{"id":13102,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/renascenca-radio-catolica-de-fronteira\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"renascenca-radio-catolica-de-fronteira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/renascenca-radio-catolica-de-fronteira\/","title":{"rendered":"Renascen\u00e7a: r\u00e1dio cat\u00f3lica de fronteira"},"content":{"rendered":"<p>Presidente do Conselho de Ger\u00eancia olha os canais da R\u00e1dio Renascen\u00e7a e aponta projectos do Grupo <!--more--> Ag\u00eancia Ecclesia &#8211; Com que atitude assumiu a lideran\u00e7a do Grupo Renascen\u00e7a? C\u00f3n. Jo\u00e3o Aguiar Campos \u2013 Primeiro com surpresa. N\u00e3o fazia parte do meu projecto de vida abandonar a Arquidiocese de Braga nem o Di\u00e1rio do Minho, onde entrei h\u00e1 8 anos (depois de uma passagem pela RR). Surpresa porque me obrigava a deixar o jornal e surpresa porque, fundamentalmente, n\u00e3o me via a presidir a um Conselho de Ger\u00eancia num Grupo com a responsabilidade que este comporta. Ainda uma outra surpresa, essa pessoal em raz\u00e3o da idade: costumo dizer para a vim para Lisboa em contra-ciclo. Estou \u00e0s portas dos 56 anos e, nessa altura, quem est\u00e1 nas cidades e \u00e9 da aldeia, normalmente procura ao ber\u00e7o e eu dei comigo a pensar: \u201c\u00e9 agora que sais de mais perto do ber\u00e7o e vais para Lisboa, readaptando-te \u00e0 vida da cidade\u2026\u201d Depois, pensei que em Igreja temos realmente de responder \u00e0s surpresas dos desafios que se nos deparam\u2026 Depois de algumas retic\u00eancias\u2026 disse sim.  AE \u2013 Foi um sim mission\u00e1rio? JAC \u2013 De certeza que foi um sim mission\u00e1rio. Fa\u00e7o algum sacrif\u00edcio pessoal, mas sobretudo atendendo \u00e0 minha vida familiar: tenho os pais idosos, o meu pai j\u00e1 ultrapassou os 90 anos de idade, gra\u00e7as a Deus, a minha m\u00e3e para l\u00e1 caminha, as sa\u00fades, nesta idade, n\u00e3o s\u00e3o as melhores, e os pais t\u00eam sempre (principalmente quando n\u00e3o h\u00e1 filhas na fam\u00edlias, mas 6 rapazes) a expectativa que, se t\u00eam um padre, ele porventura seja o mais dispon\u00edvel para acorrer \u00e0s dificuldades de cada dia. E esse entrave afectivo demorou algum tempo a resolver e necessitou de alguma diplomacia familiar.  AE \u2013 Que valor acrescentado tem um Conselho de Ger\u00eancia que \u00e9 presidido por um Padre? JAC \u2013 Num Conselho de Ger\u00eancia de um Grupo Cat\u00f3lico, ser\u00e1 um factor de conforto para os outros elementos do Conselho de Ger\u00eancia. Quando se trata de reflectir sobre a identidade do Grupo, quando se trata de tomar algumas decis\u00f5es de fronteira, penso que para os colegas do Conselho de Ger\u00eancia \u00e9 mais confort\u00e1vel que esteja o Padre (n\u00e3o que  n\u00e3o sejam pessoas extraordinariamente  bem formadas a todos os n\u00edveis, t\u00e9cnico e dos valores, mas admito que para eles seja mais confort\u00e1vel). Para mim \u00e9 sobretudo confort\u00e1vel saber que neste Conselho de Ger\u00eancia h\u00e1 pessoas com juventude e com experi\u00eancia. Juventude em termos de idade e da pr\u00f3pria novidade (foram assessores aqui durante alguns anos e agora t\u00eam a experi\u00eancia de gerentes). Ao lado desta juventude, a experi\u00eancia, concretamente o elemento mais experiente, o Dr. Lu\u00eds Torgal Ferreira, que j\u00e1 vem dos tempos quentes da Renascen\u00e7a e que por isso, neste momento, significa, uma trave de continuidade, sendo que para mim todos eles s\u00e3o importantes e imprescind\u00edveis.  