{"id":12909,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/bispo-do-funchal-exige-turismo-de-rosto-humano\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"bispo-do-funchal-exige-turismo-de-rosto-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bispo-do-funchal-exige-turismo-de-rosto-humano\/","title":{"rendered":"Bispo do Funchal exige  turismo de rosto humano"},"content":{"rendered":"<p>Os n\u00fameros sobre o turismo figuram entre os colossos industriais, comparado com o fabrico de carros, do a\u00e7o e do petr\u00f3leo. Cento e vinte sete milh\u00f5es de pessoas trabalham  no mundo na \u00e1rea do turismo. Nos pa\u00edses ricos o turismo representa 32% na factura\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e 9% nos pa\u00edses em vias de desenvolvimento. O sul da Europa e do mundo recebe e alimenta o tempo livre dos habitantes do norte.    1. Embora o momento actual n\u00e3o seja para alguns portugueses muito prop\u00edcio para um turismo fora de fronteiras, as f\u00e9rias s\u00e3o hoje um direito adquirido, necess\u00e1rio para refazer for\u00e7as, cultivar o esp\u00edrito, encontrar pessoas e povos, tornando o universo a casa da fam\u00edlia humana.  Os n\u00fameros sobre o turismo fi-guram entre os colossos industriais, comparado com o fabrico de carros, do a\u00e7o e do petr\u00f3leo. 127 mi-lh\u00f5es de pessoas trabalham no mundo na \u00e1rea do turismo. Nos pa\u00edses ricos o turismo representa 32% na factura\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e 9% nos pa\u00edses em vias de desenvolvimento. O sul da Europa e do mundo recebe e alimenta o tempo livre dos habitantes do norte.  Nos pa\u00edses industrializados, a sociedade de consumo fez do turismo uma forma de prest\u00edgio social. At\u00e9 aos in\u00edcios de 1900 o turismo era um fen\u00f3meno de elites, da nobreza e alta burguesia. Felizmente que o turismo se tornou fen\u00f3meno de massas com a industrializa\u00e7\u00e3o e urbaniza\u00e7\u00e3o.  Afirma-se, frequentemente, que o turismo representa para os pa\u00edses pobres uma possibilidade de progresso. Esta afirma\u00e7\u00e3o deve ser redimensionada. S\u00f3 uma pequena parte do produto do turismo fica nos pa\u00edses mais pobres. A maior parte retorna aos pa\u00edses ricos, com o consumo local muito reduzido, com produtos vindos do exterior e com grandes investimentos estrangeiros. Nem sempre se consideram os riscos de embate ambiental. O ecossistema dos pa\u00edses pobres \u00e9 sacrificado ao interesse da procura tur\u00edstica. As f\u00e9rias ligadas ao golf criaram graves problemas \u00e0s comunidades no sudoeste asi\u00e1tico e m\u00e9dio oriente pelo uso da \u00e1gua e dos pesticidas. Na Europa do Norte os dep\u00f3sitos de Inverno levaram \u00e0 morte de v\u00e1rias florestas.   2 &#8211; A condi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, nos lugares de f\u00e9rias, torna-se facilmente terreno f\u00e9rtil para a explora\u00e7\u00e3o, principalmente para os 13 a 19 milh\u00f5es de jovens que traba-lham em sectores ligados ao turismo. Os pa\u00edses de sonho publicitados pelas ag\u00eancias de Viagens, verdadeiros ou falsos, escondem por vezes motiva\u00e7\u00f5es de abuso da pessoa humana, considerada como mercadoria.  H\u00e1 uma prolifera\u00e7\u00e3o de formas de turismo.  Um recente estudo realizado na Inglaterra, adivinha quatro tipos de turistas. Primeiro os turistas de massa, que compram viagens com tudo organizado. Segundo o turista de massa individual, mais livre e aut\u00f3nomo que estabelece antes de partir o plano da sua viagem, das visitas e repouso. Os guias tur\u00edsticos permitem encontrar tudo o que o visitante necessita at\u00e9 com frases pr\u00f3prias para se livrar dos vendedores ambulantes. Terceiro, o turista pioneiro ou explorador, que procurou lugares pouco visitados ou ex\u00f3ticos, sozinho ou em pequenos grupos e gasta muito mais do que os outros grupos. Por fim, o chamado \u00abvagabundo\u00bb que evita qualquer organiza\u00e7\u00e3o tur\u00edstica e procura conhecer a realidade local, \u00e0 sua maneira, decidindo \u00e0 noite o que vai realizar no dia seguinte.  \u00c9 poss\u00edvel que alguns grupos n\u00e3o se enquadrem neste esquema, como o turismo religioso, mas o que interessa no tempo livre \u00e9 quebrar a pr\u00f3pria rotina, gerir os dias de forma diversa do habitual, experimentar novas formas de alimenta\u00e7\u00e3o, encontrar pessoas e tecer novas amizades.  O turismo internacional torna-se cada vez mais uma v\u00e1lvula de escape para milh\u00f5es de pessoas que se sentem pe\u00e7as de uma m\u00e1quina na sociedade onde vivem e traba-lham, onde tudo est\u00e1 organizado e sob controlo do patr\u00e3o, da pol\u00edcia, do hor\u00e1rio de trabalho, dos familiares.  Acontece tamb\u00e9m, que algumas vezes o tempo de f\u00e9rias sujeita a pessoa a outro esquema que favorece o stress e n\u00e3o permite um verdadeiro repouso, no meio de multid\u00f5es que se comprimem nos aeroportos, auto-estradas, restaurantes, praias e hot\u00e9is. \u00c9 preciso humanizar o turismo, educar para a hospitalidade e cultura da sobriedade, alegre e digna, enriquecer o esp\u00edrito com o encontro de novas culturas e experi\u00eancias.   3 &#8211; As novas gera\u00e7\u00f5es descobriram uma nova forma de ocupar o tempo livre nas f\u00e9rias, colocando-se ao servi\u00e7o das popula\u00e7\u00f5es carenciadas do terceiro mundo. S\u00e3o f\u00e9rias diferentes, ricas de esp\u00edrito de doa\u00e7\u00e3o, alegria interior que esquece sacrif\u00edcios, priva\u00e7\u00f5es, comodidades, para entrar em contacto com a pobreza, ignor\u00e2ncia, por vezes doen\u00e7as e perigos, mas enriquecendo o esp\u00edrito de generosidade, construindo amizades duradouras, semeando alegria, educando para a paz e progresso humano.  Com o esp\u00edrito de grande doa\u00e7\u00e3o esta juventude alegra o cora\u00e7\u00e3o do mundo novo, faz emergir a presen\u00e7a do Invis\u00edvel na vida, no encontro, no di\u00e1logo, no servi\u00e7o realizado com amor generoso e gratuito. Para estes, o tempo livre, converteu-se em tempo de liberta\u00e7\u00e3o, de vida mission\u00e1ria e b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus.   <i>D. Teodoro de Faria, Bispo do Funchal<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os n\u00fameros sobre o turismo figuram entre os colossos industriais, comparado com o fabrico de carros, do a\u00e7o e do petr\u00f3leo. Cento e vinte sete milh\u00f5es de pessoas trabalham no mundo na \u00e1rea do turismo. Nos pa\u00edses ricos o turismo representa 32% na factura\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e 9% nos pa\u00edses em vias de desenvolvimento. 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