{"id":129640,"date":"2019-03-04T10:44:58","date_gmt":"2019-03-04T10:44:58","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=129640"},"modified":"2019-03-04T10:44:58","modified_gmt":"2019-03-04T10:44:58","slug":"o-horizonte-da-ressurreicao-na-era-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-horizonte-da-ressurreicao-na-era-digital\/","title":{"rendered":"O horizonte da ressurrei\u00e7\u00e3o na era digital"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><!--more--><\/p>\n<p>Esta semana come\u00e7a um per\u00edodo muito interessante e importante na vida de todos os Crist\u00e3os: a Quaresma. Digo interessante porque o <em>minimalismo digital<\/em> que tenho reflectido nas \u00faltimas semanas parece estar plenamente em linha com o esp\u00edrito quaresmal que este ano o Papa Francisco convida-nos a viver, estendendo essa viv\u00eancia ao relacionamento que temos com a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_129641\" aria-describedby=\"caption-attachment-129641\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horizonte.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-129641\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horizonte.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horizonte.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horizonte-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horizonte-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horizonte-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horizonte-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-129641\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Linda Xu em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na mensagem deste ano, o Papa Francisco usa a express\u00e3o <em>\u201creden\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio corpo humano\u201d<\/em>; fala do desafio de <em>\u201cdesejos incontrolados\u201d<\/em> associados a um estilo de vida que ultrapassa os limites da condi\u00e7\u00e3o humana e do respeito pela natureza; da imposi\u00e7\u00e3o de uma <em>\u201cl\u00f3gica do tudo e imediatamente, do possuir cada vez mais\u201d<\/em>; e da liga\u00e7\u00e3o que existe entre n\u00f3s e a cria\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do nosso corpo.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h3>Corpo<\/h3>\n<p>De facto, o drama da nossa vida que exige reden\u00e7\u00e3o passa muito pelo <em>encontro com o nosso corpo.<\/em> Mas, apesar do restauro da sua fisionomia &#8211; como refere o Papa a um dado momento &#8211; creio que a t\u00f3nica mais importante, associada aos estilos de vida, \u00e9 o efeito que os \u201cdesejos incontrolados\u201d, \u201cl\u00f3gica do tudo e imediatamente, e possuir cada vez mais\u201d tem sobre o nosso comportamento. No s\u00e9culo XXI, a sa\u00fade do corpo passa tamb\u00e9m pela sa\u00fade digital devidos aos excessos que actualmente vivemos e, na maior parte das pessoas, sem consci\u00eancia disso.<\/p>\n<p>Do nosso corpo fazem parte os pensamentos que temos, a capacidade de fazer sil\u00eancio para os articular, deixar que Deus nos fale atrav\u00e9s deles e, sobretudo, atrav\u00e9s dos relacionamentos que temos com os outros face-a-face, n\u00e3o digitalmente.<\/p>\n<p>O louvor a Deus, a ora\u00e7\u00e3o, a contempla\u00e7\u00e3o e a arte n\u00e3o se fazem com <em>likes<\/em> ou cora\u00e7\u00f5ezinhos, mas com a cabe\u00e7a que pensa, o cora\u00e7\u00e3o que bate, e as m\u00e3os que se erguem em louvor, se apertam em ora\u00e7\u00e3o, ou se metem em ac\u00e7\u00e3o pelos mais necessitados.<\/p>\n<p>A contempla\u00e7\u00e3o n\u00e3o se faz reduzindo-a a tempos infind\u00e1veis diante de um pequeno \u00e9cran quando temos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o os 360\u00ba da cria\u00e7\u00e3o com a qual partilhamos o ar que respiramos e a vis\u00e3o de um <em>\u201chorizonte da Ressurrei\u00e7\u00e3o\u201c<\/em> &#8211; como diz o Papa &#8211; que nos abre \u00e0 criatividade que nos distingue.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Rever e recome\u00e7ar<\/h3>\n<p>Como crist\u00e3os, penso que podemos fazer desta Quaresma uma oportunidade para rever a nossa vida digital sob o ponto de vista das tr\u00eas grandes caracter\u00edsticas deste per\u00edodo sobre as quais o Papa Francisco reflecte.