AE \u2013 A identidade cat\u00f3lica desta casa \u00e9 claramente assumida e difundida? JAC \u2013 \u00c9 uma identidade assumida, mas \u00e9 uma identidade que tamb\u00e9m evolui (a ver se sou capaz de dizer isto com toda a tranquilidade): h\u00e1 gente que quando se fala de emissora cat\u00f3lica confunde imediatamente com uma r\u00e1dio piedosa (tamb\u00e9m h\u00e1 r\u00e1dios piedosas que se dedicam \u00e0 transmiss\u00e3o de actos de culto e cujo objectivo fundamental \u00e9 alimentar a devo\u00e7\u00e3o); depois h\u00e1 r\u00e1dios cat\u00f3licas que se situam no chamado grupo identit\u00e1rio, herdeiras da cultura crist\u00e3 e \u00e9 a\u00ed que interv\u00eam. A Renascen\u00e7a \u00e9 hoje uma r\u00e1dio cat\u00f3lica de fronteira: coloca-se na fronteira entre a Igreja e o Mundo, atenta e fazendo (de acordo com os crit\u00e9rios do Evangelho) a leitura da mudan\u00e7a que nestes dois mundos acontece. H\u00e1 mudan\u00e7as na Igreja (nalguns sectores at\u00e9 poder\u00edamos dizer que alguma ebuli\u00e7\u00e3o) e h\u00e1 mudan\u00e7as no mundo. Ler as mudan\u00e7as dentro e fora, e l\u00ea-las com olhos crist\u00e3os \u00e9 aquilo que faz a identidade cat\u00f3lica de fronteira.  Cat\u00f3lica no objectivo da sua comunica\u00e7\u00e3o \u2013 uma comunica\u00e7\u00e3o que desag\u00fae na comunh\u00e3o; cat\u00f3lica na sua opini\u00e3o \u2013 veicula a Doutrina Social da Igreja e os valores do Evangelho; cat\u00f3lica na maneira como informa \u2013 ajudando a compreender e a entender os acontecimentos colocando-os no contexto que lhes d\u00ea significado; cat\u00f3lica na linguagem \u2013 fazendo com que esta r\u00e1dio seja, com os crentes e os n\u00e3o crentes, peregrina da verdade a que todos aspiramos.  AE \u2013 Quer chegar a ouvintes de todos os contextos, sociais, pol\u00edticos ou religiosos? JAC \u2013 \u00c9 nossa obriga\u00e7\u00e3o. Uma r\u00e1dio cat\u00f3lica, em termos pol\u00edticos, n\u00e3o tem partido. Uma r\u00e1dio cat\u00f3lica que queira servir o Evangelho, tem de saber que h\u00e1 ovelhas que n\u00e3o s\u00e3o deste rebanho. Uma r\u00e1dio cat\u00f3lica tem que saber que n\u00e3o \u00e9 com a linguagem de dentro dos templos que se chega aos homens que n\u00e3o v\u00e3o aos templos. Todo este bom senso, toda esta abertura e toda esta fidelidade h\u00e1-de trespassar todo o conte\u00fado e o modo de estar e o modo de ser. Uma r\u00e1dio cat\u00f3lica vive permanentemente um desafio de qualidade e um desafio editorial, mais do que qualquer outro.  AE \u2013 Ter\u00e1 vencido esse desafio, pelos indicadores de audi\u00eancia? JAC \u2013 At\u00e9 ao momento conseguido com sucesso. Primeiro houve a lideran\u00e7a daquele que \u00e9 hoje o canal Renascen\u00e7a e hoje continuamos a ser l\u00edderes como Grupo e temos a lideran\u00e7a do canal RFM. Isso significa que, de facto, h\u00e1 uma apet\u00eancia grande pelo nosso produto. Mas tamb\u00e9m \u2013 e ainda o disse num dos encontros com alguns respons\u00e1veis por um dos canais do Grupo: \u00e0s vezes n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil chegar aos cume do monte, dif\u00edcil \u00e9 aguentar os equil\u00edbrios, as temperaturas da\u00ed decorrentes; o dif\u00edcil \u00e9 continuar, diariamente, a ter imagina\u00e7\u00e3o e estar atento \u00e0s evolu\u00e7\u00f5es e \u00e0s apet\u00eancias distintas; o dif\u00edcil \u00e9 continuar a ter audi\u00eancias sem trair a identidade. Portanto, tudo o que at\u00e9 agora conseguimos n\u00e3o nos pode deixar dormir, nem do ponto de vista tecnol\u00f3gico nem do ponto de vista dos desafios editoriais. Temos que estar permanentemente atentos \u00e0quilo que \u00e0 nossa volta se passa para sabermos como permanentemente &#8211; e voltamos ao cat\u00f3lico &#8211;  numa atitude prof\u00e9tica, vamos anunciando, vamos denunciando e vamos acompanhando as fomes, todas as fomes do nosso tempo.  AE \u2013 A estrat\u00e9gia que traz para a Renascen\u00e7a \u00e9 para essa perman\u00eancia no cume? A chegada de uma pessoa de novo tem riscos para essa lideran\u00e7a de audi\u00eancias? JAC \u2013 Este Conselho de Ger\u00eancia n\u00e3o vai alterar o que \u00e9 o fundamental no modo de estar e o modo de ser dos nossos canais. E as direc\u00e7\u00f5es desses canais, com os objectivos que cada canal tem claramente definidos, s\u00e3o objectivos e s\u00e3o direc\u00e7\u00f5es que se mant\u00eam. Na minha perspectiva, n\u00e3o \u00e9 o simples facto de vir um Presidente novo para o Conselho de Ger\u00eancia que, por si mesmo, ou vai fazer subir ou descer audi\u00eancias. H\u00e1 as naturais flutua\u00e7\u00f5es do mercado, que sentiremos na pr\u00f3xima leitura depois do Ver\u00e3o, as normais que todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o social sentem em per\u00edodos de f\u00e9rias. Saberemos ler em cada momento os sinais da evolu\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. O p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tico, \u00e9 din\u00e2mico. Os seus h\u00e1bitos e as suas buscas em cada momento se alteram de acordo com a oferta que \u00e9 feita. O que n\u00f3s pretendemos \u00e9 garantir uma qualidade que nos permita estar, continuar, na lideran\u00e7a. \u00c9 esta qualidade que n\u00f3s pretendemos assegurar, estando atentos e actualizados tecnologicamente, estando atentos ao marketing, \u00e0 projec\u00e7\u00e3o da nossa imagem no exterior, com os meios de que dispomos, e estando atentos \u00e0 forma\u00e7\u00e3o que nos permita manter, cada um de n\u00f3s, continuamente, na crista da onda, sem dramas, sem traumas, sabendo que hoje h\u00e1 coisas que nos podem correr bem, amanh\u00e3 coisas que nos podem correr pior. Mas sabendo que somos capazes e temos qualidade, temos qualidade humana para o conseguir. E esta mensagem de optimismo tenho que a passar diariamente, se bem que as pessoas \u2013 tanto quando me apercebi \u2013 se sentem extraordinariamente motivadas, o que \u00e9 meio caminho andado.  AE \u2013 Portanto, h\u00e1 uma equipa est\u00e1vel para continuar? JAC \u2013 H\u00e1 uma equipa est\u00e1vel para continuar. N\u00e3o h\u00e1 substitui\u00e7\u00e3o nem de Director de Informa\u00e7\u00e3o, a nossa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o cred\u00edvel. N\u00e3o h\u00e1 substitui\u00e7\u00e3o de Directores de Canal, houve necessariamente uma substitui\u00e7\u00e3o recente porque o Director do Canal Renascen\u00e7a seguiu outros caminhos, mas temos um jovem com