{"id":12913,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/os-suspeitos-do-costume\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"os-suspeitos-do-costume","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-suspeitos-do-costume\/","title":{"rendered":"Os suspeitos do costume"},"content":{"rendered":"<p>Come\u00e7a a tornar-se frequente o facto de, sempre que surgem problemas sociais e econ\u00f3micos, se apontar o dedo aos habituais bodes expiat\u00f3rios: africanos, ciganos, espanh\u00f3is, europeus de Leste <!--more--> Come\u00e7a a tornar-se frequente o facto de, sempre que surgem problemas sociais e econ\u00f3micos, se apontar o dedo aos habituais bodes expiat\u00f3rios: africanos, ciganos, espanh\u00f3is, europeus de Leste. Dos argumentos emergem recalcados sentimentos de xenofobia e an\u00e1lises de \u00abdefesa\u00bb nacional que exploram, de forma demag\u00f3gica, um vago e imagin\u00e1rio sentimento de \u00abportugalidade\u00bb, alicer\u00e7ado no medo e na aus\u00eancia de mem\u00f3ria. A verdade \u00e9 que, de facto, essas quest\u00f5es sociais e pol\u00edticas est\u00e3o j\u00e1 sobejamente diagnosticadas \u2013 at\u00e9 por estudos de peritos! \u2013 e n\u00e3o podem ser mais adiadas. O \u00abarrast\u00e3o negro de Carcavelos\u00bb e a \u00abmarcha branca no Martim Moniz\u00bb s\u00e3o solu\u00e7os do monstro que dorme\u2026 Urge assumir a realidade, a hist\u00f3ria nacional, a mem\u00f3ria de um povo, o fracasso pol\u00edtico, ousando mudar de olhar e agindo sobre as causas. Est\u00e1 em jogo a coes\u00e3o nacional e o nosso futuro de paz neste sossegado litoral ib\u00e9rico. N\u00e3o enfrentar os problemas e suas causas, adiar estrat\u00e9gias que deixam os prevaricadores na impunidade \u00e9 deixar \u00e0 solta formas outras de viol\u00eancia e de delinqu\u00eancia que amea\u00e7am a seguran\u00e7a nacional: a enraizada evas\u00e3o fiscal, os 18 mortos na estrada naquele fim-de-semana prolongado, a exclus\u00e3o dos bairros degradados habitados por portugueses e imigrantes por causa da suspens\u00e3o do Plano Especial de Realojamento, o aumento da emigra\u00e7\u00e3o \u00abtempor\u00e1ria\u00bb e \u00abfor\u00e7ada\u00bb devido ao crescente desemprego e endividamento das fam\u00edlias, a posse ilegal de armas, o tr\u00e1fico de droga e de pessoas, a morte de agentes de seguran\u00e7a no cumprimento do dever, o proliferar transfronteiri\u00e7o de centenas de casas de alterne e consequente aumento da prostitui\u00e7\u00e3o e suas redes de proxenetismo, entre outras. \u00abArrast\u00f5es\u00bb, alguns deles tabus, porque denunciam um jeito de ser portugu\u00eas. A \u00abditosa\u00bb semana de Junho foi, na verdade, um per\u00edodo repleto de eventos contradit\u00f3rios e invulgares a que ningu\u00e9m ficou indiferente: o hipermediatizado e delinquente \u00abarrast\u00e3o\u00bb dos jovens \u00ab2.\u00aa gera\u00e7\u00e3o\u00bb na praia de Carcavelos, do qual apenas uma queixa foi formalizada na PSP; a visita pol\u00e9mica do corajoso Presidente da Rep\u00fablica ao \u00abproblem\u00e1tico bairro africano\u00bb no Alto da Cova da Moura para participar num \u00abworkshop\u00bb do \u00abMoinho da Juventude\u00bb onde apelou \u00e0 toler\u00e2ncia, legaliza\u00e7\u00e3o dos imigrantes e respeito pela lei; e, por fim, a marcha contra a criminalidade organizada por cidad\u00e3os \u00abbrancos\u00bb \u2013 vestidos de preto! \u2013 e apoiada por grupos de inspira\u00e7\u00e3o racista.  Lamento que a criminalidade continue fatal e generalizadamente a ser associada \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o. Vi quanto as fam\u00edlias africanas e seus filhos, que conhe\u00e7o e acompanho espiritualmente no Bairro da Quinta da Princesa de Amora \u2013 \u00abpessoas de bem\u00bb, trabalhadores honestos e crist\u00e3os comprometidos na evangeliza\u00e7\u00e3o! \u2013, se sentiram, de novo, humilhados pelo empolgamento dos \u00abmedia\u00bb e injustamente estigmatizados por desordens, crimes e ofensas que n\u00e3o cometeram. N\u00e3o \u00e9 com generaliza\u00e7\u00f5es perversas e preconceituosas que se constr\u00f3i uma \u00absociedade integrada\u00bb. Portugueses \u00abestrangeirados\u00bb pela emigra\u00e7\u00e3o ou \u00abmagoados\u00bb pela descoloniza\u00e7\u00e3o\u2026 Jovens portugueses, filhos de pais \u00abbrancos\u00bb ou \u00abdiferentes\u00bb porque filhos de imigrantes&#8230; Todos s\u00e3o Portugal, na diversidade dos tempos, dos espa\u00e7os, das vicissitudes da vida, das traject\u00f3rias e das origens! O Pa\u00eds \u00e9 tamb\u00e9m a presen\u00e7a e trabalho de 470 mil imigrantes \u2013 africanos, latino-americanos, asi\u00e1ticos e europeus \u2013 que, se bem que em situa\u00e7\u00e3o de desigualdade de oportunidades e discriminados, colaboram activamente no desenvolvimento do Pa\u00eds e amam tanto Portugal como a terra onde nasceram.  Muito obrigado, Eddy, Elaine e Vassili.  <i>Rui M. da Silva Pedro, Director Nacional da Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es<\/i>, in \u201cAl\u00e9m-Mar\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7a a tornar-se frequente o facto de, sempre que surgem problemas sociais e econ\u00f3micos, se apontar o dedo aos habituais bodes expiat\u00f3rios: africanos, ciganos, espanh\u00f3is, europeus de Leste<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[171,206,258],"class_list":["post-12913","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-beja","tag-familia","tag-migracoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12913","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12913"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12913\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}