{"id":130528,"date":"2019-03-15T08:30:20","date_gmt":"2019-03-15T08:30:20","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=130528"},"modified":"2019-07-04T16:55:34","modified_gmt":"2019-07-04T15:55:34","slug":"nao-ha-desporto-sem-etica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-ha-desporto-sem-etica\/","title":{"rendered":"\u00abN\u00e3o h\u00e1 desporto sem \u00e9tica\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>O fil\u00f3sofo portugu\u00eas Manuel S\u00e9rgio inspirou a nova c\u00e1tedra &#8220;Desporto, \u00c9tica e Transcend\u00eancia&#8221;, promovida pelo Instituto Portugu\u00eas do Desporto e Juventude pela Faculdade de Teologia da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio44.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-130583 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio44-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio44-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio44-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio44-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio44-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio44.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A nova c\u00e1tedra procura responder \u00e0 necessidade de estudo e de investiga\u00e7\u00e3o no desporto, superando o discurso simplista e mesmo violento que muitas vezes domina este setor. Em 1986, Manuel S\u00e9rgio apresentou os fundamentos de uma nova ci\u00eancia social e humana, a ci\u00eancia da motricidade humana, identificando-a como movimento intencional visando a transcend\u00eancia.<\/p>\n<p>Manuel S\u00e9rgio Vieira e Cunha \u00e9 licenciado em Filosofia pela Universidade Cl\u00e1ssica de Lisboa e doutor e professor agregado, em Motricidade Humana, pela Universidade T\u00e9cnica de Lisboa (UTL). Autor e coautor de 50 livros e de in\u00fameros artigos e de ensaios, \u00e9 hoje professor catedr\u00e1tico convidado aposentado da Faculdade de Motricidade Humana.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo e professor lan\u00e7ou os fundamentos de uma nova ci\u00eancia social e humana e v\u00ea hoje o reconhecimento de um trabalho essencial no desporto nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ag\u00eancia Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Imagem: Joana Bougard (Renascen\u00e7a)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que se sente perante a cria\u00e7\u00e3o de uma c\u00e1tedra com o seu nome, \u2018Manuel S\u00e9rgio &#8211; Desporto, \u00c9tica e Transcend\u00eancia\u2019, na Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa?<\/em><\/p>\n<p>Nunca esperei, francamente, ter uma c\u00e1tedra com o meu nome, mas o que h\u00e1 a fazer \u00e9 estudar, analisar, se as minhas ideias, de facto, t\u00eam valor para tanto. Eu fiz um corte epistemol\u00f3gico com o f\u00edsico do cartesianismo \u2013 como sabe, a express\u00e3o Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica \u00e9 um cartesianismo, educa\u00e7\u00e3o do f\u00edsico -, e digo que na educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, o que se tem de estudar n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o f\u00edsico, \u00e9 o homem, que \u00e9 o corpo, alma, desejo, natureza, cultura, sociedade. Tudo isto, toda esta complexidade, a caminho da transcend\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>At\u00e9 por causa desse olhar de complexidade sobre o fen\u00f3meno desportivo, tem algum significado especial para si que a c\u00e1tedra seja na Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, com o apoio do Governo?<\/em><\/p>\n<p>Encontrei na Universidade Cat\u00f3lica o espa\u00e7o ideal para estudar a transcend\u00eancia, que para mim \u00e9 fundamental. A transcend\u00eancia \u00e9 o sentido da vida, quem n\u00e3o se transcende, verdadeiramente n\u00e3o vive.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E no desporto isso tamb\u00e9m deve existir?<\/em><\/p>\n<p>O desporto, de facto, \u00e9 um espa\u00e7o de transcend\u00eancia. Quem n\u00e3o se transcende n\u00e3o pode fazer, por exemplo, alta competi\u00e7\u00e3o. A alta competi\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m um espa\u00e7o de transcend\u00eancia. O ser humano tem tamb\u00e9m de caminhar para o Absoluto.