extraordin\u00e1rias ideias neste nosso canal, aparentemente o mais idoso. E temos uma equipa na RFM que tem dado provas, que conquistou a lideran\u00e7a e se tem manifestado segura na lideran\u00e7a. E depois temos o nosso canal mais jovem, a MEGA, que em Lisboa, Porto e Coimbra vai trabalhando para que tamb\u00e9m n\u00e3o falte no Grupo o sangue novo e irreverente daqueles que muitas vezes dizemos que s\u00e3o o futuro da Igreja e do mundo, e por isso tamb\u00e9m o nosso futuro. Temos ainda no Grupo aquilo que \u00e9 uma mais valia: a Intervoz. A Intervoz era a concession\u00e1ria exclusiva da publicidade na R\u00e1dio Renascen\u00e7a, mas uma empresa diferente. Hoje \u00e9 uma empresa do Grupo, na sua totalidade. Isso tamb\u00e9m tem, de alguma forma, as suas vantagens.  AE \u2013 A MEGA FM \u00e9 um Canal para expandir? JAC \u2013 H\u00e1, com certeza, observa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o penas na forma como poderemos cobrir melhor as zonas que j\u00e1 cobrimos, mas de eventualmente nos expandirmos. Essa expans\u00e3o pode admitir diversos formatos. \u00c9 um assunto que est\u00e1 a ser avaliado e que, por isso mesmo, adiantar. Mas \u00e9 um assunto que est\u00e1 na ordem do dia.  AE \u2013 Disse, quando tomou posse, querer \u201cdar voz aos que n\u00e3o compram\u201d. Quem s\u00e3o esses que n\u00e3o compram e como lhes dar voz numa r\u00e1dio que precisa de quem compre? JAC \u2013 A r\u00e1dio precisa de quem compre. Mas pode haver grupos ou classes que, em determinados momentos, a outra r\u00e1dio e mesmo a nossa, tivesse a tenta\u00e7\u00e3o de dizer: vamos elimin\u00e1-los, o nosso p\u00fablico-alvo \u00e9 outro porque as ag\u00eancias dizem-nos isto, a publicidade diz-nos aqueloutro. Com certeza que n\u00f3s precisamos de vender para sobreviver, para viver. Mas tamb\u00e9m com certeza \u2013 eu defendo-o e vou usar uma frase que j\u00e1 disse noutro contexto \u2013 \u201cn\u00e3o podemos aplicar a eutan\u00e1sia radiof\u00f3nica a nenhum grupo\u201d. Os idosos, os simples, os marginalizados, os que n\u00e3o t\u00eam poder de compra nem por isso podem deixar de ser p\u00fablicos nossos. Se queremos efectivamente ser crist\u00e3os. C\u00e1 voltamos ao texto evang\u00e9lico, que eu tamb\u00e9m mencionei, quando deres um banquete n\u00e3o chames os que te podem retribuir, chama os outros.  AE \u2013 Isso quer dizer que os regionais n\u00e3o est\u00e3o em causa? JAC \u2013 Quer dizer que os regionais n\u00e3o est\u00e3o em causa, precisando de uma reflex\u00e3o muito s\u00e9ria sobre os regionais. Uma reflex\u00e3o que ter\u00e1 de ser feita numa perspectiva de evangeliza\u00e7\u00e3o, perguntando concretamente aos senhores Bispos das Dioceses que t\u00eam regionais e de uma forma clara: como \u00e9 que os v\u00eam, como os desejam, que compromisso eclesial h\u00e1 nesta nossa luta da sua manuten\u00e7\u00e3o e vendo tamb\u00e9m at\u00e9 que ponto eles se integram e s\u00e3o ou n\u00e3o uma mais valia na estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria R\u00e1dio Renascen\u00e7a. Os regionais n\u00e3o poder\u00e3o ser um luxo local, nem uma condescend\u00eancia central. Eu que sou um homem que veio dos regionais, com a responsabilidade acrescida nessa mat\u00e9ria a todos os n\u00edveis: a responsabilidade de ser honesto na abordagem do problema e tamb\u00e9m a responsabilidade de ser honesto na maneira como possa dizer aos demais membros do Conselho de Ger\u00eancia \u201ca minha experi\u00eancia aconselha a aperfei\u00e7oar e n\u00e3o a matar\u201d.  