulgata. Adaptou-se a palavra \u201cverbo\u201d, que era literal, tamb\u00e9m existe em portugu\u00eas, mas que \u00e9 demasiado limitativa.<\/p>\n<p>Depois de muita discuss\u00e3o, at\u00e9 com um biblista brasileiro, optamos pelo termo \u201cpalavra\u201d e ver a rea\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque \u00e9 aquele que diz mais, embora n\u00e3o diga tudo. O \u201clogos\u201d grego \u00e9 mais do que uma simples palavra, mas parece-nos que em portugu\u00eas \u00e9 a que melhor exprime a rela\u00e7\u00e3o entre Jesus, como Filho de Deus, e o Pai.<\/p>\n<p>N\u00e3o quer dizer que seja definitivo, mas estamos com curiosidade em saber qual vai ser a rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das quest\u00f5es que se punha, e pode parecer secund\u00e1ria, e foi discutida entre n\u00f3s, \u00e9 que muita gente diz: n\u00e3o pode ser \u201cpalavra\u201d, porque se refere a um homem e palavra \u00e9 feminino. \u00c9 claro que Cristo \u00e9 um homem, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, mas tamb\u00e9m sabemos que Deus \u00e9 Pai e tamb\u00e9m \u00e9 M\u00e3e, como a B\u00edblia tamb\u00e9m o apresenta. Ser\u00e1 uma novidade.<\/p>\n<p>Comparando com as tradu\u00e7\u00f5es de outras l\u00ednguas de origem latina, somos os \u00fanicos que optamos por \u201cverbo\u201d. \u00c9 uma experi\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O que \u00e9 que motiva a apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica desta nova tradu\u00e7\u00e3o, envolvendo tamb\u00e9m a sociedade civil? <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 evidente que a raz\u00e3o principal \u00e9 a divulga\u00e7\u00e3o m\u00e1xima da tradu\u00e7\u00e3o. Depois, h\u00e1 o contributo que pedimos a todos os leitores, para melhorar a tradu\u00e7\u00e3o que \u00e9 proposta, \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u201cor\u00e7amento participativo\u201d, na linguagem de hoje; na linguagem da Igreja, falar\u00edamos de uma participa\u00e7\u00e3o sinodal, todos os crist\u00e3os t\u00eam ocasi\u00e3o de apresentar propostas.<\/p>\n<p>H\u00e1 um aspeto fundamental, que referi no convite ao presidente da Rep\u00fablica: a B\u00edblia \u00e9 um marco incontorn\u00e1vel na cultura portuguesa. \u00c9 um patrim\u00f3nio mundial, seguido sobretudo por duas religi\u00f5es, o Cristianismo e o Juda\u00edsmo, mas os mu\u00e7ulmanos tamb\u00e9m referem figuras b\u00edblicas, da\u00ed fazermos um convite ao representante da comunidade isl\u00e2mica.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m convidamos a ministra da Cultura, porque a B\u00edblia marcou e marca a cultura portuguesa, h\u00e1 muitas express\u00f5es que s\u00f3 entendemos conhecendo a B\u00edblia. Nesse sentido, tamb\u00e9m, queremos dar-lhe a m\u00e1xima divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Anacleto Oliveira, biblista e bispo de Viana do Castelo, \u00e9 o coordenador do projeto<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":131108,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[419,6],"tags":[295],"class_list":["post-131198","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-manchetedupla_2","category-entrevistas","tag-biblia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/131198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=131198"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/131198\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/131108"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=131198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=131198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=131198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}