<\/p>\n<p>Eu costumo dizer que a vida sem Deus \u00e9 um absurdo, com Deus \u00e9 um mist\u00e9rio. Uma pessoa n\u00e3o pode falar destes problemas da transcend\u00eancia como se pode falar de um fen\u00f3menos f\u00edsico-qu\u00edmico, n\u00e3o \u00e9? \u00c9 uma coisa interessante, que se n\u00f3s mandarmos uma l\u00e1grima para o laborat\u00f3rio, a l\u00e1grima \u00e9 \u00e1gua e cloreto de s\u00f3dio. Ora, uma l\u00e1grima \u00e9 mais do que isso: este mais do que isso a ci\u00eancia n\u00e3o explica\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 por isso que esta c\u00e1tedra pode ser importante para que haja v\u00e1rias vis\u00f5es sobre o fen\u00f3meno desportivo, que em Portugal tende a ser muito simplificado?<\/em><\/p>\n<p>Normalmente, simplifica-se o desporto para qualquer pessoa poder falar dele. N\u00f3s reparamos nalgumas esta\u00e7\u00f5es televisivas, radiof\u00f3nicas, na realidade qualquer pessoa fala. Se for de cardiologia, se for de direito do trabalho, v\u00e3o os especialistas, aqui n\u00e3o. Qualquer pessoa entra, qualquer pessoa fala, qualquer pessoa quer esclarecer\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio11.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-130585 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio11-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio11-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio11-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio11-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio11-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio11.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>No col\u00f3quio inaugural desta c\u00e1tedra, na Universidade Cat\u00f3lica, defendeu que h\u00e1 muita gente a falar de Desporto, que parece muito f\u00e1cil, e que h\u00e1 necessidade de estudo e de investiga\u00e7\u00e3o no desporto\u2026 referia-se aos v\u00e1rios pain\u00e9is televisivos de coment\u00e1rio desportivo, sobretudo de futebol?<\/em><\/p>\n<p>Sim, principalmente do futebol. E falam de desporto como se fosse uma coisa menor, sabe? Uma coisa de que se pode falar assim\u2026<\/p>\n<p>H\u00e1 um cientista portugu\u00eas que diz que uma pessoa s\u00f3 \u00e9 especialista no fim de 10 mil horas de estudo. Ora, eu julgo que as tenho, vou fazer em breve 86 anos e desde 1968 estudo muito o desporto, trabalho a esse n\u00edvel. Sempre com o objetivo da transcend\u00eancia: \u00e9 precisa mudar, sabe? Em todas as \u00e1reas.<\/p>\n<p>N\u00f3s estamos a aproximar-nos da quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial, estamos a aproximar-nos de um mundo novo, temos de preparar-nos para o novo. O triste n\u00e3o \u00e9 mudar de ideias, o triste \u00e9 n\u00e3o ter ideias para mudar. H\u00e1 necessidade de o desporto se preparar para este mundo novo.<\/p>\n<p>O desporto, atualmente, designadamente o de alta competi\u00e7\u00e3o, reproduz e multiplica as taras do sistema capitalista. A alta competi\u00e7\u00e3o, o recorde, a medida\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O valor monet\u00e1rio dos atletas\u2026<\/em><\/p>\n<p>Ficamos ao n\u00edvel do quantitativo. A Universidade Cat\u00f3lica, por exemplo, estuda o quantitativo e o qualitativo, a raz\u00e3o e a f\u00e9, estuda fen\u00f3menos que normalmente, noutras institui\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se estudam. Pode acolher as minhas ideias e eu posso beneficiar, porque tamb\u00e9m eu tenho muito que aprender.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na sua reflex\u00e3o, h\u00e1 muito a perce\u00e7\u00e3o que os valores do desporto est\u00e3o muito para al\u00e9m da persegui\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria como um fim absoluto \u2013 mesmo com recurso ao doping ou a m\u00e9todos menos pr\u00f3prios por parte de dirigentes desportivos\u2026 <\/em><\/p>\n<p>Isto \u00e9 uma prova de que algumas pessoas que est\u00e3o no desporto n\u00e3o sabem o que \u00e9 o desporto. O desporto \u00e9 tamb\u00e9m uma atividade f\u00edsica, s\u00f3 que \u00e9 uma atividade f\u00edsica com \u00e9tica, com valores, e as pessoas esquecem isso. N\u00e3o h\u00e1 desporto sem \u00e9tica. N\u00e3o h\u00e1 desporto sem aqueles valores sem os quais se torna imposs\u00edvel viver humanamente.