AE \u2013 Que novidades, que ritmo pr\u00f3prio ir\u00e1 imprimir a esta casa? JAC \u2013 Ser\u00e1 necessariamente um ritmo pessoal. Eu tenho a minha pr\u00f3pria capacidade de trabalho, n\u00e3o estou descontente com a minha pr\u00f3pria capacidade de trabalho, mas tenho a minha sensibilidade. \u00c9 uma sensibilidade que partilha, que escuta e que procura o consenso, a melhor opini\u00e3o. Devo dizer que n\u00e3o haver\u00e1 \u2013 pelo que vi at\u00e9 ao momento, embora esteja numa fase de \u201clua-de-mel\u201d, de estudo \u2013 motivos para altera\u00e7\u00f5es de fundo. Mas, j\u00e1 tive ocasi\u00e3o de o dizer, n\u00e3o me sinto prisioneiro nem de modelos nem de esquemas. \u00c0 medida que se forem impondo algumas mudan\u00e7as\u2026 de estilo haver\u00e1, h\u00e1 mudan\u00e7as de personalidade, do pr\u00f3prio relacionamento com as pessoas. Eu hoje tive oportunidade de dizer por uma das salas por onde passei: \u201ceu sou um de v\u00f3s, mais do que estar convosco\u201d. E \u00e9 isso que eu quero ser em cada momento: ser um elemento do Conselho de Ger\u00eancia, n\u00e3o simplesmente estar com alguns elementos Conselho de Ger\u00eancia. Queria insistir pessoalmente nesta casa em duas vertentes que julgo fundamentais: as pessoas. A pessoa como centro da nossa comunica\u00e7\u00e3o e do nosso trabalho, mas tamb\u00e9m a pessoa como a valoriza\u00e7\u00e3o \u2013 sem desprezar a t\u00e9cnica, sem desprezar os meios para. As pessoas s\u00e3o fundamentais na sua forma\u00e7\u00e3o, humana e profissional, na sua forma\u00e7\u00e3o em termos de valores de maneira que, depois de bem formados, possamos realmente apresentar a quem temos que chegar o tal produto de qualidade, ou ent\u00e3o como prefiro dizer: um servi\u00e7o de qualidade. Gosto muito de falar da R\u00e1dio Renascen\u00e7a, socorrendo-me inclusive de uma confer\u00eancia interessante que ouvi do Sr. D. Jos\u00e9 Policarpo num encontro de R\u00e1dios Crist\u00e3s da Europa onde ele diz que uma r\u00e1dio crist\u00e3 \u00e9 uma r\u00e1dio de servi\u00e7o e n\u00e3o uma r\u00e1dio de poder.  AE \u2013 A R\u00e1dio Renascen\u00e7a oferece um produto radiof\u00f3nico, apesar de ser um grupo, mas sem presen\u00e7as significativas noutras express\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o\u2026 JAC \u2013 Express\u00f5es a que a Renascen\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 proibida de abarcar e, al\u00e9m disso, os pr\u00f3prios Estatutos da R\u00e1dio Renascen\u00e7a, desde o primeiro momento, prev\u00eaem a presen\u00e7a na pr\u00f3pria imprensa. N\u00e3o sei\u2026 alguma expans\u00e3o dever\u00e1 dar-se\u2026 A Renascen\u00e7a, na minha perspectiva, ter\u00e1 que ter um produto forte e perfeito na internet. Deve a\u00ed ter alguma evolu\u00e7\u00e3o. A R\u00e1dio Renascen\u00e7a, porque n\u00e3o &#8211;  numa altura em que se fala de outro meio de express\u00e3o, de um seman\u00e1rio ou de uma revista que d\u00ea mais for\u00e7a reflexiva \u00e0 comunidade portuguesa \u2013 pode estar num projecto desses. N\u00e3o \u00e9 um projecto da Renascen\u00e7a, mas \u00e9 um projecto em que ela pode e deve entrar. E poder\u00e1 