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c<strong>Jejuar<\/strong>, isto \u00e9, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tenta\u00e7\u00e3o de \u00abdevorar\u00bb tudo para satisfazer a nossa voracidade, \u00e0 capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso cora\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Sofrer por amor \u00e9 uma capacidade que desenvolvemos com o encontro f\u00edsico com os outros e com a natureza. Se telefonamos \u00e9 para nos encontrarmos. Se fazemos uma video-chamada \u00e9 para nos vermos. Se caminharmos pela natureza restauramos a nossa aten\u00e7\u00e3o e desenvolvemos um relacionamento diferente com a cria\u00e7\u00e3o. Mas, hoje, sofrer por amor passa pelo desenvolvimento de uma maior capacidade de escuta atenta ao outro, desapegado dos toques e vibra\u00e7\u00f5es que nos distraiem.<\/p>\n<p>Que tal 40 dias com o telem\u00f3vel permanentemente em modo sil\u00eancio fora das horas laborais?<\/p>\n<blockquote><p>\u201d<strong>Orar<\/strong>, para saber renunciar \u00e0 idolatria e \u00e0 autossufici\u00eancia do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua miseric\u00f3rdia.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>O gesto de actualizar o mural de uma rede social numa App, ou email, \u00e9 o mesmo que fazemos naquelas m\u00e1quinas de jogo que se encontram com frequ\u00eancia em bombas de gasolina espanholas e nos casinos. Sem nos darmos conta, fazemos do excesso de interactividade que temos com os <em>smartphones<\/em> um modo diferente de idolatria, neste caso, idolatria a toda e qualquer forma de entertenimento. Com o tremendo poder da informa\u00e7\u00e3o nas nossas m\u00e3os, muitos sentem-se autossuficientes. Basta-me conectar ao mundo e n\u00e3o preciso de mais nada. N\u00e3o admira que um certo jejum virtual pudesse dar mais espa\u00e7o e tempo \u00e0 ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, passar mais tempo com a natureza leva-nos \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o da sua beleza e \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. Seja pelo ar que respiramos ou pela oportunidade de estarmos juntos com os que mais amamos.<\/p>\n<blockquote><p>\u201d<strong>Dar esmola<\/strong>, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para n\u00f3s mesmos, com a ilus\u00e3o de assegurarmos um futuro que n\u00e3o nos pertence.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Viver da riqueza de ter muitos <em>likes<\/em>, ser apreciado nas redes sociais pelos coment\u00e1rios que fazemos ou experi\u00eancias que partilhamos, pode tornar-se num modo de acumular aquilo que enche o nosso orgulho de ser popular no mundo digital. E para qu\u00ea? Que futuro asseguramos com uma presen\u00e7a activa e apreciada na <em>net<\/em>? Tudo n\u00e3o passa de uma ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>A esmola de hoje n\u00e3o passa apenas por dar aquilo que n\u00e3o temos a mais e nos queixamos de ter cada vez menos. Tempo.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem precise dos bens materiais que temos a mais, mas como \u00e9 dif\u00edcil abdicar do tempo que gastamos conectados, quando pod\u00edamos dedic\u00e1-lo aos outros.<\/p>\n<p>Temos mais tempo do que pensamos, mas damo-nos pouco conta de como o descartamos com o que nos conecta ao mundo, mas nos isola dos que nos est\u00e3o pr\u00f3ximos. A esmola da nossa \u00e9poca \u00e9 um tempo de qualidade para construir verdadeiros relacionamentos que transformam vidas, incluindo a nossa.<\/p>\n<p>A vida nova que prov\u00e9m da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, na era digital, \u00e9 uma vida f\u00edsica que envolve o olhar, a voz, o abra\u00e7o, a escuta e o perfume do relacionamento aut\u00eantico com o outro. Aquele que leva tempo a construir, mas permanence para sempre. Aquele que n\u00e3o depende de um pedido e aceita\u00e7\u00e3o de amizade, mas perde-se no outro e aceita-o, n\u00e3o somente pelo que \u00e9, mas por aquilo que pode ser quando nos amamos reciprocamente.<\/p>\n<p>O horizonte da ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 vasto, criativo e inspirador, mas precisa de que levantemos o nosso olhar e contemplemos a humanidade e a cria\u00e7\u00e3o diante de n\u00f3s. Um convite quaresmal a rever os nossos valores e a recome\u00e7ar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92442,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-129640","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129640","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=129640"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129640\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92442"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=129640"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=129640"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=129640"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}