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E que valores \u00e9 que hoje o desporto em geral consegue passar?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o os valores da sociedade capitalista. O capitalismo transforma tudo em mercadoria e o desporto \u00e9 mais uma mercadoria, at\u00e9 os jogadores aparecem como mais uma mercadoria. Por isso, os jogadores quando deixam de jogar, sofrem bastante com isso. E h\u00e1 muitos antigos jogadores na mis\u00e9ria, porque Ronaldo, Messi, ganham milh\u00f5es, mas a maioria ganha pouco. Depois, n\u00e3o lhes ensinam o sentido da vida.<\/p>\n<p>Um dia li uma frase de um c\u00e9lebre neurologista, Viktor Frankl, que eu gosto de repetir: \u201cN\u00f3s, m\u00e9dicos, passamos a vida a dizer aos doentes que fa\u00e7am exerc\u00edcio f\u00edsico, que n\u00e3o comam a\u00e7\u00facar, que evite o sal, etc. Esquecemo-nos de lhes dizer que o primeiro fator de sa\u00fade \u00e9 que a vida tenha sentido para n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 diferen\u00e7a entre durar e viver. A gente vai ao m\u00e9dico para durar, ora a gente devia aprender a viver, que \u00e9 mais do que durar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Muitos destes atletas s\u00e3o estrelas globais, mas de que forma \u00e9 que est\u00e3o ou n\u00e3o treinados para que a sua figura seja inspiradora destes valores e deste sentido de vida?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, de maneira nenhuma. Eles s\u00e3o treinados, dizem-lhe muitas vezes: \u201cp\u00e1, trabalha, porque tu \u00e9 que te safas, tu \u00e9 que vais ganhar dinheiro\u201d. Aquela linguagem do desporto. A pessoa \u00e9 empurrada, logo de garoto, para o reino do argent\u00e1rio, para o reino do quantitativo, quando a felicidade est\u00e1 noutro lado. H\u00e1 muita gente cheia de dinheiro e que est\u00e1 sempre a dizer que n\u00e3o \u00e9 feliz. A felicidade vem disto: quando encontramos o sentido da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Vemos que muitos atletas s\u00e3o \u00eddolos para as novas gera\u00e7\u00f5es e deviam ter uma responsabilidade acrescida, na forma como s\u00e3o no exerc\u00edcio da profiss\u00e3o e na vida pessoal. Isso nem sempre acontece\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil. A vida deles \u00e9 mediaticamente escancarada, pelas revistas cor-de-rosa\u2026 Vemos que eles est\u00e3o longe do sentido da vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos devemos esquecer que vivemos num tempo do espet\u00e1culo, em que o que n\u00e3o \u00e9 espet\u00e1culo, n\u00e3o \u00e9, n\u00e3o existe; h\u00e1 necessidade do espet\u00e1culo, h\u00e1 necessidade de aparecer como ator. Portanto, temos de ouvir muito o Papa Francisco, aquela frase que ele diz sobre a infraestrutura que nos governa, econ\u00f3mica: Esta Economia mata. Esta Economia mata.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E esta Economia pode matar o desporto, tamb\u00e9m?<\/em><\/p>\n<p>Claro, pode matar o desporto, esta Economia mata tudo. N\u00f3s n\u00e3o temos, no desporto, uma prepara\u00e7\u00e3o \u00e9tica igual \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o que se quer dar\u2026 Mesmo isso que se espalha por a\u00ed, que correr d\u00e1 sa\u00fade. S\u00f3 correr n\u00e3o d\u00e1 sa\u00fade, o que d\u00e1 sa\u00fade \u00e9 o sentido, porque \u00e9 que eu vivo, as grandes perguntas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Referiu a paix\u00e3o pela corrida, que parece ter apanhado os portugueses nos \u00faltimos anos. Nas grandes cidades crescem as ciclovias, e h\u00e1 cada vez mais gente a andar de bicicleta e a correr\u2026<\/em><\/p>\n<p>E fazem bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas s\u00f3 tem um lado positivo?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o chega. Para ser feliz, n\u00e3o chega correr, para ser feliz \u00e9 preciso estar o homem todo, como diz o poema do Fernando Pessoa [Para ser grande, s\u00ea inteiro: nada\/Teu exagera ou exclui].<\/p>\n<p>H\u00e1 dois grandes autores, que eu li, muito importantes para conhecer tudo, inclusivamente o desporto: Emmanuel Mounier e o padre Teilhard de Chardin. O homem \u00e9 integralmente corpo quando \u00e9 integralmente esp\u00edrito e \u00e9 integralmente esp\u00edrito quando \u00e9 integralmente corpo. Portanto, a gente n\u00e3o pode separar uma coisa da outra.