inclusive \u2013 resolvidos traumas do passado e n\u00e3o repetindo porventura a mesma estrat\u00e9gia e os mesmos formatos \u2013 estar presente tamb\u00e9m na televis\u00e3o. Eu costumo usar muitas vezes o exemplo do que se passa na nossa vizinha Espanha, com a Televis\u00e3o Popular que tendo o seu programa nacional depois tem aquela grande capacidade de desdobramento. Mas esta \u00e9, naturalmente, uma disponibilidade que eu pessoalmente afirmo, que depois poder\u00e1 ser confirmado ou n\u00e3o pelo Conselho de Ger\u00eancia. Mas o passo fundamental caber\u00e1 \u00e0 Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa: de uma vez por todas \u2013 perdoem-me os Senhores Bispos a maneira como o digo \u2013 deixarmos de manifestar desejos e sentarmo-nos, ou sentarem-se, para programarem concretiza\u00e7\u00e3o. Sabe t\u00e3o bem como eu que nas Jornadas da Comiss\u00e3o Episcopal das Comunica\u00e7\u00e3o Sociais, periodicamente, esses temas v\u00eam ao de cima e se vai conversando\u2026 conversar muito sem resolver nada acaba por, nalguma altura, desanimar. Penso que chegou o momento de conversar para decidir, com cabe\u00e7a, tronco e membros, alguma coisa.  AE \u2013 Ser\u00e1 necess\u00e1rio juntar for\u00e7as para que essas ideias cheguem a projectos? JAC \u2013 Primeiro \u00e9 necess\u00e1rio que a Igreja decida viver em esp\u00edrito de comunica\u00e7\u00e3o. Eu vejo muitas dioceses que n\u00e3o vivem este esp\u00edrito de comunica\u00e7\u00e3o e, por vezes, h\u00e1 mesmos alguns intervalos nesta din\u00e2mica da comunica\u00e7\u00e3o. Se nos perguntarmos em quantas dioceses a pastoral da comunica\u00e7\u00e3o est\u00e1 inserida na pastoral de conjunto talvez tenhamos algumas surpresas. Talvez se nos perguntarmos quantas dioceses t\u00eam gabinetes de comunica\u00e7\u00e3o activos e p\u00e1ginas da internet que n\u00e3o estejam  h\u00e1 dois anos em constru\u00e7\u00e3o e que sejam p\u00e1ginas vivas e n\u00e3o qualquer coisa que est\u00e1 ali parada com as armas do Senhor Bispo e com a hist\u00f3ria da diocese, talvez percebamos que temos de ter aqui um esp\u00edrito novo. Talvez percebamos que, nessas p\u00e1ginas, mais do que estar pura e simplesmente a homilia e o discurso, seja de uma tomada posse ou de uma queima das fitas, precisa de estar o resumo dessas interven\u00e7\u00f5es, remetendo eventualmente para a integridade do texto\u2026  Essa reflex\u00e3o, temos de faz\u00ea-la. N\u00e3o podemos limitar-nos a citar o Santo Padre que dizia: a Igreja sentir-se-\u00e1 culpada se n\u00e3o usar na evangeliza\u00e7\u00e3o estes novos p\u00falpitos ou se n\u00e3o estiver interveniente neste are\u00f3pago dos nossos dias. N\u00e3o podemos ter apenas uma boa doutrina \u2013 e temos \u2013 da Igreja, oficial sobre a comunica\u00e7\u00e3o social, mas depois, no dia a dia, n\u00e3o estou \u2013 e digo-o com toda franqueza \u2013 t\u00e3o satisfeito como gostaria de estar. Quando diz, juntar for\u00e7as, leva-nos a chegar a esta lucidez: porque \u00e9 que havemos de andar cada um a ca\u00e7ar com o seu galgo e n\u00e3o fazer uma batida conjunta? Porque n\u00e3o podem surgir seman\u00e1rios inter-diocesanos? Porque n\u00e3o pode surgir algo com outra dimens\u00e3o? Imaginemos: a Ecclesia, que tem a presen\u00e7a na internet e o boletim semanal. Ele n\u00e3o poder\u00e1 evoluir, tornar-se esteticamente mais atractivo e mais perfeito? E n\u00e3o juridicamente defens\u00e1vel que ele possa semanalmente ser distribu\u00eddo como suplemento do Seman\u00e1rio da diocese \u201cx\u201d e \u201cy\u201d? Seria um extraordin\u00e1rio valor acrescentado nalguns seman\u00e1rios diocesanos e, inclusive, um dia por semana, no Jornal da minha diocese (se bem que a\u00ed n\u00e3o devo e n\u00e3o quero meter neste momento foice numa seara que est\u00e1 entregue a outro lavrador e muito bem entregue, segundo a minha opini\u00e3o). Todas estas reflex\u00f5es porque se n\u00e3o devem fazer, de esp\u00edrito livre, tranquilo, sem ares doutorais, mas com esta simplicidade de quem faz perguntas inc\u00f3modas como estas. \u00c9 tempo de as fazer e tamb\u00e9m encontrar respostas para elas.  AE \u2013 Breves quest\u00f5es para conhecermos o padre e o jornalista. Sente-se mais padre ou mais jornalista no trabalho que faz? JAC \u2013 Sinto-me um padre a quem foi pedida a miss\u00e3o de fazer da palavra (que \u00e9 ali\u00e1s de qualquer padre) o seu campo de apostolado. Sinto que, neste momento, tenho a par\u00f3quia mais dif\u00edcil da Igreja em Portugal. E sinto o conforto da Communio et Progressio que diz: \u00e9 preciso que saibamos que aqueles que trabalham na comunica\u00e7\u00e3o social desenvolvem um verdadeiro trabalho pastoral. Portanto n\u00e3o sinto dentro de mim o conflito: ser padre ou jornalista. Eu sou um padre a quem a Igreja pediu esta miss\u00e3o, tinha eu 25 anos. De l\u00e1 para c\u00e1 \u00e9 isso que eu tenho feito.  AE \u2013 Agora \u00e9 tamb\u00e9m gestor? JAC \u2013 Agora sou tamb\u00e9m gestor\u2026 E a\u00ed \u00e9 que \u00e9 o mal dos meus pecados. Naturalmente que \u00e9 como gestor que me sinto menos \u00e0-vontade. Como tamb\u00e9m j\u00e1 disse: o que \u00e9 preciso \u00e9 que tenha uma equipa l\u00facida, consistente e tecnicamente apetrechada. E isso eu tenho! O que me tem deixado dormir tranquilamente. Assim eu pudesse dormir com alguns ru\u00eddos da rua!  AE \u2013 Fala um homem que vem do campo. N\u00e3o dispensa essas ra\u00edzes do seu Minho\u2026? JAC \u2013 N\u00e3o\u2026 N\u00e3o \u00e9 que me sinta exilado. Vivo num pa\u00eds que amo e numa cidade que \u00e9 linda e tamb\u00e9m tem os seus recantos buc\u00f3licos\u2026 Mas realmente sou um homem muito ligado \u00e0 Serra do Ger\u00eas. Eu nasci na serra. A minha terra, Campo do Ger\u00eas ou S. Jo\u00e3o do Campo, \u00e9 realmente uma concha muito pequenina encravada entre a Serra do Ger\u00eas e a Serra Amarela. Tenho diante das minhas janelas uma veiga fechada pelo horizonte da serra\u2026 Por isso juntam-se em mim a nostalgia da serra e daquele verde\u2026 mas quando vou \u00e0s origens vou ao posto de abastecimento, fa\u00e7o a recauchutagem e a revis\u00e3o do meu pr\u00f3prio carro afectivo e volto \u00e0 estrada com tranquilidade.  <i>(Entrevista emitida no Programa Ecclesia de 25 de Julho e publicada no Seman\u00e1rio Ag\u00eancia Ecclesia de 26 de Julho de 2005)<\/i>  <B>Not\u00edcias relacionadas<\/B> <a href=\"noticia.asp?noticiaid=20449\">\u2022 Tomada de posse do Conselho de Ger\u00eancia da RR<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente do Conselho de Ger\u00eancia olha os canais da R\u00e1dio Renascen\u00e7a e aponta projectos do 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