<\/p>\n<p>Quando defino a motricidade como movimento intencional e solid\u00e1rio da transcend\u00eancia, ponho o intencional. N\u00e3o \u00e9 preciso dizer psicomotricidade, porque j\u00e1 o digo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na sua reflex\u00e3o, h\u00e1 uma ideia de sempre de unidade, que vai em sentido contr\u00e1rio a uma tradi\u00e7\u00e3o de separa\u00e7\u00e3o corpo-esp\u00edrito. De que forma \u00e9 que isso pode ajudar quem come\u00e7a numa pr\u00e1tica desportiva, percebendo que n\u00e3o basta a dimens\u00e3o t\u00e9cnica?<\/em><\/p>\n<p>At\u00e9 estou convencido de que uma pessoa que tenha o sentido da vida \u00e9 melhor atleta, est\u00e1 mais confiante. E at\u00e9 a ora\u00e7\u00e3o, que alias h\u00e1 muitos jogadores que a fazem, a dimens\u00e3o religiosa, temos de falar da dimens\u00e3o religiosa na alta competi\u00e7\u00e3o, designadamente no futebol. A ora\u00e7\u00e3o, falarmos com Deus, faz-nos bem, at\u00e9 psicologicamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio33.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-130584 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio33-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio33-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio33-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio33-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio33-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/manuel_sergio33.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Portanto, tamb\u00e9m \u00e9 importante ajudar os portugueses a fazer melhor exerc\u00edcio f\u00edsico, tendo em conta estas quest\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>A sa\u00fade n\u00e3o depende s\u00f3 do exerc\u00edcio f\u00edsico, depende de um exerc\u00edcio f\u00edsico onde h\u00e1 valores, onde eu sou tanto, t\u00e3o bom do ponto de vista de f\u00edsico, como do ponto de vista moral. Tudo isso tem a ver com o desporto, tudo isso tem a ver com a vida toda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa sua vis\u00e3o influenciou uma gera\u00e7\u00e3o de treinadores, com a ideia de que n\u00e3o basta s\u00f3 saber de futebol para ser bom treinador. De que forma \u00e9 que v\u00ea o sucesso de pessoas de quem foi pr\u00f3xima, como Jos\u00e9 Mourinho ou Jorge Jesus?<\/em><\/p>\n<p>Todos n\u00f3s temos defeitos, \u00e9 por isso que somos seres humanos, n\u00e3o somos perfeitos. Mas esta gera\u00e7\u00e3o entra num mundo\u2026 Eu n\u00e3o posso dizer que entro num caminho com lama e que n\u00e3o sujo os p\u00e9s. Aquele mundo \u00e9 de dinheiro, de ganhar de qualquer forma, de vit\u00f3ria, tem determinados defeitos.<\/p>\n<p>Se a sociedade \u00e9 de determinada maneira, o desporto replica. A gente tem de assumir: se discorda dos valores predominantes na sociedade, tem de fazer uma rutura. A seguir, vem o profetismo: um projeto de sociedade diferente. Eu, cada vez mais, acredito em Deus. Talvez seja da pr\u00f3pria velhice.<\/p>\n<p>Hegel tem uma frase de que eu me lembro, \u00e0s vezes, agora que cheguei a velho: A ave de Minerva, ou seja, a ave da sabedoria, s\u00f3 levanto voo ao entardecer. Eu reparo que \u00e9 mesmo assim: envelheci e tenho a sensa\u00e7\u00e3o que sei mais, que sei melhor, que conhe\u00e7o melhor o ambiente que me rodeia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os treinadores t\u00eam responsabilidade no exemplo que d\u00e3o aos outros? Quando um treinador, no final de um jogo, n\u00e3o cumprimenta um advers\u00e1rio, isso \u00e9 um mau exemplo?<\/em><\/p>\n<p>Com certeza. O treinador devia ser, simultaneamente, um educador. E muitas vezes n\u00e3o o sabe ser. Muitas vezes sabe que, para agradar a determinados dirigentes, tem que vestir aquele fato de indiv\u00edduo que n\u00e3o liga ao advers\u00e1rio. Ali\u00e1s, eu sem o advers\u00e1rio n\u00e3o posso praticar desporto, n\u00e3o \u00e9? \u00c9 imprescind\u00edvel \u00e0 minha pr\u00e1tica desportiva. O advers\u00e1rio \u00e9 algu\u00e9m com quem eu devo competir, evidentemente, mas que devo respeitar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A quest\u00e3o da viol\u00eancia no futebol \u00e9 um fen\u00f3meno que o preocupa<\/em><\/p>\n<p>Preocupa-me. Se a sociedade \u00e9 violenta, \u00e9 evidente que o desporto tem tamb\u00e9m viol\u00eancia. Agora, aten\u00e7\u00e3o: o desporto tem viol\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 violento. \u00c9 uma coisa completamente diferente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Fazem-no violento?<\/em><\/p>\n<p>Fazem-no violento. Mas acho que esta frase, passe a imod\u00e9stia, diz tudo: o desporto n\u00e3o \u00e9 violento, tem viol\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table style=\"background-color: #ededed;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><em>H\u00e1 uma quest\u00e3o que temos a colocar que tem a ver com outra faceta do seu percurso, com a sua experi\u00eancia pol\u00edtica, como deputado. At\u00e9 que ponto \u00e9 que a aten\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica sobre os reformados, que se criou com o PSN, o Partido da Solidariedade Nacional, se perdeu na atualidade?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 uma coisa que eu quero chamar a aten\u00e7\u00e3o: eu entrei de forma idealista na pol\u00edtica, porque n\u00e3o escolhi os partidos do arco do poder, escolhi, criei um partido e depois fiz pol\u00edtica. Isto quer dizer alguma coisa.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E que foi um fen\u00f3meno, na altura\u2026<\/em><\/p>\n<p>Foi. Mas depois reparei no seguinte: um deputado na Assembleia da Rep\u00fablica, \u00e9 melhor n\u00e3o estar l\u00e1, sabe? \u00c9 que n\u00e3o faz nada. Bom, uma pessoa deixa qualquer coisa, conheci pessoas de muito valor, pessoas que se deram comigo, que foram meus amigos. Estou a lembrar-me do doutor Almeida Santos, que foi uma pessoa que sempre me acompanhou, fomos muito amigos. Depois tamb\u00e9m tive um companheiro de curso, amigo de toda a vida, o Jos\u00e9 Medeiros Ferreira. Estou a lembrar-me do Ra\u00fal Rego, que gostava muito de falar comigo e que me convidou a escrever no \u2018Rep\u00fablica\u2019, antes do 25 de Abril. Portanto, ganhei conhecimento com algumas pessoas\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas sente que h\u00e1 um espa\u00e7o pol\u00edtico, para medidas e um olhar espec\u00edfico sobre a terceira idade, que ficou por preencher? <\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 mais pessoas que trabalham pelos mais velhos, os mais idosos. Agora, era preciso fazer mais, mas isto tamb\u00e9m \u00e9 uma sociedade &#8211; a gente n\u00e3o pode desligar nada da sociedade, de onde brotam as institui\u00e7\u00f5es -, a pr\u00f3pria sociedade deita fora o que n\u00e3o presta. Deita fora o que est\u00e1 velho. O maior drama, talvez, que encontrei neste pa\u00eds, foram os idosos s\u00f3s. Encontrei tanta senhora vi\u00fava, com os filhos em Paris, na Austr\u00e1lia\u2026 Totalmente s\u00f3s. O que n\u00e3o deve sofrer esta gente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E esse fen\u00f3meno continua, tantos anos depois de ser deputado (1991-1995)\u2026<\/em><\/p>\n<p>O deputado pode pouco, faz o que pode. Eu acho que tamb\u00e9m tem de haver mais respeito pela Assembleia da Rep\u00fablica, o deputado \u00e9 um mal-amado e ele n\u00e3o tem assim tanto poder como se julga.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fil\u00f3sofo portugu\u00eas Manuel S\u00e9rgio inspirou a nova c\u00e1tedra &#8220;Desporto, \u00c9tica e Transcend\u00eancia&#8221;, promovida pelo Instituto Portugu\u00eas do Desporto e Juventude pela Faculdade de Teologia da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":130583,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[],"class_list":["post-130528","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130528","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=130528"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130528\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/130583"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=130528"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=130528"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=130528"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}